quinta-feira, 31 de outubro de 2013

A BOCA DO LIXO DO CINEMA DE TERROR

 OUTUBRO DAS BRUXAS
 
TERCEIRA TEMPORADA
CINE-DOC. TERROR  
CAPÍTULO FINAL
Nunca foi uma tarefa simples definir o que é cinema de terror trash, com seus monstros quase sempre inusitados. Tanto é que o espectador pode não saber muito sobre os bastidores daquela produção e, em sua opinião, achar que filme trash são realizações de Peter Jackson (em exemplos como Os Espíritos, superprodução hollywoodiana patrocinada por Robert Zemeckis, de 1996) ou a bela e requintada versão de Drácula de Coppola, que sim, apresenta inúmeras nojeiras ou até a refilmagem de “A Mosca Da Cabeça Branca”, por David Cronenberg. No entanto, algumas características podem ser apontadas para identificar tais filmes, como o baixo orçamento, roteiro precário, interpretações deficientes, cenários fakes e, claro, monstrengos exagerados e com maquiagem primária. Dito isso, ninguém precisa ser um expert da sétima arte para notar características tão óbvias e que nesse quesito, devem soar como elogios tratando-se da “Boca do Lixo do Cinema de Terror”, tema do último capítulo do especial do Outubro das Bruxas de 2013.


MONSTER ON THE CAMPUS (1958).
De Jack Arnold, o filme é o primeiro sobre
seres assassinos que circulam pelos campi
das universidades americanas.
Esses filmes são genericamente tratados, pela maioria dos críticos, como algo sem qualquer valor artístico, sinônimo de filme ruim e “tranqueira” exibido em cinema “pulgueiro”.
O trash é o filme sem qualquer orçamento, que se esforçou para ser melhor em cada departamento de produção e não teve apoio dos Majors Studios o que faz dele um filme que não teve outro jeito a não ser nascer na improvisação dos artistas envolvidos, mas com o máximo de paixão e diversão. Tudo é tão equivocado que ao invés de fazer a platéia sentir medo causa risos. Os próprios filmes ruins, que eu também chamo de: “filmes irregulares” (leia a sessão deles clicando AQUI), nunca divertiram, apenas aborrecem o espectador, ao contrário dos trash, adorados e cultuados. Tais características são consideradas lembrando, principalmente, a produção em massa que surgiu na década de 1950, quando esses filmes eram levados a sério pelos realizadores, diretores, elenco e até, às vezes, pelo público.

Poster de RE-ANIMATOR (1985), de Stuart Gordon. Aqui recebeu a tradução de
"A Hora Dos Mortos-Vivos" e consagrou o ator Jeffrey Combs.

A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA (1959), de Monte Hellman, mostra um grupo de
garotas que são sequestradas por um demônio, faminto por carne fresquinha!

THEM! - O MUNDO EM PERIGO (1954), é um clássico. Dirigido por Gordon Douglas, a premissa mostra um acidente radioativo que faz com que as formigas
se tornem gigantescas e famintas. Os sons que elas fazem é de arrepiar!

Esforçava-se, com dedicação, para fazer o melhor possível dentro das possibilidades.  Nos anos 1970, produções exageradas, de cores berrantes, com pitadas sexuais explícitas e violência extrema começaram a estabelecer um conceito de trash – lixo-  também nomeado de gore ou splatter como algo propositalmente feito para excitar ou impressionar a audiência. Não raro, predominava o propósito de realmente fazer rir com situações bizarras.
Ademais, foi um período muito produtivo em que se destacaram diretores como ROGER CORMAN (com atividade desde o final de 1950), JOHN WATERS. JESUS FRANCO, DARIO ARGENTO, GEORGE A. ROMERO, ABEL FERRARA. Desses, somente Waters não seguiria a linha do horror, aliás, é autor de clássicos como PINK FLAMINGOS (1972) e FEMALE TROUBLE (1974), sempre estrelados por sua musa “Divine”, travesti cultuado vivido pelo ator GLEN MILSTEAD (1945-1988). Aos poucos, o gênero foi dividido em subcategorias como blaxploitation, isto é, filmes estrelados e produzidos por negros de cabelo Black Power e roupas colorizadas, voltadas mais para o humor, também, os FILMES B – de baixíssimo orçamento, uma denominação que também se confunde com filmes de alto investimento, mas que são parecidos com produções baratas -, gore, como já citado anteriormente, excessivamente nojento, com exposição de vísceras, decapitações, amputações, como por exemplo, FOME ANIMAL (Braindead/ Dead-Alive, 1992, de Peter Jackson), splatter, descrito no sentido mais escatológico da nojeira e também com muito mais sangue.

O ATAQUE DAS SANGUESSUGAS GIGANTES (1959), de Bernard L. Kowalski, é um bom
exemplo de terror exagerado proposital que se encaixa no rótulo de filme trash facilmente.

I WAS A TEENAGE FRANKENSTEIN (1957), de Herbert L. Strock. O êxito do lobisomem adolescente rendeu uma outra produção destinada ao público jovem da época, agora
com a famosa criatura de Mary Shelley. 
A MOSCA DA CABEÇA BRANCA (The Fly), versão original, o clássico de 1958.
Direção de Kurt Neumann, trazia uma assustadora mosca gigante com metade do
corpo humano, bizarrice nascida de um acidente científico com teletransporte.
Mais tenso, bizarro e por vezes cômica (menos nojenta) do que a versão filmada
por David Cronenberg em 1986.
Participação de VINCENT PRICE.

Nos anos 1990, a Rede Bandeirantes assumiu o formato e criou uma programação dedicada a isso, o vespertino CINE TRASH, que chegou a ser apresentado pelo Zé do Caixão, JOSÉ MOJICA MARINS, o cineasta, ator, roteirista, produtor brasileiro nesse seguimento e de maior prestígio, até no exterior.  Em 1995, foi criado no Rio de Janeiro o Festival Cult, Femmes Fatales & Trashmania, que teve pelo menos duas edições, a segunda, realizada no Sesc Tijuca. Além de mostra de filmes, o evento foi marcado por palestras e lançamentos literários.

EDWARD D. WOOD JR. (1924-1978)
“Ed Wood”, já lindamente reconhecido e homenageado pelo diretor Tim Burton em seu filme de 1994 (leia AQUI), vivido magistralmente por Johnny Depp, eis o rei dos filmes ruins. Aqui, ele merece destaque, antes mesmo de eu listar meus diretores prediletos dos filmes de terror e ficção-científica.  Como mostra Burton, Ed tinha um entusiasmo, paixão pelo que fazia e que a questão de ter ou não talento nunca foi um problema. Por exemplo, na vida de Wood, existiu a terna e emocionante relação que o diretor nutriu pelo seu ídolo Bela Lugosi (no filme vivido por Martin Landau), o veterano ator imortalizado como o maior Drácula de todos os tempos afastado do mercado e tentando se livrar da dependência de drogas quando foi convencido por Ed a participar de seus filmes.

O meu predileto, PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL (Plan 9 From Outer Space, 1959), e que aliás, foi o último filme de Bela que morreu inesperadamente durante as filmagens, sendo substituído por um outro ‘ator’ que cobre o rosto. Com o amigo, rodou também A NOIVA DO MONSTRO (Bride of the Monster, 1955), sobre um louco cientista que pretende criar uma raça de super-homens atômicos e primeiramente o famoso GLEN OU GLENDA? (Glen or Glenda, 1953), também estrelado por Wood como um homem que gosta de se vestir de mulher e conta isso para um psiquiatra. O filme discute o polêmico tema da transexualidade, na época um escândalo, mas no filme, motivo para riso.

Agradeço ao Burton por trazer de volta da tumba a filmografia deste até subestimado  e sobretudo, azarado diretor que na época não teve oportunidade para realizar seus filmes como mereciam. De qualquer forma, fraude ou não, o cara foi redescoberto e em matéria de ruim, ele é o melhor. Por décadas alimentou-se o mito de que ele era o pior diretor do mundo, o que em minha opinião e de muitos outros, não é uma verdade absoluta, pois estava bem acima de outros, ainda piores e o mais importante: chatos. Uma coisa é ser ruim, mas é um dom ser engraçado,  isto é, fazer querer assistir aquela fita por pior que seja, até o final. Na verdade, Wood era impetuoso e ousado, além de criativo para suprir os problemas recorrentes de suas produções ou vai me dizer que não é genial a sacada que ele teve ao contratar um cara que tinha o perfil idêntico ao Lugosi e fazê-lo cobrir o rosto para não ser notado? Wood, além disso, e como evidenciou Burton no filme, não dava muita importância à opinião dos mais exigentes e além do que, sabia lidar com seus investidores com sabedoria. Queria divertir o público. Seu legado esta aí. É só procurar pelo seu nome. Hoje em dia, é tão famoso como qualquer outro cineasta.

ED WOOD foi imortalizado como o pior cineasta do mundo e virou lenda por isso.
Seus filmes, porém, com o passar dos anos, tornaram-se saborosas diversões.
BELA LUGOSI em: A NOIVA DO MONSTRO.



MEUS DIRETORES PREDILETOS DOS FILMES DE TERROR E SCI-FI

Outros nomes estão na minha preferência e a ordem ao citá-los aqui não significa nível de genialidade e tampouco favoritismo de minha parte. São todos prediletos. Vamos lá.

DAVID CRONENBERG: canadense, tem em sua filmografia filmes importantes nos gêneros terror e ficção-científica, cuja peculiaridade é explorar os meandros da mente humana. O tema aparece em VIDEODROME – A SÍNDROME DO VÍDEO (Videodrome, 1983), que mistura ficção-científica, horror, sexo, violência e surrealismo; SCANNERS – SUA MENTE PODE DESTRUIR (Scanners, 1981), A HORA DA ZONA MORTA (The Dead Zone, 1983, baseado em livro de Stephen King); e SPIDER – DESAFIE SUA MENTE (Spider, 2002, adaptação do romance de Patrick McGrath). Também realizou a obra-prima A MOSCA (The Fly, 1986), além de CRASH – ESTRANHOS PRAZERES (Crash, 1996), EXISTEN Z (Idem, 1999), entre outros.

DARIO ARGENTO: um dos mais produtivos e revolucionários diretores, este italiano, filho de mãe brasileira, estabeleceu um estilo próprio de cinema, sem fazer concessões, no segmento terror. Na Itália, ficou conhecido como um dos inventores do gênero giallo (quer dizer amarelo, e esta relacionado a livros policiais baratos), com histórias de mistério e mortes violentas em cena. Estreou em 1970 com O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, quando tinha 29 anos. Contou com a colaboração de Vittorio Storaro e Ennio Morricone. Realizou filmes elogiados, e sua principal obra-prima é de fato SUSPIRIA (1977). Fez também PRELÚDIO PARA MATAR (1975), PHENOMENA (1985), TERROR NA ÓPERA (1987) e SLEEPLESS (2001). Como roteirista já trabalhou com nomes importantes como Sergio Leone (ERA UMA VEZ NO OESTE, 1968). Recentemente voltou ao terror com uma nova adaptação da obra de Bram Stoker, DRÁCULA 3D (2012).

WES CRAVEN: mestre do cinema de terror de uma nova geração, respeitado pela crítica, criou as duas maiores, inovadoras e bem sucedidas franquias dirigidas especialmente ao público adolescente: A HORA DO PESADELO (A Nightmare on Elm Street), que estreou em 1984 e renderia vários filmes seguintes com o psicopata dos sonhos Freddy Krueger, um dos ícones dos filmes de terror; e a série PÂNICO (Scream, 1996-2011), dos quais seriam feitas até sátiras. Outro de seus filmes que é meu predileto é o assustador AS CRIATURAS ATRÁS DAS PAREDES (The People Under The Stairs, 1991), mas seu nome é facilmente associado ao seguimento, assim como John Carpenter, tanto que ao dirigir um drama MÚSICA DO CORAÇÃO (Music of the Heart, 1999), com Meryl Streep, não foi bem recebido.

GUILLERMO DEL TORO: o diretor mexicano de maior renome da atualidade se tornou reverenciado em todo o mundo no começo de 2007, quando levou três Oscars – direção de arte, fotografia e maquiagem – pelo filme O LABIRINTO DO FAUNO. Tinha em sua filmografia, no entanto, outros ótimos filmes de realismo fantástico e de terror com monstros, tais como MUTAÇÃO (1997), A ESPINHA DO DIABO (2001), BLADE 2 (2002 – o melhor da série até então) e o divertido HELLBOY (2004, e que aliás, foi o primeiro filme que vi dele na tela grande). Antes, trabalhou como supervisor de maquiagem e dirigiu programas para a TV mexicana. Tanto O Labirinto do Fauno quanto A Espinha do Diabo são ambientados na Espanha franquista. Ele explora simbologicamente os fantasmas de vidas interrompidas pela brutalidade.

JOSÉ MOJICA MARINS: brasileiro em todos os sentidos, evidenciado isso em sua obra, ele é mais conhecido como Zé do Caixão, no exterior, Coffin Joe, é um dos raros diretores de língua não inglesa, no gênero, a ser cultuado. Infelizmente desprezado e até ridicularizado pela maioria dos críticos, construiu uma carreira invejada, única e original, marcada pela improvisação e nunca escondeu o fato de ter sido autodidata. Mojica tem a mesma capacidade de superar as limitações financeiras assim como Ed Wood. Seu principal personagem , que ele mesmo interpreta, Zé, um monstrengo de longas unhas que se veste como o Conde Drácula (mas é coveiro!) foi criado em 1963. Sua primeira aparição deu-se no filme À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964). Depois, protagonizou ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967) e O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO (1968). Anos mais tarde, encerraria sua trilogia iniciada com “À Meia-Noite...” e continuada em “Esta Noite....” com ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO (2008 sua maior produção!).  Recentemente, trabalhou no projeto “A Praga” e tudo indica que ainda não foi finalizado.

GEORGE A. ROMERO: diretor dos mais imitados no gênero e um dos poucos a ser tão reverenciado. Isso não se deve ao acaso. Com seus zumbis, ele reinventou o horror para sempre, introduzindo questões políticas e sociais, críticas pertinentes ao momento em que os filmes eram produzidos. Em todos os episódios da série iniciado com A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968), ele expõe as diferenças e os preconceitos sociais e raciais. Essa opção é radicalizada em TERRA DOS MORTOS (2005), um demolidor painel das relações de classes de uma América arrogante e prepotente, confrontada com a nova realidade estabelecida após atentados de 11 de setembro de 2001. Também levou para o cinema os quadrinhos da editora EC Comics com a cinessérie CREPSHOW, na década de 1980. Sim, ele é o pai dos Zumbis!

JAMES WHALE (1889-1957): esse esquecido diretor, de extensa e diversificada filmografia, revolucionou o cinema de terror com os quatro únicos desse gênero que fez, todos fundamentais: FRANKENSTEIN (1931), A VELHA CASA ASSOMBRADA (1932), O HOMEM INVISÍVEL (1933) e A NOIVA DE FRANKENSTEIN (1935). Seus últimos dias de vida encerrada com o suicídio foram mostrados em DEUSES E MONSTROS (1998), um dos melhores e mais sensíveis retratos sob a indústria cinematográfica. Estrelado por Sir. Ian McKellen como Whale e direção de Bill Condon. Homossexual assumido teria sido alvo de preconceito em seu meio. Whale era um gênio perfeccionista, um poeta que conseguia extrair do horror momentos de puro lirismo e romantismo. Dizia fazer filmes de monstros para divertir, como comédias sobre a morte ou reflexões sobre nós mesmos. R.I.P.

TOD BROWNING (1880-1962): outro grande nome do cinema de terror. Diretor americano, é o homem por trás de DRÁCULA (1931) e MONSTROS (1932). Suas experiências pessoais foi transmitida para os filmes , por exemplo, quando jovem, teve uma passagem pelo circo, foi contorcionista de Vaudeville, viajando o mundo com a trupe. "Monstros", sua maior obra-prima foi pioneiro ao evidenciar o grotesco humano, num híbrido de horror, humor negro e ternura, ainda é inigualável. Obviamente que "Drácula", sucesso estrondoso com Bela Lugosi, lhe rendeu ainda mais prestígio, tanto que a partir daí pode produzir qualquer filme que almejasse, carta branca dos estúdios, assim fez Monstros e A MARCA DO VAMPIRO (1935). Assinou outras produções interessantes como A BONECA DO DIABO (1936). Sua passagem anterior pelo cinema mudo também é prestigiosa, por exemplo, trabalhou com grandes nomes como Lon Chaney e com ele fez alguns filmes, meu predileto é O MONSTRO DO CIRCO (1927), também estrelado por Joan Crawford. Dizem que ele não apreciava a luz do dia e sofria de insônia. 

JOHN CARPENTER: gosto muito de alguns de seus filmes, mas infelizmente nos últimos tempos ele andou me decepcionando. Por exemplo, odeio VAMPIROS (1998). Carpenter leva seu nome antes do título do filme e com isso construiu uma reputação de expressivo autor do gênero. Dentre seus trabalhos, aparecem o ótimo OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO (1986), PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987) e o aclamado ENIGMA DE OUTRO MUNDO (1982), refilmagem de O MONSTRO DO ÁRTICO – THE THING, produzido por Howard Hawks em 1951. Foi HALLOWEEN (1978), um filme tradicional para se assistir no Dia das Bruxas, que o consagrou. Era a história de um menino louco que acabou sendo internado no manicômio após assassinar a irmã. Ele permanece no lugar por muitos anos. Adulto, foge , retorna para a sua comunidade e mata. Seu psiquiatra é o único que está atrás dele, por acreditar no seu poder de fazer o mal. Com deslizes e consagrações, Carpenter tem fama.

ROGER CORMAN: esse é o mestre dos filmes baratos, rápidos e lançou nomes importantes no cinema nos filmes em que foi produtor e diretor. Estreou em 1957 com O EMISSÁRIO DO OUTRO MUNDO. Depois, o bizarro A MULHER VESPA (1959). E Prosseguiu com o cult A PEQUENA LOJA DOS HORRORES (1960) estrelado por um jovem iniciante chamado Jack Nicholson. O filme era sobre um estabelecimento que tem no fundo uma monstruosa planta carnívora que adora comer carne humana. A originalidade e o reconhecimento de suas fitas, feitas sempre com recursos baixos (nunca superiores a quatro milhões de dólares), lhe permitiam criar a Concorde Pictures, que nos anos 90 teria um lucro médio anual de cem milhões, com a realização também anual, de 24 filmes para VHS e TV. Sua filmografia inclui O CORVO (1963), com Vincent Price, e SOMBRAS DO TERROR (1963), com Boris Karloff.

SAM RAIMI: o grande público marcou seu nome por causa dos filmes do Homem-Aranha. Antes, no entanto, ele construiu uma sólida carreira no gênero fantástico com uma pequena obra-prima subestimada DARKMAN – VINGANÇA SEM ROSTO (1990), uma das mais fascinantes aventuras que chegou às telas inspirada na linguagem das histórias em quadrinhos. Sua estréia veio com o lançamento de mais um subgênero, o terrir, com o clássico A MORTE DO DEMÔNIO (The Evil Dead, 1981), estrelada pelo amigo Bruce Campbell. Era um filme de terror de baixo orçamento, realizado numa pequena cabana, e que se tornaria o início de uma série aclamada. Voltando com tudo ao gênero, em 2009 lança o sensacional ARRASTE-ME PARA O INFERNO.

PETER JACKSON: do berço da Nova Zelândia, sua especialidade não é exatamente filmes de terror, mas com criaturas monstruosas, trabalhando principalmente com a fantasia. Das sete produções que dirigiu até 2005, seis traziam os mais bizarros seres, mesmo em filmes dramáticos como ALMAS GÊMEAS (1994). Pela relativa pouca idade, promete outros grandes filmes de fantasia. Basta considerar a superprodução KING KONG (2005), uma refilmagem que pretendeu ser fiel ao clássico de 1933, e a trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, de J. R. R. Tolkien, formada por A Sociedade do Anel (2001), As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003). No quesito mais apropriado, fez ainda OS ESPÍRITOS (1996), com Michael J. Fox e o trash mais asqueroso da humanidade: FOME ANIMAL (1992).  

JOE DANTE: hoje em dia não faz nada de impactante, mas começou fazendo montagem para Roger Corman, após concluir o curso de cinema na Philadelphia. Estreou na direção de forma independente com PIRANHA, subestimado e reduzido a mera “chupação” do filme Tubarão de Spielberg. Fez outros filmes de horror e ficção-científica como NO LIMITE DA REALIDADE (1983), GRITOS DE HORROR (1981), provavelmente seu filme mais aclamado, VIAGEM AO MUNDO DOS SONHOS (1985). O grande sucesso, no entanto, foi GREMLINS (1984), produzido pelo colega Spielberg, que teve continuação em 1990. O título vem do nome das diabólicas e anárquicas criaturas, que infernizam os moradores de uma pequena cidade. Nos anos 90, viveu um declínio em sua carreira.

TOBE HOOPER: parece que seu nome chegou ao grande público com a direção de POLTERGEIST - O FENÔMENO (1982), obra com mais cara do criador Steven Spielberg. Antes, fez o filme de horror que até mesmo Stanley Kubrick tinha predileção, o mais influente e horripilante das últimas décadas, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974), que estabeleceu, muito antes de Halloween, Sexta-Feira 13, um subgênero com personagens adolescentes que vão passear e fazer sexo no meio do nada. Nos anos 80, especializou-se em filmes de horror como INVASORES DE MARTE (1986), mas seu declínio foi realizar, no mesmo ano, uma continuação de O Massacre Da Serra Elétrica. Sempre se manteve fiel ao gênero, mas sem o mesmo toque de originalidade de outrora.

TERENCE FISHER (1904-1980): este saudoso cineasta britânico foi um dos grandes mestres e o diretor que mais fez filmes com monstros na história do cinema e um dos mais importantes, embora subestimado do grande público, da segunda metade do século passado. Criou quase tudo na produtora inglesa Hammer Films, que substituiu o preto e branco gótico e expressionista pelo colorido e fez reviver as grandes criaturas de horror. Introduziu ainda a sensualidade e o horror explícito, com cenas de muito sangue. Os closes, nos olhos avermelhados, na boca que escorre sangue, de Christopher Lee como Drácula marcaram o gênero. Sua primeira direção nessa categoria foi A MALDIÇÃO DE FRANKENSTEIN (1957). Também fez O VAMPIRO DA NOITE (1958), O CÃO DOS BASKERVILLES (1959) , A MÚMIA (1959), dentre outros até a metade da década de 1970.

ROMAN POLANSKI: pode ser estranho incluí-lo aqui. Polanski é consagrado como um dos maiores e mais originais diretores da história do cinema e estabeleceu uma filmografia que se tornou uma coleção de obras-primas. Embora não seja exatamente um especialista em terror, deixou obras marcantes para o gênero, no quesito mais psicológico, por exemplo, o mórbido REPULSA AO SEXO (1965), a comédia A DANÇA DOS VAMPIROS (1967) e principalmente os aterradores O BEBÊ DE ROSEMARY (1968), filme icônico e que sempre será o meu favorito dele e O INQUILINO (1976). Nos dois últimos, ele trata do horror demoníaco, como o nascimento do anticristo e a possessão de um homem (que ele mesmo interpreta) por um demônio que habita um apartamento (que forma uma trilogia). O filme em que mais apresenta monstros, mas de forma leve é de fato A Dança dos Vampiros, que traz a cena antológica da dança dos sugadores de sangue.

TIM BURTON: poucos diretores construíram uma obra tão autoral, trademark, focada no sombrio e fantástico. Burton criou personagens monstruosos que formaram, em duas décadas, uma galeria pessoal de seu próprio imaginário (ele próprio é quem desenha personagens, sets, tudo). Em vez de apenas perseguir o medo, o susto, ele optou por levar ao público (até mesmo o infantil), tipos bizarros, mas carismáticos. Por exemplo, seu aclamado VINCENT, um curta-metragem homenageando Vincent Price, Jack de O ESTRANHO MUNDO DE JACK (1993), A NOIVA CADÁVER (2005) e FRANKENWEENIE (2012). MARTE ATACA! (1996) é uma homenagem e, ao mesmo tempo, uma versão escatológica e politicamente incorreta dos filmes de alienígenas da década de 1950. Terror dos bons e filme tradicional, ele fez em A LENDA DO CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999), sempre estrelado pelo seu protegido Johnny Depp, baseado no famoso conto de Halloween tradicional escrito por Washington Irving e se inspirando no desenho animado da Disney de 1949. Famoso, Burton é criador de diversas produções familiares, seu filme mais importante, pra mim, é ED WOOD (1994), mas o que fica melhor em sua patente é o mágico EDWARD MÃOS DE TESOURA (1990) assim como os dois primeiros filmes da franquia Batman.

STEVEN SPIELBERG: os filmes do gênero terror e ficção-científica deste mago dos blockbusters, o maior diretor vivo do cinema americano, fizeram história e influenciaram toda a indústria. Seu nome ficou tão famoso quanto o de Walt Disney e Hitchcock.  A começar por TUBARÃO (1975). Depois, vieram CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977) e sua maior bilheteria dos anos 80 E.T. – O EXTRATERRESTRE (1982), um marco que mudou a relação das crianças com monstros dos contos de fada. Como produtor, entrou no mundo do sobrenatural com Poltergeist, que, curiosamente, explora o monstruoso invisível; e Gremlins, os monstrinhos do amigo Joe Dante. Foi na década de 90, porém, que ele criou as mais fantásticas e realistas criaturas do cinema até então, com a trilogia JURASSIC PARK (1993-2001), principalmente o primeiro filme que mescla terror, ficção-científica e aventura.  Na Sci-fi, Spielberg parece estar mais familiarizado, errou ao dirigir a nova versão de GUERRA DOS MUNDOS (2005), de H. G. Wells, mas, tem no currículo obras-primas como A. I. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001), projeto concebido por Kubrick e o eletrizante MINORITY REPORT – A NOVA LEI (2002). Neste quesito, sempre vou idolatrar Contatos Imediatos do Terceiro Grau, embora o filme apresente os incômodos anos 70, ainda entretém e parece nunca envelhecer. 
Dinossauros, Et´s, fantasmas, é com ele mesmo!

O especial vai ficando por aqui. Espero que tenham gostado. Ano que vem eu não prometo, mas farei o possível para manter a tradição do OUTUBRO DAS BRUXAS.
Feliz Halloween!

RODRIGO MENDES

Um comentário:

Unknown disse...

Tudo bem Rodrigo ?
Gostaria de fazer parceria ?

filmelixo.blogspot.com

Abraço.

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