
ACEITAR É UMA OPÇÃO e RESPEITAR É UM DEVER
O filme de Gus Van Sant e escrito por Dustin Lance Black narra a história real de Harvey Milk, o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos. Este fato ainda não havia sido contado no cinema, ao menos em termos de ficção, a história de como foi o movimento de libertação gay, o chamado Gay´s Lib nos anos 1970, em São Francisco, e dali para o resto da América e depois o mundo. Embora o documentário The Life and Times of Harvey Milk tenha ganhado o Oscar da categoria em 1985.
Não entre por engano pensando que é um filme sobre vacas e laticínios (pasmem já ouvi este tipo de comentário). É bom saber que Harvey Milk (1930-1978) foi um líder ativista político que foi assassinado junto com o prefeito de São Francisco por alguém de dentro da administração, não pelo povo, ou algum fanático, e que esse assassino, como sempre, escapou de um castigo maior e mais consequente. O filme não faz nada para facilitar a nossa apreciação, nem o torna mais simpático, mais "amável" pelo fato dos eventos reais tensos e que culmina num final trágico e com o "ar" do maldito preconceito. Afinal, a luta estava apenas começando.






Não chega nem mesmo a dizer exatamente quem era a pessoa, o Milk em si, nem desvenda sua personalidade, que, ao final, continua um mistério. É que o diretor Van Sant, assumidamente gay, está em um bom momento. Optou por contar tudo como se fosse um documentário, ou seja, essa é a linguagem "fronteira" com o filme, que reproduz a trajetória de Milk, assim como seus relacionamentos (embora mais "de fora" do que "dentro") a partir de um depoimento que ele fez sozinho para um gravador quando sabe que está ameaçado de morte.
A partir daí vem os flashback . Ele tem um caso com um rapaz mais novo - James Franco (de "Homem-Aranha"), e depois com um latino perturbado - Diego Luna (de "E Tua Mãe Também"), mas fora algumas carícias, beijos e abraços ardorosos e tudo com certa descrição e timidez, ficamos sabendo pouco sobre a psicologia dos envolvidos. Ao final, aparecem os fatos documentados que lindamente são intercalados durante o filme e o que sucedeu com os que vão surgindo na história e só assim entendemos algumas coisas, porque todos os personagens, no final das contas, são apenas quase peças de decoração. Outros como a figura de Anita Bryant, principal opositora às causas LGBT e uma das principais "pedras no sapato" de Milk, curiosamente, aparece apenas em imagens de arquivos. Tradicionalmente qualquer diretor optaria por uma atriz.
A partir daí vem os flashback . Ele tem um caso com um rapaz mais novo - James Franco (de "Homem-Aranha"), e depois com um latino perturbado - Diego Luna (de "E Tua Mãe Também"), mas fora algumas carícias, beijos e abraços ardorosos e tudo com certa descrição e timidez, ficamos sabendo pouco sobre a psicologia dos envolvidos. Ao final, aparecem os fatos documentados que lindamente são intercalados durante o filme e o que sucedeu com os que vão surgindo na história e só assim entendemos algumas coisas, porque todos os personagens, no final das contas, são apenas quase peças de decoração. Outros como a figura de Anita Bryant, principal opositora às causas LGBT e uma das principais "pedras no sapato" de Milk, curiosamente, aparece apenas em imagens de arquivos. Tradicionalmente qualquer diretor optaria por uma atriz.
Não é como num filme dramático tradicional, onde os protagonistas têm chance de se explicarem, de dizerem a que vieram. Isso prejudica um pouco um elenco talentoso e bastante interessante (como Emile Hirsch do ótimo "Na Natureza Selvagem", aliás, dirigido por Sean Penn e Alison Pill, muito bem escalados, diga-se como Cleve Jones e Anne Kronenberg, respectivamente. Braços direitos de Milk), alguns por vezes irreconhecíveis atrás dos bigodes e cabelos e todo aquele datado anos 70. Outros raramente tem chances de maior ênfase, como é o caso de Josh Brolin no papel um tanto ingrato do assassino e "vilão" da história. Aqui, como foi representado sem qualquer background ou qualquer indicação/motivação que o valha, ficou a impressão de algo mal delineado, mas, talvez, creio, tenha sido realmente a intenção de Van Sant por optar mais pelo documento/arquivo do que pela dramatização a mise-en-scène propriamente. Ou seja, não é um filme em que o público embarca fácil. É semi-documentário. E muito particular em sua forma e conteúdo. Ainda assim, reforçarei aqui a sua importância e militância enquanto filme histórico para a comunidade LGBT. Talvez o filme mais conhecido dos já produzidos no cinema (a temática tende a aparecer em fitas europeias ou em produções independentes de ficção) e, obviamente, o filme acaba ganhando a maior atração graças ao seu líder, o maravilhoso SEAN PENN em mais uma atuação ressonante e marcante e com coragem e dedicação visíveis num papel que poderia muito bem cair em certas caricaturas, mas que ele faz com dignidade e humanidade. Levando para casa um segundo Oscar merecido (embora Mickey Rourke também tenha deixado uma grande impressão no concorrente; o igualmente ótimo "O Lutador" dirigido por Darren Aronofsky).
Teve indicações ao Oscar para: Figurino, Ator Coadjuvante (Josh Brolin), Montagem, Direção (Van Sant que não levou, mas está entre seus melhores trabalhos junto com: "Elefante", "Um Sonho Sem Limites", "Garotos de Programa", "Gênio Indomável" e "Paranoid Park". Por mais que tenha cometido o erro de refilmar frame por frame "Psicose" de Hitchcock em 1998, gostaria de vê-lo com um Oscar de diretor já tem tempo) e Filme (os produtores já haviam ganho por "Beleza Americana", 1999, de Sam Mendes).
O roteiro, muito bem escrito por Dustin Lance Black, que é mais conhecido pela série de TV Big Love - Amor Itenso (2006-), também levou a estatueta.
Assistam e reflitam. MILK é uma experiência consistente.
EUA- 2008
Drama
127 min.
Distribuição: Universal
✩✩✩✩ ÓTIMO
✩✩✩✩ ÓTIMO

Focus Features Apresenta
UM FILME DE GUS
VAN SANT
SEAN PENN
MILK
Também estrelando: James
Franco Josh Brolin
Emile Hirsch
Diego Luna
Alison
Pill Victor Garber
Com: Denis
O´Hare Stephen Spinella
Música Danny Elfman
Elenco Francine
Maisler
Direção de arte Bill Groom
Edição Elliot
Graham
Diretor de fotografia Harris Savides
Figurinos Danny
Glicker
Produtor Executivo Dustin Lance Black
Produção Executiva Barbara A. Hall William Horberg
Michael London Bruna
Papandrea
Produzido por Bruce
Cohen Dan Jinks
Escrito por DUSTIN
LANCE BLACK
Dirigido por
GUS VAN SANT

15 comentários:
O filme teve muitos elogios, porém ainda não tive a oportunidade de conferir.
A curiosidade é Sean Penn num papel de homossexual, algo inesperado.
Abraço
Putz Rodrigo, acredito que AINDA não vi. Cara, tem diversos fatores que aguçam a minha curiosidade com este filme. enfim, vou alugar é já!
Abs.
Este filme é realmente comovente se tratando da tamanha hostilidade direcionada aos gays. Concordo com tudo que você destacou, principalmente ao afirmar que os personagens não possuem tempo suficiente para detalhes de personalidade. Esta pérola dos laticínos é incrível! hauauhuauhau
É cada uma que inventam por aí não é?
Até!!
Vc posicionou-se muito bem em relação ao filme. Milk é, com todas as suas limitações, um grande trabalho de elenco. Gosto especialmente de James Franco aqui. Não acho que Penn esteja tão acima do bem e do mal assim. Um filme acadêmico e um tanto conservador, embora de discurso liberal.
Abs
"Não entre por engano pensando que é um filme sobre vacas e laticínios..." me rachei rindo aqui...
Ainda não assisti ao filme, na época do lançamento me interessei por outros filmes e acabei meio que esquecendo de MILK. Mas pretendo olhar, gosto do Sean Penn.
Abraços
http://topangablog.blogspot.com/
HUGO: Assista, o filme é diferente na concepção e convencional à la VAN SANT. Mas é bom. E Penn sempre um excelente ator da maneira dele.
ALAN: Alugue já. Rs!
EMMANUELA: Pois é querida, eu escutei esse comentário na fila do cinema. rs! BEIJOS.
REINALDO: Estava conversando com minha ex- professora de roteiro hoje e ela me mandou uma mensagem no facebook dizendo: " O filme é ótimo mas em se tratando do Van Sant é um dos mais convencionais".
Realmente é um filme assim e que não tem tempo pra mostrar os personagens o que foi uma pena, mas intencional na maneira que Van Sant queria atingir. O Penn está ótimo, mas estranho no tipo de papel. Todavia não vejo outro ator que poderia personificar o Milk.
JARDEL: Rs! Assista, eu sei que falei até demais do filme pra quem não viu (vazou spoilers, rs) mas assista. É um filme tenso e nada convidativo, mas tem que ser visto!
Obrigado e ABRAÇO à todos!
Rodrigo
Oi Rodrigo!!!! Seu blog é fascinante. Estou te linkando também e seguindo. Um abraço.
Ah, é uma pena eu nunca ter visto. As críticas sobre esse filme são sempre ótimas e adorei que vc comentou esse lado documentário do filme, ainda não tinha ouvido falar por esse lado. Fiquei mais interessada agora. Abraços ótima crítica mesmo.
M: Seu blogue tabm é ótimo. Obrigadoooo!!!!
MIRELLA: Obrigado querida! De fato Van Sant fez um filme na fronteira com o Doc. Beijos! Assista mesmo!!
Hey Rodrigo!
então cara, me ausentei involuntariamente por um tempo por conta mesmo da faculdade e trabalhos alternativos aí, mas pretendo voltar o quanto antes! Estou com texto pronto, mas meu computador resolveu tirar férias e tá no conserto... arre! Só me resta esperar =)
enfim, gosto muito de "Milk". Gus van Sant na sua fase menos experimental, mais linear e talz. Gosto das 2 vertentes do diretor, acho-o talentosíssimo, só naõ gosto mesmo daquela desgraça do remake de "Psicose" - que tu, inclusive, já postou aqui. E pra mim o filme é de Penn, só dele. Destrutivo em cena, composição perfeita do personagem. E concordo contigo quanto à retratação rasa dos personagens, mas o equilíbrio me deixou satisfeito. Gostei do que vi =)
[****]
valeu, abração!
Aee Rodrigo!
Tamo de volta após um período ausente!
Gosto muito do Sean Penn q está ótimo nesse filme pra variar, baita ator!
Ñ tinha conhecimento dessa história o q acabou impactando mais, muito bom o filme!
Abs! Diego!
Esse é um verdadeiro representante da manifestação gls/glbt. Não considero uma obra-prima, mas certamente é um grande filme.
ELTON: Está de volta que bom! Estou torcendo pro seu PC!
Faço coro a vc quanto ao Van Sant. ele pode ter filmes mais chatos (Gerry) mas nada comparado com o remake de Psicose!
De fato o Penn arrasou.Afinal ele é mesmo bom!
Abs!
DIEGO: Seja bem vindo de volta, rs!
Penn é mesmo foda!
JUNIOR: Sim, ele representa muito bem. Só é conservador em muitos pontos.
Abs!
engraçado... eu comentei em 2010 e não vi até hoje!
preciso consertar isso! hehehe
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