MARLON BRANDO! WAR!
Realizado pelo mesmo diretor de A Batalha de Argel (que breve postarei aqui), o saudoso cineasta italiano Gillo Pontecorvo (1919- 2006), este foi seu único filme rodado em inglês, o interessante Queimada.Marlon Brando, ainda sexy, lidera a fita que conta a história de um diplomata inglês que é mandado para uma ilha do Caribe, onde os portugueses detêm o monopólio da exploração da cana-de-açúcar, e envolve-se com os revolucionários. Por causa de Brando, o filme foi falado em inglês e com quem o diretor teve batalhas homéricas. Originalmente, o título seria 'Quemada' e o colonizador seria de origem espanhola, numa ilha imaginária das Antilhas (por mim seria mais original). Optaram pelos portugueses, porque causava menos polêmica e os espanhóis reclamaram e ameaçaram proibir todos os filmes de Alberto Grimaldi(produtor). Isso foi mudado durante a dublagem, falando-se um português abrasileirado (foi interessante assistí-lo de madrugada, rs) com duas sequências drásticas à história. Portugal não colonizou nada nas Antilhas e, num diálogo, Brando explicando: "Você sabe que Portugal e Inglaterra são inimigos tradicionais". Quando era a Espanha o inimigo de Portugal, sempre acobertado pela Inglaterra. Uma espécie de "guerra fria". França protegia a Espanha e a Inglaterra (aula de história, rs)..protegia Portugal! Cada um com seus respectivos interesses nas colônias dos "protegidos".
Rodado com grande dificuldade (e um certo Brando rebelde azucrinando o pobre Pontercorvo) na Colômbia, o diretor escolheu para um dos papéis centrais, o negro Evaristo Marquez, totalmente inexperiente e o que atrapalha sem dúvidas, a genialidade que Brando adquire em qualquer fita. Era um atraso e um trabalho incompleto, se não tivesse o Brando o filme seria totalmente um desastre colossal.


O filme teve problemas com a censura brasileira que a recolheu mesmo depois dela já ter saído de cartaz na época. A cópia americana do filme apresentava 112 minutos.
O ator Ed Harris interpretou o mesmo personagem que Brando, Sir. William Walker, no filme Walker de 1998 dirigido por Alex Cox e acreditem, melhor que este que vos escrevo!
Queimada até consegue tratar de um tema político de maneira clara, objetiva e artística. Não que seja um filme imparcial, ele tem uma tese a provar e faz isso muito bem, pois, neste quesito é engajado e polêmico. Confesso, que por isso o acho chato. O que me segura na fita é Brando.
Esta é uma parábola política sobre a penetração econômica dos EUA nos países subdesenvolvidos. Para tornar as situações mais alegóricas, o agente é britânico , a potência colonialista e imperialista da época, e vem a Queimada para promover uma revolta. Quando chega à ilha, descobre que não existem líderes e precisa encontrar alguém com essa qualificações. Essa pessoa acaba sendo um estivador, feito muito mal por Evaristo, que se torna o herói e líder rebelde. Pasmem! Mas quando a revolução vence, patrocinada por uma companhia inglesa, que explora o monopólio de cana-de-açúcar, este, despreparado para governar, afasta-se. Nove anos mais tarde, Brando volta à ilha, Evaristo tornou-se o líder guerrilheiro lutando contra a opressão do governo, já ditadura pura. E Brando, que tinha inventado aquele rebelde, agora precisa destruí-lo. O meio de fazer isso é queimar a ilha até expulsá-lo da floresta. E quando finalmente oferece-lhe a alternativa (morte ou liberdade) ele prefere morrer. Assim, nunca mais seu nome deixará de existir, nascerá sua lenda, bandeira para os rebeldes que o substituírem. Queimada termina com o olhar revoltado, com um grito abafado. leva à reflexão, não à ação. São claras as referências de Cuba e os guerrilheiros se refugiam numa montanha chamada Sierra Madre. Artisticamente há dois pontos altos: a direção de arte de Piero Gherardi, o mesmo dos filmes de Fellini, infelizmente falecido devido uma doença adquirida nas locações e, logicamente a música composta pelo genial Ennio Morricone, excepcional no cortejo de chegada de Evaristo à capital. Por isso, o filme tem um lado bonito; mas quase perfeito. A fotografia é menos feliz, com muita câmera na mão e filmar assim nos anos 60 o resultado é incômodo, aliás há também muita teleobjetiva. Brando na época já estava ficando gordo, barrigudo e careca, mas tem uma interpretação totalmente carismática. Evaristo, que nunca se quer tinha visto um filme, tem até uma certa naturalidade, todavia é complicado engolir sua atuação perto de alguém como Brando. Desculpe! O filme, que não perdeu sua atualidade, continua a ser uma lição de cinema político.Caro leitor, assista e faça a sua própria leitura dele.
'Queimada' - Burn
de Gillo Pontercorvo
Itália/França - 1968
132 min.
✩✩✩ BOM
Um filme de GILLO PONTERCORVO
Estrelando:
MARLON BRANDO
"Burn!"
Com: RENATO SALVATORI EVARISTO MARQUEZ
NORMAN HILL e TOM LYONS
Música de ENNIO MORRICONE
Direção de arte PIERO GHERARDI
Roteiro FRANCO SOLINAS e GIORGIO ARLORIO
Produção ALBERTO GRIMALDI
Fotografado por MARCELLO GATTI
Direção
GILLO PONTERCORVO

7 comentários:
Eu ví esse filme, não considero nenhuma obr prima sobre acolonização, mas gostei de seu comentário de que Brando foi que fez você conseguir assistir o filme e olha que ele já estava meio caido para Hollywood...rs..rs..
Abs
Muito bom o seu blog, Rodrigo. Me dá uma nova leitura sobre clássicos, algo que eu preciso fuçar mais.
A trilha sonora de Enio me chamou à atenção. Ele é um dos meus darlings!
Uma curiosidade: Considerando o discurso de um diplomata, você acha que o filme vale a pena para quem gosta de assuntos diplomáticos? ou seja, Marlon é influente como diplomata?
Eu gosto de diplomacia.
Abs
Gilson: O Brando deu mais entusiasmo em assistir o filme. Fato!
Madame: Olha é um filme realmente político e se você adora o assunto recomendo. E Brando convence em qualquer papel.
Abs!
"Brando na época já estava ficando gordo, barrigudo e careca, mas tem uma interpretação totalmente carismática."
COITADO! rs
Não fala assim, rs.
Eu achei ele até bem no filme, teve outros bem piores.
Vi este filme em 1998 no Corujão, minha avó até tinha gravada em VHS. A dublagem, o som e a imagem estava bastante deteriorada. Eu achei o filme com um aspecto de amadorismo, não sei bem explicar, preciso revê-lo.
Abraço
wow... belo filme, bela chance de ver marlon brondo mais novo.
bacana esses posts de filmes mais antigos no teu blog.
abraço!
Vi boa parte dos filmes de Marlon Brando. Este nunca vi, mas está anotado, mesmo que não seja um filmaço.
Abraço.
Rô, eu fiquei mais curioso por esse filme. Demorei pra comentar, sorry, mas logo que deu tô aqui ^^ Já tinha até lido direitinho. Tenho o Burn! aqui comigo, em dvd, mas ainda não assisti. Sabe, em geral não curto muito os "históricos". Os de guerra sim, mas aqueles em que vc tem q ficar prestando atenção na parte história APENAS pra não perder nada me deixa meio sem paciência.
E também concordo que só deixa o filme interessante pelo Marlon Brando. Grande saca do título do post! Gostei! "!" rs
Curioso o fato da atuação daquele outro que era inexperiente, o lider rebelde lá. Ah! E sobre a câmera na mão, também não gosto e não é só para os anos 60, hoje em dia continuo achando alguns usos disso mto equivocados, são raras as vezes que acho que combinou. Parabéns pelas imagens! E pelas curiosidades tb!
Abraço!
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