segunda-feira, 15 de julho de 2013

A MÃO QUE BALANÇA O BERÇO

REVENGE


Claire e Michael encontram uma babá aparentemente perfeita para o seu bebê, mas o que não sabem é que a moça se infiltrou em seu lar em busca de vingança.


Este é um dos filmes que marcaram a minha infância (nunca tive babá), acredite se quiser. Assisti pela primeira vez aos seis anos de idade em seu ano de lançamento, 1992, e devo ter ainda uma cópia em VHS em algum lugar (provavelmente embolorada) que foi gravada pela minha tia (outra fã deste filme e foi ela quem me apresentou) diretamente da TV quando a Rede Globo o reprisava.  O título deste intrigante suspense é inspirado num ditado popular: “A Mão que Balança o Berço é a mão que conduz o destino” e acrescentando o trecho de um texto da Dr. Rita Romaro em “A Arte de se Criar os filhos”: “...e que não deve ser negligenciado quando se assume o compromisso de se gerar ou adotar uma criança.” Certamente muito pertinente aos pais, também, assistirem ao filme que é na verdade uma trama de vingança. Dirigido por Curtis Hanson roteirista e diretor que começou a carreira escrevendo filmes de terrores baratos como The Dunwich Horror, 1970, com direção de Daniel Haller e assinando como Curtis Lee Hanson, acertando depois com ótimo O Sócio Do Medo (The Silent Partner, 1978, de Samuel Fuller) adaptação sua baseada em livro de Anders Bodelsen e estrelado por Elliott Gould e Christopher Plummer. Este diretor só teve mesmo o reconhecimento com o sucesso de crítica do vencedor do Oscar LOS ANGELES CIDADE PROIBIDA (L.A. Confidential, 1997) ganhando o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado (escrito também por Brian Helgeland) do livro de James Ellroy e o de Melhor Atriz Coadjuvante para a estonteante Kim Basinger. Enfim, eis seu melhor filme até então, mas A Mão Que Balança O Berço (The Hand That Rocks The Cradle, 92) também esta no páreo de suas melhores realizações. Hanson também faria Garotos Incríveis (Wonder Boys, 2000, com Michael Douglas, Robert Downey Jr. e Tobey Maguire) e o sucesso de 8 MILE – Rua Das Ilusões (8 Mile,2002) aproveitando o sucesso de público do rapper branco Eminem, até então com sua única performance para o cinema e pelas mãos de Hanson! No entanto, é “A Mão Que...” um de seus filmes mais conhecidos, ao menos no âmbito da televisão (tem cara de telefilme, mas não é). Trata-se de uma produção de Disney realizada na subsidiária do estúdio, a Hollywood Pictures, de sucessos como O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), citando apenas um e distribuído apenas em uma edição simples pela Buena Vista.  Nem sei ao certo quantas vezes eu já assisti e até sou capaz de fazer uma resenha sem ter revisto o filme recentemente, o me lembro muito bem, como se fosse hoje, foi  todas as vezes que minha tia alugava a fita (mesma edição que a do DVD e Blu-ray à venda) na extinta vídeo-locadora do bairro. É um ótimo suspense feito na escola de Hitchcock, com um roteiro que, mesmo simplório, escrito pela roteirista Amanda Silver (seu único trabalho solo em um script) que já havia trabalhado em parceria com outros roteiristas em filmes estilo SuperCine como: Olho Por Olho (Eye for na Eye, 1996, thriller que prende a atenção, dirigido por John Schlesinger e estrelado por Sally Field) e A Relíquia (The Relic, 1997 de Peter Hyams). Recentemente, co-escreveu o sucesso da franquia Planeta Dos Macacos (A Origem, Rise of the Planet Of The Apes, 2011, de Rupert Wyatt e terminou de escrever a sua continuação em processo de filmagem e lançamento para o ano que vem, além de continuações de Jurassic Park!). Silver consegue entregar um roteiro na média, salvo mesmo pela direção atenta de Hanson e principalmente pela interpretação das protagonistas; a sensual e perigosa REBECCA DE MORNAY (de clássicos como Negócio Arriscado, Risky Business, 1983, de Paul Brickman e que de certa forma foi a babá de Tom Cruise neste sucesso corujão!) e a ótima ANNABELLA SCIORRA (de filmes como Febre Da Selva, 1991, de Spike Lee e Amor Além Da Vida, 1998 de Vincent Ward) como a vitimada mãe de família que contrata a misteriosa baby-sitter.  


A premissa nem chega a ser mirabolante e cheia de surpresas, que por outro lado seria um exagero, na verdade, as revelações são diretas e o espectador é cúmplice das maldades de De Mornay desde o início. Claire Bartel (Sciorra) e Michael (o também ótimo MATT McCOY) é o típico casal americano do subúrbio vivendo seu american way of life. Ela é mãe e dona de casa e que nas horas vagas trabalha como botânica, sua profissão e paixão e tem até uma estufa particular no quintal de sua casa. Ele é um cientista e trabalha com pesquisas. São pais de uma menininha, Emma (a garotinha vivida por Madeline Zima da série de TV The Nanny, 1993-1999 com Fran Drescher, mas que tinha uma babá boazinha!), o casal, agora, também com um bebê recém-nascido, precisam de uma babá com urgência. Cansados de procurar, finalmente, em um dia lindo, eis que surge na rua do subúrbio uma atenciosa mulher loura, Peyton “Flanders” (De Mornay), que se candidata ao emprego e acaba conquistando a confiança do casal após um jantar para conhecer toda a família (já tramando suas artimanhas). Ela é perfeita ao se apresentar educada, elegante, delicada e principalmente dedicada ao trabalho tão ingrato que pode ser para uma babá, que mais tarde acaba se apegando aos pequenos. O emprego consistia dela se mudar para lá por uma temporada, mas aos poucos sua loucura faz dela uma mulher que Claire não deveria confiar ao ponto de Peyton tomar conta do bebê como se fosse seu próprio filho chagando ao cúmulo de amamentá-lo, numa das cenas, de certa forma, das mais tocantes. Não demora muito para ela conquistar o coração da filha mais velha e tampouco por em prática a fase 2 de seu plano diabólico (a vingança é um prato que se come frio), tramando de todos os jeitos para prejudicar, principalmente, Claire. Joga a filha contra a mãe, fica dando em cima do marido e arma uma armadilha contra um pobre empregado negro, amigo da família, assim como ela, que a flagrou amamentando a criança, mas que sofre de retardo mental, Solomon, no papel o ótimo ERNIE HUDSON (de Os Caça-Fantasmas. Leia aqui). O fato é que Peyton é capaz de tudo, até mesmo de matar. E o faz. Ela quer assumir o lugar de matriarca pretendendo acabar com Claire já que sua obsessão consiste em vingar-se do suicídio do marido, um ginecologista safado que molestou Claire e que consequentemente o denunciou para a imprensa e o mesmo se matou deixando Peyton na pior, grávida e que ainda por cima, depois de um acidente, perde seu bebê tragicamente. Louca, essa Peyton vai além dos limites como uma espiã da CIA na casa desta família feliz e o pôster do filme é ótimo ao mostrá-la rasgando uma foto do álbum dos Bartel.


Este filme é um ótimo programa, acaba prendendo a atenção e acredito que a maioria já deve ter assistido. Sem exageros, pra mim, já é um clássico. Adoro a tensão e o antagonismo de Sciorra e De Mornay a medida que a estória avança e há muitas cenas antológicas, como a agonizante seqüência de Claire, que sofre de asma (nível grave), ter um ataque aterrador e não encontrar nenhum remédio disponível nas bombinhas, óbvio, sabotados por Peyton, depois que a vítima e heroína descobre o cadáver de uma ex- namorada de adolescência do marido que morreu numa armadilha criada por Peyton na estufa, no caso, uma breve e marcante participação da futura estrela JULIANNE MOORE como a fumante, ruiva e bem sucedida vendedora de imóveis, Marlene Craven, amiga do casal, mas que se desentendeu com Claire depois de uma acusação de adultério com Michael numa festa de aniversário surpresa planejada, adivinhem? Por Peyton! Fica a impressão que o filme, às vezes, parece uma soup opera na qual a vilã gera intrigas e situações para desestabilizar a todos, mas o clímax é de roer as unhas chegando numa briga de faca, socos e outras pauladas...e Claire encontra forças (e fôlego) para tirar essa vadia de sua casa e defender sua família. E ela mesmo diz: “Peyton! Essa é a minha família!”


A Mão Que Balança O Berço continua a impressionar. É um suspense meio novela e filme, do começo ao fim. E é melhor os próprios pais serem as mãos nos balanços dos berços e na condução do destino de seus filhos.


EUA
1992
SUSPENSE
COR
110 min.
DISNEY
        



Hollywood Pictures Apresenta
Uma Produção Interscope Communications
Em Associação com Nomura Babcock & Brown
Um Filme de Curtis Hanson
Annabella Sciorra         Rebecca De Mornay
THE HAND THAT ROCKS THE CRADLE
Matt McCoy  Ernie Hudson  Julianne Moore
Música de Graeme Revell   Co-produtor Ira Halberstadt
Montagem John F. Link       Desenhista de Produção Edward Pisoni
Diretor de Fotografia Robert Elswit        Figurinos Jennifer Von Mayrhauser
Produtores Executivos Ted Field Rick Jaffa  e Robert W. Cort
Escrito Por Amanda Silver     Produzido por David Madden
Dirigido por Curtis Hanson
THE HAND THAT ROCKS THE CRADLE ©1992 Hollywood Pictures

Interscope Communications/ Nomura Badcock & Brown/ Rock´n Cradle Productions

11 comentários:

renatocinema disse...

Correção: a sua infância não....a nossa e de muita gente. kkk

filmão que ainda intriga.

abs

Unknown disse...

Taí um filme que fez muito sucesso em sua época e hoje é pouco lembrado. Assisti no cinema e gostei muito. Rebecca DeMornay impecável em seu papel. Deu vontade de rever.

Abraço!

Anônimo disse...

Rodrigo:
Adorei sua resenha, está perfeita como sempre. Você é brilhante e eu já disse isso outras vezes! Sem mim mi mi, vai direto ao ponto. Como disse o amigo que me antecede, dá vontade de ver de novo e de novo. É um clássico sem dúvida e a Rebecca de Mornay está perfeita no papel de psicopata, sádica e neurótica, sedenta de vingança pelo que aconteceu à sua família! Sem dúvida, é o tipo de filme que prende a nossa atenção e em alguns momentos até 'agonizamos' de ansiedade para que o pior não aconteça .. rs rs. Great movie!
Abraços querido amigo!

Amanda Aouad disse...

Taí, também marcou a minha infância porque era um comentário geral entre os amigos, mas acabei nunca vendo, hehehe. Vou tentar remediar isso.

bjs

Reinaldo Glioche disse...

Descobri um pouco depois de você o filme (lá para 94), mas me apaixonei igualmente. Concordo que figura entre as melhores realizações de Hanson. Acho, tb, que é o grande papel de Rebecca de Mornay, por quem fiquei vidradão depois desse filme. rsrs.
É um clássico. Esses dias passou no TCM e se impôs na minha programação.
Abs

Patt Baleeira disse...

Então....

Essa versão me agrada(não tanto qto o original) mais sombrio.
Porém, como não gostar de Rebecca né?

Adorei vc ter sido The Nanny , hehe.

Beijooooooooooooooooooooooos
* amei seu comments em Hannibal ;)

Rodrigo Mendes disse...

Renato: Obrigado pela observação amigo, rs rs eu tenho mania de falar por mim em meus textos, rs!
Abs.

Celo: Imagino como deve ter sido no cinema... queria ter nascido na sua época, rs!
Abs.


Lu: Fico grato e muito feliz querida, obrigado pelos elogios sinceros. Concordamos em gênero, número e grau com o filme. Temos a mesma satisfação. Rebecca fantástica, um filme que já é clássico!
Bjs.

Amanda: Assista logo! Não sei se o impacto será o mesmo que na época se você tivesse assistido ainda criança, mas creio que irá gostar.
Bjs.

Reinaldo: Sim, sim, vive passando na TV a cabo, revi e resolvi postar. E é mesmo um dos melhores do Hanson, pau a pau com "L.A. Confidential".
Abs.

Patricia: Qual versão original Pati? Fiquei curioso! Acredito que, como o título é um dito popular deva ter outros nomes homônimos, mas com outras temáticas e premissas. Esse roteiro da Amanda Silver, pelo que eu saiba, é original.

Beijão!

Jefferson C. Vendrame disse...

Rodrigo, acredita que NUNCA assisti esse filme? Claro que já ouvi falar muito dele, afinal, quem nunca viu as chamadas da rede Globo o anunciando pelo menos uma vez ao mês.... kkkkk. A história me pareceu bem interessante,vou procurar assisti-lo... Abração

Rodrigo Mendes disse...

Jefferson: Faz tempo que o filme não passa na TV aberta e há séculos que não assisto filmes na Rede Globo! rs

Abs.

Bússola do Terror disse...

Só o que eu não gosto desse filme é que a babá apanha muito pouco quando eles descobrem tudo.
Ela merecia ser arrebentada da cabeça aos pés!

Rodrigo Mendes disse...

Ah, Bússola, mas pelo menos ela cai na cerca que o Solomon construiu, rs morte merecida, RA!

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