A
ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE
SESSÃO
SURPRESA
PARTE
VI
Dois homens estão presos numa penitenciária de segurança
máxima e ao longo dos anos, institucionalizados, criam um vínculo incomum. Uma
amizade baseada em consolo e eventual redenção através de atos de decência e camaradagem comum.
Não
é surpresa para ninguém que UM SONHO DE LIBERDADE é
um dos grandes injustiçados na história do Oscar. Indicado para sete
categorias: Filme (para o produtor Niki
Marvin), Roteiro Adaptado (Frank
Darabont), Ator (Morgan Freeman),
Fotografia (Roger Deakins), Edição
(Richard Francis-Bruce), Música (Thomas
Newman) e Melhor Som. Mesmo não sendo a estreia na direção propriamente
dita do diretor e roteirista FRANK
DARABONT (como expliquei no post abaixo de “À
Espera de Um Milagre”, outra
obra-prima), pode-se dizer que este é a grande entrada de Darabont em
Hollywood. Um filme emocionante. Clássico. É um daqueles exemplares que
começamos a assistir sem compromisso, do nada, zapeando o canal da TV e mesmo
próximo aos 30 minutos finais, nos prende a atenção. Bom, foi isso que
aconteceu comigo quando estava de boa no sofá e através do SBT (na sessão da Tela de Sucessos se não me falha a memória) me deparei com essa grande
obra do cinema. Anos mais tarde fui descobrir que não foi um sucesso de
bilheteria quando estreou em 1994, mas tornou-se merecidamente ao passar dos
anos graças ao boca a boca um filme cult
e obrigatório. Sucesso de vídeo-locadora e nas inúmeras exibições na telinha.
Lindamente
adaptado por Darabont, o cara que mais compreende Stephen King que escreveu um conto onde é baseado: RITA HAYWORTH AND THE SHAWSHANK REDEMPTION – Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank.
Nada a ver com horror típico do escritor e sem nenhum traço de realismo fantástico como em The Green Mile e pode-se dizer que as melhores adaptações livremente
baseadas em King são filmes como este e também exemplos como Conta Comigo – Stand By Me.
O filme acabou ocupando uma posição merecedora na lista
dos melhores filmes americanos, ainda assim, muitos críticos o consideraram o melhor filme de todos os tempos. Exagero? Ao lado de
grandes clássicos como ...E o Vento Levou, Cidadão Kane, Um Corpo Que Cai e O Poderoso Chefão.
Originalmente,
segundo o próprio conto de King, o personagem “Red”, interpretado de maneira
tocante, inteligente e precisa pelo veterano MORGAN FREEMAN, era, de fato, irlandês. Darabont faz deste detalhe
uma piada no filme, aliás, curiosa, quando Red diz a Andy enquanto conversam e
ele esta jogando Baseball: “Talvez
seja porque eu sou irlandês”. Outro que também impressiona e assim como na
trama é injustiçado, sem ter sequer uma indicação ao Oscar, é o ótimo TIM ROBBINS como Andy Dufresne que deveria ser nomeado como ator principal (não
entendo como indicaram Freeman numa categoria que merecia estar como
Coadjuvante!). Acho que nunca vou saber qual é a da Academia.
Boa
parte da fita foi rodada numa prisão real, no caso, na cidade de Mansfield, em
Ohio, que estava desativada, evidente. Só que o local estava em condições
inapropriadas, portanto foi necessário mais investimentos para uma reforma, até
porque tinha que parecer com uma penitenciária antiga, dos anos 1940.
O
ponto alto do filme é mais uma citação cinéfila de Darabont ao mostrar imagens
do clássico Gilda
(idem, 1946) com Hayworth, a musa
inspiradora de King para a criação desse conto que se passa no mesmo período
de lançamento da obra requisitada de Charles Vidor. Mas isso é apenas um
daqueles panos de fundo brilhantes e charmosos porque na verdade, o que King e
Darabont almejam contar é uma premissa sobre injustiça, impunidade, amizade e,
a palavrinha mágica de todas, esperança.
E o mais interessante é que esses dois grandes amigos tem opiniões muito
distintas sobre o que é estar naquele lugar, sem ver o mundo lá fora, presos e
institucionalizados atrás daqueles muros impossíveis de escalar. O que terá
além deles? Como o mundo os receberia de volta? Um deles sente-se pertencente
ao âmbito, já se acostumou, mas o outro, não é um peixe de aquário e sim do
oceano.
O
filme retrata a saga de Andy Dufresne (Robbins) um jovem banqueiro bem sucedido e
intelectual, que passa vários anos numa fictícia prisão estadual chamada
Shawshank, acusado injustamente por dois homicídios, isto é, duas prisões
perpétuas (e a cena inicial no tribunal durante os créditos já nos deixa na
poltrona atônitos) pelo assassinato a sangue frio de sua esposa com o amante.
Muito embora não haja dúvidas de que
Dufresne é inocente, já que Darabont constrói uma sequência entrecortada da
noite do crime logo de cara e que é revelado graças a magistral expressão de
sofrimento nos olhos de Robbins, sim, ele é o homem errado! No entanto, sua
apelação diante o júri de nada adianta e o cara vai parar nessa prisão (graças, principalmente ao D.A. advogado que o "ferra" de vez, interpretado por Jeffrey DeMunn nos primeiros minutos) e viver
os primeiros e mais sufocantes dias de sua vida. Um verdadeiro pesadelo que é ser uma
“carne fresca” de uma instituição cercada de assassinos, estupradores e todo
tipo de escória, exceto por alguns homens mais velhos, outros mais amenos e
amadurecidos por estarem lá há muito mais tempo e que formarão um ciclo de amizade e assim receber Dufresne como integrante. De todos, quem se torna verdadeiro
amigo e confidente é Ellis Boyd “Red” Redding (Freeman), negro de quase sessenta e poucos anos, não sabemos que
crime cometeu, um cara misterioso e ao mesmo tempo conselheiro e um expert por conseguir qualquer coisa de
fora para os amigos presidiários através de dinheiro ou alguns maços de cigarro.
Com o tempo, Dufresne chama a atenção pelo seu jeito nenhum pouco habitual.
Calmo, coerente e com uma cultura incontestável, começa a fazer favores para os
guardas (que passam a protegê-lo dos maníacos sexuais), já que tem conhecimento
em finanças, em troca, recebe apoio e doações de livros de diversas
instituições de caridade a fim de ter um espaço educativo, uma biblioteca no
presídio. O fato é que se você estende a mão certamente terá que esticar o
braço e fazer muito mais pelos hipócritas e falsos religiosos, no caso o agente
e diretor penitenciário, Warden Norton,
o vilão fanático pela bíblia que é maravilhosamente personificado pelo soberbo BOB GUNTON (odiável e ótimo para fazer
malvados) que passa a usufruir (numa espécie de escravidão aviltante ameaçadora) o talento de Dufresne em operações secretas de lavagem de dinheiro.
O
aspecto anos 40 até meados da década de 1960 são discretos, já que grande parte
da fita se passa dentro do presídio, mas Darabont esta mais interessado em
encenar tudo isso de forma muito singela e consequentemente tocante, nunca
piegas. Gosto, por exemplo, do velhinho, Brooks, que é uma graça e realmente
emociona através do veterano JAMES WHITMORE (1921-2009) de filmes como O Preço da Glória (indicado ao Oscar como Ator Coadjuvante no filme de William Wellman, Battleground, 1949) e
também indicado como ator principal por Give ´em
Hell, Harry, seu melhor
filme, de 1975, comédia dirigida por Steve
Binder e escrita por Samuel Gallu.
Um ousado filme estrelado apenas por ele sobre a presidência de Harry S. Truman! Outros também vão se
destacando aos poucos como um dos presos feito por WILLIAM SADLER, Heywood, ator carimbado nas produções de Darabont
que de início parece ser um impertinente bandido para depois revelar-se um
adorável companheiro e o guarda violento interpretado por CLANCY BROWN, uma espécie de capanga do chefe local.
THE SHAWSHANK REDEMPTION é um
filme envolvente e caracterizado de maneira exemplar, além de ter um roteiro a
altura fornecido por Darabont (espero que algum dia ele seja reconhecido com
algum Oscar nessa categoria), o filme tem o mérito de ter dois excelentes
atores principais com uma química notável. Não é um filme que me faz lacrimejar
como À Espera
de um Milagre, mas é sem dúvida alguma uma
hipnotizante jornada sobre um homem incomum, esperançoso, capaz de buscar seus
objetivos custe o tempo que levar.
“Esforça-se
para viver ou esforça-se para morrer”. Essas
são as palavras de Red, que admira seu
amigo do fundo do coração e que com ele aprendeu a ter esperança e fazer valer
o seu significado. O Voo é mais rasante fora da gaiola.
EUA
1994
DRAMA
COR
142 min.
WARNER
★ ★ ★ ★ ★
CASTLE
ROCK ENTERTAINMENT APRESENTA
UM
FILME DE FRANK
DARABONT
TIM ROBBINS MORGAN FREEMAN
THE
SHAWSHANK
REDEMPTION
BOB GUNTON WILLIAM SADLER
CLANCY BROWN GIL BELLOWS
E JAMES WHITMORE COMO “BROOKS”
MÚSICA
DE THOMAS NEWMAN DESENHO
DE PRODUÇÃO TERENCE
MARSH
EDITADO
POR RICHARD FRANCIS-BRUCE DIRETOR
DE FOTOGRAFIA ROGER
DEAKINS, B.S.C.
PRODUTORES
EXECUTIVOS LIZ
GLOTZER E DAVID LESTER
BASEADO
NO CONTO RITA HAYWORTH AND THE SHAWSHANK REDEMPTION DE STEPHEN KING
ROTEIRO
DE FRANK DARABONT PRODUZIDO
POR NIKI MARVIN DIRIGIDO
POR FRANK DARABONT
THE SHAWSHANK REDEMPTION ©1994 Castle Rock
Entertainment











4 comentários:
adorooooooooooo quando o Bob se ferra,rs.
Outra cena que me emociona é da criação da Biblioteca, do alvará se soltura daquele senhor...Que no fim, tinha mais 'alegrias' quando estava preso.
Rô,
amo este filme!!!
Obrigada, por alegrar minha triste noite
:D
Bravo! Bela sessão surpresa por aqui. Eu tb espero que haja justiça com Frank Darabont. Esse cara tem que ganhar um Oscar algum dia (e outros prêmios tb). "Um sonho de liberdade" é um dos grandes filmes da história da humanidade. Me emociono toda vez que revejo. Cult é pouco para defini-lo!
Sobre esse adendo que vc fez, da indicação ao Oscar do Morgan Freeman e total esnobada ao Robbins, me lembro de outro caso célebre. Em 2003, toda a campanha de Gangues de NY estava voltada para Leonardo DiCaprio e veio a indicação para Day Lewis que tinha pouco mais de 25 minutos em cena... Acho que a estatura pesa nesses casos... mas é algo msm curioso...
abs
Preciso ver esse filme com urgência!!!!
Minha nossa, deve ser uma obra prima mesmo pelo jeito como escreveu sobre ele.
Bela postagem!
Abraço!
Patt: Adoro quando o covarde comete suicídio. Um vilão tão cruel teve o final mais baixo, rs
Fica assim não. Pq estava triste?
Bjs.
Reinaldo: Vamos aguardar e que venha um Emmy, tb. Darabont que esta arrasando tb na televisão.
E nunca, never, irei compreender a Academia.
Abs.
Obrigado André!
recomendo e recomendo sempre! ;)
Abs.
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