sábado, 25 de agosto de 2012

LARS VON TRIER | DANÇANDO NO ESCURO

O TRAUMA DE BJÖRK
Mulher cega, trabalhadora e sonhadora, faz horas extras para conseguir dinheiro suficiente para pagar a operação do filho e assim fazer com que ele não sofra sua cegueira hereditária.




Apesar de polêmico, é inegável a força cinematográfica e a ousadia de LARS VON TRIER, o maldito e certamente o cineasta dinamarquês mais enlouquecedor do final do século XX. Ambicioso e inovador nada têm a ver com um tipo de cinema austero, sobretudo vindo da Dinamarca (até mesmo da obra de Dreyer). Por muito tempo era idolatrado em Festivais, mas sempre causa alguma polêmica, não anda de avião, foge de entrevistas (e quando oferece algumas vezes só fala merda), raspa a cabeça, briga com os atores (Nicole Kidman abandonou e não deu continuidade ao projeto da trilogia: “EUA Terra Das Oportunidades”), inventa mentiras, enfim... Aqui deixou traumatizada a também excêntrica BJÖRK no papel cinematográfico de sua vida. Aliás, ela sempre teve um ‘q’ de atriz. Devemos levar em conta que ela é uma baita intérprete quando encarna as figuras surreais de seus videoclipes (os mais notáveis dirigidos pelo amigo, o diretor Michel Gondry), esteve em outras produções como em uma ponta não creditada no cult de Robert Altman: Prêt-à-Porter (Idem, 1994) e até em uma fita curiosa que baixei pela internet: Drawing Restraint 9 (2005 de Matthew Barney que também faz participação como ator. Um filme maluco que aborda religião do xintoísmo, nem vou explicar e nem saberia por onde começar). Certamente é por ter vivido a sofrida e inesquecível Selma, uma tcheca cega, que Björk brilha e enlouquece em seu momento mais sensacional e único na tela de cinema.
 Além de maldito (tubo bem que ele é um gênio) Von Trier é um canalha dos mais masoquistas e perversos. A pesquisa visual sempre foi um elemento fundamental em sua obra, misturando lindamente as cores e o preto & branco. Há também a marca registrada de usar e abusar da câmera na mão, artifícios que prendem ainda mais a atenção. Mais será que este estilo já esta exaurido? Filmes como Ondas Do Destino (Breaking The Waves, 1996), a movimentação da câmera era tamanha que chegava a provocar enjoo!
Não muito diferente de Dançando no Escuro (Dancer In The Dark, 2000) sua obra-prima, que ainda consegue ser mais cruel e brilhante. É bom relembrar que ele foi o chefe do movimento chamado DOGMA 95 (ao lado de Thomas Vinterberg), que defendia um retorno do cinema aos seus princípios básicos. Os dogmas eram os seguintes:

  1. Filmar sempre em locação, sem cenários,
  2. Usar sempre o som ambiente, sem inserção de trilha sonora, nem pós-produção,
  3. A câmera deve estar sempre na mão, sem tripé,
  4. O filme deve ser colorido e em 35mm,
  5. Não é permitida a utilização de iluminação artificial, nem de filtros ou efeitos ópticos,
  6. Não são permitidas cenas de ação superficial, como violência gratuita, armas, etc,
  7. O filme não deve ter corte de tempo, flash-backs ou qualquer sugestão de subversão da ordem temporal. Ou seja, tudo é aqui e agora     e
  8. O diretor não deve ser creditado.







Dogmatizando o cinema, Von Trier é na verdade um sarrista, e nunca obedeceu à risca nos últimos anos. Bom, tratando-se deste musical pode-se dizer que ele leva a cabo grande parte do dogma, mas nunca foi notável - e no fundo uma boa ideia- se privar da arte.
Dançando No Escuro é realmente um trabalho de câmera nervoso e tem aquela sensação de improvisação durante toda a projeção. Com relação ao subgênero musical na fita, foi a experiência mais louca e inovadora que já experimentei. Parecia tão amador e ao mesmo tempo profissional. Ora um filme caseiro, ora produção de ponta, eu ainda estava entendendo aquilo tudo.
O filme passa repetidamente de um número musical a outro. As canções de Björk foram compostas num devaneio caprichado e que não chegam a ter relações com a premissa e principalmente com os números musicais entre si, uma ousadia fascinante. Outro ponto alto é a resolução do vídeo. Tudo é muito borrado. É mesmo fora da realidade propositalmente. Os ruídos são da melhor qualidade (a melhor cena acontece na fábrica). Aliás, a fábrica teve que ser recriada na Europa (Suécia) porque o diretor se recusa a andar de avião, portanto jamais viajaria para a América!


A trama é dramática e tensa, conta a história de uma mãe solteira, Selma (Björk) que é cega e trabalha em uma fábrica e com alguns trabalhos extras, levanta dinheiro para a operação cara que sonha em fazer no filho para assim evitar que o menino fique com cegueira, que segundo o filme seria hereditária. Ela não pode se curar, mas sabe lidar com as situações cotidianas muito bem vivendo na escuridão. Selma é esperançosa e cheia de vida, sonha com os musicais que assistimos e tem uma amiga fiel, a ótima CATHERINE DENEUVE no papel de Kathy. Jeff (PETER STORMARE) é perdidamente apaixonado por Selma, que resiste ao homem sem mostrar algum interesse (Stormare também sabe cantar e tem uma cena maravilhosa), mas infelizmente, ela começa a vivenciar um pesadelo quando o policial Bill (DAVID MORSE) que está desesperado e endividado descobre que Selma tem economias em dinheiro vivo guardados em casa. Em um ato covarde, o mesmo tenta roubá-la. Há um confronto hirsuto entre ambos que acaba em morte. Ele morre e ela é acusada de homicídio. Vai presa e acaba condenada à morte.

Björk é perfeitamente capaz de extrair lágrimas de qualquer espectador. Ela sabe passar um sentimento de lamento profundo que chega até a alma. Sentimos uma pena tão grande que quando as coisas apertam no corredor da morte, o sofrimento passa a ser um desespero.

Indicado ao Oscar na categoria: Melhor Canção Original, I´ve Seen It All (Björk como compositora, Von Trier & Sjón Sigurdsson, letristas). Ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2000 de Melhor Atriz e Diretor.
Destaque também para as participações do alemão UDO KIER (frequente colaborador do diretor) como o Dr. Porkorny e JOEL GREY (conhecido pelo papel de Mestre das Cerimônias em Cabaret, 72 de Fosse) como Oldrich Novy.

Irreal e sensacional, Dançando No Escuro é um filme de arrepiar. Marcou época e uma tendência na sétima arte.

DINAMARCA/ALEMANHA/EUA
HOLANDA/INGLATERRA/ESPANHA
ARGENTINA/ FRANÇA/SUÉCIA
FINLÂNDIA/NORUEGA/ISLÂNDIA
2000
DRAMA/MUSICAL
WIDESCREEN ANAMÓRFICO
140 min./COR
VERSÁTIL/IMAGEM FILMES
16 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE

LARS VON TRIER
Dancer in the Dark
Estrelando BJÖRK
Catherine Deneuve
David Morse Peter Stormare Joel Grey
Cara Seymour Vladica Kostic Jean-Marc Barr
Vincent Paterson Siobhan Fallon Zeljko Ivanek
Udo Kier Jens Albinus Reathel Bean Mette Berggreen
Música Composta por BJÖRK
Diretor de Fotografia ROBBY MÜLLER
Edição FRANÇOIS GÉDIGIER. MOLLY MARLENE STENSGAARD
Elenco por AVY KAUFMAN
Cenografia PETER GRANT Desenhos de Arte MANON RASMUSSEN
Produzido por VIBEKE WINDELOV
Roteiro e Direção
LARS VON TRIER

Dancer in the Dark ©2000 Zentropa/Svenska/Vast/Liberator/ Cinematograph A/S
Pain Unlimited/ What Else? B.V./ Icelandic Film Corp./ Blind Spot/ France 3
DR/ Arte/ SVT Drama/ Angel/ Canal +/ FilmFour/Constantin/ Lantia Cinema
TV 1000/ VPRO TV/WDR/ YLE


14 comentários:

Alan Raspante disse...

Pra mim é o melhor trabalho de Von Trier. Acho superior até mesmo aos seus filmes lançados atualmente. A direção é bacana, o roteiro e enxuto e BJÖRK está incrível na pela da Selma :D

Gosto muito!

J. BRUNO disse...

O Lars Von Trier é na minha opinião um mais importantes cineastas da atualidade, acredito que a força de suas obras permanecerá intacta durante décadas e no futuro sua genialidade será reconhecida por uma parte maior do público. Cada um de seus filmes são verdadeiras obras de arte, carregados de conceitos filosóficos e de uma crítica ácida aos costumes vigentes. "Dançando no Escuro" é uma obra prima, não se se posso dizer que é o melhor dele, pois ele possui outros filmes à altura deste...

http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/08/monty-python-em-busca-do-calice-sagrado.html

Unknown disse...

Este filme foi uma experiência surreal pra mim. Eu que já tenho a tendência a "tomar as dores" das personagens, me vi rendida a Selma.
I've seen it all é linda demais! Acho a música tão profunda e desapegada...
Concordo com vc quando diz "arecia tão amador e ao mesmo tempo profissional." Foi um dos pontos que mais me marcaram...

Este foi o filme que mais chorei (junto com luzes da cidade).

Ah... Nunca odiei tanto um policial!
hehehehe


;D

Patt Baleeira disse...

Relembrando, este filme..Fiz uma viagem em uma época especial da minha vida.
Thankx!
Sou fã de Lars...adoro o masoquismo, seu ar maquiavélico sempre presente e sua precisão nas tomadas, cenários e abordagem intrínseca de cada personagem.

Guri,
Belissimo texto!

abços.

Amanda Aouad disse...

É o filme que mais chorei na vida. Gosto bastante, mas é muito sofrido para uma segunda apreciação, Bjok e Lars Von Trier juntos não poderia mesmo resultar em nada diferente.

bjs

Dayane Pereira disse...

Esse filme é incrível. Cara, Lars Von Trier é incrível né..
Um dos meus diretores contemporâneos favoritos sem dúvida. Já assistiu os idiotas? um dos melhores

Luís disse...

Eu o vi há muito tempo, decerto preciso revê-lo, pois me lembro pouquíssimo. O que me ficou registrado foi a sensação de angústia com o decorrer da obra, mas, como disse, é só uma vaga lembrança.

Cara, passa no novo blog sobre o Oscar: http://eooscarfoipara.blogspot.com.br/ Estamos analisando a cerimônia de 2010, quando Sandra Bullock venceu como Melhor Atriz. Passe lá, dê uma força, comente e dê sugestões.

Unknown disse...

Tenho q concordar com a Amanda. Um filme dificil de ser revisto. Lembro bem da angustia q me aplacou a assistir esse filme, decerto, um dos melhores de Lars Von Trier. A atuação de Bjork é sensacional, mas David Morse faz um trabalho meticuloso de construção do seu personagem. Parabéns pelo texto, desculpe não poder vir ler antes, esses últimos dias foram corridos. Abraço!

Gilberto Carlos disse...

Adoro Dançando no escuro. A mistura de dois gêneros que eu gosto muito: o musical e o drama.

ANTONIO NAHUD disse...

Olá, parceiro, depois de umas pequenas férias, O FALCÃO MALTÊS está de volta, disposto a continuar celebrando sua paixão pelo cinema clássico.
Belo filme de von Trier.

Cumprimentos cinéfilos!

O Falcão Maltês

Rodrigo Mendes disse...

Alan: Certamente é um grande e doloroso filme, mas ainda prefiro o excelente "Ondas Do Destino", sem desmerecer este, claro, aliás, nunca!
Abs!

Bruno: A obra do cara pode ser chamada de obra de arte. Um cineasta que também tem os seus detratores, mas é genial não há dúvidas. Ame ou odeie, sem meio termos.
Abs.

Karla: Nossa como eu gostaria de te ver assistindo o filme, rs!
I've seen it all eu ouço muitas vezes, aliás, tenho baixada a discografia completa da Björk!
Amo!
Bjs.

Pati: Obrigado mesmo!!!!
legal saber que o filme tem um papel importante na sua vida. O cinema tem esta mágica!
Beijão.

Amanda: Você assistiu somente uma vez? É realmente dolorido, cruel, mas é belíssimo! Uma vez por ano é o suficiente.
Bjs.

Dayane: "Os Idiotas" é muito bom tbm!

Luís: Poxa cara da primeira vez que assisti este filme nunca que ele passou a ser uma vaga lembrança... experiência inesquecível!

O blog esta muito legal!
Oscar para a equipe!
Abs.


Celo: Brigadão cara! Tbm ando sumido com os afazeres da minha vida não-virtual...
Morse esta muito bom mesmo! Stormare idem!
Abs.

Gilberto: Tbm gosto, mas confesso que tenho mais predileção quando o musical é também uma comédia!
Abs.

Antonio: Ótimo retorno cara! Soube do lançamento de seu livro, parabéns!

Abs.

renatocinema disse...

Amigo você definiu bem o filme: cruel e brilhante.

Final assustador.....e apaixonante ao mesmo tempo.

M. disse...

Eu não conhecia esta produção, fica a dica para conhecer, pelo que eu li aqui em seu blog, parece ser um filme e tanto.

Rodrigo Mendes disse...

Obrigado Renato!
Essas oscilações de emoções é um prato cheio na fita de Von Trier.

Abs.

M: Assista e me diga o que achou. Prepare-se!
Bjs!

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