domingo, 27 de maio de 2012

STEVEN SPIELBERG | INDIANA JONES e o Templo Da Perdição

MONTANHA RUSSA



Desta vez Indy vai parar na Índia, lá conhece uma aldeia pobre desesperada que fazem com que o arqueólogo aventureiro descubra o desaparecimento de pedras míticas e das crianças do vilarejo. Ele concorda em ajudar e, junto com um garotinho asiático e uma cantora de Night Club, Jones acaba se deparando com um culto satânico que estão planejando um terrível massacre nas catacumbas de um antigo palácio.




Quando GEORGE LUCAS e STEVEN SPIELBERG lançaram o clássico OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (Raiders Of The Lost Ark, 1981) a aventura ganhou um nome: INDIANA JONES, para sempre vivido pelo astro HARRISON FORD. Só que desta vez Indiana desce ao fundo do inferno e volta para respirar ar fresco nesta verdadeira montanha russa de emoções que é a segunda parte da série do arqueólogo que sai pelo mundo buscando artefatos antigos e mágicos e acaba conhecendo civilizações misteriosas. O TEMPLO DA PERDIÇÃO (The Temple Of Doom, 1984) se passa antes de “Caçadores”, em 1935, desta vez Lucas queria evitar os nazistas sendo os vilões da premissa. A diversão começa em Xangai (a boate em que Willie Scott canta leva o nome de Club Obi-Wan!) e termina na cordilheira do Himalaia na qual o herói cai literalmente e especificamente na Índia!


Não tem como negar que “O templo” é um episódio sem o qual uma coleção de grandes aventuras jamais estará completa. Pode ser o mais sombrio, distante e estranho filme de Indiana, mas é puro deleite, um verdadeiro parque temático, numa aventura repleta de efeitos especiais, ação, correria, personagens exóticos e tudo isso feito por uma estilização interessante. Jones (Ford), o “baixinho” Short Round (KE HUY QUAN – que parece filho do Jackie Chan) e a donzela desambientada com florestas, Willie, uma cantora fresca ( KATE CAPSHAW – mulher de spielberg), embarcam acidentalmente nesta aventura e arriscam suas vidas na tentativa de salvar crianças escravizadas em uma mina, além é claro de recuperar as pedras de Sankara, que reluzem vida em um vilarejo indiano pobre da região. Eles tem que deter esta seita diabólica, os Tuggee que idolatram um deus ruim chamado Kalima e que ao beber de seu sangue, a pessoa fica presa numa escuridão hipnotizada e ainda por cima recebendo ordens de um sacerdote do mal, Mola Ram, o ótimo AMRISH PURI (1932-2005). 


Este capítulo de Jones empolga porque desde o seu início na China em uma bela introdução mostrando Ford vestido de Humphrey Bogard e enfrentando uns mafiosos asiáticos que o mandaram buscar as cinzas de um imperador importante, o filme é uma eterna máquina de emoções. Kapshaw esta divertida cantando parcialmente em inglês e chinês “Anything Goes” com aqueles bárbaros números musicais estilo Busby Berkeley o que comprova o que muitos dizem: "Spielberg sempre foi um diretor de musicais frustrado!" Porém, de todos os momentos antológicos, provavelmente a cena de perseguição interminável de carros em uma mina (escrita originalmente para o primeiro filme) faz valer o ingresso e a sessão pipoca, sem compromissos. Era para ser mesmo um filme diferente, sem repetir a fórmula dos “Caçadores”, mas teve um lado negativo, aquele estilo ligeiro e engraçado que resultou em uma aventura querida e feliz de matinê não se repetiu totalmente neste segundo. Um filme meio fora de órbita dentro da filmografia de Spielberg. E ele mesmo afirmou isso dizendo apenas que o que mais valeu a pena dirigir esta pérola foi por ter conhecido a mulher de sua vida: “O herói beijou e ficou com a garota, mas eu casei com ela!”.


O papel da mocinha tinha sido escrito originalmente para SHARON STONE (que depois faria a série do Allan Quartemain ao lado de Richard Chamberlain no extinto estúdio da Cannon. Filmes como: “As Minas do Rei Salomão” [1985] baseado no autor clássico Haggard e que no ano seguinte surgiu “A Cidade Do Ouro Perdido”, fitas que copiam a explosão do sucesso da série de Indiana, apesar da obra de Haggard ter sido escrita muitos anos atrás). Stone tinha o perfil de interpretar uma garota que não tem nada em comum com a heroína do filme anterior: Marion Ravenwood (Karen Allen), que mesmo em perigo, era mais durona e ativa, desta vez era para ser uma mulher totalmente medrosa e que fica gritando o tempo todo pelo herói, aliás, Kate competiu com a Fay Wray no grito. Ela superou a donzela de King Kong? Concordo que às vezes Capshaw chega a irritação já que sua personagem era, além de fina estampa, chata e egoísta. Por outro lado, ela sabe antagonizar isso de uma maneira incrível e é notável os esforços que Spielberg fazia para agradar sua futura esposa. Nas cenas de making of era possível notar vários flertes e o diretor é capaz de mudar completamente o script só para evitar que a estrela chegue perto de uma cobra! Mas, o trato seria: “você vai ter que colocar suas delicadas mãos de princesas em insetos!” 

E o que seria da série se não houvesse essas pragas nojentas? As cobras fizeram o seu número contra um vidro que separava os atores das mais venenosas no primeiro filme e os ratos no terceiro deixaram ótima impressão, desta vez são os insetos que entram em cena (eu nunca tive nojo ou medo de lagartixas e grilos) que o baixinho achava ser “biscoitinhos da sorte”. E a cena mais engraçada de Kapshaw é quando ela tem que enfiar a mão em um buraco cheio de bichos gosmentos na tentativa de salvar os amigos de uma câmara mortal, o que resulta também, graças a Sra. Spielberg, na melhor cena de todo o filme, em minha opinião, quando ela finalmente enfia a mão, desesperada e berrando, a câmara é finalmente aberta, mas a “loira burra” encosta o traseiro na mesma armadilha que o garotinho encostou anteriormente e começa tudo de novo! Risos. Hora de correr e pegar o chapéu no último instante!

Depois é hora de o filme ficar cada vez mais sombrio. Cenas de sacrifício Tugue, arrancando o coração e jogando a vítima de maneira tortuosa para a lava. Sem contar que é triste ver crianças sendo chicoteadas e espancadas, mesmo que não seja tão explícito (há movimentos de câmera e cortes deixando a violência bem estilizada). Mesmo assim, o filme não foi aprovado para uma censura livre, mas Spielberg conseguiu um acordo e pela primeira vez foi criada uma avaliação indicativa para maiores de 13 anos!

Todas as tomadas externas e a distância na mina, a perseguição nos trilhos e a água que depois persegue os mocinhos, foram criadas em maquetes, somente os closes foram inseridos em estúdio sob um fundo falso com os atores. A ponte que ficava suspensa em uma altura real (Spielberg dava bronca em George Lucas que ficava brincando de pular na ponte. Steven morre de medo de altura e teve que percorrer de carro uma milha para poder dirigir a cena do outro lado!), sob um desfiladeiro no Sri-Lanka onde a fita foi gravada, era realmente aterradora. Harrison, por outro lado, não tinha medo e fez a sequência numa boa, chegava até o meio da ponte e bancava o herói. Quando Indy rompe as cordas, a ponte real teve que ser destruída através de efeitos especiais (explosivos que iriam ser detonados e fazer com que bonecos representando os Tugues fossem arremessados metros abaixo) era para dar certo na primeira vez porque não seria possível uma nova tentativa. Vale frisar que naquela época ainda não existiam recursos de computação gráfica. Felizmente deu tudo certo, embora hoje seja bastante falso perceber que eram bonecos representando homens e até mesmo as tomadas à distância e os cortes que mostram crocodilos famintos no riacho. Todavia, o legal de Indiana Jones foi sempre esta intuição de fazer tudo mundo rápido, fluindo naturalmente com as gags (aqui eles repetem a piada da arma na qual Jones da um tiro em um capanga que fica se exibindo no primeiro filme, mas que desta vez, Indy não tem ela por perto para facilitar sua fuga) e cenas de ação. Uma aura que não pode ser repetida com maestria no quarto filme (sobretudo na cena com as formigas gigantes criadas por CGI, por exemplo).



Este foi o primeiro filme a utilizar a inovação criada por Lucas: THX e a propaganda era assegurar que as salas de exibição atendessem aos rigorosos padrões técnicos da qualidade do som, superando assim a empresa Dolby Stereo (hoje digital).

Os nomes dos personagens: Indy, Short Round e Willie, eram os nomes dos cachorros de Lucas (Indiana como todos já sabem), mas os demais eram os nomes dos bichinhos do casal de roteiristas: WILLARD HUYCK e GLORIA KATZ, amigos de Lucas e que já haviam trabalhado com ele anteriormente em AMERICAN GRAFFITI (1973). Eles acabaram substituindo LAWRENCE KASDAN, roteirista do primeiro filme, já que ele estava indisponível. Na verdade foi ótimo que Katz e Huyck tenham substituído Kasdan, ambos eram visitantes assíduos da cultura indiana o que lhe permitiram adicionar o exotismo do país na história. O toque mais pessoal dos roteiristas foi a criação exagerada e brincalhona do famoso jantar no palácio. Servindo cobras surpresas, besouros, sopa com olhos, cérebro de macaco e outras melecas! Outro momento inesquecível do filme.

Mais bichos aparecem em “O Templo Da Perdição”, como os famosos morcegos vampiros gigantes, uma resposta do professor Indiana para Willie que confunde com pássaros gigantes. Evidente que não era “vampiros” enormes e sim morcegos frutívoros, inofensivos, que voam durante o dia.

Honestamente? Eu gosto desta aventura, a mais dark da saga do arqueólogo, algo de “O Império Contra-Ataca” no segundo capítulo de Indiana Jones, segundo os criadores. Este Indy é o verdadeiro encontro com as trevas e a pobreza (nunca a causa heroica do personagem foi tão emocionante em qualquer  outro capítulo da série) e obviamente, vale pela diversão mais do que garantida.

A cena final é de fazer chorar. As crianças reencontrando os familiares e o herói arriscando sua vida, não pela “fortuna e glória”, mas por uma boa causa.

Muitos filmes são chamados de “montanhas-russas de emoções”, este é literalmente um deles.
O querido herói das matinês e da Temperatura Máxima!



EUA – 1984
AVENTURA/AÇÃO
WIDESCREEN
118 min.
COR
LIVRE (atualmente)
PARAMOUNT
✩✩✩✩ ÓTIMO




PARAMOUNT PICTURES apresenta
Uma produção da LUCAS FILM LTD.
UM FILME DE STEVEN SPIELBERG
HARRISON FORD em:
KATE CAPSHAW. AMRISH PURI. ROSHAN SETH. PHILIP STONE
E apresentando KE HUY QUAN
Produtores Executivos GEORGE LUCAS. FRANK MARSHALL
Produção Associada KATHLEEN KENNEDY
Música de JOHN WILLIAMS
Roteiro
WILLARD HUYCK & GLORIA KATZ
Argumento GEORGE LUCAS
Produção ROBERT WATTS
Dirigido por STEVEN SPIELBERG
Indiana Jones and the temple of doom ™ & © 1984 Lucas Film Ltd.
UM FILME PARAMOUNT


14 comentários:

renatocinema disse...

Indiana Jones nesse filme perde, a meu ver, no humor do pequeno companheiro dos Goonies. kkk.

Filmaço, na minha visão, o melhor.

Amanda Aouad disse...

Esse filme tem cheiro de infância. De Indiana Jones foi o que mais vi, foi o primeiro também que conheci, só depois vi Os Caçadores da Arca Perdida, então, apesar de hoje achar os outros superiores tecnicamente, ainda tem lugar na minha preferência.

bjs

Hugo disse...

Foi o primeiro filme da série que assisti no cinema e se tornou o meu preferido.

Considero a sequência inicial fantástica, seguida de perto da cena da "montanha russa".

Grande filme, diversão do início ao fim.

Abraço

Celo Silva disse...

Um dos filmes que mais vi. Antigamente achava esse o melhor do Indiana, mas hj gosto mais do primeiro. Ford é o cara. Um dos filmes q definiu o cinema de aventura que vemos até hoje.
Abração.

Alan Raspante disse...

Eu já assisti, mas me lembro muito pouco do filme e da saga em si. Preciso rever os quatro ;)

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Adoro Indiana Jones. Tenho todos os filmes.

O Falcão Maltês

Paulo Néry - Editor disse...

Grande Rodrigo, um, brilhante post sobre um dos mais conhecidos heróis das telas, reminiscência de Spielberg dos saudosos seriados das matinês que ele mesmo curtia em sua infância - tanto ele como Lucas, cujo clássico preferido é GUNGA DIN, de George Stevens e cujas referências de longe são bem evidentes nas aventuras de Indiana Jones.

Forte abraço

Paulo Néry

Rodrigo Mendes disse...

Obrigado Paulo é verdade quanto ao Gunga Din! Um clássico adorável da RKO Radio Pictures e também um de meus filmes de aventura de cabeceira e Cary Grant formidável nele. E fez um enorme sucesso na época não é mesmo? 1939 o ano inesquecível de Hollywood!

As séries da Republic Pictures também são referências, já vi o Lucas falando sobre.

Forte abraço.

Rodrigo Mendes disse...

Eu também Antonio!

Rodrigo Mendes disse...

Ah Renato!!! KE HUY QUAN ofusca Harrison Ford em vários momentos, rs!

Rodrigo Mendes disse...

Amanda, na minha infância era o máximo na Temperatura Máxima!
Bjs.

Rodrigo Mendes disse...

Hugo, no cinema deve ter sido espetacular. Coca-cola com pipoca para acompanhar. Nessa época eu ainda nem sonhava em nascer. Só curti muito no meu VHS da Cic Vídeo.

Abraço.

Rodrigo Mendes disse...

Celo, o primeiro filme tem uma magia que os demais não conseguiram, mas "O Templo" é o que tem mais sequências de ação!

Abs

Rodrigo Mendes disse...

Recomendo a compra do box Alan! ;)