terça-feira, 6 de outubro de 2009

ELIA KAZAN | UMA RUA CHAMADA PECADO


FRAGILIDADE E TESTOSTERONA À FLOR DA PELE


Este magnífico filme de Titãs é um clássico absoluto e a melhor relíquia de Hollywood.

Lançado em 1951 foi o primeiro Drama teatral nas telas. O roteiro fora adaptado por Oscar Saul a partir da peça escrita por Tennessee Williams. A produção é de Charles Feldman para os estúdios da Warner Brothers, a bela fotografia de Harry Strading, um deslumbre sombrio em preto e branco e a direção de arte (estilizada e teatral) por Robert Day.


A DIREÇÃO



ELIA KAZAN (1909-2003). Era um homem vindo do teatro para o cinema revelou estrelas lendárias (Marlon Brando neste filme que vos falo), Warren Beatty , em CLAMOR DO SEXO (1961) e James Dean, em VIDAS AMARGAS(1955). Kazan era, sobretudo um excelente diretor de atores e tornou-se técnico do cinema com a mesma qualidade, seus filmes são autorais no sentido de serem, as melhores adaptações de qualquer meio, literário ou principalmente teatral. Ganhou um Oscar especial da Academia em 1998. Seu primeiro filme foi LAÇOS HUMANOS (1945) e o segundo e interessante MAR VERDE de 1947 com Katherine Hepburn. Também foi era um homem polêmico, pagava pelo preço por suas obrigações e assertividade (delator do Mccartismo), mas ao longo da vida, em entrevistas, dizia que nunca se arrependeu de suas decisões. Um homem de postura que tem uma obra cinematográfica inteligente (além de ter sido um dos melhores diretores do cinema americano):

Filmes como: O JUSTICEIRO (1947) com Dana Andrews, A LUZ É PARA TODOS (1948) com Gregory Peck, (Oscar de Filme e direção na época) e SINDICATO DE LADRÕES (1954) outro filme destaque com Marlon Brando (outro Oscar de Filme e direção). Vidas Amargas e Clamor do Sexo foram obras inquietantes e seguras, mas terminou a carreira com filmes ainda mais inquietos como America, America – A TERRA DO SONHO DISTANTE (1963), MOVIDOS PELO ÓDIO (1969) com Kirk Douglas e Deborah Kerr e O ÚLTIMO MAGNATA (1976) com Robert DeNiro e Jack Nicholson. Teve uma carreira brilhante no começo e perseguida no final, todavia seus filmes são uma aula de cinema.

UMA RUA CHAMADA PECADO OU UM BONDE CHAMADO DESEJO?

O filme em destaque nesta postagem é um primor (Elia Kazan um dos motivos). O enredo começa quando Blanche Dubois muda de mala e cunha (misteriosa, maluquinha e cheia de problemas) para New Orleans até a casa (muquifo) de sua irmã casada, e para chegar lá tem de pegar um Bonde chamado “Desire” – Desejo. Hospedada lá, tem sérios problemas com o marido polonês de Stella (sua irmã). Os conflitos não demoram a surgir entre Blunche e o Polonês. O elenco é formidável. A insuperável VIVIEN LEIGH (E O VENTO LEVOU) como Blanche, O bonitão MARLON BRANDO ( O PODEROSO CHEFÃO) como o polonês machão (esbanjando desejo e sensualidade), a ótima KIM HUNTER (PLANETA DOS MACACOS) como Stella. E, ainda, trás excelentes coadjuvantes, KARL MALDEN, RUDY BOND e NICK DENNIS. Esta obra prima do teatro do escritor Tennesse Williams (1911-1983), foi encenada no palco pelo mesmo diretor Kazan, revelando Marlon Brando (que ficou amigo dele) junto com JESSICA TANDY como Blanche. No cinema foi filmado na íntegra (continuidade, novidade na época) e quase cem por cento no estúdio. A censura pegou no pé e exigiu cortes e depois em 1994, foi relançado com quatro minutos a mais do que o original.


Ganhou magistralmente os Oscars de atriz (o segundo para Vivien leigh) e coadjuvantes (Karl Maden e Kim Hunter a nada para Brando). Foi indicado como; filme, direção, roteiro, fotografia, trilha musical, ator (Brando) e direção de arte e não sei por que não ganhou!
Kazan preferiu a estrela e atriz inglesa, famosa como Scarlett, Vivien leigh, que havia feito o personagem em uma montagem britânica por Lawrence Olivier, em vez de escolher Jessica Tandy, que ficou famosa já na terceira idade ( Os Pássaros de Hitchcock e Tomates Verdes Fritos de Jon Avnet). Os demais atores eram conhecedores da obra de Williams e veteranos da montagem original, inclusive Brando é o único perfeito (realmente) para o papel que lhe foi oferecido. Já Vivien deu um trabalho para parecer mais nova. Tudo fora rodado de forma cronológica seguindo o texto e isso foi um efeito notório à obra. Houve refilmagens medíocres (não se deve refazer os filmes bons e sim os ruins) para Televisão em 1984, com Ann Margrett e Treat Williams e em 1995 com Jessica Lange e Alec Baldwin.


No Brasil o título é esdrúxulo, que só confunde, em vez de “Um Bonde Chamado Desejo”, tradução literal do inglês, fica sendo oficialmente “Uma Rua Chamada Pecado”. Prefiro chamar de “Um Bonde...

EFEITOS
Vendo este filme, entendo (imagino) o impacto que Marlon Brando teve no cinema moderno, como linha de frente do chamado “Método” de interpretação do famoso Actor´s Studio, logo em seguida outros nomes como Paul Newman, faria o mesmo. Quando Brando entra em cena, por exemplo, é uma explosão de testosterona, talento e frisson. Uma virilidade ímpar, e por que não dizer sexual mesmo! Isso acentua o desejo de sua cunhada maluca para com ele (apesar de ficar explícito que ambos se odeiam). Ele fala com boca cheia, tira a camisa, é selvagem, machista e inseguro (a melhor cena é quando ele chora e cai nos braços de Stella). Não há Alec Baldwin ou Treat Williams, Brando foi perfeito como Stanley Kowalski.

Tecnicamente, o filme de Kazan é um belo teatro filmado (me remete ROPE – FESTIM DIABÓLICO, 1948, de Hitchcock e QUEM TÊM MEDO DE VIRGINIA WOLF? De Mike Nichols, 1966), o filme é valorizado pelo claro-escuro por vezes muito escuro, o excelente cast e pela figura doida (num ótimo sentido da palavra) de Vivien (linda neste papel), que tinha algo de frágil da personagem e que deu a produção do filme toda a fama que ele procurava obter na sétima arte.

Um pouco chocante, de fato, para as pessoas verem Vivien neste papel, pois ainda todo mundo se lembrava das reprises de E O Vento Levou.

A trilha musical é ótima, ajuda a acentuar o ambiente e conflitos da história para um texto difícil e polêmico. Sem sombra de dúvida essa é a melhor peça já escrita e o melhor roteiro adaptado, assim como o melhor filme norte-americano e justifica o talento do diretor Elia Kazan como renovador do teatro no cinema e ou/ do cinema propriamente dito.
Uma curiosidade:
O Cineasta espanhol Pedro Almodóvar aproveita uma frase dita por Blanche em Tudo Sobre Minha Mãe: “Eu sempre dependi da bondade de estranhos.”


WARNER BROS. PICTURES Apresenta
Vencedor dos Prêmios Pulitzer & New York Film Critics
A STREETCAR NAMED DESIRE
UMA PRODUÇÃO ELIA KAZAN
Produzido por CHARLES K. FELDMAN
ESTRELANDO: 
VIVIEN LEIGH   MARLON BRANDO   KIM HUNTER
Roteiro TENNESSEE WILLIAMS Baseado em sua peça
Versão Teatral de IRENE MAYER SELZNICK Direção ELIA KAZAN
★★★★★ 


11 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Meu filme-de-cabeceira, preciso dizer algo mais? Bom, eu não sei explicar a euforia que este filme me causa...ele me provoca, atiça, instiga, me rasga! é um fascínio ver e rever!

abraço e obrigado pelo post! gostei de seu texto, até!

Cintia Carvalho disse...

Oi Rodrigo!
Muito bem escrito seu texto e sua analise deste filme está muito boa, cheia de detalhes e informações que eu desconhecia. Realmente um excelente filme. Gosto muito dele.
Li seu texto anterior sobre "as continuações que deram certo e concordo com os filmes selecionados, com exceção de Batman.
Não adianta que não sou fã deste personagem e por mais que os filmes sejam elogiados, não consigo gostar. Gosto pessoal mesmo.
Um abraço.
Cintia Carvalho.

Red Dust disse...

Um tremendo filme. A tensão latente traduz-se num conjunto de magníficas interpretações. Nota máxima.

Abraço.

Gema disse...

Quero imenso ver este filme... e ando á procura dele.
Mas com um texto magnifico como o teu, só me dás mais vontade em vê-lo o quanto antes.
Bjks grandes :)

Ricardo Nespoli disse...

Vi esse filme recentemente e adorei... Só um absurdo o Marlon não ter ganho o Oscar também, rs...

Abraços...

Rodrigo Mendes disse...

CRIS, o meu tbm!

CINTIA: Obrigado pelos elogios e descordo de vc sobre o Batman, mas respeito sua opinião.

RED, grande mesmo. Magnífico!

GEMA:Não tem o filme aí em Portugal de fácil acesso?
Agradeço imenso seus elogios amiga.
Bjokas idem!

NESPOLI: também acho cara. Mais ele ganhou depois por Sindicato de Ladrões, tbm do Kazan. Abraço.

Paulo Alt disse...

foi interessante eu vir até aqui e ver q vc tb colokou algo sobre o elia kazan, comprei um dvd esses dias e fikei surpreso com outro trabalho dele. não sabia q ele era delator do mccartismo, e mto menos os nomes dos outros filmes seus.. a não ser é claro o Uma Rua Chamada Pecado que eu tenho. E Rodrigo, eu sempre confundo o nome qndo quero lembrar, lembro só do inglês e acabo dizendo Bonde Chamadado Desejo rs. Mas enfim, é um filme que eu tenho e q gosto. Em breve verei o Tudo Sobre Minha Mãe talvez, e já fico avisado sobre a frase dita. e fazendo coro aos de cima, seu texto tá excelente.
abraço

Dewonny disse...

Filmaço do Elia Kazan, um dos meus favoritos dele!
Marlon Brando no auge da carreira, um dos melhores atores de todos os tempos!
Abs! Diego!

Carol Sakurá disse...

Uau!
Marlon Brando!
Adorei o espaço,a resenha e o blog!
Certamente que buscarei por esse filme,o roteiro me remeteu a "Crepúsculo dos Deuses".
Abs!

Carol Sakurá
http://lepoeteenfleur.blogspot.com

Breno Reis disse...

o problema de morar em cidade pequena é não encontrar esse tipo de filme na locadora! :/ bom, nada que a internet nao possa ajudar. muito bom o blog!

Rodrigo Mendes disse...

PAULO: Que bom que gostou do texto. Obrigado. Ele foi sim delator e quando ganhou o Oscar honorário, em parte, a platéia vaiou!

DIEGO: Concordo contigo. Abs!

CAROL: Obrigada e seja bem vinda. Crepúsculo Dos Deuses é outra obra prima! Bjs!

BRENO: A net é um benção. Eu prefiro is nas lojas adquirir do que baixar..masss..rs Obrigado e volte sempre.

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