É um pássaro? É um avião?

Um órfão alienígena é enviado de seu planeta natal, Krypton (uma civilização que está prestes a ser destruída pelo sol), à Terra, onde cresce em um lar adotivo. Assim, ele descobre que tem super poderes e se transforma em um super herói: o Super-Homem.
O filme de 1978, em minha opinião, é a versão mais definitiva (à sua época e que não envelhece) e elegante da saga do homem de aço. Aliás, esta fita em si é uma saga. Contada brilhantemente em três atos: Krypton, Smalville e Metrópoles (Daily Planet). Poderia ser melhor?
Tudo começa neste ambiente psicodélico, um planeta distante chamado Krypton, onde um homem poderoso Jor-El (MARLON BRANDO) é incapaz de convencer o conselho de seu planeta com as afirmações lógicas de que o seu mundo está prestes a acabar, em breve será destruído pelo sol. Mas antes, o mesmo faz um julgamento estranho em que três Kryptonianos (podemos chamá-los assim) são sentenciados a prisão perpétua em um cristal, por crimes (não explicados) e conspiração (este fato culmina no segundo capítulo). Enfim, o que preocupa mais o velho Jor-El é manter a sua raça viva, e com a futura destruição de Krypton, ele resolve preservar a sua cultura, e envia ao planeta Terra (que segundo ele é único lugar habitável a sua espécie) o seu único filho, ainda bebê, o jovem Kal-El, protegido em uma espécie de estrela envolto de toda a tecnologia do seu mundo. Lá, ganhando grandes poderes sob o sol amarelo de nosso sistema solar, ele vai se tornar um super herói local, aclamado e chamado de o “Super-Homem” – sem modéstia. Defensor dos oprimidos e um homem encarregado da paz e justiça terráquea. #HQFeelings!
Mas antes de ser este herói, o jovem alienígena tem muito que aprender, e antes de descobrir quem realmente é, ele é adotado por um velho casal, os Kent, e vive em um condado chamado Smalville, sendo batizado de Clark Kent (seu alter ego). Quando adulto Clark viaja para Metrópolis, onde se torna um exímio repórter e fica apaixonado por uma profissional da mídia bem abelhuda, Lois Lane (MARGOT KIDDER), bonita e tão atrapalhada como ele. Lois respira a poluição da cidade e sua rotina é a mil! Quando o Superman aparece pela primeira vez, obviamente salvando a donzela Lois, começa a chamar a atenção da cidade e vilania. O primeiro deles é o maquiavélico e subestimado gênio Lex Luthor (GENE HACKMAN), um dos maiores criminosos do mundo, senão a maior mente criminosa do mundo, que está traçando a maior fraude de todos os tempos (que causará milhões, bilhões de mortes civis). Claro, somente o super-homem poderá deter esse plano nefasto, mas Luthor descobre que todo mundo tem uma fraqueza. A do herói de aço é uma pedra verde com as características de seu planeta natal que o enfraquecem: Criptonita. Enfim, vocês já sabem!
Okay! Mais enredo de quadrinhos do que as aventuras do Superman não existem! É até infantil acompanhar a premissa deste herói e conhecer as suas origens. No entanto, as proezas desta fita dirigida pelo mesmo realizador de A PROFECIA, RICHARD DONNER, que deram maior credibilidade na adaptação. Nada de asneiras ou copiar o estilo das séries de TV em que GEORGE REEVES voava com um efeito tosco. Não. Era fazer as platéias em todo o mundo crer que o homem poderia voar. Assim sendo, Donner trabalhou com a verossimilhança do roteiro à direção, sem atalhos. Embora o filme tenha alguns momentos inocentes, SUPERMAN (1978) é um clássico moderno e que lançou definitivamente a onda de super-heróis no cinema contemporâneo.
Era preciso ter duas estrelas de renome para dar crédito ao filme, portanto os produtores ALEXANDER e ILYA SALKIND tiveram total liberdade artística e carta branca dada pela WARNER, estúdio dono da franquia DC Comics. Então, eles tiveram a idéia junto ao departamento de publicidade de usar os nomes de BRANDO E HACKMAN para promover o material em forma de longa metragem. Ainda ninguém sabia quem iria vestir a roupa do herói, mas Lex Luthor e Jor-El já estavam lá, a postos na campanha deste filme espetacular. Na época era uma superprodução, gigantesca e que primeiramente já tinha o seu diretor, o ótimo artesão GUY HAMILTON (que dirigiu algumas aventuras de 007- Goldfinger, Live And Let Die, O Homem Com A Pistola De Ouro). Hamilton já havia trabalhado no conceito artístico do filme que consistia o design de Krypton e nos efeitos especiais e testes de vídeo mostrando o herói voando. Não ficaram tão bons, e mesmo assim, devido a problemas de atrasos e viagens da produção (Brando e Hackman já tinham contrato assinado e o cronograma de filmagem), Hamilton teve que deixar o barco e graças a Deus contrataram RICHARD DONNER. Um sujeito com voz durona, mas um garoto no set, conhecido como “Dick Donner”. Donner foi a voz promissora e a melhor coisa que surgiu nos últimos anos, sendo diretor deste tipo de adaptação (somente Christopher Nolan conseguiu o êxito anos depois).
No começo do projeto ele teve total liberdade dos produtores e estúdio a fazer de Superman um filme verossímil. As condições do novo diretor era ter sua equipe predileta: o diretor de arte JOHN BARRY, que acabava de concluir seu trabalho em outro mega blockbuster STAR WARS (1977) – Krypton, por exemplo, tem muita semelhança no visual com a Estrela Da Morte. E, o montador STUART BAIRD (colaborador de longa data do diretor) que definiu com Donner o ritmo da trama. Sem contar, no trabalho espetacular do veterano cinematógrafo GEOFFREY UNSWORTH (o filme é dedicado a ele – morreu logo depois da fotografia principal). Unsworth é a aura fotográfica desta fita, com trabalhos no currículo como; 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO e um Oscar por CABARET, não era para menos. A fotografia de Superman é sensacional, puro cinema, e o modo como ele iluminou os cenários interiores, os efeitos óticos, Krypton e tudo o mais, é de cair o queixo pela excelência fílmica. Fica impresso aqui o clássico dos clássicos!
Tudo isso, com a batuta de Donner, foram as ferramentas que defenderam o gênero, visto que, histórias em quadrinhos era taxada de infantil demais, e bobo. Foi aqui, com a alma musical do mestre JOHN WILLIAMS, roteiro do aclamado autor de O PODEROSO CHEFÃO, MARIO PUZO e colaboração de TOM MANKIEWICZ (dos filmes de James Bond), além de outros roteiristas: DAVID NEWMAN, ROBERT BENTON e LESLIE NEWMAN (BONNIE E CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS, 1967), que o filme realmente alçou vôo. Ainda mais com um elenco, o melhor cast que uma produção poderia definir (Nolan usou o mesmo método “Donneriano” nas escalações de Batman): Brando e Hackman, que nesta altura da carreira dispensam apresentações, além de NED BEATY como Otis (assistente de Luthor); JACKIE COOPER como Perry White (dono do Planeta Diário) GLENN FORD como Kent; o veterano TREVOR HOWARD como Elder; MARGOT KIDDER como Lois Lane; VALERIE PERRINE como a Sra. Teschmacher; MARIA SCHELL como Vond-Ah; TERENCE STAMP como o General Zod; PHYLLIS THAXTER como a Sra. Kent; SUZANNA YORK como Lara (esposa de Jor-El) e MARC McCLURE como Jimmy Olsen. O problema, ainda, era encontrar o Superman.
Robert Redford, Paul Newman e outros galãs foram considerados para o papel. Havia atores feiosos que eram ótimos, e modelos de revistas que eram horríveis quando passavam o texto nos testes de elenco. A procura foi exaustiva até que Donner convenceu os Salkind no seguinte: eles deveriam achar um desconhecido. Foi aí que 
CHRISTOPHER REEVE, um garoto magricela (como Donner o chamava), saltou da sacada de Lois Lane e impressionou a todos com a sua seriedade e simpatia. Reeve teve que ficar musculoso para o papel, o que não foi complicado. Ele era de longe, e foi, o melhor Superman em todos os tempos. Reeve é um ícone neste personagem, sabia fazer lindamente o atrapalhado e tímido Clark Kent, e como nenhum outro, sabia deixar o seu corpo na posição certa quando alçava vôo. Nenhum destes outros atores souberam dar credibilidade ao herói: Kirk Alyn (do seriado de TV – “Superman” entre 1948-1950/ 15 episódios); George Reeves (da outra série televisiva- “The Adventures of Superman”, 1952-1958); Dean Cain (do cultuado “Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman” – 1993-1997); Tom Welling ( da série que conta a vida do Superboy: “Smalville” – 2001-2011) e principalmente o pior de todos: Brandon Routh ( do longa metragem de Bryan Singer- “Superman – O Retorno” – 2006). Repito: Christopher Reeve esteve para Superman como CLARK GABLE para Rett Butler. E ponto. Por isso, estou com medo deste filme do falacioso Zack Snyder que vem pó aí, com Henry Cavill no papel!
Em compensação não foi tarde o lançamento deste filme que considero o mais apropriado. Uma pena a demissão de Donner (que tinha filmado o segundo filme simultaneamente, mas não pode concluir) que teve sérios desentendimentos com os produtores Salkind, tudo isso porque esses idiotas queriam levar a série para a comédia. Donner sempre defendeu a seriedade da história dando apenas pitadas de humor. Foi exatamente que ele e Tom Mankiewicz fizeram com o argumento principal de Puzo e escript dos Newman e Benton, que tinham feito um trabalho mais cômico ordenado pela produção. Erro. Tanto que ainda o segundo filme tem bons momentos, mas com a entrada do diretor RICHARD LESTER (do Cult OS REIS DO IÊ-IÊ-IÊ, com os Beatles), que assumiu a direção do dois e do três, transformou o nosso herói em um palhaço de circo. As piadas continuaram cada vez mais de mau gosto e aquele universo verossímil de Donner desapareceu completamente nas continuações. São elas: SUPERMAN II lançado em 1980 (até a metade para o final o filme despenca quando o outro Richard estraga tudo); SUPERMAN III (1983 – com o comediante RICHARD PRYOR. Preciso dizer mais?) e SUPERMAN IV – EM BUSCA DA PAZ (1987 – agora com direção de SIDNEY J. FURIE). Este quarto, apesar de manter quase todo o elenco principal original e o próprio Gene Hackman, de volta como Luthor, é um daqueles filmes ridículos que eu odeio com todo o pesar. Mesmo com roteiro também assinado pelo astro Christopher Reeve e novos produtores: MENAHEM COLAN e YORAM GLOBUS (Do extinto grupo CANNON/GOLAN-GLOBUS [que, opa, produziram o fake, mas até divertido MESTRES DO UNIVERSO e outras pérolas da década de 70-80) é um filme que não faz jus ao herói. O que prova mais uma vez a importância do longa de 78. Por isso Donner, Brando, Hackman, Williams, Reeve, Puzo, Unsworth e Mankiewicz são os meus verdadeiros heróis.
Ainda mais quando, em 2006 outro subestimado diretor BRYAN SINGER (que não tem veia para este tipo de filme – mesmo tendo feito X-MEN), simplesmente decepciona com SUPERMAN RETURNS, tentando trazer de volta o espírito desta primeira fita (aguardem a crítica nos próximos capítulos desta série, que irá dividir com outra série do blog: FILMES IRREGULARES =/).
De fato, SUPERMAN – THE MOVIE tem a mesma aura daquele sorriso enigmático criado por Da Vinci. Sem exageros, o filme de Donner acerta em cheio nas performances e efeitos especiais que utilizam maquete, iluminação ótica, cabos e tudo que estava disponível numa época em que não havia computadores. Foi realizado mecanicamente, o que deixou ainda mais tangível esta "verdade" que Donner procurava colocar na tela. O projeto passou por uma crise, mesmo após o tremendo sucesso deste primeiro. É verdade que Superman dentre todos os outros super heróis, ainda não encontrou um filme a altura deste. É obvio quando se trata de universo HQ, um filme, uma trilogia só não basta. A exemplo do Batman, também produto da Warner-DC, foi preciso uma releitura que se inspirou neste esquema: qualidade de elenco e roteiro sem muita fantasia, para fazer do universo do herói um lugar agradável de passar algumas sessões. O Homem De Aço ainda não teve esta sorte. Com a saída de Donner e desleixo de Lester que se prosseguiu, o material passou por várias pré-produções e versões das mais estúpidas. Acreditem, cineastas de nome como TIM BURTON trabalhou em um projeto do super que não aconteceu. Ele fez um design em que o “S” no uniforme do herói era prateado e em um fundo preto. E ainda, Kent não voaria, teria uma espécie de Superman-Mobile que o levaria as ruas e becos escuros de Metrópolis. Ou pior, já teve um script assinado pelo suntuoso diretor de O BALCONISTA (KEVIN SMITH) que faria do Super-Homem mais um personagem de Jay e Silent Bob, que provavelmente drogaria Lois Lane numa boate e transaria com ela loucamente em seu apê, ou voando igualmente na fita em que IVAN REITMAN dirigiu Uma Thurman em: "MINHA SUPER EX-NAMORADA".
Como fã do personagem, eu juro para vocês, sonhei que Nolan estava numa coletiva de imprensa em Cannes lançando o seu mais novo filme: SUPERMAN BEGINS com MICHAEL FASSBENDER no papel do herói e GARY OLDMAN como o vilão Luthor. MAGGIE GYLENHAAL como Lois Lane, ELLEN PAGE como Lana Lang, MICHAEL CAINE como Perry White e JOSEPH GORDON-LEVITT como Jimmy Olsen. E alguns personagens novos, bandidos do alto escalão criminoso que fazem lavagem de dinheiro e cheiram cocaína. Um deles era CHRISTIAN BALE (mudando de tipo) e MORGAN FREEMAN como chefe de uma organização criminosa que faz negócios com Luthor. Sonho meu!
Por enquanto... eu só consigo acreditar em um homem capaz de voar: Christopher Reeve, que além de ser um herói na ficção, foi na vida real. O verdadeiro super-homem que lutou até o fim e deixou um legado. De longe, o melhor Superman em todos os tempos.
Vencedor do OSCAR (Melhores Efeitos Visuais).

O filme de 1978, em minha opinião, é a versão mais definitiva (à sua época e que não envelhece) e elegante da saga do homem de aço. Aliás, esta fita em si é uma saga. Contada brilhantemente em três atos: Krypton, Smalville e Metrópoles (Daily Planet). Poderia ser melhor?
Tudo começa neste ambiente psicodélico, um planeta distante chamado Krypton, onde um homem poderoso Jor-El (MARLON BRANDO) é incapaz de convencer o conselho de seu planeta com as afirmações lógicas de que o seu mundo está prestes a acabar, em breve será destruído pelo sol. Mas antes, o mesmo faz um julgamento estranho em que três Kryptonianos (podemos chamá-los assim) são sentenciados a prisão perpétua em um cristal, por crimes (não explicados) e conspiração (este fato culmina no segundo capítulo). Enfim, o que preocupa mais o velho Jor-El é manter a sua raça viva, e com a futura destruição de Krypton, ele resolve preservar a sua cultura, e envia ao planeta Terra (que segundo ele é único lugar habitável a sua espécie) o seu único filho, ainda bebê, o jovem Kal-El, protegido em uma espécie de estrela envolto de toda a tecnologia do seu mundo. Lá, ganhando grandes poderes sob o sol amarelo de nosso sistema solar, ele vai se tornar um super herói local, aclamado e chamado de o “Super-Homem” – sem modéstia. Defensor dos oprimidos e um homem encarregado da paz e justiça terráquea. #HQFeelings!
Mas antes de ser este herói, o jovem alienígena tem muito que aprender, e antes de descobrir quem realmente é, ele é adotado por um velho casal, os Kent, e vive em um condado chamado Smalville, sendo batizado de Clark Kent (seu alter ego). Quando adulto Clark viaja para Metrópolis, onde se torna um exímio repórter e fica apaixonado por uma profissional da mídia bem abelhuda, Lois Lane (MARGOT KIDDER), bonita e tão atrapalhada como ele. Lois respira a poluição da cidade e sua rotina é a mil! Quando o Superman aparece pela primeira vez, obviamente salvando a donzela Lois, começa a chamar a atenção da cidade e vilania. O primeiro deles é o maquiavélico e subestimado gênio Lex Luthor (GENE HACKMAN), um dos maiores criminosos do mundo, senão a maior mente criminosa do mundo, que está traçando a maior fraude de todos os tempos (que causará milhões, bilhões de mortes civis). Claro, somente o super-homem poderá deter esse plano nefasto, mas Luthor descobre que todo mundo tem uma fraqueza. A do herói de aço é uma pedra verde com as características de seu planeta natal que o enfraquecem: Criptonita. Enfim, vocês já sabem!
Okay! Mais enredo de quadrinhos do que as aventuras do Superman não existem! É até infantil acompanhar a premissa deste herói e conhecer as suas origens. No entanto, as proezas desta fita dirigida pelo mesmo realizador de A PROFECIA, RICHARD DONNER, que deram maior credibilidade na adaptação. Nada de asneiras ou copiar o estilo das séries de TV em que GEORGE REEVES voava com um efeito tosco. Não. Era fazer as platéias em todo o mundo crer que o homem poderia voar. Assim sendo, Donner trabalhou com a verossimilhança do roteiro à direção, sem atalhos. Embora o filme tenha alguns momentos inocentes, SUPERMAN (1978) é um clássico moderno e que lançou definitivamente a onda de super-heróis no cinema contemporâneo.
Era preciso ter duas estrelas de renome para dar crédito ao filme, portanto os produtores ALEXANDER e ILYA SALKIND tiveram total liberdade artística e carta branca dada pela WARNER, estúdio dono da franquia DC Comics. Então, eles tiveram a idéia junto ao departamento de publicidade de usar os nomes de BRANDO E HACKMAN para promover o material em forma de longa metragem. Ainda ninguém sabia quem iria vestir a roupa do herói, mas Lex Luthor e Jor-El já estavam lá, a postos na campanha deste filme espetacular. Na época era uma superprodução, gigantesca e que primeiramente já tinha o seu diretor, o ótimo artesão GUY HAMILTON (que dirigiu algumas aventuras de 007- Goldfinger, Live And Let Die, O Homem Com A Pistola De Ouro). Hamilton já havia trabalhado no conceito artístico do filme que consistia o design de Krypton e nos efeitos especiais e testes de vídeo mostrando o herói voando. Não ficaram tão bons, e mesmo assim, devido a problemas de atrasos e viagens da produção (Brando e Hackman já tinham contrato assinado e o cronograma de filmagem), Hamilton teve que deixar o barco e graças a Deus contrataram RICHARD DONNER. Um sujeito com voz durona, mas um garoto no set, conhecido como “Dick Donner”. Donner foi a voz promissora e a melhor coisa que surgiu nos últimos anos, sendo diretor deste tipo de adaptação (somente Christopher Nolan conseguiu o êxito anos depois).
No começo do projeto ele teve total liberdade dos produtores e estúdio a fazer de Superman um filme verossímil. As condições do novo diretor era ter sua equipe predileta: o diretor de arte JOHN BARRY, que acabava de concluir seu trabalho em outro mega blockbuster STAR WARS (1977) – Krypton, por exemplo, tem muita semelhança no visual com a Estrela Da Morte. E, o montador STUART BAIRD (colaborador de longa data do diretor) que definiu com Donner o ritmo da trama. Sem contar, no trabalho espetacular do veterano cinematógrafo GEOFFREY UNSWORTH (o filme é dedicado a ele – morreu logo depois da fotografia principal). Unsworth é a aura fotográfica desta fita, com trabalhos no currículo como; 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO e um Oscar por CABARET, não era para menos. A fotografia de Superman é sensacional, puro cinema, e o modo como ele iluminou os cenários interiores, os efeitos óticos, Krypton e tudo o mais, é de cair o queixo pela excelência fílmica. Fica impresso aqui o clássico dos clássicos!
Tudo isso, com a batuta de Donner, foram as ferramentas que defenderam o gênero, visto que, histórias em quadrinhos era taxada de infantil demais, e bobo. Foi aqui, com a alma musical do mestre JOHN WILLIAMS, roteiro do aclamado autor de O PODEROSO CHEFÃO, MARIO PUZO e colaboração de TOM MANKIEWICZ (dos filmes de James Bond), além de outros roteiristas: DAVID NEWMAN, ROBERT BENTON e LESLIE NEWMAN (BONNIE E CLYDE – UMA RAJADA DE BALAS, 1967), que o filme realmente alçou vôo. Ainda mais com um elenco, o melhor cast que uma produção poderia definir (Nolan usou o mesmo método “Donneriano” nas escalações de Batman): Brando e Hackman, que nesta altura da carreira dispensam apresentações, além de NED BEATY como Otis (assistente de Luthor); JACKIE COOPER como Perry White (dono do Planeta Diário) GLENN FORD como Kent; o veterano TREVOR HOWARD como Elder; MARGOT KIDDER como Lois Lane; VALERIE PERRINE como a Sra. Teschmacher; MARIA SCHELL como Vond-Ah; TERENCE STAMP como o General Zod; PHYLLIS THAXTER como a Sra. Kent; SUZANNA YORK como Lara (esposa de Jor-El) e MARC McCLURE como Jimmy Olsen. O problema, ainda, era encontrar o Superman.
Robert Redford, Paul Newman e outros galãs foram considerados para o papel. Havia atores feiosos que eram ótimos, e modelos de revistas que eram horríveis quando passavam o texto nos testes de elenco. A procura foi exaustiva até que Donner convenceu os Salkind no seguinte: eles deveriam achar um desconhecido. Foi aí que 
CHRISTOPHER REEVE, um garoto magricela (como Donner o chamava), saltou da sacada de Lois Lane e impressionou a todos com a sua seriedade e simpatia. Reeve teve que ficar musculoso para o papel, o que não foi complicado. Ele era de longe, e foi, o melhor Superman em todos os tempos. Reeve é um ícone neste personagem, sabia fazer lindamente o atrapalhado e tímido Clark Kent, e como nenhum outro, sabia deixar o seu corpo na posição certa quando alçava vôo. Nenhum destes outros atores souberam dar credibilidade ao herói: Kirk Alyn (do seriado de TV – “Superman” entre 1948-1950/ 15 episódios); George Reeves (da outra série televisiva- “The Adventures of Superman”, 1952-1958); Dean Cain (do cultuado “Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman” – 1993-1997); Tom Welling ( da série que conta a vida do Superboy: “Smalville” – 2001-2011) e principalmente o pior de todos: Brandon Routh ( do longa metragem de Bryan Singer- “Superman – O Retorno” – 2006). Repito: Christopher Reeve esteve para Superman como CLARK GABLE para Rett Butler. E ponto. Por isso, estou com medo deste filme do falacioso Zack Snyder que vem pó aí, com Henry Cavill no papel!
Em compensação não foi tarde o lançamento deste filme que considero o mais apropriado. Uma pena a demissão de Donner (que tinha filmado o segundo filme simultaneamente, mas não pode concluir) que teve sérios desentendimentos com os produtores Salkind, tudo isso porque esses idiotas queriam levar a série para a comédia. Donner sempre defendeu a seriedade da história dando apenas pitadas de humor. Foi exatamente que ele e Tom Mankiewicz fizeram com o argumento principal de Puzo e escript dos Newman e Benton, que tinham feito um trabalho mais cômico ordenado pela produção. Erro. Tanto que ainda o segundo filme tem bons momentos, mas com a entrada do diretor RICHARD LESTER (do Cult OS REIS DO IÊ-IÊ-IÊ, com os Beatles), que assumiu a direção do dois e do três, transformou o nosso herói em um palhaço de circo. As piadas continuaram cada vez mais de mau gosto e aquele universo verossímil de Donner desapareceu completamente nas continuações. São elas: SUPERMAN II lançado em 1980 (até a metade para o final o filme despenca quando o outro Richard estraga tudo); SUPERMAN III (1983 – com o comediante RICHARD PRYOR. Preciso dizer mais?) e SUPERMAN IV – EM BUSCA DA PAZ (1987 – agora com direção de SIDNEY J. FURIE). Este quarto, apesar de manter quase todo o elenco principal original e o próprio Gene Hackman, de volta como Luthor, é um daqueles filmes ridículos que eu odeio com todo o pesar. Mesmo com roteiro também assinado pelo astro Christopher Reeve e novos produtores: MENAHEM COLAN e YORAM GLOBUS (Do extinto grupo CANNON/GOLAN-GLOBUS [que, opa, produziram o fake, mas até divertido MESTRES DO UNIVERSO e outras pérolas da década de 70-80) é um filme que não faz jus ao herói. O que prova mais uma vez a importância do longa de 78. Por isso Donner, Brando, Hackman, Williams, Reeve, Puzo, Unsworth e Mankiewicz são os meus verdadeiros heróis.
Ainda mais quando, em 2006 outro subestimado diretor BRYAN SINGER (que não tem veia para este tipo de filme – mesmo tendo feito X-MEN), simplesmente decepciona com SUPERMAN RETURNS, tentando trazer de volta o espírito desta primeira fita (aguardem a crítica nos próximos capítulos desta série, que irá dividir com outra série do blog: FILMES IRREGULARES =/).
De fato, SUPERMAN – THE MOVIE tem a mesma aura daquele sorriso enigmático criado por Da Vinci. Sem exageros, o filme de Donner acerta em cheio nas performances e efeitos especiais que utilizam maquete, iluminação ótica, cabos e tudo que estava disponível numa época em que não havia computadores. Foi realizado mecanicamente, o que deixou ainda mais tangível esta "verdade" que Donner procurava colocar na tela. O projeto passou por uma crise, mesmo após o tremendo sucesso deste primeiro. É verdade que Superman dentre todos os outros super heróis, ainda não encontrou um filme a altura deste. É obvio quando se trata de universo HQ, um filme, uma trilogia só não basta. A exemplo do Batman, também produto da Warner-DC, foi preciso uma releitura que se inspirou neste esquema: qualidade de elenco e roteiro sem muita fantasia, para fazer do universo do herói um lugar agradável de passar algumas sessões. O Homem De Aço ainda não teve esta sorte. Com a saída de Donner e desleixo de Lester que se prosseguiu, o material passou por várias pré-produções e versões das mais estúpidas. Acreditem, cineastas de nome como TIM BURTON trabalhou em um projeto do super que não aconteceu. Ele fez um design em que o “S” no uniforme do herói era prateado e em um fundo preto. E ainda, Kent não voaria, teria uma espécie de Superman-Mobile que o levaria as ruas e becos escuros de Metrópolis. Ou pior, já teve um script assinado pelo suntuoso diretor de O BALCONISTA (KEVIN SMITH) que faria do Super-Homem mais um personagem de Jay e Silent Bob, que provavelmente drogaria Lois Lane numa boate e transaria com ela loucamente em seu apê, ou voando igualmente na fita em que IVAN REITMAN dirigiu Uma Thurman em: "MINHA SUPER EX-NAMORADA".
Como fã do personagem, eu juro para vocês, sonhei que Nolan estava numa coletiva de imprensa em Cannes lançando o seu mais novo filme: SUPERMAN BEGINS com MICHAEL FASSBENDER no papel do herói e GARY OLDMAN como o vilão Luthor. MAGGIE GYLENHAAL como Lois Lane, ELLEN PAGE como Lana Lang, MICHAEL CAINE como Perry White e JOSEPH GORDON-LEVITT como Jimmy Olsen. E alguns personagens novos, bandidos do alto escalão criminoso que fazem lavagem de dinheiro e cheiram cocaína. Um deles era CHRISTIAN BALE (mudando de tipo) e MORGAN FREEMAN como chefe de uma organização criminosa que faz negócios com Luthor. Sonho meu!Por enquanto... eu só consigo acreditar em um homem capaz de voar: Christopher Reeve, que além de ser um herói na ficção, foi na vida real. O verdadeiro super-homem que lutou até o fim e deixou um legado. De longe, o melhor Superman em todos os tempos.
Vencedor do OSCAR (Melhores Efeitos Visuais).


EUA-1978
AVENTURA
WIDESCREEN ANAMÓRFICO
142 min.
COR
WARNER
LIVRE
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
WARNER BROS.
ALEXANDER SALKIND
APRESENTAM
MARLON BRANDO. GENE HACKMAN EM
UM FILME DE RICHARD DONNER
ESTRELANDO: CHRISTOPHER REEVE
TAMBÉM ESTRELANDO: NED BEATY. JACKIE COOPER. GLENN FORD
TREVOR HOWARD. MARGOT KIDDER. VALERIE PERRINE
MARIA SCHELL. TERENCE STAMP. PHYLLIS THAXTER. SUSANAH YORK
MARC McCLURE. JACK O´HALLORAN
Co-estrelando: Sarah Douglas. Jeff East. Steve Kahan
SUPERMAN criado por JERRY SIEGEL & JOE SHUSTER
E Publicado pela DC Comics
História de MARIO PUZO
Roteiro de
MARIO PUZO. DAVID NEWMAN. LESLIE NEWMAN e ROBERT BENTON
Consultor Criativo TOM MANKIEWICZ
Fotografado por GEOFFREY UNSWORTH, B.S.C
Cenografia JOHN BARRY Figurinos YVONNE BLAKE
Música de JOHN WILLIAMS
Montagem STUARD BAIRD Produtor Executivo ILYA SALKIND
Produzido por PIERRE SPENGLER
DIRIGIDO POR RICHARD DONNER
Superman ©1978 DC Comics/ Warner Bros.


12 comentários:
Olá, Rodrigo. Saudades de você.
Concordo com você. Superman de 1978 é o melhor, e Revee é o melhor. Este foi o primeiro filme que meu irmão mais velho assistiu no cinema quando era criança com meu pai. Por isso ele é especial.
Abraços.
Rodrigo, obra prima definitiva, acho q assisti umas 100 vezes, um dos propulsores da minha cinefilia. Essa versão com Brandon Routh não é de toda mal, mas acho q a vontade excessiva de homenagear o original acabou criando um filme torto. Abração.
Ótimo texto Rodrigo! Gosto muito de "Spiderman", mas é óbvio que este "Superman" é o melhor filme no que diz respeito ao mundo dos Super - Heróis e etc.
Reeve nasceu para ser o "Superman" e sem falar na excelente direção de Donner. Está certo que eu preciso rever, mas é impossível não elogiar o filme, sabendo que é bom! hehehe
[]s
Lindo texto para um ótimo filme.
Depois de Batman - O Cavaleiro das Trevas - em minha, humilde opinião o melhor filme de quadrinhos.
Tenho nojo e vergonha da versão realizada por Bryan Singer. Não entendo como um bom diretor realizou algo tão ruim.
Reeve está impecável e Donner foi um grande mestre para essa verdadeira obra-prima.
Parabéns pelo crédito a essa obra inesquecível.
Grande filme de super-herói, eu também adoro e não me canso de rever.
http://cinelupinha.blogspot.com/
Realmente, esse é o verdadeiro Super-homem. Gosto bastante desse primeiro filme e nunca me conformei que a Globo sempre reprisava mais o segundo, hehe.
bjs
É talvez o maior épico que o cinema ja produziu a partir de uma história em quadrinhos.
http://filme-do-dia.blogspot.com/
Que saudades desse Superman. Quantas vezes o assisti... Essa ponta que o Marlon Brando faz no filme também traz saudades! É um dos meus filmes preferidos de super-heróis.
Eu não curto tanto os filmes do Superman, pior ainda esse novos. O Batman sempre me chamou mais a atenção, por não ter super-poderes. Mas esse filme vale pelo Gene Hackman.
Léo Castelo Branco
estranhocinema.blogspot.com
Adorei seu sonho. O casting é prefeito. Nossa! Eu só substituiria Fassbender por Jon Hamm, mas não posso dizer que Fassbender não daria um ótimo homem de aço.
Bem, quanto ao texto, só posso louvá-lo por mais esse excelente trabalho de contextualização e análise.
Christopher Reeve pode voar e no CineRodrigo o voo é alto...
Abs
O melhor de Superman são os vilões...
Abraços e venha recordar seus "vilões favoritos",
O Falcão Maltês
Oi MÁRCIA saudades. Obrigado por pegar uma sessão aqui!
Muito bacana a relação pais e filhos na sua família com o Superman. Imagino como deve ter sido assistir a essa obra no cinema. Beijos.
CELO: Na verdade eu já perdi a conta desde a infância, de quantas vezes assisti esse Superman. Acho a versão do Singer extremamente torta! É um pau que já nasceu torto e Brandon apático. Sem contar na pior Lois Lane! Abraços.
ALAN: Grande filme Alan. Preciso te contar que já tenho nostalgia em relação ao Spidey do Raimi. Viu o trailer do Amazing Spider-Man?
Abs.
RENATO: Muito obrigado mais uma vez pelos elogios meu caro. Valeu! Competição empatada quanto ao Super e o Cavaleiro Das Trevas e suas conquistas! Abs.
RAFAEL: Foi o precursor mesmo e com tanta adaptação ruim por aí não podemor cansar de rever este mesmo! Abs.
AMANDA: RS! Eu tb até gosto do segundo. Ótimo é a Globo não ter reprisado muito o terceiro, o quarto e o "Retorno" não acha? Bjs.
KAHLIL: Concordo.Falou bonito. Abs!
M: Que bom saber que vc gosta moça. Marlon deu ainda mais credibilidade e força a produção. Beijos.
LÉO: É, neste quesito força é mais admirável o Bruce Wayne como Batman, mas eu acho o Superman glorioso. Eu gosto. Abraços.
REINALDO: KKKKK sabia que vc iria comentar o meu sonho. Quem é Jon Hamm?? Sonhei alto né? Rs. obrigado por elogiar esse trabalho meu caro. Abs.
ANTONIO: O post dos vilões ficou show! Abs.
Rodrigo
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