Somente na virada do século, em 2000, um filme oriental, co-produzido pelos americanos, conseguiu repercussão entre o público e crítica que o consagrou internacionalmente.
Por isso, a escolha deste filme para representar, em 2001, o cinema vindo do Oriente. E depois de anos, quando astros como Bruce Lee e Jackie chan já tinhan popularizado o cinema de Hong Kong, principalmente o de artes marciais- enquanto o cinema de arte de Zhang Yimou, Chenga kaige e outros cineastas também conquistavam espaço em festivais. Já Ang Lee, por muitos anos foi radicado nos EUA. Ele é um dos maiores talentos do cinema contemporâneo, o chinês nascido em Pingtung, Taiwan, é um dos raros cineastas a transitar entre o cinema comercial americano e o cinema chinês com o mesmo sucesso, rigor visual e a mesma sensibilidade. Premiado em Festivais, reconhecido pela Academia de Hollywood (ganhou um Oscar) e até com sucessos de bilheteria (exceto o fiasco de Hulk), é um cronista dos relacionamentos humanos (usando também artificios do Drama Emocional), seja da cultura oriental seja da ocidental. Em 1992, dirigiu seu primeiro filme: Arte de Viver. No ano seguinte ganhou um Urso de Ouro em Berlim com O Banquete de Casamento (seu melhor filme). Foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro por: Comer, Beber, Viver (ótimo!). Em 1995 Lee dirigiu seu primeiro filme de língua estrangeira/inglesa, o sonífero Razão e Sensibilidade - que destacou ainda mais kate winslet, baseado na prosa de Jane Austen (Orgulho e Preconceito & Desejo E Reparação). Das sete indicações ao Oscar, Emma Thompson ganhou o de melhor roteiro adaptado. No ano 2000, Lee voltou-se as origens para contar a fábula de encontros e desencontros amorosos num cenário primoroso. A história concentra-se no roubo da "destino verde", que pertence a um nobre e grande guerreiro Lu Mubai - Chow You- Fat em seu melhor papel no cinema -, que resolveu doá-la a um amigo, deixando-a antes, sob a guarda da amiga Yu shulien - a bondgirl Michele Yeoh, por quem também é apaixonado.
O Tigre e o Dragão começou a sua carreira no festival de Cannes e não se podia imaginar que chegasse tão longe, ganhou também o Globo de Ouro (Pré-Oscar) dessa categoria, além de 10 indicações: Filme (por ser co-produção EUA), Filme Estrangeiro, direção, direção de arte, fotografia, figurino, monatgem, trilha musical, canção e roteiro adaptado. Obviamente para um épico, nenhuma indicação ao elenco. De todas estas levou o prêmio de filmes estrangeiro, de fotografia de direção de arte e de trilha sonora.
O Tigre e o Dragão começou a sua carreira no festival de Cannes e não se podia imaginar que chegasse tão longe, ganhou também o Globo de Ouro (Pré-Oscar) dessa categoria, além de 10 indicações: Filme (por ser co-produção EUA), Filme Estrangeiro, direção, direção de arte, fotografia, figurino, monatgem, trilha musical, canção e roteiro adaptado. Obviamente para um épico, nenhuma indicação ao elenco. De todas estas levou o prêmio de filmes estrangeiro, de fotografia de direção de arte e de trilha sonora.
apenas sete vezes na história do prêmio uma fita foi ao mesmo tempo indicada para um filme estrangeiro e filme do ano. Ambos obedecem a regras diferentes: para filme estrangeiro (na visão egocêntrica dos americanos - tudo que não for falado em inglês) tem de ter sido indicado oficialmente pelo país de origem e para filme do ano tem de ter estreado em Los Angeles durante aquele período. Aliás, o filme de Lee bateu A Vida É Bela de Roberto Benigni - que teve a maior bilheteria nos Estados Unidos - como fita legendada. Isso mesmo, antes até das indicações. Portanto, um êxito absoluto para uma fita bastante barata, que não teve orçamento superior a 15 milhões de dólares.
Curiosamente, o filme não foi tão bem nos países orientais, onde foi considerado um produto de exportação, além de lento. No Oriente o público está acostumado com tramas ainda mais complexas e as fitas de artes marciais não são mais novidade (embora as cenas de ação em O tigre..são excelentes).
O sucesso é ainda mais notável porque se trata basicamente de um filme muito oriental, alguns amigos tiveram um autêntico choque cultural por não estarem familiarizados com o gênero - e que no fundo não passa de um "filme de Kung -Fu de arte" poderia dizer? Não há nada que não suceda ali, que não tenha já sido mostrado em alguma outra fita de Hong Kong, daquelas de artes marciais (Tarantino sabe melhor do que eu, rs). Só que elas não tiveram um diretor, creio eu, de prestígio como é o caso. Ang Lee é um grande diretor capaz de rodar dramas britânicos de classe, filmes blockbusters e até filmes gays como: O Banquete de Casamento e O Segredo de Brockback Mountain que todos conhecem. E, sempre de uma forma humana, sensível. Nem tiveram uma distribuição boa - no máximo saíram em vídeo ( O banquete...) em cópias ruins e em dvd mais ou menos e muito menos o prestígio de um grande estúdio como a Columbia/Sony, cujos donos são orientais, japoneses, cujo marketing repetiu a estratégia que a Miramax (dos Irmãos Weinstein) costuma usar, ou seja, abrir a fita devagarzinho e esperar a repercussão boca-a-boca.Agora, de fato, e´difícil mesmo entender a nacionalidade do filme, que hibridizou gente de várias origens distintas: Chow Yun-fat é de Hong Kong e já fez Anna e o rei, remake com Jodie Foster e os filmes de John woo, mas era especialista em policiais de gângster e não de lutas (tem uma fita com ele co-estrelada por Mira Sorvino - Assassinos Substitutos de Antonie Fuqua, produzida por John Woo - hilária!); Michele Yeoh, que fez o filme do James Bond - Tomorrow Never Dies, 1997, veio da Malásia; a jovem revelação Zhang Ziyi veio de Beijing, estrelou o último filme até aquele momento de Zhang Yimou, o belo O Caminho de Casa, e era namorada dele (depois estrelou Herói & O Clã das Adagas Voadoras - ótimos e inclusive, tem muito mais ação que O Tigre..)e o ator que interpreta o ladrão, apaixonado por ele, é personificado por Cheng Chen que veio de Taiwan. É importante notar que cada um deles fala dialeto diferente e tiveram de aprender o mandarim especialmente para o filme.
Não há dúvida que Hollywood despertou para o encanto das artes marciais de Hong kong depois do sucesso de Matrix, que teve a inteligência de chamar para as coreografias de lutas um certo Yuen Wo-ping, diretor de várias fitas, inclusive, um dos primeiros sucessos de Jackie chan - The drunken Master. É também ele quem faz as lutas deste filme em que, decididamente, ele se supera (depois fez Kill Bill com Quentin Tarantino em parceria nas coreografias),mesmo porque O Tigre e o Dragão tem a pretensão de deixar tudo muito claro. É um filme muito feminista; as mulheres têm papel preponderante, pois, são elas que mais lutam e que têm figura mais fundamental na trama. Embora relute em encontrar grandes significados para a história; é até fácil perceber a tragetória de uma garota fútil, princesa e egoísta, encaminhada para as forças do mal, e que custa a cair em si e perceber que perdeu as chances de libertação e sabedoria e, bem de acordo com o espírito oriental, a conclusão pode ser interpretada como um auto-sacrifício.
Baseado parcialmente num livro de Wang Dulu, que tem vários volumes e milhares de páginas, o roteiro com três autores concentra-se no roubo da espada " o destino verde" do guerreiro Lu Mabai que ficou sob a guarda de uma velha amiga Yu shulien, por quem ele é apaixonado, ela também, mas nenhum dos dois tem coragem de se declarar (tudo bem oriental mesmo - ainda por cima eles nem fazem caras de apaixonados!).O problema é que a espada é roubada e o guerreiro suspeita que ainda seja obra da vilã "Raposa de Jade", que fora responsável pela morte de seu mestre.
A espada é um engodo para os dois conflitos; entre o casal mais velho e entre o outro mais jovem-formado pela família de um homem poderoso, Jen (Zhang Ziyi), que ama um ladrão que a sequestrou por causa de um pente. A fita, na metade, interrompe-se para fazer um flash-back sem mais introduções sobre o conturbado e violento romance do jovem casal, já que ela está prometida para se casar com um governador. Outro amor bem oriental e bem complicado.
O tigre.. até que começa de forma tradicional, mas depois de uns 16 minutos, deixa as pessoas descorçoadas, quando surge a primeira luta em que as pessoas começam a subir pelas paredes, dar saltos jedis e correr pelos tetos, realizados com a ajuda de cabos que depois são apagados através da computação gráfica (que tem aos montes neste filme).
E dali em diante, só vai crescendo, fica ainda mais deliciosamente fantástico, chegando ao seu clímax numa poética luta "bambuzal". Eu reagi de maneira, sem preconceitos, na minha mente rolava aplausos e deleite- assisti em casa pela TV a cabo e adorei. Comentando com alguns amigos cinéfilos, alguns levantaram objeções no estilo: isso não existe! Como se ET, Star Wars e Matrix existissem e fossem também reais. Eu disse a eles: "Isso é Star wars versão china, amigos!". Cinema por definição é mentira, ilusão e fantasia.
Obviamente, O Tigre e o Dragão é uma transfiguração poética, na visão de Ang Lee, do que há de mais bonito nas artes marciais. Ao mesmo tempo é esporte, coreografia, portanto, dança, ginástica e certamente arte. Além de ser, lógico, a expressão de uma cultura e mitologia milenares. Evidentemente o grande filme-evento do ano de 2000 e uma grande abertura para o cinema vindo do Oriente nos próximos anos, cada vez mais, como tem sido feito.
'O Tigre e o Dragão' - Who hu cang long / Crouching tiger, Hidden Dragon
de Ang Lee
Hong kong - 2000
Aventura/Ação/Romance
Sony
119 min.
★★★★★
um filme de
Ang Lee
Crouching tiger,
hidden
dragon
Estrelando: Chow Yun-fat
Michelle Yoh
Zhang Ziyi
Chang Chen
Chang Chen
Pei Pei Cheng
e Sihung Lung
Roteiro
James Schamus
Wang Hui Ling
e
Tsai Kuo Jung
Direção de Fotografia Peter Pau
Direção De Arte Tim Yip
Música Tan Tun
Montagem Tim Squyres
Coreografia De Luta Yuen Wo-ping
Direção
Ang Lee
Distribuição:
Sony/Columbia Produzido em co-produção
©2000


7 comentários:
Não sei pq, mas nao gostei nada deste filme :P
Tens la no meu mundo uma coisa pa ti ;)
Bjks
Humm... um post chinês por aqui também, haha. Muito bom.
Nunca assisti esse filme. Claro, acompanhei algumas cenas pela televisão e.. hum... rs, tive a mesma reação de seus amigos: isso não existe! kkkk Mas eu ainda acredito que agi assim pq não tava com muita paciência no dia se vc me entende. Logo depois pude acompanhar algumas cenas de Herói, embora igualmente não tenha assistido, e entendi a razão disso tudo.
Eu gosto dessa arte de filmar, acho bonito. Você tem que se desligar de algumas, claro, mas pra mim faz muito mais sentido que os filmes puramente explosivos. Num acha? Você não fica hipnotizado por meio do fogo sem saber de história nenhuma, fica hipnotizado pela arte, e "com" história. Eu acho.
Ainda vejo esse.
Gostei da diagramação do post. Te falei né?
A cor do texto ficou boa também. Desncansa bastante a leitura.
Abraçooo ^^
Adorei esse filme, belíssimo trabalho de Ang Lee.
Excelente análise sobre o cinema oriental e , particularmente , sobre o filme O Tigre e o Dragão de Ang Lee . Gosto dos primeiros trabalhos do diretor embora reconheça o êxito comercial de seus filmes mais recentes . Sem dúvida é um artífice das palavras e imagens .
Um abraço .
Eu confesso que prefiro O Clã das Adagas Voadoras, acredita? Pois creia.
Eu gosto de outros filmes do Ang Lee.
E quem disse que o dvd do Brokeback Moutain é 'meia-boca'? já viu a versão dupla caprichada? Pura cereja no bolo! rs
Abraço!
Oi Rodrigo!
Andei sumida, mas hj consegui colocar a leitura do seu blog em dia. Vamos lá a minhas pequenas observaçõs e comentários:
1)Seu texto sobre Woody Allen, está muito bem escrito. Percebi que vc é um admirador deste cineasta que é muito conceituado no meio cinematográfico e querido por uma boa parcela de cinefílos mundo afora. Em relação a ele, confesso que com raríssimas exceções ('A rosa purpura do Cairo", "Noivo neurótico, noiva nervosa" e "Vicky, Cristina Barcelona") não gosto deste diretor. Já tentei por diversas vezes ver seus filmes e tentar entender sua mente e forma de dirigir, porém não adianta, não gosto e não consigo gostar. Não vejo isso tudo que dizem e falam dele. Enfim, cada um com seu gosto.
2) Já "Chinatow" é um filme bom, muito bem dirigido pelo Roman Polanski. Os figurinos, os cenários, a atmosfera da trama são bem feitos e Jack Nicholson, como sempre ta ótimo (pra mim um baita ator). Interessante ao ler seu texto foi descobrir "os pormenores" da filmagem. Desconhecia as informações citadas por vc, principalmente que Fay Dunaway o achava grosso, sinceramente RP tem cara disso. Sua vida ta bem complicada e não vejo jeito das coisas melhorarem para ele. E Jane Fonda, uma boa atriz que caiu no mais completo ostracismo. Uma pena. Gosto dela e a considero uma boa atriz.
3) Ah Casablanca é um filme adorável e sua descrição dele perfeitinha, ainda mais quando vc fala da conjuntura política em que o filme foi realizado. Já que estavam vivenciando a 2 guerra mundial o enfoque teria de ser contra os nazistas. Já imaginou como seria se fizessem propaganda a favor? Uma loucura....rsrs.
E de fato, Casablanca não seria Casablanca se não fosse sua música tema, para mim, uma das melhores do cinema. Ah, adorei sua frase: "a vida real tem muitos acasos" ótima. É e como tem.
Depois eu volto para falar dos outros textos. Parei neste aqui.
Um abraço.
Meu filme favorito do Ang Lee, já devo ter visto umas 10 vezes!
Gosto pra caramba. nota 9.0!
Abs! Diego!
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