A TRILOGIA AMERICANA DE SERGIO LEONE - PRIMEIRA PARTE
“O Ritmo do filme pretendeu criar a sensação dos últimos suspiros que uma pessoa exala antes de morrer. Era Uma Vez No Oeste é Do Começo ao fim, uma dança da morte. Todos os personagens do filme exceto CLAUDIA CARDINALE têm consciência de que não chegarão vivos ao final.” [SERGIO LEONE]
Uma linda frase de um dos maiores gênios do cinema. O diretor e roteirista SERGIO LEONE criador da moda Spaghetti-Western (ele detestava esta expressão, considerando-a pejorativa). ERA UMA VEZ NO OESTE é minha segunda sessão de cinema iniciada há algum tempo quando falei sobre o filme ERA UMA VEZ NA AMÉRICA. Na verdade Era uma Vez...no OESTE é a primeira parte da trilogia americana ou da América de Leone. A segunda foi com o CULT e menos discursivo QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (1971) com ROD STEIGER e JAMES COBURN e que depois terminaria em Era uma vez...na AMÉRICA com Robert De Niro (outro filmão de primeira). Leone é também o realizador da extraordinária trilogia dos dólares com CLINT EASTWOOD, mas ali os filmes eram mais pop e para adolescentes, filmes estes que influenciaram cineastas como Quentin Tarantino. Este aqui é mais uma das maiores obras do faroeste, talvez junto com o clássico de GEORGE STEVENS com ALAN LADD que gosto muito e também já publiquei aqui (OS BRUTOS TAMBÉM AMAM) e obviamente esta perto dos filmes de John Ford e John Wayne. Todavia existe um brilhantismo artesanal e entorpecente no filme de Leone que se destaca de todas as outras fitas americanas. Leone é poético em conceber cada cena para contar a história de uma jovem mulher (ex-prostituta) CLAUDIA CARDINALE

(a PENÉLOPE CRUZ dos anos 1960) de nome Sra. McBain, que se muda para Nova Orleans até a fronteira de Utah, ou seja, na orla do oeste americano. Ela chega para encontrar o seu marido (um homem que fez fortuna com ferroviária) e familiares que foram abatidos. E por quem? Isto é, foram brutalmente assassinados por um bandido das redondezas. Sabemos quem foi, mas o principal suspeito é um sujeito fora da lei chamado CHEYENNE (JASON ROBARDS). Sua cabeça é posta a prêmio, vivo ou morto e, como ele quer saber quem matou Sr. McBain, fica amigo da viúva que com o tempo também ganha segurança e simpatia do bandido. O responsável é na verdade FRANK (o ótimo HENRY FONDA em papel de vilão). A mulher quer vingança e aceita a ajuda de Cheyenne para matar o verdadeiro assassino. Só que no meio disso tudo surge um outro fora da lei, um anti- herói conhecido apenas como “O GAITA”, porque vive tocando sua gaita por aí ao invés de falar. Em magnífica interpretação é o saudoso CHARLES BRONSON.
Ele também une forças com a lady e o acusado afim de capturar Frank e matar todo o seu bando e fazer justiça. Mas o gaita esta mais interessando em acertar suas dívidas pessoais com o mau caráter que se uniu com um poderoso agiota em um negócio ferroviário.
Enfim, Leone constrói uma bela narrativa em um roteiro também escrito pelos cineastas BERNARD BERTOLUCCI e DARIO ARGENTO. Não há muita violência gráfica, tudo é mesmo uma “dança da morte” e cada enquadramento é composto por uma linguagem poética. O filme é lento e ao mesmo tempo movimentado, quando explode todos os acertos de contas que culminam em um maravilhoso duelo. Em matéria de duelos no west, Leone é um mestre, e criou alegorias espetaculares que levou para o cinema de Hollywood um pouco da Itália. Um híbrido delicioso que virou este ‘faroeste italiano’.
Não obteve nenhuma indicação ao Oscar (desisto de pensar o motivo). Todos os seus filmes em solo americano foram co-produções com a Itália, mas quase metade de sua equipe era composta por cineastas italianos.
É impossível explicar a beleza de Cardinale e a trilha musical do genial ENNIO MORRICONE. Cardinale esbanja sensualidade no filme todo, uma mulher de fibra que deixa todos os homens à flor da pele naquele sol escaldante. Morricone faz uma de suas melhores composições em qualquer outra parceria com Leone – a cena de abertura é fantástica igual ao longo desfecho da fita em que o compositor apresenta uma emocionante melodia, que mostra a construção de uma nova ferrovia e o início da industrialização americana. Por isso que entre todos os filmes do gênero do diretor, Era Uma vez no Oeste é o mais ressonante, denso e não apenas brigas entre foras da lei e anti-heróis caricatos como o lendário “guerreiro sem nome” de Eastwood, que parecia mais com personagem de quadrinho. Aliás, o papel do Gaita fora oferecido à ele que o recusou. Assim, Leone buscou em Bronson uma seriedade maior que foi mais ideal para este filme.
O duelo final entre o Gaita e Frank é exatamente como o do filme de ROBERT ALDRICH (O ÚLTIMO PÔR DO SOL – 1961) entre Rock Hudson e Kirk Douglas, um filme que Bernardo Bertolucci é um grande admirador.Leone faz centenas de referências a filmes e séries de TV que o influenciaram. Alguns até bastante evidentes, como três homens à espera de um comboio como na fita MATAR OU MORRER (1952) e alguns eram muito sutis, como a escolha de Woody Strode e seu rifle Winchester, similar a arma de STEVE McQUEEN da série WANTED: DEAD OR ALIVE (1958) na qual McQueen se referia a arma como “Mare´s Leg”.
E o que dizer da espantosa sequência de abertura que é de tirar o fôlego? Onde os “três flanelas” esperavam o trem (o momento com aquela mosca pousando em um dos bandidos é sensacional) a abertura é calma com uma bela fotografia, mas o que mais me espanta é toda a concepção de Leone nos enquadramentos e da maneira que ele consegue aos poucos fazer história com esta parte prima de seu melhor filme.
É sem dúvida alguma, uma obra-prima do velho oeste.
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EUA/ITÁLIA-1968
FAROESTE
FULLSCREEN
175min.
COR
PARAMOUNT
16 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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___EUA/ITÁLIA-1968
FAROESTE
FULLSCREEN
175min.
COR
PARAMOUNT
16 ANOS
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
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PARAMOUNT PICTURES APRESENTA
UMA CO-PRODUÇÃO RAFRAN-SAN MARCO
UMA CO-PRODUÇÃO RAFRAN-SAN MARCO
UM FILME DE SERGIO LEONE
CLAUDIA CARDINALE
HENRY FONDA JASON ROBARDS
CHARLES BRONSON
EM
ONCE UPON A TIME IN THE WEST
Com Gabriele Ferzetti. Woody Strode
ATORES CONVIDADOS Jack Elam. Lionel Stander. Paolo Stoppa
Frank Wolff. Keenan Wynn
Música de ENNIO MORRICONE fotografia de TONINO DELLI COLLI
Montagem por NINO BARAGLI Cenografia CARLO SIMI. RAFAEL FERRI
Figurinos por ANTONELLA POMPEI. CARLO SIMI
Roteiro de SERGIO LEONE. SERGIO DONATI
Frank Wolff. Keenan Wynn
Música de ENNIO MORRICONE fotografia de TONINO DELLI COLLI
Montagem por NINO BARAGLI Cenografia CARLO SIMI. RAFAEL FERRI
Figurinos por ANTONELLA POMPEI. CARLO SIMI
Roteiro de SERGIO LEONE. SERGIO DONATI
Argumento de
BERNARDO BERTOLUCCI. DARIO ARGENTO. SERGIO LEONE
Diálogos de MICKEY KNOX Produtor Executivo BINO COCOGNA
Produzido por FULVIO MORSELLA
DIRIGIDO POR
SERGIO LEONE
Diálogos de MICKEY KNOX Produtor Executivo BINO COCOGNA
Produzido por FULVIO MORSELLA
DIRIGIDO POR
SERGIO LEONE
5 comentários:
sem justificativa não assisti essa obra do grande mestre.
A minha locadora online ja ficou sabendo no momento que coloquei o filme na minha lista de pedidos.
Rodrigo! Também ainda não assisti ao filme. Vergonhoso não é?! Todos me dizem algo maravilhoso sobre este clássico. Agora chega, vou ver logo logo!
Um beijo!!
A Penelope Cruz dos anos 60 e Charles Bronson no auge. Grande filme! Sério, Cardinale pode não ser mais bonita que Penelope, mas a seu tempo (e nos termos que podia seduzir) exercia mais fascínio...
De qualquer maneira, voltando ao filme, o entusiasmo com Era uma vez no Oeste é plenamente justificado. Filmaço. Vanguardista em muitos quesitos, como vc bem apontou, e nostálgico em tantos outros como Rango, me parece, sugere.
Aquele abraço!
né? Filme fabuloso e incansável. Perdi a conta de quantas vezes já assisti e a cada conferida, fico mais fascinado com a maestria de Sergio Leone na composição de suas cenas. É um clássico irreparável, só.
abs!
RENATO, EMMANUELA: Assistam imediatamente. Rs! Obra prima de um mestre!Bjs e Abs.
REINALDO: Cardinale fazia o papel da sedução muito bem mesmo. Rs!
O filme é um prato cheio para os fãs do gênero (digo RANGO) que sim, lembra obras de Leone, só que mais a Trilogia Dos Dólares com o Homem Sem Nome de Clint Eastwood do que com Era Uma Vez no Oeste propriamente. Mas a música de Hans Zimmer no filme, lembra Ennio Morricone logo de cara.
Era Uma vez...foi vanguardista como vc disse. É um cult do cinema. Apesar da grandeza e do espetáculo que era para ter prêmios de um Ben-Hur ou Titanic.
E o que dizer de Era Uma Vez Na América? Mesma coisa!
Abs.
ELTON:Eu tbm já perdi a conta das vezes que assisti, e mesmo a fita sendo longa, não me canso! Leone era um gênio em muitas coisas.
Abs.
RODRIGO
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