IMUNDICES E MUNDANAS
À medida que a corrupção aumenta na década de 1950 em Los Angeles, três policiais: um inflexível, um brutal e um desprezível, investigam uma série de assassinatos.
LOS ANGELES ou simplesmente L.A. um ambiente de grande importância para a cultura norte-americana, um lugar onde situa-se a capital da indústria cinematográfica dos Estados Unidos, o distrito de Hollywood ...de sonhos, fantasias, mas também onde se passam as histórias de crimes que sempre fizeram parte do cinema Noir e Policial. L.A. é a identidade cultural dos americanos e é tão presente em sua cultura como Nova York ou Chicago, outros Estados perfeitos que servem de locações para as mais diversas premissas do cinema hollywoodiano. Mas, é isso, que fique bem claro, o cinema deles é associado a essa palavrinha: "hollywoodiano"!
Los Angeles: Cidade Proibida é o grande filme de 1997 e entre todas as fitas daquele ano é sem dúvida o meu favorito. E com o passar do tempo, e lá se vão mais de vinte anos, continua sendo, aliás, fica melhor a cada revisão. Tudo bem, o filme só não alcançou voos mais altos porque era o mesmo ano de TITANIC que abocanhou todos os principais prêmios naquele Oscar. Entretanto, o filme ainda levou o prêmio merecido a Melhor Roteiro Adaptado para BRIAN HELGELAND e CURTIS HANSON e o de Melhor Atriz Coadjuvante para a belíssima, no auge, KIM BASINGER. Tão, mais tão linda nesse filme. De parar o trânsito. Assim como Claudia Cardinale em ERA UMA VEZ NO OESTE. Obteve ainda outras indicações da Academia para: MELHOR FILME, DIRETOR, DIREÇÃO DE ARTE, FOTOGRAFIA , MONTAGEM/EDIÇÃO e MÚSICA, um dos grandes momentos de JERRY GOLDSMITH (1929–2004) por mais que sua música soe parecida com outro sucesso seu da mesma década; "Instinto Selvagem." (1992).
Gosto do modo como o filme é conduzido. Há cenas de extrema violência gráfica e outros momentos mais viscerais, outros até mais conceituais com um magnífico toque de suspense. Sem afetações, com muito ritmo e direto ao ponto. Da mesma forma que Martin Scorsese trabalharia no âmbito policial/ gangster em Os Infiltrados (2006), L.A. já estava anos luz mostrando a podridão, o esgoto do submundo do crime policial. E o mais interessante ainda é que Los Angeles: Cidade Proibida tem identidade própria e até criou algumas tendências no gênero. A exemplo óbvio, a sacada da premissa ser narrada e ambientada na Los Angeles dos anos de 1950 na qual policiais hipócritas, mentirosos,enfim, de todos os tipos ilegais, flertam com bandidos, alguns veteranos e outros novatos, aliás, o filme mostra experientes e inexperientes de todas as áreas e departamentos e o roteiro conduz tudo isso lindamente sem perder o foco. E, o mais bárbaro, é contado pelo ponto de vista do tabloide sensacionalista na personagem do DANNY DeVITO (num papel que lhe caiu como luva).
A direção de CURTIS HANSON (1945- 2016) é inspiradora. O diretor em grande momento criativo no filme de sua vida. Ele já havia realizado aquele outro filme que marcou a minha infância, o suspense doméstico, A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO (1992) e desta vez acerta num melodrama romântico e criminoso repleto de reviravoltas inteligentes. Na verdade, Hanson e o co-roteirista Helgeland reduziram muitas das tramas do best-seller policial de JAMES ELLROY, o mesmo de A Face Oculta da Lei (2002), Dália Negra (2006 - adaptado para o cinema por Brian De Palma) e Os Reis da Rua (2008). Fazendo isso, Helgeland e Hanson criaram um foco mais emocional. Para tanto, a direção, a montagem desse filme precisou ter um ritmo adequado pelo fato de acontecer muitas subtramas ao mesmo tempo.
A direção de CURTIS HANSON (1945- 2016) é inspiradora. O diretor em grande momento criativo no filme de sua vida. Ele já havia realizado aquele outro filme que marcou a minha infância, o suspense doméstico, A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO (1992) e desta vez acerta num melodrama romântico e criminoso repleto de reviravoltas inteligentes. Na verdade, Hanson e o co-roteirista Helgeland reduziram muitas das tramas do best-seller policial de JAMES ELLROY, o mesmo de A Face Oculta da Lei (2002), Dália Negra (2006 - adaptado para o cinema por Brian De Palma) e Os Reis da Rua (2008). Fazendo isso, Helgeland e Hanson criaram um foco mais emocional. Para tanto, a direção, a montagem desse filme precisou ter um ritmo adequado pelo fato de acontecer muitas subtramas ao mesmo tempo.
Hanson foi abençoado com relação ao seu elenco. Todos acertam. Todos são travessos na medida certa. Todos são oportunistas a seu modo. E todos, sem exceção, estão inspirados. E, enquanto cada um deles dão interpretações arrasadoras, Hanson desenha a aliança moralmente ambígua entre policiais radicalmente incompatíveis, mas que unem-se a força tarefa para desvendar o enigma de um assassinato múltiplo que culminará em consequências inesperadas e desenterrará fantasmas do passado. Tudo por um furo, que seja, ou tudo em nome da lei. Ou não exatamente. E, de novo, que elenco! KEVIN SPACEY está extraordinariamente à vontade no papel de um policial que adora posar de celebridade, mas que tem a qualidade (ele não é santo, diga-se) e a moralidade de não ser delator dos parceiros. Por outro lado, o caladão, RUSSELL CROWE ao mesmo tempo feminista/machista aparece em uma figura sensual, trágica e bruta na pele de um policial violento defensor das mulheres, mas sempre bem-intencionado e que tem a postura parecida com a de Spacey quanto aos defeitos de seus colegas, faz certa vista grossa. Sendo essa pessoa, Crowe se vê colocado contra um policial certinho e engomadinho e com pretensões ambiciosas de fazer carreira, o ótimo GUY PEARCE que vinha do maravilhoso Priscilla, a Rainha do Deserto (1994) Ambos envolvidos numa "armadilha"envolvendo uma prostituta de luxo, interpretada por KIM BASINGER numa excelente atuação, num papel sob medida para ela.
O filme se inspira no que os maiores clássicos do gênero transmitiam. Los Angeles: Cidade Proibida transpira o suntuoso tom quente das fitas noir colorizadas e por vezes lembrando o toque mágico de Chinatown (1974) de Roman Polanski e do diretor de fotografia John A. Alonzo. Dito isso, eis um filme sensual, cínico e que intriga a cada frame. Curiosamente, mas nunca que isso seja uma problemática, o filme faz um contraponto do otimismo dos anos dourados da década de 50 ao cinismo melancólico dos anos de 1930 (como eram os filmes de gangster daquele período, por exemplo). Tal híbrido sobreposto envernizado pela agilidade sábia dos filmes produzidos na década de 1990. Além do mais, sem medo de parecer piegas, o filme é também romântico. E um romance clássico entre Basinger e Crowe. Acredito que Hanson almejou buscar o esplendor do Film-Noir, mas é também um filme sobre sonhos destruídos. Na cidade Proibida dos Sonhos... há uma colisão entre detetives imundos e mulheres mundanas, são tantos temas universais...a esperança que ainda brota do verdadeiro lamaçal moral e cívico. Los Angeles: Cidade Proibida é um último lampejo do cinema de tudo isso.
EUA
POLICIAL-DRAMA-ROMANCE-SUSPENSE
2h 18 min.
★★★★★
KEVIN SPACEY RUSSELL
CROWE GUY PEARCE
com KIM BASINGER e DANNY DeVITO
com KIM BASINGER e DANNY DeVITO
L. A.
Confidential
JAMES CROMWELL DAVID STRATHAIRN MATT McCOY
MÚSICA DE JERRY GOLDSMITH MONTAGEM PETER HONESS
DESENHOS DE PRODUÇÃO JEANNINE OPPEWALL
DIRETOR DE FOTOGRAFIA DANTE
SPINOTTI, A.I.C.
BASEADO NA OBRA DE JAMES ELLROY
BASEADO NA OBRA DE JAMES ELLROY
ROTEIRO DE BRIAN HELGELAND CURTIS HANSON
PRODUZIDO POR
ARNON MILCHAN
CURTIS HANSON
MICHAEL NATHANSON
ARNON MILCHAN
CURTIS HANSON
MICHAEL NATHANSON
DIRIGIDO POR CURTIS HANSON
UMA PRODUÇÃO ARNON
MILCHAN/ DAVID L. WOLPER
REGENCY ENTERPRISES/ WARNER
BROS. PICTURES © 1997





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