
NÃO
ERA UM FILME DE DENTISTAS
Spielberg já contou esta
história, enquanto passeava pelos escritórios da Universal Studios e viu a capa
de um roteiro que chamou sua atenção, escrito "Jaws" by Peter
Benchley (autor do Best-Seller), como desconhecia a obra do escritor, pelo
título , literalmente "Mandíbulas", passou vagamente em sua ideia,
antes de virar a próxima pagina e ler a sinopse, que se tratava de uma história
verídica (drama) odontológico.
Só que aí o diretor lê: Uma cidadezinha do litoral, que
vive do turismo, tenta esconder os ataques de um grande e mortífero tubarão
branco. Opa! Isso dá um ótimo caldo! E eis que, TUBARÃO, foi o primeiro dos Blockbusters, isto é,
aqueles filmes que são lançados em enorme circuito mundial e que estouram na
bilheteria como pipoca. O livro torna-se o mais vendido, mas depois disso o
autor Benchley não se envolveria em nada semelhante a este sucesso.
As filmagens foram extremamente conturbadas e custaram
muito caro: pode parecer ridículos 9 milhões hoje, o que para a época de
produção era uma fortuna. Pode-se dizer que a maior parte dos problemas foi com
o tubarão mecânico, aparentemente muito bem desenvolvido por uma equipe de
efeitos especiais, mas que infelizmente
recusava-se a funcionar! Spielberg tinha na época os seus 27 anos, e
este foi o seu segundo longa metragem para o cinema e a primeira grande
oportunidade. O jovem cineasta já tinha carta branca na Universal e uma curta
filmografia interessante, fez o ótimo telefilme (que depois foi para o cinema)
Encurralado, Duel 1971, com Dennis Weaver e " A Louca Escapada", 1974
estrelada por Goldie Hawn. Em 'Jaws', ele foi muito criativo e resolveu usar
cenas do ponto de vista do tubarão (acentuando um ótimo suspense, o que
melhorou um erro), justamente porque o bicho teimava em não funcionar.
O imenso sucesso de bilheteria provocou continuações,
mais três, e medíocres, diga-se: em 1978 Tubarão 2 , em 1983 Tubarão 3D, dirigido por Joe
Alves, diretor de arte deste primeiro e, em 1987, Tubarão - A Vingança.
O magistral primeiro filme, foi ganhador do Oscar de
montagem ( a incrível Verna Fields) e de trilha musical( o magistral John
Williams); concorreu na categoria de filme, mas não na de diretor o que chateou
Spielberg. Isso, para a Academia, prova de que este é um filme pipoca e não de
arte, o primeiro a ser realizado neste conceito, e diria que o visual desta
aventura, envelheceu um pouquinho, vejam: cabelos, roupas, maneirismos, tudo
revela o incômodo anos 70, mas é divertido rever na sessão da tarde e ou/ em
DVD. A história é simples, porém, clássica e aproveita o medo universal dos
tubarões. O slogan dizia: " Não é seguro entrar na água" - através do
maior deles; o grande tubarão branco!
As soluções criadas pelo jovem nerd Spielberg são
realmente fílmicas e magistrais e salvam um filme de ritmo regular. A abertura
com a jovem sendo atacada pela misteriosa força submarina já é momento de
antologias e de paródias ( esta sequência tem um elaborado story-board). E a
história foi imitada em diversos filmes com base na pequena comunidade burra
que se recusa a alertar sobre o perigo.
Uma curiosidade: foram eliminados do filme, o romance
adúltero da esposa do policial com o oceanógrafo e deixado vivo um personagem
que no livro morre.
Violento para a época, o filme continua a pregar alguns
sustos, particularmente, na parte final quando os trios de heróis comuns saem
de barco (um barquinho tenebroso) na tentativa de pescar o monstro. Também na
parte pouco antes do clímax em que Roy
Scheider (sua antológica fala é facilmente lembrada: "vamos precisar de um
barco maior!") fica sozinho e se vira pra subir no barco que esta
naufragando. Só então que se vê direito o animal. Outro mérito do diretor que
transformou uma história de rotina num filme sensacional.
'Tubarão' – Jaws
de Steven Spielberg
Aventura/Suspense/Terror
EUA – 1975
UNIVERSAL
125 min.
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
UNIVERSAL APRESENTA
UMA
PRODUÇÃO ZANUCK/BROWN
J A W S
J A W S
Estrelando:
Roy
Scheider Robert Shaw Richard Dreyfuss
Co-estrelando:
Murray Hamilton Loraine Gary
Carl
Gottlieb e Jefrey Kramer
Música
de JOHN WILLIAMS
Roteiro
de
Carl
Gottlieb e Peter Benchley
Baseado
no livro de Peter Benchley
Fotografia
Bill Butler
Montagem
Verna Fields
Direção
de Arte Joe Alves
Produzido
por
RICHARD
D. ZANUCK e DAVID BROWN
Dirigido por STEVEN SPIELBERG
Dirigido por STEVEN SPIELBERG



6 comentários:
Oi Rodrigo!
Obrigada pelo selo.
Li seu texto sobre o filme "Era uma vez na América" e adoreiiiiiii.
Eu amodoro este filme. A história, a forma como Sergio Leone conduz cada ator e narra a trama,a atuação impecável de Robert de Niro e James Woods, a fotografia, os diálogos.Vc falou muito bem sobre cada detalhe dele. E me bateu uma baita vontade de reve-lo novamente. Na época de seu lançamento não fez sucesso, porém, depois de algum tempo se tornou um clássico do cinema.
Otima escolha. Álias, ultimamente vc tem comentado sobre filmes que coincidemente são meus preferidos, como: "Um corpo que cai" e este aqui. Bom gosto cinematográfico.
Já tubarão não esta entre meus prediletos, embora o considero bom. Spilberg fez muita coisa boa e este aqui para mim é mediano.
Claro, que na época de seu lançamento, anos 70, a história e os efeitos foram considerados primorosos e de fato ele foi um dos primeiros blockbusters a fazer sucesso.
Ótima crítica. Parabéns!
Um abraço e ótimo final de semana.
Mais uma vez, adorei ler o teu texto ;)
Já vi várias vezes Tubarão e sempre gostei dele, apesar de agora com as novas tecnologias, achar que é muito básico para os dias de hoje.
Tenho esse filme na minha "pilha" para ver (neste caso vou rever).
Bjks
Este é um clássico absoluto e questão do tubarão não querer funcionar acabou ajudando, aumentou o suspense e a expectativa do "vilão" aparecer para o público.
A parte II ainda é razoável, apesar de não ter Spielberg, mas as outras duas sequências são fracas.
Abraço
Gosto desse filme, mas não o acho espetacular.
Puxa, eu até gosto desse filme, mas confesso que não é o mais expressivo de Spielberg. Boa resenha, como sempre!
PESSOAL, mais uma vez muito thank you pelos comentários.
Pode não ser mesmo tão espetacular, mas é bem preciso como entretenimento.
Bjs para as moças e abs para os amigos!
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