segunda-feira, 26 de abril de 2010

RIDLEY SCOTT | BLADE RUNNER

LÁGRIMAS NA CHUVA

Estava com saudade deste espaço cinéfilo. Mas estou de volta para blogar a mão na massa!


E sem maiores delongas vou direto ao assunto: Blade RUNNER, O CAÇADOR DE ANDROIDES. Um dos maiores cult de todos os tempos!


É o filme "retorno" aqui no blog e meu cult favorito. Não vou dizer que ele é visualmente espetacular, porque é redundante, todavia nesta altura de sua carreira, o diretor RIDLEY SCOTT era um mago da contraluz e contou aqui com a ajuda dos efeitos especiais de DOUGLAS TRUMBULL (Star Wars - trilogia original) Quem foi o responsável pela concepção visual do filme fez um trabalho inegavelmente brilhante. A premissa futurista, hoje não muito distante, acontece em 2019, em Los Angeles, onde um policial, com licença para matar persegue um grupo de androides (replicantes) terroristas e inteligentes que se rebelaram contra os humanos.


A cidade de Los Angeles do começo deste século é marcada por uma chuva perpétua em que as maravilhas do progresso, como naves voadoras e robôs, contrastam com o lixo e a miséria, sempre emoldurados por anúncios comerciais de firmas japonesas que, segundo o filme e o autor PHILLIP K. DICK (Minority Report; O Homem Duplo, Total Recall - O Vingador do Futuro), já teriam controlado o mundo.


A maneira certa de ver BLADE RUNNER é como uma transposição dos policiais da década de 1940, os chamados film noir, para o futuro; basta notar nos figurinos, no penteado da heroína, na decoração dos ambientes, onde predominam as venezianas e na própria construção dramática do filme.

Como acontecia nos filmes dos detetives Sam Spade ou Phillip Marlowe, a história é narrada pelo herói ou anti -herói, DECKARD - HARRISON FORD, na época mudando a sua imagem de Indiana Jones, que é um Blade Runner, expressão que designa os encarregados de caçar e matar androides fugitivos. Esses androides, chamados na trama de replicantes, são utilizados para trabalho escravo em regiões perigosas. São quase iguais aos seres humanos, com frequência escapam, como acontece agora com um grupo específico liderado por BATTY, o holandês RUTGER HAUER, numa impressionante criação. De fato, o filme de Scott fora um fracasso comercial nos EUA em 1982, ao evitar cenas de ação (já que tinha Harrison Ford) e marcar como uma fita policial para intelectuais com: desenvolvimento lento, cenas escuras e clima mais importante que o confronto. Só nos últimos dez minutos, o filme realmente se explica, assumindo uma postura existencial (poderia ser um novo 2001: Uma Odisseia no Espaço), fazendo indagações que transcendem o gênero.

Os replicantes têm pouco tempo de vida, mas será que isso não acontece com todos nós? Por isso acho a causa deles chata (Lutar por liberdade é coisa de escravos). Deckard poderá perder a mulher que ama, a replicante RACHAEL - SEAN YOUNG, a qualquer momento, mas alguém pode afirmar o contrário de qualquer amor? Não seríamos, portanto, todos nós meros replicantes?


Os 30 milhões de verdinhas foi o orçamento, e ficam comprovados no virtuosismo do filme que tem ideias fascinantes como o replicante Batty que, à maneira de Frankenstein, procura seu criador com ilações até shakespearianas.

Depois do fracasso inicial de bilheteria, “Blade”acabou tornando-se cult. De maneira excelente, o melhor filme cult já feito. Uma fita que só foi apreciada posteriormente. Soube-se mais tarde da interferência do estúdio Warner na montagem do longa, acrescentando uma narrativa em Off que esclarece detalhes do filme e lhe dando um final mais otimista (prefiro a versão do diretor). As cenas externas foram retiradas do arquivo, aproveitando imagens não utilizadas de O ILUMINADO, do Kubrick, sequências usadas na versão original.


Também foram utilizadas diferentes versões com maior ou menor detalhe de violência. Finalmente a Warner liberou a chamada "versão do diretor" sem narrativa em off, facilmente disponível em DVD (agora com a capinha vermelha) E algumas mudanças menores; uma outra tomada de um unicórnio e, em vez do final feliz, corta-se assim que se fecham as portas do elevador para a fuga.

Sem final feliz, e que na minha opinião, deu mais vazão a visão original do apocalíptico autor K. Dick. Particularmente, prefiro mesmo a versão do diretor, embora o monólogo interior da versão original só aumente a semelhança com o gênero film noir.




Não ficou resolvida a questão, até hoje polêmica, de que Deckard seria também um replicante (até porque o Harrison Ford está um tanto irritante na fita). Um pequeno detalhe não explicado no filme é o unicórnio caído no chão deixado pelo policial.

Na história original, só replicantes sonhariam com unicórnios. Depoimentos contraditórios de Harrison Ford e do diretor Ridley Scott continuam a deixar o assunto suspenso. O filme foi indicado apenas aos Oscar de direção de arte e de efeitos visuais, este foi o terceiro filme de Sean Young e também o terceiro de DARYL HANNAH a replicante Prissy, e o filme as transformou em estrelas. O vilão de Rutger Hauer, ator holandês, era o preferido do diretor Paul Verhoeven ( Soldado de Laranja, Conquista Sangrenta), antes desta sua primeira experiência no cinema americano.

O diretor Ridley Scott, junto com o irmão, Tony Scott ( Top Gun; Inimigo do Estado), é dono de uma produtora de comerciais RSA, que já realizou mais de 2 mil filmes publicitários, Scott estreou no cinema ganhando o Prêmio do Júri no festival de Cannes, em 1978, com o ótimo OS DUELISTAS e estreou no filme seguinte ALIEN; O OITAVO PASSAGEIRO big hit de 1979, com Sigourney Weaver. Alien foi sua experiência mais que suficiente para embarcar e recriar o visual do gênero sci-fiction. Não há dúvidas que Scott criou filmes em seus respectivos gêneros por excelência, seja a aventura feminista THELMA E LOUISE, o épico GLADIADOR, o terror-ficção científica ALIEN e este que é o maior cult do cinema. Um filme que transcende com o tempo.

BLADE RUNNER, O CAÇADOR DE ANDRÓIDES
'Blade Runner'
de Ridley Scott
EUA - 1982
Versão do Diretor - 1991
Versão Definitiva- 2009
114'
117'
125'
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE

JERRY PERENCHIO e BUD YORKIN APRESENTAM
Blade runner 
UMA PRODUÇÃO
MICHAEL DEELEY-RIDLEY SCOTT

ESTRELANDO: HARRISON FORD
Sean Young   Rutger Hauer  Daryl Hannah
Edward James Olmos   Joanna Cassidy  
Brion James    Joe Turkel

Baseado no livro 
" Do Androides dream of
electric sheep" de 
PHILIP K. DICK

Adaptação Hampton Fancher e David Peoples
Fotografado por Jordan Cranenweth
Montagem Terry Rawlings
Música
VANGELIS
Direção de arte Lawrence G. Paull
   Produtores Executivos BRIAN KELLY e HAMPTON FANCHER
Efeitos Especiais por DOUGLAS TRUMBULL 
Produtor Associado IVOR POWELL

PRODUZIDO POR MICHAEL DEELEY  DIRIGIDO POR RIDLEY SCOTT

9 comentários:

Hugo disse...

É um clássico que apesar das críticas ruins e do fracasso de bilheteria, virou cult rapidamente. Três ou quatro anos depois com a explosão do VHS, o longa se transformou em verdadeiro sucesso nas locadoras.

A história é muito boa e como você escreveu bem, bebe na fonte do estilo Noir.

A dúvida sobre Harrison Ford ser ou não um replicante nunca terá solução, acredito eu.

Abraço

pseudo-autor disse...

A obra-prima do Sci-fi (que me perdoe o George Lucas, mas é a mais pura verdade!). Tornou-se grandioso com o passar dos anos. Aquele tipo de filme que a geração a qual pertence critica, não compreendendo a linguagem do filme, mas que cresce com as gerações posteriores. Comprei o meu DVD essa semana por meros R$ 9,90 nas Lojas Americanas. Quando vi não acreditei.

Que saudade do tempo em que o Harrison Ford era o astro do século!

Cultura? O lugar é aqui:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Marcio Melo disse...

Caro Rodrigo, seja bem vindo de "volta".

Só uma coisa, tente ajeitar a cor da sua fonte no template ao invés de colocá-la em branco "manualmente".

Para quem acompanha os seus feeds, como eu, fica aparecendo só as imagens e não da para ler o texto, só selecionando.

Rodrigo Mendes disse...

HUGO: Para mim é o melhor NOIR, acabou se tornando! Eu acho que o Harrison Ford era um replicante. Tanto que ele era muito frio e calculista, rs! ABS!

Pseudo-autor: Vamos dizer assim vai: competição empatada com Guerras Nas estrelas, apesar da enorme diferença entre as obras.

Eu comprei por 24,90 a versão do diretor quando lançou e comprei agora o BOX com a versão definitiva. Quando vi o box eu não acreditei, rs!
Abs!

MARCIO MELO: obrigado pela recepção meu caro, rs!
E valeu pela atenção quanto a cor da fonte..já mudei. Vou evitar colocar o branco manualmente. Abs!

Anônimo disse...

Grande Rodrigo, seja bem vindo novamente.
Bom retorno com esse clássico do cinema.
As vezes dá vontade de ver de novo, de novo, de novo.........

Abraço

Cristiane Costa disse...

Oi meu curador,
Cada vez que venho aqui, fico tão orgulhosa que você é realmente um museu de cinema ambulante, rs! Seu precioso conhecimento cinéfilo me encanta mesmo e tenho muito a aprender contigo.

Sobre Blade Runner, esse filme marcou demais minhas sessões da tarde do cinema. Uma parte de mim queria ser Sean Young, a outra Daryl Hannah. Achava tão misterioso esse ambiente noir, como se eu estivesse dentro de um comics futurista. (até hoje me sinto assim).

Pra mim, Blade Runner é um clássico atemporal do fiction com a vantagem de ter um noir maravilhoso, uma visão futurista social e publicitária na própria ambientação da cidade e tem muita base existencial de como caminha a humanidade.

Também gosto do "Benchmarking" cinéfilo entre esse filme e Metropolis do Fritz Lang, confirmando que o que é cult liga o passado, o presente e o futuro. AMO!

A propósito, adoraria vc falar mais sobre a relação entre o Metropolis e o Blade Runner.

Bjs

Rodrigo Mendes disse...

GILSON: Obrigado amigo. Blade Runner é um achado em cada revisão!
Abs!

MADAME: Caríssima, tbm amo de paixão o Metropolis do estranho Fritz Lang. Ainda vou fazer um post sobre e, sim vejo uma relação entre as obras. Como por ex. na concepção e profundidade dos sets. E tbm com outra obra do gênero - "Guerra Nas Estrelas", já que o C3PO foi inspirado no robô feminino de Metropolis, por isso ele é meio gay e vive pedindo socorro ao R2D2 rs!

Adoro quando vc me chama de curador. E saiba de uma coisa: tanto a Sean Young como a Daryl Hannah não tem a metade e o luxo da minha adorável Marlene Dietrich.

Bjokas!

Clenio disse...

Adoro esse filme, acho que ainda mantém sua atualidade temática e visual. Melhor filme do Harrison Ford, tirando os Indiana Jones.

Tem um selo pra você nos meus blogs, passa lá pra buscar, ok?

Grande abraço.
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

Amanda Aouad disse...

Bem vindo novamente, e para comemorar, tem um selo lá no CinePipocaCult para você.

🚪 Acervo de Películas

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