OUTUBRO DAS BRUXAS
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TERCEIRA TEMPORADA
CINE-DOC.
TERROR
CAPÍTULO
FINAL
Nunca foi uma tarefa
simples definir o que é cinema de terror
trash, com seus monstros quase sempre inusitados. Tanto é que o espectador
pode não saber muito sobre os bastidores daquela produção e, em sua opinião,
achar que filme trash são realizações
de Peter Jackson (em exemplos como Os Espíritos, superprodução
hollywoodiana patrocinada por Robert Zemeckis, de 1996) ou a bela e requintada
versão de Drácula de Coppola,
que sim, apresenta inúmeras nojeiras ou até a refilmagem de “A Mosca Da Cabeça
Branca”, por David Cronenberg. No entanto, algumas características podem ser
apontadas para identificar tais filmes, como o baixo orçamento, roteiro
precário, interpretações deficientes, cenários fakes e, claro, monstrengos exagerados e com maquiagem primária.
Dito isso, ninguém precisa ser um expert da
sétima arte para notar características tão óbvias e que nesse quesito, devem
soar como elogios tratando-se da “Boca do Lixo do Cinema de Terror”, tema do último capítulo do especial do Outubro
das Bruxas de 2013.
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| MONSTER ON THE CAMPUS (1958). De Jack Arnold, o filme é o primeiro sobre seres assassinos que circulam pelos campi das universidades americanas. |
Esses filmes são
genericamente tratados, pela maioria dos críticos, como algo sem qualquer valor
artístico, sinônimo de filme ruim e “tranqueira” exibido em cinema “pulgueiro”.
O trash é o filme sem qualquer orçamento, que se esforçou para ser
melhor em cada departamento de produção e não teve apoio dos Majors Studios o que faz dele um filme
que não teve outro jeito a não ser nascer na improvisação dos artistas
envolvidos, mas com o máximo de paixão e diversão. Tudo é tão equivocado que ao
invés de fazer a platéia sentir medo causa risos. Os próprios filmes ruins, que
eu também chamo de: “filmes irregulares” (leia a sessão deles clicando AQUI),
nunca divertiram, apenas aborrecem o espectador, ao contrário dos trash, adorados e cultuados. Tais características
são consideradas lembrando, principalmente, a produção em massa que surgiu na
década de 1950, quando esses filmes eram levados a sério pelos realizadores,
diretores, elenco e até, às vezes, pelo público.
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| Poster de RE-ANIMATOR (1985), de Stuart Gordon. Aqui recebeu a tradução de "A Hora Dos Mortos-Vivos" e consagrou o ator Jeffrey Combs. |
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| A BESTA DA CAVERNA ASSOMBRADA (1959), de Monte Hellman, mostra um grupo de garotas que são sequestradas por um demônio, faminto por carne fresquinha! |
Esforçava-se, com dedicação,
para fazer o melhor possível dentro das possibilidades. Nos anos 1970, produções exageradas, de cores
berrantes, com pitadas sexuais explícitas e violência extrema começaram a
estabelecer um conceito de trash –
lixo- também nomeado de gore
ou splatter
como algo propositalmente feito para excitar ou impressionar a audiência. Não
raro, predominava o propósito de realmente fazer rir com situações bizarras.
Ademais, foi um período
muito produtivo em que se destacaram diretores como ROGER CORMAN (com atividade desde o final de 1950), JOHN WATERS. JESUS FRANCO, DARIO ARGENTO,
GEORGE A. ROMERO, ABEL FERRARA. Desses, somente Waters não seguiria a linha do
horror, aliás, é autor de clássicos como PINK
FLAMINGOS (1972) e FEMALE TROUBLE
(1974), sempre estrelados por sua musa “Divine”, travesti cultuado vivido
pelo ator GLEN MILSTEAD (1945-1988).
Aos poucos, o gênero foi dividido em subcategorias como blaxploitation, isto é,
filmes estrelados e produzidos por negros de cabelo Black Power e roupas colorizadas, voltadas mais para o humor,
também, os FILMES B – de baixíssimo orçamento, uma denominação que também
se confunde com filmes de alto investimento, mas que são parecidos com
produções baratas -, gore, como já citado
anteriormente, excessivamente nojento, com exposição de vísceras, decapitações,
amputações, como por exemplo, FOME
ANIMAL (Braindead/ Dead-Alive, 1992,
de Peter Jackson), splatter, descrito
no sentido mais escatológico da nojeira e também com muito mais sangue.
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| O ATAQUE DAS SANGUESSUGAS GIGANTES (1959), de Bernard L. Kowalski, é um bom exemplo de terror exagerado proposital que se encaixa no rótulo de filme trash facilmente. |
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| I WAS A TEENAGE FRANKENSTEIN (1957), de Herbert L. Strock. O êxito do lobisomem adolescente rendeu uma outra produção destinada ao público jovem da época, agora com a famosa criatura de Mary Shelley. |
Nos anos 1990, a Rede
Bandeirantes assumiu o formato e criou uma programação dedicada a isso, o
vespertino CINE
TRASH, que
chegou a ser apresentado pelo Zé do
Caixão, JOSÉ MOJICA MARINS, o
cineasta, ator, roteirista, produtor brasileiro nesse seguimento e de maior
prestígio, até no exterior. Em 1995, foi
criado no Rio de Janeiro o Festival Cult, Femmes Fatales & Trashmania, que
teve pelo menos duas edições, a segunda, realizada no Sesc Tijuca. Além de mostra
de filmes, o evento foi marcado por palestras e lançamentos literários.
EDWARD D. WOOD JR. (1924-1978)
“Ed Wood”, já lindamente
reconhecido e homenageado pelo diretor Tim
Burton em seu filme de 1994 (leia AQUI), vivido magistralmente por Johnny Depp, eis o rei dos filmes
ruins. Aqui, ele merece destaque, antes mesmo de eu listar meus diretores
prediletos dos filmes de terror e ficção-científica. Como mostra Burton, Ed tinha um entusiasmo,
paixão pelo que fazia e que a questão de ter ou não talento nunca foi um problema. Por exemplo, na vida de Wood, existiu a terna e emocionante
relação que o diretor nutriu pelo seu ídolo Bela Lugosi (no filme vivido por Martin Landau), o veterano ator imortalizado como o maior Drácula
de todos os tempos afastado do mercado e tentando se livrar da dependência de
drogas quando foi convencido por Ed a participar de seus filmes.
O meu predileto, PLANO 9 DO ESPAÇO SIDERAL (Plan 9 From Outer Space, 1959), e que
aliás, foi o último filme de Bela que morreu inesperadamente durante as
filmagens, sendo substituído por um outro ‘ator’ que cobre o rosto. Com o
amigo, rodou também A NOIVA DO MONSTRO
(Bride of the Monster, 1955), sobre
um louco cientista que pretende criar uma raça de super-homens atômicos e
primeiramente o famoso GLEN OU GLENDA?
(Glen or Glenda, 1953), também
estrelado por Wood como um homem que gosta de se vestir de mulher e conta isso
para um psiquiatra. O filme discute o polêmico tema da transexualidade, na
época um escândalo, mas no filme, motivo para riso.
Agradeço ao Burton por
trazer de volta da tumba a filmografia deste até subestimado e sobretudo, azarado diretor que na época não
teve oportunidade para realizar seus filmes como mereciam. De qualquer forma,
fraude ou não, o cara foi redescoberto e em matéria de ruim, ele é o melhor.
Por décadas alimentou-se o mito de que ele era o pior diretor do mundo, o que em
minha opinião e de muitos outros, não é uma verdade absoluta, pois estava bem
acima de outros, ainda piores e o mais importante: chatos. Uma coisa é ser
ruim, mas é um dom ser engraçado, isto é, fazer querer assistir aquela fita por pior que seja, até o final. Na verdade, Wood era impetuoso e ousado, além de criativo para
suprir os problemas recorrentes de suas produções ou vai me dizer que não é
genial a sacada que ele teve ao contratar um cara que tinha o perfil idêntico
ao Lugosi e fazê-lo cobrir o rosto para não ser notado? Wood, além disso, e
como evidenciou Burton no filme, não dava muita importância à opinião dos mais
exigentes e além do que, sabia lidar com seus investidores com sabedoria. Queria
divertir o público. Seu legado esta aí. É só procurar pelo seu nome. Hoje em
dia, é tão famoso como qualquer outro cineasta.
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| ED WOOD foi imortalizado como o pior cineasta do mundo e virou lenda por isso. Seus filmes, porém, com o passar dos anos, tornaram-se saborosas diversões. BELA LUGOSI em: A NOIVA DO MONSTRO. |
MEUS DIRETORES PREDILETOS DOS FILMES
DE TERROR E SCI-FI
Outros nomes estão na minha
preferência e a ordem ao citá-los aqui não significa nível de genialidade e
tampouco favoritismo de minha parte. São todos prediletos. Vamos lá.
DAVID CRONENBERG: canadense, tem em
sua filmografia filmes importantes nos gêneros terror e ficção-científica, cuja
peculiaridade é explorar os meandros da mente humana. O tema aparece em VIDEODROME – A SÍNDROME DO VÍDEO (Videodrome, 1983), que mistura
ficção-científica, horror, sexo, violência e surrealismo; SCANNERS – SUA MENTE PODE DESTRUIR (Scanners, 1981), A HORA DA ZONA
MORTA (The Dead Zone, 1983, baseado em livro de Stephen King); e SPIDER – DESAFIE SUA MENTE (Spider, 2002,
adaptação do romance de Patrick McGrath). Também realizou a obra-prima A MOSCA (The Fly, 1986), além de CRASH – ESTRANHOS PRAZERES (Crash, 1996),
EXISTEN Z (Idem, 1999), entre outros.
DARIO ARGENTO: um dos mais produtivos
e revolucionários diretores, este italiano, filho de mãe brasileira,
estabeleceu um estilo próprio de cinema, sem fazer concessões, no segmento
terror. Na Itália, ficou conhecido como um dos inventores do gênero giallo (quer dizer amarelo, e esta
relacionado a livros policiais baratos), com histórias de mistério e mortes
violentas em cena. Estreou em 1970 com O
PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL, quando tinha 29 anos. Contou com a
colaboração de Vittorio Storaro e Ennio Morricone. Realizou filmes elogiados, e
sua principal obra-prima é de fato SUSPIRIA
(1977). Fez também PRELÚDIO PARA
MATAR (1975), PHENOMENA (1985), TERROR NA ÓPERA (1987) e SLEEPLESS (2001).
Como roteirista já trabalhou com nomes importantes como Sergio Leone (ERA UMA VEZ NO OESTE, 1968).
Recentemente voltou ao terror com uma nova adaptação da obra de Bram Stoker, DRÁCULA 3D (2012).
WES CRAVEN: mestre do cinema de
terror de uma nova geração, respeitado pela crítica, criou as duas maiores,
inovadoras e bem sucedidas franquias dirigidas especialmente ao público
adolescente: A HORA DO PESADELO (A
Nightmare on Elm Street), que estreou em 1984 e renderia vários filmes
seguintes com o psicopata dos sonhos Freddy
Krueger, um dos ícones dos filmes de terror; e a série PÂNICO (Scream, 1996-2011), dos quais seriam feitas até sátiras.
Outro de seus filmes que é meu predileto é o assustador AS CRIATURAS ATRÁS DAS PAREDES (The People Under The Stairs, 1991),
mas seu nome é facilmente associado ao seguimento, assim como John Carpenter,
tanto que ao dirigir um drama MÚSICA DO
CORAÇÃO (Music of the Heart, 1999), com Meryl Streep, não foi bem recebido.
GUILLERMO DEL TORO: o diretor
mexicano de maior renome da atualidade se tornou reverenciado em todo o mundo
no começo de 2007, quando levou três Oscars – direção de arte, fotografia e
maquiagem – pelo filme O LABIRINTO DO
FAUNO. Tinha em sua filmografia, no entanto, outros ótimos filmes de
realismo fantástico e de terror com monstros, tais como MUTAÇÃO (1997), A ESPINHA DO DIABO (2001), BLADE 2 (2002 – o melhor da
série até então) e o divertido HELLBOY (2004, e que aliás, foi o primeiro filme
que vi dele na tela grande). Antes, trabalhou como supervisor de maquiagem
e dirigiu programas para a TV mexicana. Tanto O Labirinto do Fauno quanto A
Espinha do Diabo são ambientados na Espanha franquista. Ele explora
simbologicamente os fantasmas de vidas interrompidas pela brutalidade.
JOSÉ MOJICA MARINS: brasileiro em
todos os sentidos, evidenciado isso em sua obra, ele é mais conhecido como Zé do Caixão, no exterior, Coffin Joe, é um dos raros diretores de
língua não inglesa, no gênero, a ser cultuado. Infelizmente desprezado e até
ridicularizado pela maioria dos críticos, construiu uma carreira invejada,
única e original, marcada pela improvisação e nunca escondeu o fato de ter sido
autodidata. Mojica tem a mesma capacidade de superar as limitações financeiras
assim como Ed Wood. Seu principal personagem , que ele mesmo interpreta, Zé, um
monstrengo de longas unhas que se veste como o Conde Drácula (mas é coveiro!)
foi criado em 1963. Sua primeira aparição deu-se no filme À MEIA-NOITE LEVAREI SUA ALMA (1964). Depois, protagonizou ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER (1967)
e O ESTRANHO MUNDO DE ZÉ DO CAIXÃO (1968).
Anos mais tarde, encerraria sua trilogia iniciada com “À Meia-Noite...” e
continuada em “Esta Noite....” com ENCARNAÇÃO
DO DEMÔNIO (2008 sua maior produção!).
Recentemente, trabalhou no projeto “A Praga” e tudo indica que ainda não
foi finalizado.
GEORGE A. ROMERO: diretor dos mais
imitados no gênero e um dos poucos a ser tão reverenciado. Isso não se deve ao
acaso. Com seus zumbis, ele reinventou o horror para sempre, introduzindo
questões políticas e sociais, críticas pertinentes ao momento em que os filmes
eram produzidos. Em todos os episódios da série iniciado com A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (1968), ele
expõe as diferenças e os preconceitos sociais e raciais. Essa opção é
radicalizada em TERRA DOS MORTOS (2005),
um demolidor painel das relações de classes de uma América arrogante e
prepotente, confrontada com a nova realidade estabelecida após atentados de 11
de setembro de 2001. Também levou para o cinema os quadrinhos da editora EC
Comics com a cinessérie CREPSHOW, na
década de 1980. Sim, ele é o pai dos Zumbis!
JAMES WHALE (1889-1957): esse
esquecido diretor, de extensa e diversificada filmografia, revolucionou o
cinema de terror com os quatro únicos desse gênero que fez, todos fundamentais:
FRANKENSTEIN (1931), A VELHA CASA
ASSOMBRADA (1932), O HOMEM INVISÍVEL (1933) e A NOIVA DE FRANKENSTEIN (1935).
Seus últimos dias de vida encerrada com o suicídio foram mostrados em DEUSES E MONSTROS (1998), um dos
melhores e mais sensíveis retratos sob a indústria cinematográfica. Estrelado
por Sir. Ian McKellen como Whale e direção de Bill Condon. Homossexual assumido
teria sido alvo de preconceito em seu meio. Whale era um gênio perfeccionista,
um poeta que conseguia extrair do horror momentos de puro lirismo e romantismo.
Dizia fazer filmes de monstros para divertir, como comédias sobre a morte ou
reflexões sobre nós mesmos. R.I.P.
TOD BROWNING (1880-1962): outro grande nome do cinema de terror. Diretor americano, é o homem por trás de DRÁCULA (1931) e MONSTROS (1932). Suas experiências pessoais foi transmitida para os filmes , por exemplo, quando jovem, teve uma passagem pelo circo, foi contorcionista de Vaudeville, viajando o mundo com a trupe. "Monstros", sua maior obra-prima foi pioneiro ao evidenciar o grotesco humano, num híbrido de horror, humor negro e ternura, ainda é inigualável. Obviamente que "Drácula", sucesso estrondoso com Bela Lugosi, lhe rendeu ainda mais prestígio, tanto que a partir daí pode produzir qualquer filme que almejasse, carta branca dos estúdios, assim fez Monstros e A MARCA DO VAMPIRO (1935). Assinou outras produções interessantes como A BONECA DO DIABO (1936). Sua passagem anterior pelo cinema mudo também é prestigiosa, por exemplo, trabalhou com grandes nomes como Lon Chaney e com ele fez alguns filmes, meu predileto é O MONSTRO DO CIRCO (1927), também estrelado por Joan Crawford. Dizem que ele não apreciava a luz do dia e sofria de insônia.
JOHN CARPENTER: gosto muito de alguns
de seus filmes, mas infelizmente nos últimos tempos ele andou me decepcionando.
Por exemplo, odeio VAMPIROS (1998).
Carpenter leva seu nome antes do título do filme e com isso construiu uma
reputação de expressivo autor do gênero. Dentre seus trabalhos, aparecem o
ótimo OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO
(1986), PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (1987) e o aclamado ENIGMA DE OUTRO MUNDO (1982), refilmagem de O MONSTRO DO ÁRTICO – THE THING, produzido por Howard Hawks em
1951. Foi HALLOWEEN (1978), um filme
tradicional para se assistir no Dia das Bruxas, que o consagrou. Era a história
de um menino louco que acabou sendo internado no manicômio após assassinar a
irmã. Ele permanece no lugar por muitos anos. Adulto, foge , retorna para a sua comunidade e mata. Seu psiquiatra é o único que está atrás dele, por
acreditar no seu poder de fazer o mal. Com deslizes e consagrações, Carpenter
tem fama.
ROGER CORMAN: esse é o mestre dos
filmes baratos, rápidos e lançou nomes importantes no cinema nos filmes em que
foi produtor e diretor. Estreou em 1957 com O
EMISSÁRIO DO OUTRO MUNDO. Depois, o bizarro A MULHER VESPA (1959). E Prosseguiu com o cult A PEQUENA LOJA DOS
HORRORES (1960) estrelado por um jovem iniciante chamado Jack Nicholson. O
filme era sobre um estabelecimento que tem no fundo uma monstruosa planta
carnívora que adora comer carne humana. A originalidade e o reconhecimento de
suas fitas, feitas sempre com recursos baixos (nunca superiores a quatro
milhões de dólares), lhe permitiam criar a Concorde
Pictures, que nos anos 90 teria um lucro médio anual de cem milhões, com a
realização também anual, de 24 filmes para VHS e TV. Sua filmografia inclui O CORVO (1963), com Vincent Price, e SOMBRAS DO TERROR (1963), com Boris
Karloff.
SAM RAIMI: o grande público marcou seu
nome por causa dos filmes do Homem-Aranha.
Antes, no entanto, ele construiu uma sólida carreira no gênero fantástico com
uma pequena obra-prima subestimada DARKMAN
– VINGANÇA SEM ROSTO (1990), uma das mais fascinantes aventuras que chegou
às telas inspirada na linguagem das histórias em quadrinhos. Sua estréia veio
com o lançamento de mais um subgênero, o terrir,
com o clássico A MORTE DO DEMÔNIO (The Evil
Dead, 1981), estrelada pelo amigo Bruce Campbell. Era um filme de terror de
baixo orçamento, realizado numa pequena cabana, e que se tornaria o início de
uma série aclamada. Voltando com tudo ao gênero, em 2009 lança o sensacional ARRASTE-ME PARA O INFERNO.
PETER JACKSON: do berço da Nova
Zelândia, sua especialidade não é exatamente filmes de terror, mas com
criaturas monstruosas, trabalhando principalmente com a fantasia. Das sete
produções que dirigiu até 2005, seis traziam os mais bizarros seres, mesmo em
filmes dramáticos como ALMAS GÊMEAS
(1994). Pela relativa pouca idade, promete outros grandes filmes de
fantasia. Basta considerar a superprodução KING
KONG (2005), uma refilmagem que pretendeu ser fiel ao clássico de 1933, e a
trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, de J. R.
R. Tolkien, formada por A Sociedade do
Anel (2001), As Duas Torres (2002) e O Retorno do Rei (2003). No quesito mais apropriado, fez ainda OS ESPÍRITOS (1996), com Michael J. Fox
e o trash mais asqueroso da
humanidade: FOME ANIMAL
(1992).
JOE DANTE: hoje em dia não faz nada
de impactante, mas começou fazendo montagem para Roger Corman, após concluir o
curso de cinema na Philadelphia. Estreou na direção de forma independente com
PIRANHA, subestimado e reduzido a mera “chupação” do filme Tubarão de
Spielberg. Fez outros filmes de horror e ficção-científica como NO LIMITE DA
REALIDADE (1983), GRITOS DE HORROR (1981), provavelmente seu filme mais
aclamado, VIAGEM AO MUNDO DOS SONHOS (1985). O grande sucesso, no entanto, foi
GREMLINS (1984), produzido pelo colega Spielberg, que teve continuação em 1990.
O título vem do nome das diabólicas e anárquicas criaturas, que infernizam os
moradores de uma pequena cidade. Nos anos 90, viveu um declínio em sua
carreira.
TOBE HOOPER: parece que seu nome
chegou ao grande público com a direção de POLTERGEIST
- O FENÔMENO (1982), obra com mais cara do criador Steven Spielberg. Antes,
fez o filme de horror que até mesmo Stanley Kubrick tinha predileção, o mais
influente e horripilante das últimas décadas, O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (1974), que estabeleceu, muito antes
de Halloween, Sexta-Feira 13, um subgênero com personagens adolescentes que vão passear e fazer sexo no meio do nada. Nos anos 80, especializou-se em filmes de
horror como INVASORES DE MARTE (1986), mas seu declínio foi realizar, no mesmo
ano, uma continuação de O Massacre Da
Serra Elétrica. Sempre se manteve fiel ao gênero, mas sem o mesmo toque de
originalidade de outrora.
TERENCE FISHER (1904-1980): este
saudoso cineasta britânico foi um dos grandes mestres e o diretor que mais fez
filmes com monstros na história do cinema e um dos mais importantes, embora
subestimado do grande público, da segunda metade do século passado. Criou quase
tudo na produtora inglesa Hammer Films, que substituiu o preto e branco gótico
e expressionista pelo colorido e fez reviver as grandes criaturas de horror.
Introduziu ainda a sensualidade e o horror explícito, com cenas de muito
sangue. Os closes, nos olhos
avermelhados, na boca que escorre sangue, de Christopher Lee como Drácula marcaram o gênero. Sua primeira
direção nessa categoria foi A MALDIÇÃO DE
FRANKENSTEIN (1957). Também fez O
VAMPIRO DA NOITE (1958), O CÃO DOS
BASKERVILLES (1959) , A MÚMIA (1959),
dentre outros até a metade da década de 1970.
ROMAN POLANSKI: pode ser estranho
incluí-lo aqui. Polanski é consagrado como um dos maiores e mais originais
diretores da história do cinema e estabeleceu uma filmografia que se tornou uma
coleção de obras-primas. Embora não seja exatamente um especialista em terror,
deixou obras marcantes para o gênero, no quesito mais psicológico, por exemplo,
o mórbido REPULSA AO SEXO (1965), a
comédia A DANÇA DOS VAMPIROS (1967) e
principalmente os aterradores O BEBÊ DE
ROSEMARY (1968), filme icônico e que sempre será o meu favorito dele e O INQUILINO (1976). Nos dois últimos, ele trata do horror demoníaco, como o
nascimento do anticristo e a possessão de um homem (que ele mesmo interpreta)
por um demônio que habita um apartamento (que forma uma trilogia). O filme em que mais apresenta
monstros, mas de forma leve é de fato A
Dança dos Vampiros, que traz a cena antológica da dança dos sugadores de
sangue.
TIM BURTON: poucos diretores
construíram uma obra tão autoral, trademark,
focada no sombrio e fantástico. Burton criou personagens monstruosos que
formaram, em duas décadas, uma galeria pessoal de seu próprio imaginário (ele
próprio é quem desenha personagens, sets,
tudo). Em vez de apenas perseguir o medo, o susto, ele optou por levar ao
público (até mesmo o infantil), tipos bizarros, mas carismáticos. Por exemplo,
seu aclamado VINCENT, um curta-metragem homenageando Vincent Price, Jack de O
ESTRANHO MUNDO DE JACK (1993), A
NOIVA CADÁVER (2005) e FRANKENWEENIE
(2012). MARTE ATACA! (1996) é uma
homenagem e, ao mesmo tempo, uma versão escatológica e politicamente incorreta
dos filmes de alienígenas da década de 1950. Terror dos bons e filme
tradicional, ele fez em A LENDA DO
CAVALEIRO SEM CABEÇA (1999), sempre estrelado pelo seu protegido Johnny
Depp, baseado no famoso conto de Halloween tradicional escrito por Washington
Irving e se inspirando no desenho animado da Disney de 1949. Famoso, Burton é
criador de diversas produções familiares, seu filme mais importante, pra mim, é
ED WOOD (1994), mas o que fica melhor
em sua patente é o mágico EDWARD MÃOS DE
TESOURA (1990) assim como os dois primeiros filmes da franquia Batman.
STEVEN SPIELBERG: os filmes do gênero
terror e ficção-científica deste mago dos blockbusters,
o maior diretor vivo do cinema americano, fizeram história e influenciaram toda
a indústria. Seu nome ficou tão famoso quanto o de Walt Disney e Hitchcock. A começar por TUBARÃO (1975). Depois, vieram CONTATOS
IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU (1977) e sua maior bilheteria dos anos 80 E.T. – O EXTRATERRESTRE (1982), um marco
que mudou a relação das crianças com monstros dos contos de fada. Como
produtor, entrou no mundo do sobrenatural com Poltergeist, que, curiosamente, explora o monstruoso invisível; e Gremlins, os monstrinhos do amigo Joe
Dante. Foi na década de 90, porém, que ele criou as mais fantásticas e
realistas criaturas do cinema até então, com a trilogia JURASSIC PARK (1993-2001), principalmente o primeiro filme que
mescla terror, ficção-científica e aventura.
Na Sci-fi, Spielberg parece estar mais familiarizado, errou ao dirigir a
nova versão de GUERRA DOS MUNDOS (2005),
de H. G. Wells, mas, tem no currículo obras-primas como A. I. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (2001), projeto concebido por Kubrick
e o eletrizante MINORITY REPORT – A NOVA
LEI (2002). Neste quesito, sempre vou idolatrar Contatos Imediatos do Terceiro Grau, embora o filme apresente os
incômodos anos 70, ainda entretém e parece nunca envelhecer.
Dinossauros, Et´s, fantasmas, é com ele mesmo!
O especial vai ficando por aqui.
Espero que tenham gostado. Ano que vem eu não prometo, mas farei o possível para manter a tradição do OUTUBRO DAS BRUXAS.
Feliz Halloween!
RODRIGO MENDES






























Um comentário:
Tudo bem Rodrigo ?
Gostaria de fazer parceria ?
filmelixo.blogspot.com
Abraço.
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