A POÉTICA DE DREYER
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
Viajante
em busca do sobrenatural acaba encontrando evidência de vampiros ao visitar um
antigo hotel. Dirigido por
Carl Theodor
Dreyer (1889-1968).
Este representante alemão é
certamente um dos filmes mais brilhantes que já tive o prazer de assistir.
Assinado por nada menos do que o genial dinamarquês Dreyer, o mesmo de A
PAIXÃO DE JOANA D´ARC
(La Passion de Jeanne D´Arc, 1928 –
um dos filmes supremos da França, mudo) e de outros clássicos como GERTRUD (1964) e DIAS DE IRA (Vredens Dag,
1943). Dreyer foi um cineasta que gostava do perfeccionismo e utilizava
o mínimo de recurso para contar uma história. Vampyr é basicamente um
filme de terror que foi rodado na França e não sei por que razão não fez o
sucesso de bilheteria que almejava. Anos mais tarde é que essa obra foi
redescoberta, contemplando o artista como ele merece.
Conta a história de um homem
que se envolve em uma trama onírica, na companhia de um velho médico e duas
estranhas irmãs. Neste filme, aliás, como em toda a sua obra, Dreyer explora
com preocupação toda uma estética, seja nos contrastes de cor e nas expressões
(closes magníficos) na face dos atores, sua marca registrada.
Provavelmente Vampyr é ainda mais contagiante e
entorpecente do que o assustador Nosferatu
(1922 de
Murnau) e deixa o Drácula (1931) com Bela Lugosi no
chinelo (embora eu também tenha predileção pelo clássico da Universal que é de
outro cineasta de mão cheia, Tod Browning).
O filme consegue se expressar
lindamente usando erotismo e paixão na mais fantasiosa estética e Dreyer é
capaz de criar uma linguagem particular na fita. É hipnotizante. E, dando um
exemplo sem querer deturpar o filme, Dreyer faz uma remodelação para criar
sensações interessantes durante a sessão, como uma longa viagem de um caixão
visto pelo ponto de vista do defunto ou mesmo o desejo lésbico de uma vampira
por sua delicada irmã. São algumas das cenas radicais do diretor que tinha os
macetes do cinema mudo (Dreyer utilizava-se de poucas titulagens para explicar
uma cena). Portanto tudo é muito sensitivo, e em um filme de horror não poderia
ser mais apropriado.
A produção teve um distribuidor
incomum, um amante da sétima arte, NICOLAS
GUNZBURG
(1904-1981) que acabou interpretando o personagem principal, Allan Grey e que assina com o pseudônimo
JULIAN WEST! Curiosamente não faria mais nada no cinema.
Dreyer e o roteirista Christen Jul, inspiraram-se em um conto
(e não romance) “Carmilla” do
irlandês Sheridan
Le Fanu (1814-1873)
e que chegou a ter um filme exploitation
de 1970 chamado: Carmilla, A Vampira de Karnstein (The Vampire Lovers de Roy
Ward Baker).
O filme acabou dublado em
versões inglesas, dinamarquesas, francesas e alemãs. Os atores são de várias
origens nacionais. Gunzburg (West) era holandês, Sybille Schmitz que interpretou Léone, era alemã e Maurice
Schutz que viveu Schlossherr, o lord, era francês (e Dreyer foi precursor em trabalhar com atores
não profissionais e depois muitos deles que se tornaram atores). Fica a
impressão que eles falam foneticamente, isso em algumas versões. Além do mais,
Dreyer rodou o filme com um processo de som experimental que barateou a
produção, o que oprimiu um pouco a qualidade da trilha musical. As diferentes
versões como a em alemão e francês, diferem drasticamente pelos cortes feitos à
época pela censura nos respectivos países. A versão mais assistida é com 83
minutos que é a da Alemanha.
Parecia praga que os filmes
sonoros do diretor fossem recusados na bilheteria, não foi diferente com Vampyr que não se pagou quase nada
quando lançado. Com isso, o filme acabou ganhando a fama de cult e revisto por cinéfilos e assim elevando-o como uma referência importante no gênero. É curiosa
como a arte agrada públicos de épocas diferentes. O que diriam as plateias de
1932 se pudessem conhecer A Tortura do Medo (Peeping Tom, 1960), por exemplo?
De qualquer forma este é um filme que tanto
pode ser considerado de arte como apenas de terror e realmente acho que é um
dos poucos a ter tão lindamente ambas as condições de filme para públicos tão
distintos.
A parte musical é de suma
importância para a obra (desenvolvida apenas em estúdio) com a missão de trazer
o efeito sobrenatural desejado. Eu tenho grande admiração pelo cinema ousado de
Dreyer que continua a ter os melhores efeitos possíveis. Por mais que sua
missão pela perfeição tenha prejudicado e o impedido de realizar mais filmes
(Como Stanley Kubrick), eis um cineasta que nunca teve medo de experimentar e
de ter a certeza que iria funcionar. Muita gente o considera o maior cineasta
de todos os tempos, bom eu o coloco sem pensar dentro de um Volkswagen com
grandes mestres, mas isso somente depois de ter assistido esta arrepiante e
metafísica obra do terror.
ALEMANHA
– 1932
SONORO
TERROR
83
min.
P&B
CONTINENTAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
Vampyr
De
CARL
THEODOR DREYER
Baseado no conto “Carmille” de
Sheridan Le Fanu
Estrelando: JULIAN WEST
MAURICE SCHUTZ. RENA MANDEL. SYBILLE SCHMITZ
JAN HIEROMIMKO. HENRIETTE GÉRARD.
ALBERT BRAS
N.
BADANINI. JANE MORA
Produzido
por CARL THEODOR DREYER & JULIAN WEST
Música
Original por WOLFGANG ZELLER
Fotografia
e Câmera
RUDOLPH
MATÉ. LOUIS NÉE
Montagem....
TONKA TALDY Direção de Arte.... HERMANN WARM
Escrito por DREYER & CHRISTEN JUL
Direção
CARL THEODOR DREYER
Vampyr ©1932 Tobis Klangfilm










2 comentários:
Olá, selecionei seu blog para receber o selo Versatile Blogger. Para ter direito a ele você deve falar em seu blog quem lhe concedeu e escrever um texto com sete coisas sobre você. Vá lá no Gilberto Cinema e pegue o seu selo.
Obrigado Gilberto! Nem tive muito tempo de fazer o post, mas valeu pela lembrança.
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