Uma imagem não precisa apenas de som. O ruído, ainda mais hoje em dia, é muito eficaz, mas se tratando da imagem de um gênio, um excelente ator, compositor, cineasta, roteirista e de tudo que é híbrido no papel de se fazer um filme, esse detalhe do som é posto de lado.
Mélies, foi um mágico dos efeitos especiais, fazia seus espetáculos em imagens puramente fascinantes, tudo isso antes da extensão disto, da tecnologia digital, no entanto, Charles Chaplin , ou o vagabundo, Carlitos, charlot, ou qualquer outro apelido que tivesse localmente em cada região, foi um mímico, o seus gestos diziam mais que mil palavras, fazia e ainda faz (está tudo gravado na extensão de nossas memórias), o público rir e chorar sem dizer uma só palavra. No começo do século XX, Chaplin exercitou seu talento corporal em diversos filmes da era muda cinematográfica. Mas o tempo foi seu inimigo, o ser humano teve necessidades de extender-se de diversas maneiras, e é claro que ele tinha planos futuros para a sétima arte, em que antes uma "diversãosinha de feira" , ganhou seu Status de arte ( e a sétima delas!). E aonde fica o carlitos no meio de tudo isso? Desta revolução, no crescimento da era mecânica? Bom. Mas um gênio sempre tem um ás nas mangas. E em 1936, Chaplin nos presenteia com sua obra- prima(uma delas!), Tempos Modernos, Também estrelado por Paulette Goddard. Neste filme, carlitos, ( e mesmo Chaplin na vida real) , é apanhado de surpreza com o avanço das extensões humanas, sendo um funcionário que trabalha apertando parafusos o dia inteiro , um trabalho bitolado e cansativo e se vê logo substituído por uma máquina que iria acelerar o processo, e é claro, despedindo a mão de obra. Na estória , carlitos tem um surto, e acaba destruindo a fábrica inteira, fazendo muitas trapalhadas, aquelas gagues, que só Chaplin poderia fazer!
Muito bem, resumindo, é neste filme que carlitos fala pela primeira vez, na verdade ele canta uma bela canção. Foi estranho, mas ao mesmo tempo, fiquei conformado ao ver como Chaplin consegue contornar a situação, fazendo seu genial e para sempre único e eterno personagem, estigmatizado pelo espetáculo, abrir a boca! Um jeito esperto e genial de se "adequar" ao novo mundo, um mundo em que carlitos estava conhecendo. Para mim, este é o mais autêntico e autobiográfico filme de Chaplin. Aquele discurso parodiando Hitler , em O Grande Ditador, filme de 1940, em que ele fala realmente e não canta, foi interpretado por Chaplin e não pelo carlitos. Eu mesmo me confundo, a impressão ao ver o ator remete automaticamente ao seu personagem. Não é para menos, uma imagem tão poderosa, entorpecente, em que mostra um trapalhão de chapéu coco, aquelas calças e sapatos de palhaço. Bem, tudo isso no tempo em que carlitos não falava, porque depois que ele falou, Chaplin tomou outros rumos, acompanhando e aprendendo até onde pode no processo tecnológico. Ele resistiu no começo, até se convencer ao contrário e de extender-se, converge-se totalmente em novos meios. No final fica claro que ele nunca foi um grande técnico, o que sabia mesmo era ser carlitos. E essa imagem eu não esqueço nunca!

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