VÍTIMAS E MARGINAIS
Quatro pessoas com seus sonhos acabam caindo em seus próprios vícios.

Baseado no livro de HUBERT SELBY JR. Um dos mais cults autores da literatura marginal americana, é um mergulho profundo no desespero. Um jovem e seu melhor amigo (JARED LETO e MARLON WAYANS), sua namorada (JENNIFER CONNELY) e sua mãe (ELLEN BURSTYN – Indicada Ao Oscar)
vivem em uma metrópole quente e fria, são pessoas oprimidas e tudo começa com Harry (LETO) que deseja ganhar muito dinheiro e sua mãe- Sara (BURSTYN), uma velha solitária e carente que não tem mais controle sobre as irresponsabilidades do filho (seu único filho) e que vive em um mundo claustrofóbico, habitado por tons de cinza e sua velha televisão. Ela deseja aparecer no programa de TV na qual é fã, além de desejar que seu filho se case e lhe dê um neto. Uma típica senhora, mãe clássica que se vê viciada em comprimidos para emagrecer a fim de entrar em um vestido que irá ser o seu figurino para quando aparecer neste suntuoso programa.
vivem em uma metrópole quente e fria, são pessoas oprimidas e tudo começa com Harry (LETO) que deseja ganhar muito dinheiro e sua mãe- Sara (BURSTYN), uma velha solitária e carente que não tem mais controle sobre as irresponsabilidades do filho (seu único filho) e que vive em um mundo claustrofóbico, habitado por tons de cinza e sua velha televisão. Ela deseja aparecer no programa de TV na qual é fã, além de desejar que seu filho se case e lhe dê um neto. Uma típica senhora, mãe clássica que se vê viciada em comprimidos para emagrecer a fim de entrar em um vestido que irá ser o seu figurino para quando aparecer neste suntuoso programa.
Nada são rosas e todos vivem em sonhos abstratos. Marion (CONNELLY – num surpreendente retorno como atriz) sonha em abrir uma grife de lingerie, mas para isso conta com o namorado para levantar dinheiro. Assim Harry se encontra com seu amigo (WAYANS [um dos irmãos negros que tem mais talento]) para adquirir drogas com facilidade e poder fazer tráfico. O negócio parecia ótimo e todos estavam muito bem financeiramente, usando drogas, todo tipo absurdo de droga, e gozando as felicitações. Sara igualmente feliz pronta para poder entrar em seu vestido vermelho e aparecer em seu programa de TV. Mas, com o passar dos dias, os quatro se transformam em pessoas viciadas, e os sonhos de fama, dinheiro e sucesso sucumbem numa espécie de dor causada pela dependência química.
O livro, com sua prosa marginal e totalmente oblíqua, fala destes vícios (em cada página podia ver cenas do filme – Hubert também colabora no Script). Ele aborda estas fraquezas por drogas que vampirizam o ser humano que perde a sua dignidade. É bem ríspido com os dialetos e expressões idiomáticas urbanas, precisamente da região de Nova York. A história escrita por Hubert comove e choca, ele acredita no indivíduo e na sua capacidade de busca, mas desce ao inferno para mostrar em palavras todo o desespero e o hospício em que vive as personagens.
E o que dizer do filme de DARREN ARONOFSKY? Uma obra prima! Um dos últimos filmes mais originais e bem realizados nos últimos anos, e atrevo em colocar REQUIEM no padrão de filme perfeito. Puro Cinema, com os seus DOIS MIL cortes, o que num filme usa-se 700 cortes no máximo.
As cenas de sexo e de aplicação de drogas são fortes demais para uma platéia despreparada ou conservadora. Depois de sua aclamada estréia em Protozoa (1993) e finalmente em seu primeiro longa metragem PI (O símbolo Matemático – 1998), Aronofsky só confirma o seu talento nesta fita, que é uma amostra fatal do fracasso sonho americano. Passado num bairro pobre, marginal. Cada corte deste filme é um mergulho ao enjôo. É fascinante como Aronofsky recria, ou praticamente deixa em detalhes todas as situações do livro. Os planos de câmera, a trilha magistral de CLINT MANSELL e com o Quarteto De Cordas interpretado por KRONOS QUARTET ( o tema já é uma melodia muito conhecida), a fotografia, o cenário e principalmente a edição de JAY RABINOWITZ. Na verdade eu nunca havia presenciado um filme tão tecnicamente eufórico. Até Laranja Mecânica de Stanley Kubrick (71) e Trainspotting de Danny Boyle (96), nenhuma outra fita me causou tanto desespero em ver o que rola na tela.
O filme entorpece com sua abordagem que traz atuações magníficas e cenas alucinógenas. O ato com Ellen é o mais triste e por vezes chega a irritação, quando ela entra em pane devido aos comprimidos que parecem MM´s ( e ela vai ingerindo como bala) e se vê em seu programa de TV predileto. A geladeira praticamente vem em sua direção para comê-la! Ou mesmo as cenas com Leto e seu braço apodrecendo pelo uso indevido de seringa. Mas, provavelmente a maioria fica extasiada quando assiste Jennifer se prostituindo em uma orgia que capta a penetração de objetos em seu anus e vagina.
É isso, o sonho acabou e a realidade é um pesadelo: Harry e seu amigo são presos (Harry acaba perdendo o braço), Sara é internada depois de um intensivo tratamento de eletro-choque, enlouquece!
E, Marion, como prostituta acaba descobrindo um novo vício que a faz ganhar muito dinheiro, como almejava e o filme termina com ela segurando um punhado de dólares e sorrindo. Suprema felicidade?
E, Marion, como prostituta acaba descobrindo um novo vício que a faz ganhar muito dinheiro, como almejava e o filme termina com ela segurando um punhado de dólares e sorrindo. Suprema felicidade?Nenhum outro filme caiu de pára-quedas tão perfeitamente numa temática destas. O submundo das drogas é de fato um mundo abaixo da sociedade, escondido nos becos e estações de metrô. E não é um sonho!

EUA- 2000
DRAMA
102min.
COR
18 ANOS
FULSCREEN/WIDESCREEN
EUROPA FILMES
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
ARTISAN ENTERTAINMENT e THOUSAND WORDS apresentam Uma produção SIBLING/PROTOZOA
em associação com INDUSTRY e BANDERA ENTERTAINMENT
UM FILME DE DARREN ARONOFSKY
REQUIEM FOR A DREAM
Estrelando
ELLEN BURSTYN. JARED LETO. JENNIFER CONNELYe MARLON WAYANS
música de CLINT MANSELL
com o Quarteto De Cordas interpretado por KRONOS QUARTET
figurinos por LAURA JEAN SHANNON
cenografia de JAMES CHINLUND edição por JAY RABINOWITZ
diretor de fotografia MATTHEW LIBATIQUE
produtores executivos NICK WECHSLER. BEAU FLYNN. STEFAN SIMCHOWITZ
co-produtor executivo BEM BARENHOLTZ
co-produção RANDY SIMON JONAH SMITH
SCOTT VOGEL. SCOTT FRANKLIN

8 comentários:
Simplesmente perfeito. Um dos filmes mais assustadores a que assisti na vida. A trilha, a interpretação de Ellen Burstyn, a sensação de impotência diante da desgraça... obra-prima.
Abraço
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com
Rodrigo, o que dizer?
Tudo já foi dito neste maravilhoso texto. As atuações do filme são um primor assim como a direção mais que brilhante de Aronofsky!
Abs.
Filmaço.....apreciei muito seu texto.
Esse diretor tem merecido destaque e atenção.
Requiem para um Sonho me encantou nos primeiros dez minutos do longa, o que é muito dificil.
Abraços
Esqueci de elogiar a edição, espetacular; e a fotografia, divina.
Nota 11 para o longa.
APLAUSOS! o/
Excelente texto, Rodrigo. Arrebentou!
trevo em colocar REQUIEM no padrão de filme perfeito [2]
Tu não é o único, pode me imbuir dessa responsabilidade. Poucos realmente conseguiram ser tão ferozes, chocantes e memoráveis no cinema abordando o tema da obsessão e do vício. Aronofsky se firmando como um digno auteur, numa condução excepcional. Ainda hoje, vire e mexe coloco a trlha sonora de Mansell para ouvir, acho que foi um dos melhores trabalhos do cinema da década passada essa "sinfonia de loucos", ela me inspira!
Enfim, confesso que já fui viciado. Viciado em "Réquiem para um Sonho" (há!), mas depois fui me tratando com as outras belas obras lançadas posteriormente por esse diretor, que é simplesmente um dos melhores norte-americanos em atividade. Atualmente, estou entorpecido com "Cisne Negro" e não sei quando vou começar o tratamento porque o filme é de outro mundo ;D
grande abraço!
Uau. Estupefado pelo seu texto Rodrigo. À altura dessa verdadeira obra-prima.Muito bom ver vc celebrando a técnica apurada de Réquiem para um sonho (a menção aos cortes em profusão), contudo ainda acho que Laranja mecânica me impressionou mais. Se considerarmos o contexto e a época, é um solavanco e tanto. Mas diria que Aronofsky tem suas primazias tb aqui..
Aquele abraço!
Gostei do seu texto.
Esse filme é muito doloroso, Aronofsky consegue nos levar ao ritmo de loucura e drogas proporcionados pelos seus personagens.
É um absurdo Ellen ter perdido o Oscar pra Julia Roberts, não?
Sou fã do Aronofsky. Poste "O Lutador", outro belo filme dele!
abraço
CLENIO: disse tudo cara: "a sensação de impotência diante da desgraça... " Abs.
ALAN: Obrigado. Adoramos esta obra, abraços.
RENATO: Tudo no filme é realmente bem articulado em cada minúcia, e de fato a fotografia e a edição estão espetaculares. O filme já me prendeu nos créditos iniciais. obrigado. Abs.
ELTON: Agradeço os aplausos Elton!!
Realmente o filme é um vício, rs!
Cisne Negro é outra obra fantástica deste diretor!
Abs.
REINALDO: Digo, pelos novos tempos Requiem é o que Laranja foi. Mas de fato há coisas no filme de Kubrick que superam e me deixam tbm mais entorpecido, toda aquele balé registrando a violência e a cena de tortura na clínica Ludovico!
Obrigado. Aquele abraço!
CRISTIANO: Obrigado. Julia também estava no auge como Erin, mas se levarmos em conta pela carreira da Ellen, acho que ela ja deveria ter ganho o Oscar por "Alice Não Mora Mais Aqui" clássico de Scorsese.
Já escrevi sobre o Lutador, procure nas Tags 'Darren Aronofsky', 'Oscar' ou 00´s! Abs.
Postar um comentário