quarta-feira, 31 de outubro de 2018

🎬 Sangue de Pantera (1942)

OUTUBRO DAS BRUXAS 
🎃
SIMONE SIMON, A GATA FERA!

Um homem americano se casa com uma imigrante sérvia que teme que ela se transforme na gata das fábulas de sua terra natal.



Certamente o grande público apenas conheça a refilmagem de 1982 dirigida por Paul Schrader; A Marca da Pantera (Cat People), estrelada por Nastassja Kinski, Malcolm McDowell, John Heard e Annette O'Toole com a famosa canção de David Bowie que depois seria popularizada  por Tarantino numa sequência de Bastardos Inglórios. Não desgosto da versão oitentista, totalmente oposta a primeira, Schrader se aprofunda mais numa abordagem sexual com cenas de bondage e violência gráfica. Outros tempos, visto que Sangue de Pantera (1942) se propõe a ser um Thriller fantasioso de horror ambíguo. 

É a primeira safra de fitas de terror produzidos pela Van Lewton na RKO nos anos 40 que são de bastante relevância para os amantes do medo. São obras célebres (vide A Morta-Viva também neste especial) justamente por terem uma aura repleta de sutilezas macabras ao invés de meros efeitos especiais ou trucagens baratas. Novamente é guiado por  Jacques Tourneur, num momento de grande criação, apresenta uma premissa trágica/mística de Irena Dubrovna Reed, para sempre SIMONE SIMON (1910-2005), a mulher-gato que teme destruir aqueles que mais ama. Parece uma versão disfarçada feminina do folclore do Lobisomem, diga-se. O papel de KENT SMITH como Ollie Reed é do típico homem que se encanta de repente ao se deparar com uma bela e sensual Simone Simon (no auge da beleza exótica francesa) desenhando uma pantera negra em um zoológico. O breve affair de ambos leva ao fatídico casamento, entretanto, sinais de problemas não tardam a surgir. Irena se mostra obcecada por felinos e até os ouve gritando à noite. Quando o gentil apaixonado marido leva um gatinho para casa para lhe fazer um mimo, ela rosna e bufa. Eis a estranheza no ar. E exclama o dono da loja de animais: "Estranho. Gatos sempre percebem quando há algo de errado com uma pessoa!" 

A pergunta que todos fazem sobre o que há de errado com Irena permanece essencialmente vago. O filme é hipnótico por isso. Seria ela uma herdeira das malévolas bruxas adoradoras de Satã de seu vilarejo natal na Sérvia? Se fosse isso a história seria direcionada para uma temática mais objetiva. Mas, por outro lado, pode ser também que ela seja uma jovem reprimida sexualmente e com medo de consumar o casamento, aliás, uma das ideias do roteiro pontuadas no personagem do psiquiatra interpretado por TOM CONWAY.  O que sucede são as "tentações" e os próprios instintos de Irena que estão cada vez mais à flor da pele. A mesma teme que tais emoções perigosas, como, por exemplo, a luxúria, assim como a inveja, raiva e o ciúme, libertem a pantera mortal que está vivendo dentro dela. É fato, todas essas emoções conflitantes fogem de seu controle, absolutamente. Há várias cenas memoráveis: em uma delas, Irena arrasa o seu afetuoso analista e, em outra sequência igualmente terrível, ela persegue a sua rival, Alice, papel de Jane Randolph (1915–2009), que trabalha com Ollie e também o ama, seguindo-a em uma piscina subterrânea, forçando-a a nadar em pânico enquanto ouvem-se sons misteriosos e sombras tremeluzem em reflexos líquidos de luz. É simplesmente magnífico o uso de luz e sombra neste filme. 

Quem o assistir hoje pode sentir que já está bem datado, mas, pouco importa. Com diálogos afiados e fotografia exemplar, o primeiro  Cat People será sempre especial e mais ressonante. O mais curioso no filme é a disputa feminina pelo galante gentil herói. Alice provoca simpatia como o novo tipo de mulher inteligente, independente, respeitável e bondosa. Ollie é provavelmente dócil até demais para merecer o amor de uma mulher do seu tipo. Entre eles está Irena. O triângulo mais intrigante dos filmes clássicos. E, é ela que domina a cena. Impossível não voltar todas as atenções para Simone, mesmo porque era de uma beleza fascinante. É ela que permanece na minha cabeça todas as vezes que me lembro do filme. Eu diria que ela foi também um dos monstros mais dignos de compaixão do cinema de horror, não apenas na linhagem do Lobisomem de Lon Chaney Jr, mas até faz um pouco o papel da criatura Frankenstein do Karloff. Okay, confesso que os exageros em Simon são pesados e notáveis e sua atuação tem horas que é um pouco fora da curva, mas o encanto é irresistível. Ela é doce com o seu rostinho de gata travessa, ao mesmo tempo melancólica e, é claro, mortalmente perigosa e pronta para utilizar as suas garras de felina arisca.

Obteve uma continuação: A Maldição do Sangue da Pantera (The Curse of the Cat People, 1944), dirigido por Gunther V. Fritsch e Robert Wise, novamente com Simon e Kent Smith.


Ela conhecia prazeres estranhos e ferozes que nenhuma outra mulher poderia sentir! Recomendo o curioso e provocante Sangue de Pantera. O primeiro é sempre melhor. 



EUA
TERROR/THRILLER/ FANTASIA
1h 13 min.
★★★★☆








R K O Radio Pictures, Inc.
Apresenta
CAT PEOPLE
© 1942 R K O Radio Pictures, Inc.

Estrelando:
Simone Simon
Kent Smith
Tom Conway
Jane Randolph
Jack Holt

Música Roy Webb
Direção de Fotografia Nicholas Musuraca
Montagem Mark Robson
Direção de Arte
Albert S. D'Agostino . Walter E. Keller

Roteiro de
DeWitt Bodeen

Produzido
por
Val Lewton

Dirigido
por
     Jacques Tourneur

Um comentário:

Luli Ap disse...

Olá Rodrigo
Puxa não conhecia nem essa versão nem a dos anos 80 e fiquei de cara com essa resenha e plot do filme.
Nunca pensei numa versão feminina do lobisomem e ameeeei esse negócio de pantera.
Aliás é mesmo sensa e assustador a inserção de sombra/luz em alguns filmes onde a não explicação para alguns fatos dá mais medo pela imaginação :)
Já favoritei aqui 😁😁
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br

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