segunda-feira, 7 de outubro de 2013

UM SONHO DE LIBERDADE

A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE


SESSÃO SURPRESA
PARTE VI
Dois homens estão presos numa penitenciária de segurança máxima e ao longo dos anos, institucionalizados, criam um vínculo incomum. Uma amizade baseada em consolo e eventual redenção através de atos de decência e camaradagem comum.

Não é surpresa para ninguém que UM SONHO DE LIBERDADE é um dos grandes injustiçados na história do Oscar. Indicado para sete categorias: Filme (para o produtor Niki Marvin), Roteiro Adaptado (Frank Darabont), Ator (Morgan Freeman), Fotografia (Roger Deakins), Edição (Richard Francis-Bruce), Música (Thomas Newman) e Melhor Som. Mesmo não sendo a estreia na direção propriamente dita do diretor e roteirista FRANK DARABONT (como expliquei no post abaixo de “À Espera de Um Milagre”, outra obra-prima), pode-se dizer que este é a grande entrada de Darabont em Hollywood. Um filme emocionante. Clássico. É um daqueles exemplares que começamos a assistir sem compromisso, do nada, zapeando o canal da TV e mesmo próximo aos 30 minutos finais, nos prende a atenção. Bom, foi isso que aconteceu comigo quando estava de boa no sofá e através do SBT (na sessão da Tela de Sucessos se não me falha a memória) me deparei com essa grande obra do cinema. Anos mais tarde fui descobrir que não foi um sucesso de bilheteria quando estreou em 1994, mas tornou-se merecidamente ao passar dos anos graças ao boca a boca um filme cult e obrigatório. Sucesso de vídeo-locadora e nas inúmeras exibições na telinha. 

Lindamente adaptado por Darabont, o cara que mais compreende Stephen King que escreveu um conto onde é baseado: RITA HAYWORTH AND THE SHAWSHANK REDEMPTIONRita Hayworth e a Redenção de Shawshank. Nada a ver com horror típico do escritor e sem nenhum traço de realismo fantástico como em The Green Mile e pode-se dizer que as melhores adaptações livremente baseadas em King são filmes como este e também exemplos como Conta Comigo – Stand By Me

O filme acabou ocupando uma posição merecedora na lista dos melhores filmes americanos, ainda assim, muitos críticos o consideraram o melhor filme de todos os tempos. Exagero? Ao lado de grandes clássicos como ...E o Vento Levou, Cidadão Kane, Um Corpo Que Cai e O Poderoso Chefão.

Originalmente, segundo o próprio conto de King, o personagem “Red”, interpretado de maneira tocante, inteligente e precisa pelo veterano MORGAN FREEMAN, era, de fato, irlandês. Darabont faz deste detalhe uma piada no filme, aliás, curiosa, quando Red diz a Andy enquanto conversam e ele esta jogando Baseball: “Talvez seja porque eu sou irlandês”. Outro que também impressiona e assim como na trama é injustiçado, sem ter sequer uma indicação ao Oscar, é o ótimo TIM ROBBINS como Andy Dufresne que deveria ser nomeado como ator principal (não entendo como indicaram Freeman numa categoria que merecia estar como Coadjuvante!). Acho que nunca vou saber qual é a da Academia.

Boa parte da fita foi rodada numa prisão real, no caso, na cidade de Mansfield, em Ohio, que estava desativada, evidente. Só que o local estava em condições inapropriadas, portanto foi necessário mais investimentos para uma reforma, até porque tinha que parecer com uma penitenciária antiga, dos anos 1940.

O ponto alto do filme é mais uma citação cinéfila de Darabont ao mostrar imagens do clássico Gilda (idem, 1946) com Hayworth, a musa inspiradora de King para a criação desse conto que se passa no mesmo período de lançamento da obra requisitada de Charles Vidor. Mas isso é apenas um daqueles panos de fundo brilhantes e charmosos porque na verdade, o que King e Darabont almejam contar é uma premissa sobre injustiça, impunidade, amizade e, a palavrinha mágica de todas, esperança. E o mais interessante é que esses dois grandes amigos tem opiniões muito distintas sobre o que é estar naquele lugar, sem ver o mundo lá fora, presos e institucionalizados atrás daqueles muros impossíveis de escalar. O que terá além deles? Como o mundo os receberia de volta? Um deles sente-se pertencente ao âmbito, já se acostumou, mas o outro, não é um peixe de aquário e sim do oceano.


O filme retrata a saga de Andy Dufresne (Robbins) um jovem banqueiro bem sucedido e intelectual, que passa vários anos numa fictícia prisão estadual chamada Shawshank, acusado injustamente por dois homicídios, isto é, duas prisões perpétuas (e a cena inicial no tribunal durante os créditos já nos deixa na poltrona atônitos) pelo assassinato a sangue frio de sua esposa com o amante. Muito embora não  haja dúvidas de que Dufresne é inocente, já que Darabont constrói uma sequência entrecortada da noite do crime logo de cara e que é revelado graças a magistral expressão de sofrimento nos olhos de Robbins, sim, ele é o homem errado! No entanto, sua apelação diante o júri de nada adianta e o cara vai parar nessa prisão (graças, principalmente ao D.A. advogado que o "ferra" de vez, interpretado por Jeffrey DeMunn nos primeiros minutos) e viver os primeiros e mais sufocantes dias de sua vida. Um verdadeiro pesadelo que é ser uma “carne fresca” de uma instituição cercada de assassinos, estupradores e todo tipo de escória, exceto por alguns homens mais velhos, outros mais amenos e amadurecidos por estarem lá há muito mais tempo e que formarão um ciclo de amizade e assim receber Dufresne como integrante. De todos, quem se torna verdadeiro amigo e confidente é Ellis Boyd “Red” Redding (Freeman), negro de quase sessenta e poucos anos, não sabemos que crime cometeu, um cara misterioso e ao mesmo tempo conselheiro e um expert por conseguir qualquer coisa de fora para os amigos presidiários através de dinheiro ou alguns maços de cigarro. Com o tempo, Dufresne chama a atenção pelo seu jeito nenhum pouco habitual. Calmo, coerente e com uma cultura incontestável, começa a fazer favores para os guardas (que passam a protegê-lo dos maníacos sexuais), já que tem conhecimento em finanças, em troca, recebe apoio e doações de livros de diversas instituições de caridade a fim de ter um espaço educativo, uma biblioteca no presídio. O fato é que se você estende a mão certamente terá que esticar o braço e fazer muito mais pelos hipócritas e falsos religiosos, no caso o agente e diretor penitenciário, Warden Norton, o vilão fanático pela bíblia que é maravilhosamente personificado pelo soberbo BOB GUNTON (odiável e ótimo para fazer malvados) que passa a usufruir (numa espécie de escravidão aviltante ameaçadora) o talento de Dufresne em operações secretas de lavagem de dinheiro.


O aspecto anos 40 até meados da década de 1960 são discretos, já que grande parte da fita se passa dentro do presídio, mas Darabont esta mais interessado em encenar tudo isso de forma muito singela e consequentemente tocante, nunca piegas. Gosto, por exemplo, do velhinho, Brooks, que é uma graça e realmente emociona através do veterano JAMES WHITMORE (1921-2009) de filmes como O Preço da Glória (indicado ao Oscar como Ator Coadjuvante no filme de William Wellman, Battleground, 1949) e também indicado como ator principal por Give ´em Hell, Harry, seu melhor filme, de 1975, comédia dirigida por Steve Binder e escrita por Samuel Gallu. Um ousado filme estrelado apenas por ele sobre a presidência de Harry S. Truman! Outros também vão se destacando aos poucos como um dos presos feito por WILLIAM SADLER, Heywood, ator carimbado nas produções de Darabont que de início parece ser um impertinente bandido para depois revelar-se um adorável companheiro e o guarda violento interpretado por CLANCY BROWN, uma espécie de capanga do chefe local.


THE SHAWSHANK REDEMPTION é um filme envolvente e caracterizado de maneira exemplar, além de ter um roteiro a altura fornecido por Darabont (espero que algum dia ele seja reconhecido com algum Oscar nessa categoria), o filme tem o mérito de ter dois excelentes atores principais com uma química notável. Não é um filme que me faz lacrimejar como À Espera de um Milagre, mas é sem dúvida alguma uma hipnotizante jornada sobre um homem incomum, esperançoso, capaz de buscar seus objetivos custe o tempo que levar.

“Esforça-se para viver ou esforça-se para morrer”. Essas são as palavras de Red, que admira seu amigo do fundo do coração e que com ele aprendeu a ter esperança e fazer valer o seu significado. O Voo é mais rasante fora da gaiola. 



EUA

1994

DRAMA

COR

142 min.

WARNER
           


CASTLE ROCK ENTERTAINMENT APRESENTA
UM FILME DE FRANK DARABONT
TIM ROBBINS   MORGAN FREEMAN
THE
SHAWSHANK REDEMPTION
BOB GUNTON  WILLIAM SADLER  CLANCY BROWN GIL BELLOWS
E JAMES WHITMORE COMO “BROOKS”
MÚSICA DE THOMAS NEWMAN  DESENHO DE PRODUÇÃO TERENCE MARSH
EDITADO POR RICHARD FRANCIS-BRUCE DIRETOR DE FOTOGRAFIA ROGER DEAKINS, B.S.C.
PRODUTORES EXECUTIVOS LIZ GLOTZER E DAVID LESTER
BASEADO NO CONTO RITA HAYWORTH AND THE SHAWSHANK REDEMPTION DE STEPHEN KING
ROTEIRO DE FRANK DARABONT PRODUZIDO POR NIKI MARVIN DIRIGIDO POR FRANK DARABONT
THE SHAWSHANK REDEMPTION  ©1994 Castle Rock Entertainment



4 comentários:

Patt Baleeira disse...

adorooooooooooo quando o Bob se ferra,rs.
Outra cena que me emociona é da criação da Biblioteca, do alvará se soltura daquele senhor...Que no fim, tinha mais 'alegrias' quando estava preso.
Rô,
amo este filme!!!
Obrigada, por alegrar minha triste noite
:D

Reinaldo Glioche disse...

Bravo! Bela sessão surpresa por aqui. Eu tb espero que haja justiça com Frank Darabont. Esse cara tem que ganhar um Oscar algum dia (e outros prêmios tb). "Um sonho de liberdade" é um dos grandes filmes da história da humanidade. Me emociono toda vez que revejo. Cult é pouco para defini-lo!
Sobre esse adendo que vc fez, da indicação ao Oscar do Morgan Freeman e total esnobada ao Robbins, me lembro de outro caso célebre. Em 2003, toda a campanha de Gangues de NY estava voltada para Leonardo DiCaprio e veio a indicação para Day Lewis que tinha pouco mais de 25 minutos em cena... Acho que a estatura pesa nesses casos... mas é algo msm curioso...
abs

Unknown disse...

Preciso ver esse filme com urgência!!!!

Minha nossa, deve ser uma obra prima mesmo pelo jeito como escreveu sobre ele.

Bela postagem!

Abraço!

Rodrigo Mendes disse...

Patt: Adoro quando o covarde comete suicídio. Um vilão tão cruel teve o final mais baixo, rs
Fica assim não. Pq estava triste?
Bjs.

Reinaldo: Vamos aguardar e que venha um Emmy, tb. Darabont que esta arrasando tb na televisão.
E nunca, never, irei compreender a Academia.
Abs.

Obrigado André!
recomendo e recomendo sempre! ;)
Abs.

🚪 Acervo de Películas

00's 007 10's 20's 30's 3D 40's 50's 60's 70's 80's 90's ALIEN ANG LEE ARNOLD SCHWARZENEGGER Adoro Cinema Akira Kurosawa Al Pacino Alec Guinness Alfonso Cuarón Almodóvar Angelina Jolie Animação Arthur P. Jacobs Audrey Hepburn Aventura Ação Batman Bela Lugosi Bernardo Bertolucci Bette Davis Billy Wilder Blake Edwards Blaxploitation Bob Fosse Boris Karloff Brian De Palma Bryan Singer Buster Keaton CINE TRASH CINEASTAS CINEMA PRETO & BRANCO CULTS Carl Laemmle Carol Reed Carrie Fisher Cary Grant Cecil B. DeMile Chaplin Charlton Heston Christopher Nolan Cine-Doc Cinebiografia Cinema Asiático Cinema Europeu Cinema LGBT Cinema MUDO Cinema Marginal Cinema Rodrigo Clark Gable Claude Rains Clint Eastwood Clássicos Colin Trevorrow Comédia Coppola Crepúsculo Curt Siodmak Curta-metragem Curtis Hanson DANNY BOYLE DAVID LYNCH DC Comics Daniel Craig Danny DeVito Dario Argento Darren Aronofsky David Bowie David Cronenberg David Fincher David Lean David O. Selznick Denzel Washington Disney Documentário Drama Drogas ESPECIAIS Eduardo Coutinho Eisenstein Elia Kazan Elvis Presley Erotismo Errol Flynn FERNANDO MEIRELLES FILMES IRREGULARES FOX FRANK CAPRA FRANÇOIS TRUFFAUT Fantasia Fatos Reais Fellini Filmes Natalinos Frank Darabont Frank Oz Fritz Lang GUEST SERIES Gangsters Gene Wilder George A. Romero George Cukor George Lucas George Miller George Stevens George Waggner Georges Méliès. Giallo Gillo Pontercorvo Grace Kelly Greta Garbo Guerra Guillermo del Toro Gus Van Sant Gérard Depardieu HARRY POTTER HQ Halloween Harold Lloyd Harrison Ford Henri-Georges Clouzot Henry Selick Hitchcock Home Video Homem-Aranha Howard Hawks Humphrey Bogart INDIANA JONES Infantil Ingmar Bergman Ingrid Bergman Irmãos COEN Isabelle Huppert Ivan Reitman J.J. Abrams JAMES WHALE JEAN-LUC GODARD JOHN HUGHES Jack Arnold Jack Nicholson Jacques Tourneur James Cameron James Ivory James Stewart Janet Leigh Japão Jason Jim Henson Joan Crawford Joel Schumacher John Carpenter John Ford John Huston John Landis John Waters Jonathan Demme Joon Ho Bong Joseph L. Mankiwicz José Mojica Marins Judy Garland KING KONG KRZYSZTOF KIESLOWSKI Kate Winslet Katharine Hepburn Kevin Spacey Kirk Douglas Lars Von Trier Lawrence Kasdan Leonardo DiCpario Liza Minnelli Lon Chaney Jr Luc Besson Luca Guadagnino Luis Buñuel M.Night Shyamalan MARVEL MONSTERS COLLECTION Marilyn Monroe Mark Hamill Marlene Dietrich Marlon Brando Martin Scorsese Matinê Mel Brooks Melhores do Ano Michael Curtiz Michael Douglas Michael Haneke Michael Jackson Michael Powell Michel Gondry Michelangelo Antonioni Milos Forman Monstros Musicais Mário Peixoto NOUVELLE VAGUE Nacional Noir O Senhor Dos Anéis Oliver Stone Olivia de Havilland Orson Welles Oscar Outubro Das Bruxas P.T. ANDERSON PERFIL PETER JACKSON PIXAR Pam Grier Paramount Park Chan-wook Paul Verhoeven Peter Bogdanovich Philip K. Dick Pier Paolo Pasolini Pierce Brosnan Piores do Ano Pipoca Planeta Dos Macacos Policial Pânico Quentin Tarantino RIDLEY SCOTT RKO Rian Johnson Richard Donner Road-Movie Robert De Niro Robert Rodriguez Robert Wise Robert Zemeckis Roger Moore Rogério Sganzerla Roman Polanski Romance SAM RAIMI SESSÃO TRAILER SEXTA-FEIRA 13 SUPER HERÓIS Sam Mendes Sam Peckinpah Sangue Scarlett Johansson Sci-Fic Sean Connery Sean Penn Sergio Leone Sessão DUPLEX Cinema MUDO Sessão Da Tarde Sessão Dinossauro Sessão Surpresa Sexo Sharon Stone Sidney Lumet Sigourney Weaver Sofia Coppola Spielberg Stan Lee Stanley Donen Stanley Kubrick Star Trek Star Wars Stephen King Suspense TOD BROWNING TV Terror Thriller Tim Burton Timothy Dalton Tom Cruise Tom Hanks Tom Tykwer Trash UNIVERSAL STUDIOS Uma Thurman Universo Jurassic Park Victor Fleming Violência Vivien Leigh Wachowski Walter Hugo Khouri Walter Salles Warner Wes Craven Western William Castle William Friedkin Wolfgang Petersen Wong Kar Wai Woody Allen Zé do Caixão Épico Época