Uma Atriz luta para ajudar um amigo a provar a sua inocência quando ele é acusado de assassinar o marido de uma artista da alta sociedade.
STAGE FRIGHT de Alfred Hitchcock é mais um exemplo notório em sua obra: "o homem errado".
Quando um homem chamado Jonathan Cooper (RICHARD TODD) é procurado pela polícia, que suspeita de um crime relacionado ao moço. Trata-se de um assassinato estranho, o marido de sua amante, uma artista famosa, Charlotte (MARLENE DIETRICH). Mas a amiga do herói, Eve Gill (JANE WYMAN) se oferece para ajudá-lo e o esconde dos policiais quando Jonathan explica a ela que sua amante é na verdade uma vamp, e que a mesma cometeu o homicídio. Assim, Eve decide sair investigando por conta própria, e quando conhece o detetive encarregado do caso feito por MICHAEL WILDING, ela começa a se apaixonar.
Sexo (mesmo no adultério dialogado), amor, suspense em um dos filmes mais noir e sombrio do mestre. Um primor da sétima arte dos anos de 1950. E, Marlene nunca esteve tão brilhantemente vestida, fotografada e dirigida como em qualquer outra fita. A atriz exigiu vestimentas exclusivas pelo design de moda da casa CHRISTIAN DIOR que acabou exigindo um crédito no filme (que era propriedade da WARNER) pela Paramount (que não produziu e nem distribuiu o filme) que obteve um desconto de 25%. Ousadia de estrelas à parte!
O papel de Marlene seria de TALLULAH BANKEHEAD que já havia interpretado para Hitchcock no clássico da FOX ‘LIFEBOAT’(1944). Mas o estúdio queria Marlene que disse uma vez: “Eu fiz um filme para Hitchcock”!
Mesmo tendo estreado nos Estados Unidos com REEBECA em 1940, dez anos depois com este filme, Hitch volta à Inglaterra. O filme teve locações nos estúdios britânicos da ELSTREE em Hertfordshire, obviamente a locação favorita de Hitchcock que tinha mais controle da situação enquanto filmava em estúdio, mas também foi rodado em externas como na Royal Academy Of Dramatic Arts e na Catedral de Ludgate.
ALMA REVILLE, esposa fiel do diretor, colaborou no roteiro junto com WHITFIELD COOK e fez um excelente tratamento nos diálogos e na estrutura narrativa que até supera o seu trabalho com o marido em A SOMBRA DE UMA DÚVIDA (1942) com TERESA WRIGHT e JOSEPH COTTEN (o filme favorito de Hitch). No entanto, ambos os filmes tem algo em comum, quando paira aquela dúvida no ar, mesmo o público já atento em saber quem é o culpado e o inocente, mas é a maneira que Hitchcock conduz a trama fazendo torcer pelo vilão algumas horas. Eis o seu décimo primeiro mandamento “Não serás pego”. Assim, o grau de suspense aumenta, ainda mais se tratando de uma personagem feita pela diva Marlene. Glamorosa em todos os figurinos e sentidos! Por vezes a mocinha nos filmes de Hitchcock é sempre frágil e que chega a irritação. Vejam mesmo o exemplo de Teresa em ‘Shadow of a Doubt’ e ou/ Vera Miles em Psicose. Todas as moças tendem a se apaixonar ou enfraquecer no meio do caminho, o que irrita a trama. Apesar do glamour (até um pouco exagerado), o filme apresenta alguns errinhos de continuidade, o que mais está em destaque é quando Marlene esta testando um vestido preto, ela segura um cigarro aceso (além de Davis somente Dietrich fumava com estilo) que desaparece entre uma tomada e outra.
O filme tem um dos melhores diálogos da carreira de Dietrich quando diz: “Ele era um homem abominável. Por que as mulheres se casam com homens abomináveis?" Seria a arte imitando a vida?
Dietrich, certamente rouba todas as cenas pra si, canta a bela canção de Cole Porter; The Laziest Gal in Town. Linda de morrer nessa antológica cena e, como já disse Peter Bogdanovich certa vez ao vê-la cantando a mesma música ao vivo numa apresentação,o quão extraordinário era presenciá-la no palco e saber que ela cantava com tanta "preguiça" ao mesmo tempo em que emulava sensualidade. Uma música escrita para uma única artista.

O filme da a impressão que foi uma briga temperamental de atenção as estrelas Jane e Marlene. Jane vinha do Oscar de Melhor Atriz por BELINDA (1948) e Marlene Dietrich, bom, dispensa apresentações não? Não que a situação no set fora um pé de guerra, mesmo porque nunca soube em documentários alguma fofoca parecida, todavia a de se notar que um filme com duas estrelas da era de ouro do cinema era algo como Bette Davis e Joan Crawford. Mesmo assim, Dietrich fez questão que o nome de Jane Wyman viesse antes do seu nos cartazes. Mesmo com muitos filmes no currículo como FARRAPO HUMANO (1945), Jane não parecia ser uma diva e sim uma ótima atriz e ponto. Ela me lembra um pouco OLIVIA De HAVILLAND (E O Vento Levou) e EVA MARIE SAINT (Intriga Internacional) que faz o seu trabalho direitinho, sem atenções. Já Dietrich, pelo estilo e ousadia, excluída dos estúdios alemães UFA, foi para Hollywood mais poderosa do que nunca. Tinha contrato com a Paramount, mas “viajou” para a Warner Brothers a fim de trabalhar com Hitchcock. Na época somente gente poderosa tinha permissão para quebrar contratos de vez em quando.O filme é citado em outras obras interessantes como na fita QUANDO PARIS ALUCINA (1964) com Audrey Hepburn (Isto é, Dietrich entrando na loja Dior e exibindo as suas pernas). Também é citado em REBOBINE, POR FAVOR, de Michel Gondry (2008), quando um cliente da Vídeo Locadora deseja alugar a fita. Só para citar alguns.
Para mim, a obra de Hitchcock nunca envelhece, nem mesmo a “Beedrom Eyes” de Marlene, aqui com mais close up em seus olhos do que em suas pernas. Com uma reação esplêndida quando a verdade vem à tona. Uma interpretação digna da estrela Dietrich. PAVOR NOS BASTIDORES não é um filme que é a exceção a regra ao estilo de Hitchcock. Aliás, é o melhor filme que representa o suspense do mestre. Sua famosa aparição está na cena em que um homem (o opulento Hitch) olha para Eve-Jane Wyman andando na rua. Uma relíquia cinematográfica com um inesperado plot de virada.

INGLATERRA – 1950
SUSPENSE/DRAMA
FULLSCREEN
110 min.
PRETO E BRANCO
14 ANOS
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
WARNER BROS. PICTURES
A WARNER BROS. FIRST NATIONAL PICTURE
APRESENTA
ALFRED HITCHCOCK´S
STAGE FRIGHT
JANE WYMAN
MARLENE DIETRICH
MICHAEL WILDING
MICHAEL WILDING
RICHARD TODD
e ALASTAIR SIM
Co-estrelando:
Sybil Thorndike Kay
Walsh Milles Malleson
Patricia Hitchcock Lionel Jeffries
Produzido por ALFRED HITCHCOCK
Música de LEIGHTON LUCAS
Diretor de Fotografia WILKIE COOPER
Edição..... JARVIS E.B.
Direção De Arte..... TERENCE VERITY
Figurinos MILO ANDERSON
Vestimenta da Sra. Dietrich CHRISTIAN DIOR
Roteiro de
WHITFIELD COOK
Argumento e Diálogos Adicionais
ALMA REVILLE
Baseado na Romance de SELWYN JEPSON
DIRIGIDO POR
ALFRED HITCHCOCK


6 comentários:
Mais um filme que eu não conhecia e evidentemente, ainda não o vi. Do Hitchcock, eu só vi dois até agora: Psicose e Vertigo. Mas só de ter a bela Dietrich e Wyman em cena, num fiilme de Hitchcock, já é digno de muuuuuita curiosidade! Rs.
[]s
Sou fã do mestre, tenho alguns em meu acervo. Esse, infelizmente, não assisti.....ainda.
Um dos poucos do Hitchcock que eu não vi, e particularmente sou apaixonado pelo cinema Noir, me fez ficar mais curioso ainda!
ALAN: Mate a sua curiosidade, agora que você está conhecendo novos clássicos.
Abs.
RENATO: Somos fãs! Assista!
Abs.
DIEGO: Este é o melhor exemplo e estilo noir e do Hitchcock não há dúvidas.
Abs.
RODRIGO
Sempre quis assistir "Pavor nos Bastidores". É sempre adequado relembrar Hitchcock. Um beijão!
EMMANUELA: Hitchcock dirigiu o melhor trabalho de Marlene Dietrich.
Boa sessão!
bjs.
RODRIGO
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