
Randy, o Ram, é um lutador decadente que passa a ter problemas de saúde que o obrigam a largar as arenas.
A fita foi vencedora do Leão de Ouro de Veneza, este filme é um caso interessante e curioso de um ator tão decadente mesmo e detonado, literalmente, que se tornou uma figura de circo, objeto de curiosidade e agora uma forma patética se tornou um freak, um monstrengo, este saudoso galã de filmes como: Nove Semanas e Meio de Amor. Dentre todas as histórias recentes de astros cujo sucesso subiu a cebeça e piraram feio, está a de MICKEY ROURKE, que em certo momento nos anos 80 virou queridinho da crítica, como Robert Downey Jr. nos anos 90. No caso de Rourke, os críticos viam nele traços do Actor´s Studio, embora sempre achasse que ele fosse um ator composto e pretensioso. Em vista de filmes como: Coração Satânico de Alan Parker, por exemplo.
Até que se tornou símbolo sexual ( na aura de sua gostosura), principalmente na Europa e Brasil, com a fita de Adrian Lynne com Kim Basinger, obviamente. Rodou no Brasil o pior filme de sua carreira que foi Orquídea Selvagem, onde conheceu sua mulher Carré Ottis, com quem foi mergulhado nos meandros da droga e decadência, pois assim como explodiu, desapareceu.



Então surtou de vez quando resolveu largar a carreira de ator de cinema e se tornar boxeador. Levou tantos socos, que ficou com o rosto desforme. Apesar de já ter trinta e tantos anos. Como resultado disso, teve que tentar consertar os estragos no rosto que acabou piorando por plásticas de reconstituição, de tal forma que parece um daqueles travestis cuja plástica deu errado e hoje virou uma figura macabra. Ao menos, o cara é simpático e excelente ator, Cometeu erros, sim, mas agora esta de volta.
Embora tenha ganho o Globo De Ouro e o SAG, acabou perdendo o Oscar para Sean Penn (MILK) simplesmente porque a Academia não perdoou suas exentricidades e anos de loucuras e irresponsabilidade. Como se isso justificasse o não reconhecimento de um ótimo talento. Já houve outras tentativas de ressuscitar sua carreira, mas nenhuma tão completa, talvez seu papel em SIN CITY (2005) como o perfeito MARV. Aqui no filme de DARREN ARONOFSKY que mudou de forma na direção, ele que dirigiu PI e REQUIEM PARA UM SONHO e que veio de seu fracasso budista FONTE DA VIDA ,que foi construído em cima do ator que expõe sem culpa ou pudor todas suas vergonhas e que personifica um campeão de luta livre decadente, chamado THE RAM, que sofre um ataque do coração e tem que largar o ringue, embora a luta livre todo mundo saiba que é um jogo coreografado, ou seja, tudo é combinado antes, o filme prefere ignorar isso, embora os passos da luta fiquem óbvios na história. É difícil engolir isso, levar a sério uma coisa que todo mundo sabe que é fake.

O diretor poupa Rourke, que é visto quase o tempo todo de costas, ou de perfil. Reservando para ele apenas dois closes, quando fala com a filha que abandonou, a charmosa EVAN RACHEL WOOD, que com sua elegância natural nada tem a ver como a filha de um pobretão que a abandonou sempre, e em outro, numa conversa com a quase namorada, uma stripper, outro papel competente da ótima e bela MARISA TOMEI ( de Entre Quatro Paredes) - que também foi indicada ao Globo de Ouro e novamente ao Oscar. Nas duas situações, por trás dos traços deformados, dá para sentir uma certa sinceridade, tristeza do ator. Digo do ator mais do que o personagem, porque o roteiro não se preocupa em criar situações mais profundas ou lógicas. Ou seja, tudo é uma sucessão de idas e vindas, de momentos de perda e decadência, depois doença, a tentativa de reconciliação e finalmente a conclusão meio apóteótica. Este foi um comeback, um retorno que não podíamos dispensar. Alguns anti-heróis merecem uma revanche.


EUA/FRANÇA - 2008
DRAMA
COR
WIDESCREEN
100 min.
DISTRIBUIÇÃO: PARIS FILMES
FOX SEARCHLIGHT (EUA)
PRODUTORAS: PROTOZOA
WILD BUNCH. SATURN FILMS
✩✩✩ BOM
UMA PRODUÇÃO: PROTOZOA
EM ASSOCIAÇÃO COM: WILD BUNCH E SATURN FILMS
UM FILME DE DARREN ARONOFSKY
MICKEY ROURKE
T H E
W R E S T L E R
MARISA TOMEI. EVAN RACHEL WOOD
CO-ESTRELANDO: MARK MARGOLIS. TODD BARRY
WASS STEVENS. MIKE MILLER
MÚSICA COMPOSTA POR: CLINT MANSELL
ELENCO POR: MARY VERNIEU. SUZANNE CROWLEY
EDITADO POR: ANDREW WEISBLUM FIGURINOS POR: AMY WESTCOTT
DIRETOR DE FOTOGRAFIA: MARYSE ALBERTI CENOGRAFIA DE: TIM GRIMES
PRODUÇÃO EXECUTIVA: VINCENT MARAVAL. AGNÈS MENTRE.
JENNIFER ROTH PRODUTORES ASSOCIADOS: EVAN GINZBURG. ARI HANDEL
CO-PRODUÇÃO: MARK HEYMAN
PRODUZIDO POR DARREN ARONOFSKY E SCOTT FRANKLIN
PRODUZIDO POR DARREN ARONOFSKY E SCOTT FRANKLIN
ESCRITO POR: ROBERT SIEGEL
DIREÇÃO
DARREN
A R O N O F S K Y
DARREN
A R O N O F S K Y


7 comentários:
Sou fã do diretor desde "Requiem Para um Sonho".
Em "O Lutador", que me lembrou diversos momentos "Touro Indomável" fiquei encantado com o trabalho feito por MICKEY ROURKE.
O único trabalho dele que eu tinha aprovado anteriormente foi "Coração Satânico". Esse um filme espetacular, onde ele tem uma atuação razoável, quem carrega o filme é De Niro.
Mas, eu gostei de "O Lutador". Recomendo.
Denso, pesado, triste, amargo....como as vezes, a vida real.
O filme é denso mesmo
!!!
Perfeito para aquele momento do Rourke
...
Ainda preciso conferir este filme.
Abraço
Acho o filme grandioso, ainda mais pela trama que instiga e as atuações. Ao meu ver Rourke merecia o oscar de ator ali...sinceramente. Visto que, ao meu ver também, Sean Penn não mereceu taaanto o Oscar por Milk. Mas, isso é coisa da Academia mesmo.
Acho o filme pesado mesmo, tem um teor dramático e a atuação de Rourke me convenceu mesmo.
Você poderia ter comentado mais o desenvolvimento do filme, mas eu sei que prefere se concentrar mais nas 'curiosidades' do elenco e produção.
abraço, Rô!
RENATO: é verdade o filme lembra Touro Indomável tbm. Embora o personagem de Rourke seja um pouco mais ameno do que De Niro.
Abs.
MARCELO: Exato! E não imagino outro ator. Abs.
HUGO: Assista! Abs.
CRISTIANO: O filme está bom nesta análise. Ao meu ver. Rs! Abs.
Mais um belo e apaixonado texto Rodrigo. Acho que O lutador é um grande filme. Doído. Verdadeiro e redentor. Além dessa coisa universal que é possibilitar, na mais cândida das metalínguagens, a redenção do Rourke como profissional e ser humano. Pondero, apenas, quanto a uma afirmação sua: vc fala que o filme opta por ignorar o fato das lutas serem coreografadas e armadas. Acho que não. Aronosky mostra os bastidores. mostra a combinação, o carinho e a atenção que aqueles homens tão machucados quanto musculosos tem uns com os outros. A queda contínua e dolorosa da qual desfrutam irmamente. O que não quer dizer que pelo espetáculo, eles não se machuquem. Não se entreguem. O que potencializa o final, de certa maneira. Mas já estou fugindo do tópico. Acho que Aronofsky delimitou bem essa condição em algumas cenas.
Apenas uma breve correção: Rourke ganhou o Globo de ouro e o Bafta daquele ano, enquanto o SAG e o Oscar foram para Penn (injustamente,bom que se diga).
Aquele abraço!
Minha opinião é condizente ... http://oirlandes.blogspot.com/2011/02/o-lutador-2008.html ... e sem duvidas que, Darren ao lado do Nolan são os melhores diretores da nova geração.
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