SESSÃO DINOSSAURO
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VERTIGEM CLÁSSICA
Um homem pretende fazer fortuna na cidade grande a fim de se casar, mas para isso arruma um emprego de balconista e, para ganhar um bom dinheiro, aceita escalar o prédio da loja!
Este é o filme clássico que Martin Scorsese homenageou fazendo uma linda referência em sua recente obra prima A INVENÇÃO DE HUGO CABRET (Hugo, 2011). Ajudando a preservar a memória cinéfila, O HOMEM MOSCA (Safety Last, 1923) não poderia ficar de fora na série Dinossauro. A imagem do homem pendurado no relógio se tornou um ícone e o astro HAROLD LLOYD (1893-1971) pertence a uma tradição importante do humor da pantomima, já que ele é tradicionalmente considerado um dos mestres supremos da comédia da era muda do cinema, ao lado de Charles Chaplin, Buster Keaton e a dupla O Gordo e o Magro (respectivamente os geniais Stan Laurel e Oliver Hardy).
Infelizmente, e isso é um dado triste, Lloyd não ficou tão gravado no imaginário popular. Seu nome não ficou tão conhecido entre os leigos quanto seus contemporâneos, apesar do imenso sucesso na época.
É curioso o fato de o personagem ser creditado como “The Boy”, mas, por exemplo, quando ele pede o seu salário diz claramente seu nome: Harold Lloyd. Sem truques, Lloyd interpreta a si mesmo. Era um homem cheio de entusiasmos e ideias perigosas e teve o estalo para realizar o filme quando viu Bill Strother escalar o edifício Brockman em Los Angeles. Lloyd ficara impressionado com a proeza. Entre outros méritos de Lloyd, ele era um sujeito que brincava diretamente com os problemas do homem comum, com seu personagem, sempre com seus indefectíveis óculos (consigo até me identificar com ele), por isso menos marcante que seus concorrentes palhaços pantomímicos. Na verdade, Lloyd representava mais que seus contemporâneos, ou seja, ele era o herói protagonista do Sonho Americano, que vence com determinação (e graça) os obstáculos diários comuns a todo o mundo com perseverança, habilidade (física) e muito jogo de cintura, apresentando inúmeras criatividades. Aliás, gosto do jeito solitário, intelectual e atrapalhado de Lloyd!
O HOMEM MOSCA, uma de suas obras-primas e sempre listada como uma das maiores comédias da história do cinema traz a famosa cena, a mais celebrada do ator, uma imagem icônica que muita gente já viu, até mesmo sem saber a origem (e que Scorsese faz o favor de lecionar em seu filme): um homem de óculos e chapéu de palhinha, pendurado no alto de um edifício, agarrado a um imenso relógio que se desprende da parede. Uma das muitas proezas que Lloyd realizava arriscando a própria vida! Era verdade que o cara recorria a poucos dubles, era um maluco mesmo. Essa cena, aliás, ficou lendária e é frequentemente citada como tendo sido feita realmente em um prédio altíssimo, em outras palavras, sem trucagens (reza a lenda), mas que na verdade, segundo o meu professor Walter Webb em meu nostálgico Curso de Cinema no Planeta Tela em 2006, disse que eles construíram uma parede falsa do prédio em que Lloyd escala no alto de outro prédio, com uma plataforma de segurança embaixo, daí o resultado: a ilusão de altura.
O filme é um dos mais característicos de Lloyd, mostrando-o como um sujeito cheio de expedientes, que nunca se aperta e que veio do interior para ganhar dinheiro na cidade grande, isto é, o herói trabalhador sempre em busca de oportunidades. E nesta premissa, tem que, com o salário de um simples balconista em uma loja de departamentos, convencer os parentes e a noiva, sua esposa na vida real e constante parceira em seus filmes: MILDRED DAVIS (1901-1969) que está rico e bem empregado. Com isso, Lloyd tem a chance de realizar uma série de gags brilhantes, de morrer de rir (eu gosto), e cujo clímax é a escalada involuntária do prédio da loja.
Em 1994 o filme foi selecionado para o National Film Registry da Biblioteca do Congresso Americano. Uma memória que precisa ser discutida, preservada e, sobretudo assistida. Escalem com Lloyd nesta divertida película...e não olhem para baixo!
EUA – 1923 – MUDO
COMÉDIA
STANDARD
97 min.
PRETO E BRANCO
CINEMAX
LIVRE
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
HAROLD LLOYD em:
SAFETY LAST!
Estrelando: MILDRED DAVIS. BILL STROTHER
NOAH YOUNG. WESTCOTT CLARK
Fotografado por WALTER LUNDIN
Montagem T. J. CRIZER
Maquiagem por WALLACE HOWE
Produzido por HAL ROACH
Títulos por H. M. WALKER
JEAN C. HAVEZ. HAROLD LLOYD
Escrito por
HAL ROACH. SAM TAYLOR. TIM WHELAN
Direção
FRED C. NEWMEYER & SAM TAYLOR
Safety Last ©1923 Hal Roach Studios








7 comentários:
Acho quer muita gente só conhece a cena mesmo, uma pena. O filme é uma obra que considero atual em que pese a data de sua confecção... ótima lembrança e referência do Scorscese!
;D
Adoro essa obra rara do cinema mudo.
Lloyd era genial. Pena, que na minha visão, é pouco valorizado de uma forma geral.
Parabéns pela sua homenagem.
Pois é Rodrigo, eu sou um dos que só conhecem a cena clássica, já tem um tempo enorme que ele está na minha lista para ser assistido, vou tentar fazer o download dele e assisti-lo...
http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/06/tiranossauro.html
Um filme muito divertido. O LLoyd era hilário.
O Falcão Maltês
Essa é uma das minhas comédias favoritas, Rodrigo. Confesso, conheci Harold Lloyd e O Homem Mosca pois uma lista indicava que ele era referenciado por Hugo, do Scorsese (essa é, aliás, uma das proezas do filme: nos fazer conhecer clássicos!). Não me arrependo, é uma das comédias mais sagazes já feitas - que, em pleno cinema mudo, inclui piadas textuais (digo, com as plaquetas, mas já vale). É para ver, rever, rever... E quero conhecer o resto do Lloyd. Indica algum?
Acabei de ver o filme e gostei muito. A cena mais conhecida me deu arrepios. Como ele conseguiu? Após tantos anos, quase 90, ainda causar vertigem nas pessoas?
Obrigado pelos comentários amigos cinéfilos!
"O Homem Mosca" continua no TOPO entre todos os clássicos da sétima arte.
Júlio, como havia dito, te recomendo "O Calouro" de 1925. Procure mais, sei que o Lloyd fez mais de 200 fitas!
Abraços a todos!
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