O diretor FEDERICO FELLINI recorda episódios acontecidos durante sua infância e sua juventude em sua cidade natal Rimini, que fica à beira-mar.
Este filme de Fellini, Amarcord, são muitas coisas e aparentemente o título misterioso quer dizer: " eu me recordo" no dialeto nativo de Fellini e é justamente disto que se trata o filme. Um álbum de família, de recordações antigas, aparentemente sem ligação entre si ( o filme não tem propriamente uma história, mas sim pequenos episódios, premissas, quase sempre humorísticos).


É também uma época de agitação política, a chegada de um líder fascista obriga todos a saírem de casa, o pai de Fellini não vai e como castigo é forçado a tomar um laxativo de efeito instantâneo.
Também combate-se o ato subversivo de um megafone amparado no alto de uma igreja. Mas é principalmente um retrato em película de uma época de sonhos , o hotel à beira-mar, onde os galãs locais conquistam estrangeiras solitárias, onde conta-se com absoluta veracidade a visita de um sultão com seu harém e onde Gradisca teria ganho seu apelido (em italiano, Gradisca quer dizer: "Sirva-se").
Tudo em AMARCORD, o que Fellini recorda é de uma sensibilidade e plasticidade incrível. Ninguém como Fellini consegue retratar uma briga em família italiana, como as confusões de praxe: a mãe, a excepcional PUPELLA Maggio, que esteve também em 'Cinema Paradiso', que diz que vai se matar...enfim. O Pai que se esbofeteia ou a impagável visita a um tio louco (Ciccio) que sobe na árvore pedindo por uma mulher (minha cena predileta deste filme).
Assim, para quem conhece bem a sua obra, Amarcord é uma inesgotável fonte de referência. A Volpina é a inspiração para Saraghina de OITO E MEIO. O casamento final tem o mesmo clima de NOITES DE CABÍRIA. A cidade com sua falta de perspectivas é a mesma de OS BOAS VIDAS. As recordações de infância, na névoa principalmente, ligam-se com as de Roma. Mas se alguns de seus outros filmes pareciam auto-indugentes, neste filme Fellini é de uma simplicidade surpreendente. Ele ri com a vida de provinciana de sua gente (o historiador local), brincando com seus sonhos de infância, sem medo do grotesco ou do banal. Menção especial também para a fantástica EQUIPE TÉCNICA, a direção de arte espetacular, fotografia esplêndida e, principalmente, a música de NINO ROTA, que passou a fazer parte fundamental da mitologia da obra de Fellini.
Trata-se de AMARCORD premiado com o Oscar de fita estrangeira, foi também indicado como roteiro e direção. A Francesa MAGALI NOEL era a única atriz conhecida do elenco e já tinha trabalhado com o diretor em: LA DOLCE VITA e SATYRICON, afora o comediante CICCIO INGRASSIA, que costumava fazer dupla, muito popularesca, com FRANCO FRANCHI e que aqui interpreta o tio que sobe na árvore para gritar: Voglio una Donna!. O filme estreou em junho de 1981 aqui no Brasil sem cortes da censura. A cena da tabacaria seria talhada antes do filme ganhar o Oscar.
Este filme de Fellini, Amarcord, são muitas coisas e aparentemente o título misterioso quer dizer: " eu me recordo" no dialeto nativo de Fellini e é justamente disto que se trata o filme. Um álbum de família, de recordações antigas, aparentemente sem ligação entre si ( o filme não tem propriamente uma história, mas sim pequenos episódios, premissas, quase sempre humorísticos).


Fellini adora ser francamente autobiográfico, mostra a sua vida numa cidadezinha italiana durante a época fascista. O fim do inverno é denunciado pela chegada da 'manine', uma espécie de neve leve que o vento traz da província. Assim começa e termina esse filme esplendoroso. Nessa noite, uma grande fogueira é armada na praça principal para comemorar a chegada da primavera; e aos poucos vemos conhecendo os personagens. Tita (Bruno) é o próprio Fellini, um garoto boa vida que vive com o pai trabalhador da cosntrução ( Armando Brancia), lidera a turminha da escola e aprende sobre sexo com a prostituta local, a Volpina ( e a mulher gorda da Tabacaria!); enquanto admira de longe a beldade inatingível (Magali), a 'Gradisca'.
É também uma época de agitação política, a chegada de um líder fascista obriga todos a saírem de casa, o pai de Fellini não vai e como castigo é forçado a tomar um laxativo de efeito instantâneo.
Também combate-se o ato subversivo de um megafone amparado no alto de uma igreja. Mas é principalmente um retrato em película de uma época de sonhos , o hotel à beira-mar, onde os galãs locais conquistam estrangeiras solitárias, onde conta-se com absoluta veracidade a visita de um sultão com seu harém e onde Gradisca teria ganho seu apelido (em italiano, Gradisca quer dizer: "Sirva-se").Tudo em AMARCORD, o que Fellini recorda é de uma sensibilidade e plasticidade incrível. Ninguém como Fellini consegue retratar uma briga em família italiana, como as confusões de praxe: a mãe, a excepcional PUPELLA Maggio, que esteve também em 'Cinema Paradiso', que diz que vai se matar...enfim. O Pai que se esbofeteia ou a impagável visita a um tio louco (Ciccio) que sobe na árvore pedindo por uma mulher (minha cena predileta deste filme).
Ninguém sabe como ele extraí poesia de situações aparentemente tão banais, como: a fuga de um pavão na neve, a chegada do transatlântico (um momento mágico que mistura cenas captadas em estúdio, com locações, de uma forma magnífica amigos!), as brincadeiras com os professores, os sonhos do garoto gordo que imagina o casamento fascista com a menina de seus sonhos. Só mesmo Fellini é capaz de utilizar rostos tão expressivos, tão italianos, que contam histórias sem necessidade de palavras.




E o mais fantástico de tudo é a capacidade que Fellini tem de ir beber nas mesmas fontes de inspiração( a sua Itália), sem se repetir. Sua Obra é semelhante a de um pintor, os temas são os mesmos mas se renovam de uma tela para outra, acrescentando mais um detalhe, mais um contorno.
Assim, para quem conhece bem a sua obra, Amarcord é uma inesgotável fonte de referência. A Volpina é a inspiração para Saraghina de OITO E MEIO. O casamento final tem o mesmo clima de NOITES DE CABÍRIA. A cidade com sua falta de perspectivas é a mesma de OS BOAS VIDAS. As recordações de infância, na névoa principalmente, ligam-se com as de Roma. Mas se alguns de seus outros filmes pareciam auto-indugentes, neste filme Fellini é de uma simplicidade surpreendente. Ele ri com a vida de provinciana de sua gente (o historiador local), brincando com seus sonhos de infância, sem medo do grotesco ou do banal. Menção especial também para a fantástica EQUIPE TÉCNICA, a direção de arte espetacular, fotografia esplêndida e, principalmente, a música de NINO ROTA, que passou a fazer parte fundamental da mitologia da obra de Fellini.

AMARCORD
de Federico Fellini
Itália- 1973
Comédia
COR
123 min.
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
FRANCO CRISTALDI
apresenta
UM FILME DE FEDERICO FELLINI
amarcord
Roteiro de Fellini e Tonino Guerra
Produção: F.C produzione/PECF-
Franco Cristaldi
Distribuição: Warner
Fotografia de Giuseppe Rotunno em
Widescreen
Direção de arte Danilo Donati
Música de Nino Rota
Estrelando: MAGALI NOEL
PUPELLA MAGGIO
ARMANDO BRANCIA
CICCIO INGRASSIA
BRUNO ZANIN
GIUSEPPE LANIGRO
e JOSINE TANZILLI


3 comentários:
E ai Rodrigo, tudo bem??
Valeu por me seguir no blog.
Gostei do teu espaço também. Já estou te seguindo. Abraço, boa semana.
Ahh, esse filme é completamente incrível e inesquecível, ainda esta semana irei revê-lo.
Você conseguiu neste texto tudo o que penso sobre o filme. Uma verdadeira obra-prima!
RAFAEL: Bem vindo! Seu Blog é ótimo! vamos nos seguir daqui pra frente. Abração!
ALAN: de fato amigo, o filme é um primor dentro da obra de Fellini. Reveja,é sempre bom! Abração!
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