domingo, 11 de julho de 2010

CLAUDE FARALDO | THEMROC

UM POUCO DE CINEMA FRANCÊS


THEMROC de Claude Faraldo conta a história de um operário que revolta-se contra as injustiças da sociedade.




Falar sobre esta película é interessante, porque em 1978, antes que o conceito estabelecido de cult-movie existisse, houve este filme francês (tinha que ser mesmo na França) que passou no circuito de arte brasileiro; bem reduzido e com muito sucesso. É uma fita muito esquisita, sem diálogos, e, por isso mesmo, criou um culto. No elenco trazia o futuro astro PATRICK DEWAERE, que , no auge da carreira, suicidou-se.



Faraldo faz um filme que é uma mistura de pastelão, surrealismo e teatro do absurdo, 'Themroc', revelado primeiro na Mostra Internacional de São Paulo, é um filme insólito , hoje esquecido (estou aqui para lembrá-lo) e que foi um tanto perturbador. Seus diálogos são ininteligíveis e há uma mistura de grunhidos, urros, assovios e palavras sem sentido, simplesmente, porque Faraldo achou que não havia necessidade de palavras para demonstrar a tese sobre a revolta da classe proletária.

MICHEL PICCOLLI faz um operário chamado Themroc que, diante das injustiças do seu cotidiano, dá um basta. Levanta um muro contra sua família, abre um buraco na parede e quebra os tabus incestuosos ligando-se à sua irmã. Logo, forma uma pequena comunidade que provoca a intervenção das forças repressoras que: atiram-lhe bombas de gás (que apenas servem de afrodisíaco); os atingem com rajadas de metralhadoras e tentam
emparedá-los. Mas eles são invuneráveis. Todos se unem em um grande urro orgástico, confirmando a tese do filme: a liberação sexual é indispensável para o começo de qualquer libertação e/ ou revolta.


Embora o diretor tenha declarado ter evitado o perigo do riso católico, ainda assim, Themroc é um filme bem humorado, principalmente em uma sequência na fábrica em que grupos disputam o privilégio de pintar as grades externas e internas e perdem um tempo enorme apontando o lápis!
Talvez algumas partes possam parecer um pouco confusas e até desconexas (há erros ou não de continuidade), mas a interpretação tem uma grande homogeneidade de um verdadeiro ensemble, já que a maior parte do elenco faz parte do grupo TROUPE DU CAFÉ DE LA GARE e revezam-se em vários papéis, um deles faz o padeiro e é, o depois famoso Dewaere. Piccolli é um verdadeiro leão em cena, urrando seu protesto e sua revolta. Uma revolta talvez vazia, talvez antiga, mesmo naquela época, mas de qualquer forma, sempre pertinente.




THEMROC
Idem
de Claude Faraldo
França - 1973
Comédia
109 min.

✩✩✩ BOM


Um filme de CLAUDE FARALDO
THEMROC
Roteiro de Claude Faraldo Fotografia de Jean-Marc Ripert
Montagem Noum Serra  Arte e cenografia C. Lamarque

Estrelando: MICHEL PICCOLLI
PATRICK DEWAERE
BÈATRICE RAMAND
MARILÚ TOLO
FRANCESCA ROMANO
COLLUZZI
e co estrelando: MIOU-MIOU

6 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

Rô,

Nunca tinha ouvido falar deste filme...e achei a premissa muito, muito interessante...

Há, pelo que li, contextos um tanto polêmicos - o incesto? o emaranhado de diálogos de urros e sem sentido?

Preciso conferir...confesso desconhecer Patrick Dewaere!

Um abraço, traga mais desses tipos de filmes!

Até!

Reinaldo Glioche disse...

Assim como o Cristiano não conhecia esse filme. Bela garimpagem. Aliás, tenho que te parabenizar pelo bom gosto do blog. Uma abordagem particular, lisonjeira e super agradável que tu faz do cinema. Começando pela Frase de Fellini e passando por musicais, cinema francês, George Lucas...
Parabéns.

Grande abraço.

Rodrigo Mendes disse...

Caros,
fico satisfeito por ter apresentado este filme em particular. Apesar de "weird" é muito interessante. Cult, não há dúvidas!

Cris; o Dewaere foi uma espécie de River Phoenix e Heath Ledger na França neste período.

Reinaldo; obrigado pelos elogios e pela visita. Volte Sempre.

Abs. colegas!
Rodrigo

Cristiane Costa disse...

Olá vizinho querido,

Obrigada por apresentar este filme, sem você nem adivinharia sobre este cult francês e saber que Patrick Dewaere era tão hot assim, hot como um lobinho uivador haha.

Agora, sério. A frase "a liberação sexual é indispensável para o começo de qualquer libertação e/ou revolta" é de impacto e muito verdadeira. Eu acredito piamente que tanto o desejo quanto a necessidade de expressar a dor se relacionam diretamente com o extravasar sexual. O cinema já faz isso muito bem, mistura sexo, violência, tragédia e muitas pulsões do desejo, mas no fundo, toda essa reação de libertar-se sexualmente tem a ver com um grito de dor. Achei interessante a questão do uivo porque lembrei-me do psicanalítico da mulher LOBA, que tem uma característica forte de libertar-se das amarras sociais, inclusive vivendo sua sexualidade intensamente e amorosamente.

Não sei se vou aguentar assisti um filme deste porque gosto de somente alguns tipos de esquisites, rs, mas a premissa é bem sacada!

bjs, your neighbor Dietrich

Rodrigo Mendes disse...

MADAME: "psicanalítico da mulher LOBA", rs!

É um filme tão cult que ele mesmo faz questão de ter um público seleto. Creio que você iria achar ele inteiro esquisito, rs!

THEMROC não é um lugar para uma dama como Dietrich, rs!

Bjkas do seu neighbor,

Cristiane Costa disse...

Ai amigo, adorei sua última frase, mas por que vc acha que não é lugar pra mim? hahaha... tô intrigada com isso agora, vc não quer que o Themroc uive no meu ouvid? haha

WHY, WHY , WHY NOT? hahaha

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