O ANJO DA MÚSICA

Baseado na obra de GASTON LEROUX “Le Fantôme De L ´Opéra”. O musical do aclamado ANDREW LLOYD WEBBER (CATS) sobre um desfigurado gênio musical, escondido em um Teatro de Ópera em Paris, que aterroriza a companhia teatral para o benefício de uma jovem corista e futura estrela a quem ele treina e ama.
Finalmente posso dizer que JOEL SCHUMACHER fez um grande filme. Um musical baseado na famosa peça da Broadway do magistral ANDREW LLOYD WEBBER, criador de outras adaptações literárias para musicais do Teatro como CATS e EVITA e já traduzido para várias línguas e sucesso em diversos países. O Fantasma, uma obra prima original do francês Leroux que já foi adaptada para o cinema diversas vezes, em especial pela Universal Pictures no filme mudo de 1925 (ainda a versão mais fiel e que teve supervisão do próprio autor) e uma versão colorida e simpática em 1943 estrelada por CLAUDE RAINS. Aqui, na versão de 2004, Schumacher se mantêm fiel a obra musical do amigo Lloyd Webber, fazendo todo o possível para que a fita tenha a cara da peça dirigida por HAROLD PRINCE, como no palco. O resultado pode parecer até artificial em alguns momentos de maior tensão e cenas de ação (um erro limitado que não se adéqua ao cinema), mas pelo menos tem a sorte de ter um elenco afiado, figurinos fantásticos e um timing perfeito para um arrebatador musical. É mesmo um espetáculo.
Schumacher planejava fazer o filme na época em que a peça estreou, em 1986, e seria estrelado pela então mulher de Webber, a cantora SARAH BRIGHTMAN como a solista Christine Daae e MICHAEL CRAWFORD como o Fantasma. A versão da música tema cantada por eles é a mais famosa e tornou-se clássica. Mas o projeto cinematográfico não aconteceu e Schumacher engavetou o roteiro durante muitos anos. Se tornou um diretor de filmes medíocres como BATMAN & ROBIN e até cults fantásticos como OS GAROTOS PERDIDOS. Ainda que aponte talento em filmes como POR UM FIO e TIGERLAND com Colin Farrell, nada podia se esperar dele com um espetáculo como este. As músicas são excelentes, com letras excitantes e aterradoras sobre este trágico homem deformado conhecido como “O Fantasma Da Ópera”, um gênio da arte que aterroriza o elenco e equipe francesa de um Teatro famoso na bela Paris enquanto ensinava uma menina do coro na qual se apaixonou perdidamente. Ele ordena e ameaça em cartas que envia aos administradores do espetáculo. A soprano é uma cantora lírica italiana temperamental e chata, Carlotta, figura que o Fantasma despreza como a estrela de suas óperas. Assim, ele resolve montar novos espetáculos e Christine, sua amada, como a verdadeira estrela. Depois de muitos confrontos, a sua pupila acaba se entregando a uma amor de infância com o jovem Visconde de Chagny, o novo patrocinador do Teatro, relação que desperta vingança no coração destruído do podre e desprezado Fantasma. Ou seja, temos aqui uma premissa clássica. Romântica, aterrorizante e na qual, o mocinho defende a sua bela e enfrenta o monstro chegando em um cavalo branco como um verdadeiro príncipe para um duelo de capa e espada. A versão da Universal com o homem das mil faces Lon Chaney era mais para o lado do terror do que para o romance. Webber cria uma tensão erótica e infantil onde a jovem solista acredita em seu anjo da guarda, o espírito de seu falecido pai que desceu dos céus para ensiná-la os caminhos da música. Na verdade era o Fantasma que ficava a espreita, nas sombras, sendo o seu tutor e mestre. Mas este monstro se apaixona pela garota, uma verdadeira virgem e inocente e desperta nela os desejos carnais e aguça a verdadeira mulher que existe dentro dela.
É realmente encantador poder deslumbrar a direção de arte, a música clássica e a relação deste triângulo amoroso. GERARD BUTLER (300) se mostra um ator e cantor esplêndido. Galã ele está perfeito como o Fantasma que mesmo deformado, desperta prazeres irresistíveis (como a carreira deste ator ficou triste depois deste filme). EMMY ROSSUM faz Christine lindamente. Seus lábios, seu busto e aquele rosto angelical são perfeitos para a mocinha e, finalmente o mocinho Raoul Chagny é o gatíssimo PATRICK WILSON (de PECADOS ÍNTIMOS). E o que dizer da chatérrima Carlotta? Interpretada pela ótima MINNIE DRIVER, que consegue tirar algumas risadas do público com a sua irritante voz operística. Ainda no elenco o reforço da veterana MIRANDA RICHARDSON a mulher que treina as garotas do coro e protege o Fantasma do mundo além do Teatro. A sequência do baile de máscaras é um dos melhores momentos da fita, pra quem busca prestigiar um show de cores e fantasias. Um traço imageticamente plástico de Schumacher que começou a carreira como figurinista. O único errinho do filme é ele querer ser por vezes literal e efêmero como no palco. Pra quem já assistiu à peça, como eu, certamente irá sentir algumas marcações do Teatro e limitações de espaço que em um filme devem ser desprezadas. Sobretudo na cena em que o Fantasma leva Christine através do espelho para o seu refúgio com a famosa música tema até o término do ato, em que ela desmaia nos braços do Fantôme. Resumindo: é tudo um pouco artificial e estilizado para um registro cinematográfico. Mas nada que atrapalhe a sessão, e pra quem não viu a peça, creio que não irá se incomodar com detalhes do gênero.
Graças ao bom senso do diretor, o filme salta para outros ares mostrando com uma bela fotografia em preto e branco os personagens envelhecidos, recordando o passado trágico naquele Teatro e também culminando em cenas de amor na neve e duelos de espadas em um cemitério em pleno inverno fazendo uma ligeira homenagem aos filmes de Errol Flynn e Douglas Fairbanks.A peça teatral no Brasil também foi um grande sucesso de bilheteria com um elenco ótimo e fixo: SAULO VASCONCELOS sempre encantando no papel do Fantasma, NANDO PRADO como Raoul e EDNA D´OLIVEIRA como Carlotta e, alternando no papel de Christine, SARA SARRES e KIARA SASSO (eu assisti a montagem no Teatro Abril com a ótima Sasso – linda em cena).
Outro momento fantástico da história, tanto no livro como no espetáculo e filme, é a cena do enorme lustre que despenca do Teatro em cima da platéia que sai correndo aterrorizada e com um “alegreto” musicalmente fantástico!
Um slogan da peça dizia: “Você assistiu na sua casa, agora assista na minha.”
O Fantasma Da Ópera, eu sempre recomendo para os amantes da sétima e de todas as artes: música dança desenho/pintura, escultura, teatro, literatura e o cinema. Híbridos a história do Anjo Da Música mascarado. “O Fantasma da Ópera está aqui”!Indicado a 3 Oscars (Direção de Arte, Música e Fotografia).

EUA/INGLATERRA – 2004
MUSICAL
WIDESCREEN
141 min.
COR
UNIVERSAL (BRASIL)
WARNER (EUA)
14 ANOS
✩✩✩✩ ÓTIMO
ODYSSEY ENTERTAINMENT APRESENTA
EM ASSOCIAÇÃO COM WARNER BROS. PICTURES
UMA PRODUÇÃO REALLY USEFUL FILMS/ SCION
FILMS
UM FILME DE JOEL SCHUMACHER
ANDREW LLOYD WEBBER´S
“THE FHANTOM OF THE OPERA”
Baseado na obra “LE FÂNTOME DE L ´OPÉRA”
de GASTON LEROUX
ESTRELANDO:
GERARD BUTLER EMMY ROSSUM PATRICK WILSON
MIRANDA RICHARDSON E MINNIE DRIVER como CARLOTTA
Co-estrelando: Ciarán Hinds. Simon Callow.
Victor McGuire. Jennifer Ellison.
Murray Melvin. Kevin McNally. Imogen
Bain. Judith Paris.
Música de ANDREW LLOYD WEBBER Letras
de CHARLES HART
Letras Adicionais RICHARD STILGOE
Produção Teatral CAMERON MaCKINTOSH
& THE REALLY USEFUL GROUP
Peça Teatral dirigida por HAROLD PRINCE
Co-produtor musical NIGEL WRIGHT
Supervisão e Condução Musical SIMON LEE
Coreografia por PETER DARLING
Supervisor de Efeitos Visuais NATHAN McGUINNESS
Figurinos por ALEXANDRA BYRNE
Montagem por TERRY RAWLINGS
Cenografia ANTHONY PRATT
Diretor de Fotografia JOHN MATHIESON
Co-produtor ELI RICHBOURG
Produtores Executivos AUSTIN SHAW
PAUL HITCHCOCK. LOUISE GOODSILL. RALPH KAMP
JEFF ABBERLEY. JULIA BLACKMAN. KEITH COUSINS
PAUL HITCHCOCK. LOUISE GOODSILL. RALPH KAMP
JEFF ABBERLEY. JULIA BLACKMAN. KEITH COUSINS
PRODUZIDO POR
ANDREW LLOYD WEBBER
ESCRITO POR
ANDREW LLOYD WEBBER. JOEL SCHUMACHER
DIREÇÃO DE JOEL
SCHUMACHER
© 2004 Scion Films Phantom Productions Parthership
10 comentários:
Patrick Wilson e Butler no mesmo filme e sendo um musical? Carai, tenho que ver essa porra logo! hahaha
A primeira vez que eu vi o filme eu odiei. Mas depois de conhecer as músicas e tudo mais acabei amando!
http://filme-do-dia.blogspot.com/
Desde que me entendo por gente sou apaixonada pelo Fantasma de Ópera. hehe. Lembro de ouvir pequena, as músicas de um disco que meu tio tinha, amava. Sonhava com a peça. Nunca pude ir à Broadway e fiquei decepcionada com as primeiras versões do filme. hehe. Aí veio essa versão, e o início chega me deixou nervosa, emocionada mesmo, quando eles acham o macaquinho e depois puxam o pano e tudo vai voltando. Mas, no geral, esperava mais. Acho que o filme perde um pouco o ritmo exatamente por ser teatral demais. Mas, tem momentos primorosos e a direção de arte é mesmo fantástica.
Ah, claro que fui a São Paulo só para ver a versão brasileira da peça, né? hehe.
bjs
rsrs. É... aqui a gente discorda um pouco. Acho este um musical muito problemático. Diria que Joel Schumacher tem outros ótimos filmes como 8mm, Por um fio, Tigerland, Tempo de matar...
Mas não acho que ele foi talhado para um musical.Agrada pq quem é fã do gênero e da peça não tem como se desapontar por completo, mas não me entusiasmei com essa versão não.
Abs
ALAN: Olha o palavriado menino! Rs
KAHLIL: Ótima saga pessoal a fita do fantasma, rs! Adoro tbm. Abs.
AMANDA: Deve-se levar em contas que as primeiras versões não foram adaptadas para ser o musical. A clássica com Lon Chaney é fantástica tbm um dos melhores filmes mudos do cinema. E, sim, tivemos a mesma impressão do filme do Schumacher mas no geral gostamos.Rs! Beijos.
REINALDO: Um pouco? Meu caro amigo, aqui discordamos completamente, rs!
Bom ter lembrado tbm de Tempo de Matar, outra fita boa dele, já discordo de 8mm (muito ruim).
Gosta da peça? Fiquei curioso!
Abs.
RODRIGO
Já vi alguns trechos e parece ser mesmo uma produção bem caprichada, mas tenho meu pé atrás para Andrew Lloyd Webber, especialmente no tocante a adaptações de suas obras para o Cinema (sou da campanha "Evite Evita!", rs)... Mas foi uma bela postagem, digna de fã!
Tens demorado a dar as caras nos Morcegos e andas perdendo os últimos 'posts' cinematográficos: vai, corre e olha o céu, que eles já estão de partida! Abração!
P.S.: e como diria aquele Morcegão, "fale de mim para os seus amigos": divulgue a superlista que fiz em meu blogue para os amantes da Sétima Arte - estou querendo um grande debate de idéias nos Morcegos em meu 'post' "final"! Abração!
DILBERTO: Pode deixar Batman eu farei uma visita hoje mais tarde. Lembro que eu comentei o seu último post sobre a coleção de filmes e vários gêneros.
EVITA pode ter lá alguns problemas, há momentos da fita que chega a irritação, mas devo admitir que gosto da mesma forma que Fantasma Da Ópera. Acho o único momento decente de Madonna no cinema e Alan Parker um vigoroso cineasta.
Abs.
RODRIGO
Gosto da peça sim. Mas o filme de Schumacher não honrou, na minha avaliação, as calças que vestiu...
Abs
Adoro!
Assitindo ao Fantásma e a 300,sou apenas eu q tenho a senação de q Gerard Buttler é meio mutante.
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