sexta-feira, 30 de novembro de 2018

🎬 Me Chame pelo Seu Nome (2017)

É melhor falar ou morrer?


Na década de 1980, na Itália, um romance floresce entre um estudante de dezessete anos e o homem mais velho contratado como assistente de pesquisa de seu pai.

Um dos grandes filmes do ano. Me Chame pelo Seu Nome tornou-se imediatamente em um dos romances mais belos já realizados neste século. É uma co-produção europeia com o Brasil (a produtora RT Features do brasileiro Rodrigo Teixeira - que não obteve uma indicação ao Oscar quando o filme competiu como Melhor Filme ). Ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado para o também cineasta James Ivory , diretor de clássicos como Vestígios do Dia (The Remains of the Day, 1993), Retorno a Howards End (Howards End, 1992), Uma Janela para o Amor (A Room with a View, 1985), Cenas de uma Família (Mr. & Mrs. Bridge , 1990) e outros e que se tornou o mais velho vencedor de um Oscar competitivo, aos 89 anos, superando a conquista de Ennio Morricone aos 87 anos.

Além de Filme, obteve uma merecida indicação de Melhor Ator para o jovem  Timothée Chalamet que certamente obteve destaque num papel que ecoará em sua carreira. Ele também esteve no nomeado Lady Bird: A Hora de Voar (2017), de Greta GerwigInterestelar (2014), de Christopher Nolan; Homens, Mulheres e Filhos (2014), de Jason Reitman e no recente Querido Menino (2018), de  Felix van Groeningen. Estrelará os próximos A Rainy Day in New York (2019), de Woody Allen; o próximo de Gerwig: Little Women (2019) e na futura nova adaptação da sci-fi DUNA, do diretor Denis Villeneuve. A belíssima canção "Mystery of Love", de Sufjan Stevens, também obteve uma indicação ao Oscar. O músico já havia ingressado no cinema em fitas de sucesso como Pequena Miss Sunshine (2006). E nada para Armie Hammer, o galante ator que havia me impressionado há muitos anos, lá pelos idos de 2007, quando participou de séries como Desperate Housewives e em Gossip Girl: A Garota do Blog (2009), mas que conseguiu uma carreira no cinema depois do aclamado A Rede Social (The Social Network, 2010), de David Fincher vivendo um papel duplo como os gêmeos Winklevoss em impressionante tecnologia.

O diretor de origem italiana, Luca Guadagnino, também foi esnobado no Oscar. Com o seu olhar delicado, o cineasta já havia feita o bonitinho Um Sonho de Amor (Io sono l'amore, 2009), estrelado pela cativante Tilda Swinton. Fez também o subestimado Um Mergulho No Passado (A Bigger Splash, 2015), um Thriller (também estrelado por Tilda), sobre as férias de uma famosa estrela do rock e seu namorado na Itália que são interrompidas pela inesperada visita de um velho amigo e sua filha. E ainda com Tilda, o pouco conhecido The Protagonists (1999), sobre uma equipe de cinema italiana que vai a Londres para fazer um documentário sobre um caso de assassinato ocorrido alguns anos antes. Em 2013, ele fez também o ótimo documentário sobre o diretor Bernardo Bertolucci, que faleceu recentemente, em "Bertolucci on Bertolucci", o que evidencia a sua admiração pela obra de seu patrício. A sua versão para o clássico do terror de Dario ArgentoSuspiria (2018), ainda não foi assistida por mim, mas já estou com aquela ansiedade em conferir. A fita teve uma estreia morna e limitada e dividiu público e crítica. 
Quem também foi esnobado nas premiações foi o ótimo Michael Stuhlbarg, uma presença ativa no cinema americano nos últimos anos. No papel do pai do menino, Stuhlbarg tem o melhor momento do filme na cena em que conversa abertamente com o filho sobre sua inquietação e de como o ama e o admira. Emociona a plateia sem o menor esforço. Na carreira, obteve uma indicação do Globo de Ouro de Melhor Ator na já clássica comédia dos Irmãos CoenUm Homem Sério (A Serious Man, 2009), mas já são tantos filmes, inclusive no recente e premiado A Forma da Água (The Shape of Water, 2017), de Guillermo del Toro e participações em filmes como Lincoln (2012) e The Post - A Guerra Secreta (2017), de Spielberg, além das aclamadas séries de TV Boardwalk Empire (2010-2014) e Fargo (2017), que só comprovam a sua versatilidade. Sim. Um camaleão. 

No GLOBO DE OURO, Apenas indicações para Filme (Drama), Ator Principal (Chalamet) e Coadjuvante (Hammer)

Quanto a Call Me by Your Name, o suprassumo do romance gay. Amei. Adorei. Guardarei o filme com carinho em minha coleção. Uma fita linda, sensual, romântica e muito bem conduzida. Dos créditos iniciais aos finais e pela beleza da arte das titulagens, esse filme me pegou de jeito. Se eu tivesse assistido na temporada final de filmes do ano passado certamente estaria na minha lista de Melhores de 2017. Bom, de qualquer forma, já deixo aqui a minha satisfação e total predileção pelo notável trabalho de Luca Guadagnino. Eis a menção honrosa para essa belíssima aventura romântica do primeiro amor.

Uma premissa que passeia entre o drama dos relacionamentos relâmpagos e o romance. Baseado no livro de André Aciman (não sei nada do autor, mas irei correr para ler o seu livro. E, parecendo que o final sugere continuação, realmente irá ocorrer. É certo que o diretor está trabalhando uma segunda parte). Adaptado pelo cineasta JAMES IVORY, uma lenda do cinema que já dirigiu obras-primas como; “Vestígios do Dia” (1993 – o meu predileto. Estrelado por Emma Thompson e Anthony Hopkins), afastado da direção já alguns anos, mas nem por isso longe da ativa, afinal, escrever um roteiro é um trabalho tão árduo quanto o de dirigi-lo.

Mesmo assim, Ivory faz um trabalho majestoso e o filme acaba, também, tendo a sua marca registrada. Guadagnino faz um excelente trabalho aqui e, sim, merecia uma indicação ao Oscar. Longe de maneirismos, o diretor do também ótimo “Um Sonho de Amor” (2009) estrelado pela musa Tilda Swinton, realiza um filme que é basicamente uma narrativa onde a ação transcorre no clima quente de veraneio. E, para “calientar” mais, nas paisagens naturais e deslumbrantes da Itália. E ainda, na década mais interessante na qual a moda se destaca. A lembrança mais marcante que conhecemos dos anos de 1980. Portanto, sendo verão, Hammer e Chalamet passam a metade do filme praticamente seminus em flertes provocativos (os shortinhos se destacam – risos!), mas, não é apenas sensual. É importante frisar a questão do primeiro amor. Pode ser polêmico e incômodo para alguns espectadores, não somente pelo fato do romance ser assumidamente homossexual, mas pela diferença de idade.

Hammer é um jovem adulto que, apesar de inteligente, da boa aparência, ótima fala e com um futuro brilhante (aliás, adoro os diálogos sarcásticos e certeiros do casal), ainda vive com medo. É um homem com repressão sexual muito embora a experimente, mas, nunca é capaz de assumir. Chalamet é o oposto, embora perceba suas dificuldades de cair de cabeça numa transa homoafetiva o deixando um pouco confuso. Nota-se que o rapazinho tem sorte por ter uma família que não o reprime. Longe de ser mimado, é um garoto em plena liberdade. Igualmente intelectual, toca piano e obviamente vive a juventude à flor da pele na fase de sua descoberta sexual. É inquieto, inexperiente e que experimenta o sexo como a natureza o instiga. Quem não se identifica com Elio provavelmente precisa de terapia. Ele é o que todos os jovens, não somente gays, um dia foram (até pela comentada cena do pêssego sem cair na lembrança da torta americana do “American Pie”, mas que causou falácia e risos involuntários). Essa diferença entre os dois os aproximam para viver uma paixão fogosa e intensa. As cenas de nudez e sexo não caem nas armadilhas do gratuito desnecessário. Muito pelo contrário. O diretor tem uma visão e sabe dirigi-las com maestria. Os toques, os beijos e as brincadeiras. Ao mesmo tempo em que são picantes é notável a paixão acesa, o romance inevitável. Mas o que é para um não é para o outro. O adeus é complicado. Elio é sensível e Oliver, com sua experiência, é a primeira desilusão do jovem que certamente ganhou experiência com essa relação e percebemos o seu amadurecimento.



Em outras palavras, “Me Chame Pelo Seu Nome” é uma história do desejo, da atração tórrida. Provoca, mas também fere. É um curto período de tempo suficiente para se refletir onde termina a paixão e começa o amor. Nada de clichê. Configura entre os grandes filmes de temática LGBT além de ser um dos maiores romances desta década e quiçá de todos os tempos, mas somente o próprio tempo dirá. Uma história cheia de entusiasmo, felicidade, prazer e porque não dizer, amor.


Itália | França | Brasil | EUA
Drama-Romance
2h 12min.





estrelando:  ARMIE HAMMER
TIMOTHÉE CHALAMET
MICHAEL STUHLBARG
com: AMIRA CASAR
ESTHER GARREL
VICTOIRE DU BOIS
VANDA CAPRIOLO
ANTONIO RIMOLDI
ELENA BUCCI
MARCO SGROSSO
PETER SPEARS
Direção de Fotografia  SAYOMBHU MUKDEEPROM
Edição de Filmagem WALTER FASANO
Casting STELLA SAVINO
Direção de Arte SAMUEL DESHORS
Figurinos GIULIA PIERSANTI
Música SUFJAN STEVENS "Mystery of Love"
Produzido por
EMILIE GEORGES
LUCA GUADAGNINO
JAMES IVORY
MARCO MORABITO
HOWARD ROSENMAN
PETER SPEARS
RODRIGO TEIXEIRA

Baseado no Romance de ANDRÉ ACIMAN
Roteiro de JAMES IVORY
Dirigido por LUCA GUADAGNINO
© 2017 SONY PICTURES CLASSICS 
Memento Films 
Frenesy Film Company
La Cinéfacture
RT Features
Water's End Productions
M.Y.R.A. Entertainment
Ministero dei Beni e delle Attività Culturali e del Turismo (MiBACT)
Lombardia Film Commission 

5 comentários:

Liliane de Paula disse...

Olá, Rodrigo, voltei.
Ainda não vi esse filme "Me chame pelo seu nome" mas gostei de sua resenha e vou lembrar dela, se conseguir assistir esse filme.

Mas quero voltar a falar na mudez da personagem de "A forma da água".
O que aprendi na Faculdade é que todo mudo, só é mudo porque não escuta.
E é preciso que o tratamento auditivo seja iniciado o mais rápido possível, quando de patologias tratáveis.
Vi crianças que os pais não perceberam que não ouviam e demoraram a procurar tratamento.
Mas falei naquele assunto pq ela tinha uma cicatriz no pescoço que não vi explicação no filme e Pedrita(do blog Mataharie007.blogspot.com)refere que há uma informação (no filme) de que ela foi maltratada e mutilada num Orfanato. Não vi nada disso no filme.
Mas existe as 2 patologias em separado,
Essas coisas mágicas é característica do Diretor.
O filme é lindo e a trilha sonora, lindaaaa.

Liliane de Paula disse...

Obrigada, Rodrigo.
Não consigo lembrar desse comentário de que ela foi de Orfanato.
Grata,
Liliane

Luli Ap disse...

Olá Rodrigo
Excelente filme!
Aliás eu ouso dizer que mais do que a temática LGBT, como você diz lá no segundo parágrafo, é um romance, pura e simplesmente, independente e atemporal, uma trama de autoconhecimento.
A dinâmica entre os protagonistas é contagiante.
A paleta de cores fortes e tons quentes funciona muito.
"Me chame pelo seu nome"
"E eu te chamarei pelo meu".
Resenha perfeita, aliás como todas as suas resenhas.
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br

Leo Rib disse...

Realmente eu achei a cena do pêssego meio forçada.
Mas, tudo bem.

Roberto Simões disse...

Que delícia de filme. Tão raro e delicado, tão precioso quanto o amor verdadeiro.

Roberto Simões
CINEROAD
https://cineroad.blogspot.com/

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