sábado, 20 de outubro de 2012

O VAMPIRO – VAMPYR – 1932


A POÉTICA DE DREYER

OUTUBRO DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA

Viajante em busca do sobrenatural acaba encontrando evidência de vampiros ao visitar um antigo hotel. Dirigido por Carl Theodor Dreyer (1889-1968).

Este representante alemão é certamente um dos filmes mais brilhantes que já tive o prazer de assistir. Assinado por nada menos do que o genial dinamarquês Dreyer, o mesmo de A PAIXÃO DE JOANA D´ARC (La Passion de Jeanne D´Arc, 1928 – um dos filmes supremos da França, mudo) e de outros clássicos como GERTRUD (1964) e DIAS DE IRA (Vredens Dag, 1943). Dreyer foi um cineasta que gostava do perfeccionismo e utilizava o mínimo de recurso para contar uma história. Vampyr é basicamente um filme de terror que foi rodado na França e não sei por que razão não fez o sucesso de bilheteria que almejava. Anos mais tarde é que essa obra foi redescoberta, contemplando o artista como ele merece.

Conta a história de um homem que se envolve em uma trama onírica, na companhia de um velho médico e duas estranhas irmãs. Neste filme, aliás, como em toda a sua obra, Dreyer explora com preocupação toda uma estética, seja nos contrastes de cor e nas expressões (closes magníficos) na face dos atores, sua marca registrada.


Provavelmente Vampyr é ainda mais contagiante e entorpecente do que o assustador Nosferatu (1922 de Murnau) e deixa o Drácula (1931) com Bela Lugosi no chinelo (embora eu também tenha predileção pelo clássico da Universal que é de outro cineasta de mão cheia, Tod Browning).

O filme consegue se expressar lindamente usando erotismo e paixão na mais fantasiosa estética e Dreyer é capaz de criar uma linguagem particular na fita. É hipnotizante. E, dando um exemplo sem querer deturpar o filme, Dreyer faz uma remodelação para criar sensações interessantes durante a sessão, como uma longa viagem de um caixão visto pelo ponto de vista do defunto ou mesmo o desejo lésbico de uma vampira por sua delicada irmã. São algumas das cenas radicais do diretor que tinha os macetes do cinema mudo (Dreyer utilizava-se de poucas titulagens para explicar uma cena). Portanto tudo é muito sensitivo, e em um filme de horror não poderia ser mais apropriado.


A produção teve um distribuidor incomum, um amante da sétima arte, NICOLAS GUNZBURG (1904-1981) que acabou interpretando o personagem principal, Allan Grey e que assina com o pseudônimo JULIAN WEST! Curiosamente não faria mais nada no cinema. 

Dreyer e o roteirista Christen Jul, inspiraram-se em um conto (e não romance) “Carmilla” do irlandês Sheridan Le Fanu (1814-1873) e que chegou a ter um filme exploitation de 1970 chamado: Carmilla, A Vampira de Karnstein (The Vampire Lovers de Roy Ward Baker).

O filme acabou dublado em versões inglesas, dinamarquesas, francesas e alemãs. Os atores são de várias origens nacionais. Gunzburg (West) era holandês, Sybille Schmitz que interpretou Léone, era alemã e Maurice Schutz que viveu Schlossherr, o lord, era francês (e Dreyer foi precursor em trabalhar com atores não profissionais e depois muitos deles que se tornaram atores). Fica a impressão que eles falam foneticamente, isso em algumas versões. Além do mais, Dreyer rodou o filme com um processo de som experimental que barateou a produção, o que oprimiu um pouco a qualidade da trilha musical. As diferentes versões como a em alemão e francês, diferem drasticamente pelos cortes feitos à época pela censura nos respectivos países. A versão mais assistida é com 83 minutos que é a da Alemanha.

Parecia praga que os filmes sonoros do diretor fossem recusados na bilheteria, não foi diferente com Vampyr que não se pagou quase nada quando lançado. Com isso, o filme acabou ganhando a fama de cult e revisto por cinéfilos e assim elevando-o como uma referência importante no gênero. É curiosa como a arte agrada públicos de épocas diferentes. O que diriam as plateias de 1932 se pudessem conhecer A Tortura do Medo (Peeping Tom, 1960), por exemplo? 

De qualquer forma este é um filme que tanto pode ser considerado de arte como apenas de terror e realmente acho que é um dos poucos a ter tão lindamente ambas as condições de filme para públicos tão distintos.


A parte musical é de suma importância para a obra (desenvolvida apenas em estúdio) com a missão de trazer o efeito sobrenatural desejado. Eu tenho grande admiração pelo cinema ousado de Dreyer que continua a ter os melhores efeitos possíveis. Por mais que sua missão pela perfeição tenha prejudicado e o impedido de realizar mais filmes (Como Stanley Kubrick), eis um cineasta que nunca teve medo de experimentar e de ter a certeza que iria funcionar. Muita gente o considera o maior cineasta de todos os tempos, bom eu o coloco sem pensar dentro de um Volkswagen com grandes mestres, mas isso somente depois de ter assistido esta arrepiante e metafísica obra do terror.




ALEMANHA – 1932 
SONORO
TERROR
83 min.
P&B
CONTINENTAL
✩✩✩✩  EXCELENTE

Vampyr
De
CARL THEODOR DREYER
Baseado no conto “Carmille” de Sheridan Le Fanu
Estrelando: JULIAN WEST
MAURICE SCHUTZ. RENA MANDEL. SYBILLE SCHMITZ
JAN HIEROMIMKO. HENRIETTE GÉRARD. ALBERT BRAS
N. BADANINI. JANE MORA
Produzido por CARL THEODOR DREYER & JULIAN WEST
Música Original por WOLFGANG ZELLER
Fotografia e Câmera
RUDOLPH MATÉ. LOUIS NÉE
Montagem.... TONKA TALDY Direção de Arte.... HERMANN WARM
Escrito por DREYER & CHRISTEN JUL
Direção
CARL THEODOR DREYER
Vampyr ©1932 Tobis Klangfilm

2 comentários:

Gilberto Carlos disse...

Olá, selecionei seu blog para receber o selo Versatile Blogger. Para ter direito a ele você deve falar em seu blog quem lhe concedeu e escrever um texto com sete coisas sobre você. Vá lá no Gilberto Cinema e pegue o seu selo.

Rodrigo Mendes disse...

Obrigado Gilberto! Nem tive muito tempo de fazer o post, mas valeu pela lembrança.

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