REVENGE
Claire
e Michael encontram uma babá aparentemente perfeita para o seu bebê, mas o que
não sabem é que a moça se infiltrou em seu lar em busca de vingança.
Este é um dos filmes que
marcaram a minha infância (nunca tive babá), acredite se quiser. Assisti pela
primeira vez aos seis anos de idade em seu ano de lançamento, 1992, e devo ter
ainda uma cópia em VHS em algum lugar (provavelmente embolorada) que foi
gravada pela minha tia (outra fã deste filme e foi ela quem me apresentou)
diretamente da TV quando a Rede Globo o reprisava. O título deste intrigante suspense é inspirado
num ditado popular: “A Mão que Balança o Berço é a mão
que conduz o destino”
e acrescentando o trecho de um texto da Dr. Rita Romaro em “A Arte de se Criar os filhos”: “...e que não deve ser negligenciado quando se assume o compromisso de se
gerar ou adotar uma criança.” Certamente muito pertinente aos pais, também,
assistirem ao filme que é na verdade uma trama de vingança. Dirigido por Curtis
Hanson
roteirista e diretor que começou a carreira escrevendo filmes de terrores
baratos como The Dunwich Horror, 1970, com direção de Daniel Haller e assinando como Curtis Lee Hanson, acertando depois com
ótimo O Sócio Do Medo (The Silent Partner, 1978, de Samuel Fuller) adaptação sua baseada em livro de Anders Bodelsen e estrelado por Elliott Gould e Christopher Plummer. Este diretor só teve mesmo o reconhecimento
com o sucesso de crítica do vencedor do Oscar LOS ANGELES CIDADE
PROIBIDA (L.A. Confidential, 1997)
ganhando o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado (escrito também por Brian Helgeland) do livro de James Ellroy e o de Melhor Atriz Coadjuvante
para a estonteante Kim Basinger. Enfim,
eis seu melhor filme até então, mas A
Mão Que Balança O Berço (The Hand That Rocks The Cradle, 92) também esta no páreo de suas
melhores realizações. Hanson também faria Garotos Incríveis (Wonder Boys, 2000,
com Michael Douglas, Robert Downey Jr. e Tobey Maguire) e o sucesso de 8
MILE – Rua Das Ilusões (8 Mile,2002)
aproveitando o sucesso de público do rapper
branco Eminem, até então com sua
única performance para o cinema e pelas mãos de Hanson! No entanto, é “A Mão Que...” um de seus filmes mais
conhecidos, ao menos no âmbito da televisão (tem cara de telefilme, mas não é).
Trata-se de uma produção de Disney realizada na subsidiária do estúdio, a
Hollywood Pictures, de sucessos como O Sexto Sentido (The Sixth Sense,
1999), citando
apenas um e distribuído apenas em uma edição simples pela Buena Vista. Nem sei ao certo quantas vezes eu já assisti e
até sou capaz de fazer uma resenha sem ter revisto o filme recentemente, o me lembro
muito bem, como se fosse hoje, foi todas as vezes que minha tia alugava a fita (mesma
edição que a do DVD e Blu-ray à venda) na extinta vídeo-locadora do bairro. É
um ótimo suspense feito na escola de Hitchcock, com um roteiro que, mesmo simplório,
escrito pela roteirista Amanda Silver (seu único trabalho solo em um
script) que já havia trabalhado em
parceria com outros roteiristas em filmes estilo SuperCine como: Olho Por Olho (Eye for na Eye, 1996, thriller que prende a atenção, dirigido por John Schlesinger e estrelado por Sally Field) e A Relíquia (The Relic, 1997 de Peter Hyams). Recentemente, co-escreveu o sucesso da franquia Planeta
Dos Macacos (A
Origem, Rise
of the Planet Of The Apes, 2011,
de Rupert Wyatt e terminou de
escrever a sua continuação em processo de filmagem e lançamento para o ano que
vem, além de continuações de Jurassic Park!). Silver consegue entregar um roteiro na
média, salvo mesmo pela direção atenta de Hanson e principalmente pela
interpretação das protagonistas; a sensual e perigosa REBECCA
DE MORNAY (de
clássicos como Negócio
Arriscado, Risky Business, 1983,
de Paul Brickman e que de certa
forma foi a babá de Tom Cruise neste
sucesso corujão!) e a ótima ANNABELLA SCIORRA (de filmes como Febre
Da Selva, 1991, de Spike Lee
e Amor Além Da Vida, 1998 de Vincent Ward) como a vitimada mãe de família
que contrata a misteriosa baby-sitter.
A premissa nem chega a ser
mirabolante e cheia de surpresas, que por outro lado seria um exagero, na verdade, as revelações são diretas e o
espectador é cúmplice das maldades de De Mornay desde o início. Claire Bartel (Sciorra) e
Michael (o também ótimo MATT McCOY) é o típico casal americano do
subúrbio vivendo seu american way of life.
Ela é mãe e dona de casa e que nas horas vagas trabalha como botânica, sua
profissão e paixão e tem até uma estufa particular no quintal de sua casa. Ele
é um cientista e trabalha com pesquisas. São pais de uma menininha, Emma (a garotinha vivida por Madeline
Zima da série
de TV The Nanny, 1993-1999 com Fran Drescher, mas que tinha uma babá
boazinha!), o casal, agora, também com um bebê recém-nascido, precisam de uma
babá com urgência. Cansados de procurar, finalmente, em um dia lindo, eis que
surge na rua do subúrbio uma atenciosa mulher loura, Peyton “Flanders” (De Mornay), que se candidata ao emprego e acaba
conquistando a confiança do casal após um jantar para conhecer toda a família
(já tramando suas artimanhas). Ela é perfeita ao se apresentar educada,
elegante, delicada e principalmente dedicada ao trabalho tão ingrato que pode
ser para uma babá, que mais tarde acaba se apegando aos pequenos. O emprego
consistia dela se mudar para lá por uma temporada, mas aos poucos sua loucura
faz dela uma mulher que Claire não deveria confiar ao ponto de Peyton tomar
conta do bebê como se fosse seu próprio filho chagando ao cúmulo de
amamentá-lo, numa das cenas, de certa forma, das mais tocantes. Não demora muito para ela conquistar o coração da filha mais velha e tampouco por em prática a fase 2 de seu plano diabólico (a vingança é um prato
que se come frio), tramando de todos os jeitos para prejudicar, principalmente,
Claire. Joga a filha contra a mãe, fica dando em cima do marido e arma uma
armadilha contra um pobre empregado negro, amigo da família, assim como ela, que
a flagrou amamentando a criança, mas que sofre de retardo mental, Solomon, no papel o ótimo ERNIE
HUDSON (de Os
Caça-Fantasmas. Leia aqui). O fato é
que Peyton é capaz de tudo, até mesmo de matar. E o faz. Ela quer assumir o
lugar de matriarca pretendendo acabar com Claire já que sua obsessão consiste em
vingar-se do suicídio do marido, um ginecologista safado que molestou Claire e que consequentemente o denunciou para a imprensa e o mesmo se matou deixando Peyton na pior,
grávida e que ainda por cima, depois de um acidente, perde seu bebê
tragicamente. Louca, essa Peyton vai além dos limites como uma espiã da CIA na
casa desta família feliz e o pôster do filme é ótimo ao mostrá-la rasgando uma
foto do álbum dos Bartel.
Este filme é um ótimo programa,
acaba prendendo a atenção e acredito que a maioria já deve ter assistido. Sem
exageros, pra mim, já é um clássico. Adoro a tensão e o antagonismo de Sciorra
e De Mornay a medida que a estória avança e há muitas cenas antológicas, como a
agonizante seqüência de Claire, que sofre de asma (nível grave), ter um ataque
aterrador e não encontrar nenhum remédio disponível nas bombinhas, óbvio,
sabotados por Peyton, depois que a vítima e heroína descobre o cadáver de uma ex-
namorada de adolescência do marido que morreu numa armadilha criada por Peyton
na estufa, no caso, uma breve e marcante participação da futura estrela JULIANNE
MOORE como a
fumante, ruiva e bem sucedida vendedora de imóveis, Marlene Craven, amiga do casal, mas que se desentendeu com Claire
depois de uma acusação de adultério com Michael numa festa de aniversário
surpresa planejada, adivinhem? Por Peyton! Fica a impressão que o filme, às
vezes, parece uma soup opera na qual
a vilã gera intrigas e situações para desestabilizar a todos, mas o clímax é de
roer as unhas chegando numa briga de faca, socos e outras pauladas...e Claire
encontra forças (e fôlego) para tirar essa vadia de sua casa e defender sua família. E ela mesmo diz: “Peyton! Essa é a minha
família!”
A Mão Que Balança O Berço continua a impressionar. É um
suspense meio novela e filme, do começo ao fim. E é melhor os próprios pais serem
as mãos nos balanços dos berços e na condução do destino de seus filhos.
EUA
1992
SUSPENSE
COR
110 min.
DISNEY
★ ★ ★ ★
Hollywood Pictures Apresenta
Uma Produção Interscope Communications
Em Associação com Nomura Babcock & Brown
Um Filme de Curtis Hanson
Annabella Sciorra Rebecca
De Mornay
THE HAND THAT ROCKS
THE CRADLE
Matt McCoy Ernie Hudson
Julianne Moore
Música de Graeme Revell Co-produtor
Ira Halberstadt
Montagem John F. Link Desenhista de Produção Edward Pisoni
Diretor
de Fotografia Robert Elswit Figurinos Jennifer Von Mayrhauser
Produtores
Executivos Ted Field Rick Jaffa e Robert W. Cort
Escrito
Por Amanda Silver Produzido por David Madden
Dirigido
por Curtis Hanson
THE HAND THAT ROCKS THE CRADLE ©1992 Hollywood Pictures
Interscope Communications/ Nomura
Badcock & Brown/ Rock´n Cradle Productions







11 comentários:
Correção: a sua infância não....a nossa e de muita gente. kkk
filmão que ainda intriga.
abs
Taí um filme que fez muito sucesso em sua época e hoje é pouco lembrado. Assisti no cinema e gostei muito. Rebecca DeMornay impecável em seu papel. Deu vontade de rever.
Abraço!
Rodrigo:
Adorei sua resenha, está perfeita como sempre. Você é brilhante e eu já disse isso outras vezes! Sem mim mi mi, vai direto ao ponto. Como disse o amigo que me antecede, dá vontade de ver de novo e de novo. É um clássico sem dúvida e a Rebecca de Mornay está perfeita no papel de psicopata, sádica e neurótica, sedenta de vingança pelo que aconteceu à sua família! Sem dúvida, é o tipo de filme que prende a nossa atenção e em alguns momentos até 'agonizamos' de ansiedade para que o pior não aconteça .. rs rs. Great movie!
Abraços querido amigo!
Taí, também marcou a minha infância porque era um comentário geral entre os amigos, mas acabei nunca vendo, hehehe. Vou tentar remediar isso.
bjs
Descobri um pouco depois de você o filme (lá para 94), mas me apaixonei igualmente. Concordo que figura entre as melhores realizações de Hanson. Acho, tb, que é o grande papel de Rebecca de Mornay, por quem fiquei vidradão depois desse filme. rsrs.
É um clássico. Esses dias passou no TCM e se impôs na minha programação.
Abs
Então....
Essa versão me agrada(não tanto qto o original) mais sombrio.
Porém, como não gostar de Rebecca né?
Adorei vc ter sido The Nanny , hehe.
Beijooooooooooooooooooooooos
* amei seu comments em Hannibal ;)
Renato: Obrigado pela observação amigo, rs rs eu tenho mania de falar por mim em meus textos, rs!
Abs.
Celo: Imagino como deve ter sido no cinema... queria ter nascido na sua época, rs!
Abs.
Lu: Fico grato e muito feliz querida, obrigado pelos elogios sinceros. Concordamos em gênero, número e grau com o filme. Temos a mesma satisfação. Rebecca fantástica, um filme que já é clássico!
Bjs.
Amanda: Assista logo! Não sei se o impacto será o mesmo que na época se você tivesse assistido ainda criança, mas creio que irá gostar.
Bjs.
Reinaldo: Sim, sim, vive passando na TV a cabo, revi e resolvi postar. E é mesmo um dos melhores do Hanson, pau a pau com "L.A. Confidential".
Abs.
Patricia: Qual versão original Pati? Fiquei curioso! Acredito que, como o título é um dito popular deva ter outros nomes homônimos, mas com outras temáticas e premissas. Esse roteiro da Amanda Silver, pelo que eu saiba, é original.
Beijão!
Rodrigo, acredita que NUNCA assisti esse filme? Claro que já ouvi falar muito dele, afinal, quem nunca viu as chamadas da rede Globo o anunciando pelo menos uma vez ao mês.... kkkkk. A história me pareceu bem interessante,vou procurar assisti-lo... Abração
Jefferson: Faz tempo que o filme não passa na TV aberta e há séculos que não assisto filmes na Rede Globo! rs
Abs.
Só o que eu não gosto desse filme é que a babá apanha muito pouco quando eles descobrem tudo.
Ela merecia ser arrebentada da cabeça aos pés!
Ah, Bússola, mas pelo menos ela cai na cerca que o Solomon construiu, rs morte merecida, RA!
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