DE
JAMES WHALE
A NOIVA DE FRANKENSTEIN ™

A própria MARY SHELLEY conta a história e revela como os principais personagens sobreviveram depois que o cientista Henry Frankenstein criou um monstro com várias partes de cadáveres, e que culminou numa perseguição que acabou em tragédia em uma noite no alto de uma torre que pegou fogo. Assim, a história continua nesta mesma noite quando o cientista louco é convencido por outro médico lunático (Dr. PRETORIUS) a criar uma parceira para o solitário e incompreendido monstro (KARLOFF) que aos poucos começa a falar e entender a sua existência no mundo.

Pode ser mesmo um clichê não apenas em Hollywood, mas na sociedade cinéfila em geral, que o segundo filme nunca é bom como o original, mas se tratando de A NOIVA DE FRANKENSTEIN é um caso até raro, onde a originalidade caminha sozinha nesta continuação, sem ser um apêndice ou dever muito ao filme que o originou. Aliás, eu acho que A NOIVA nem precisa do FRANKENSTEIN de 1931 para levar a premissa adiante, sobre este monstro trágico em um dos filmes mais populares e clássicos do terror. Sim, a sequência foi e ainda é muito aclamada. O lendário BORIS KARLOFF reprisa o seu papel como o monstro, agora com mais destaque e cada vez mais incompreendido. Na verdade é nesta fita que percebemos como o personagem é doce, carismático e que só queria um amigo. Mas ao mesmo tempo ele procura uma parceira quando começa a entender o mundo humano a sua volta, mas claro que ele nunca é bem vindo na comunidade que o teme e querem vê-lo enforcado. COLIN CLIVE também está de volta como o único Frankenstein, menos ambicioso desta vez e assumindo os erros. Todavia, acaba sendo persuadido por um homem lunático, o verdadeiro vilão desta fita, o DR. PRETORIUS (o ótimo ERNEST THESIGER) que se integra ao elenco e se revela como um cientista que também criou inúmeras leis contra a natureza (a criação da vida) brincando de ser Deus. Ainda mais audacioso, cruel e arrogante do que Frank. Ele o convence a criar a noiva para o monstro seguindo a mesma receita de sempre, mas com corpo, partes e cérebro feminino que acaba saindo ELSA LANCHESTER, que além da Noiva, também faz o papel da autora do romance Mary Shelley na introdução da fita.
JAMES WHALE, o mesmo diretor do primeiro, faz este segundo com mais liberdade criativa e muitas das decisões originais que se seguiram nesta continuação, são dele que, além disso, apresenta uma assustadora e linda trilha musical o que o torna como um dos melhores filmes (não apenas do gênero terror), e sim de todos os tempos.
Para época o filme foi muito ousado e criativo, e atrevo dizer que até hoje, provavelmente nenhuma continuação não deveu absolutamente nada ao antecessor como ‘A Noiva’. Isso pelo fato do filme ser auto-suficiente na história que prossegue. Sim, é uma premissa depois da outra, porém mesmo se você não assistiu ao Frankenstein, com a bela introdução que Whale apresenta no começo do filme e o modo como ele estica a narração, é completamente tranquilo poder receber a trama sem problemas. É como um segundo capítulo de uma soup opera. Se não viu o primeiro não tem problema, esqueça e enjoy o seguinte.
O filme é também um dos melhores filmes americanos, perto de CIDADÃO KANE e CREPÚSCULO DOS DEUSES, mesmo para um “filme de terror” o que na verdade, transcende o tempo, e já que a Universal nunca havia dado tanta liberdade artística para um filme de monstro, ‘A Noiva’ acabou se tornando realmente numa obra prima. Tudo acaba sendo mais complexo do que um filme bobo de assustar, há muito mais elementos intelectuais, artísticos e de atuação e que conceitualmente surgiram nesta fita, tudo de militante e genial que um filme de terror já recebeu.
O filme também tem um momento lindo e triste quando o monstro, em meio à fuga, é acolhido por um homem cego que não faz julgamentos com sua aparência e tampouco o monstro à dele. Ambos fumam charutos e tocam música, mas é claro, que no final nada acaba muito bem (melhor não contar).
Também Whale consegue unir agradavelmente humor e terror, extremamente bem combinados, e praticamente na mesma cena, quando aparece a ótima UNA O´CONNOR
( de O HOMEM INVISÍVEL) como a empregada da mansão de Frankenstein, Minnie. Quando ela esta em cena com Karloff é gritos pra todos os lados, caras, bocas e corridas.
O mais legal de ‘A Noiva’ é que não há regras, Whale e Karloff criam tudo. Provavelmente a única regra é a imaginação de um jeito gótico e romântico. E, com um tom dramático e bem conduzido em todos os departamentos artísticos. É mesmo uma super-produção, um bom investimento da Universal, que acreditou em James Whale, um diretor de primeira linha que conseguiu ousar com a obra de Shelley e deu mais vazão ao seu universo literário. No entanto a obra da Noiva é mais criação de Whale do que de Shelley que não escreveu uma continuação.

KARLOFF só fez mais um filme como o monstro em O FILHO DE FRANKENSTEIN (1939) e mais tarde, temendo que a história ficasse exaurida, decidiu nunca mais interpretar este papel e partir para outra e até em filmes diferentes.
E o que dizer da figura da NOIVA? Bom, ela é tão icônica que aparece em inúmeros filmes. Só para exemplificar: A NOIVA DE CHUCKY (1998) é uma deliciosa paródia quando o famoso boneco assassino transporta o espírito de sua ex-namorada no corpo de uma boneca vestida de noiva. Na cena que ele a mata, ela está bebendo emocionada assistindo ao filme numa banheira. O Chucky joga a TV na banheira na famosa cena que a Noiva grita ao ver o monstro, eletrocutando a figura patética de Jennifer Tilly.
O filme é também um exemplo perfeito para um estudante de cinema saber como um autor injeta a sua personalidade no trabalho. Passamos uma “noite com James Whale” assistindo A Noiva de Frankenstein, uma fita mais originada do que adaptada.
“ELA ESTA VIVA”! Para sempre viva, graças a um belo filme que transcende o tempo.

Pode ser mesmo um clichê não apenas em Hollywood, mas na sociedade cinéfila em geral, que o segundo filme nunca é bom como o original, mas se tratando de A NOIVA DE FRANKENSTEIN é um caso até raro, onde a originalidade caminha sozinha nesta continuação, sem ser um apêndice ou dever muito ao filme que o originou. Aliás, eu acho que A NOIVA nem precisa do FRANKENSTEIN de 1931 para levar a premissa adiante, sobre este monstro trágico em um dos filmes mais populares e clássicos do terror. Sim, a sequência foi e ainda é muito aclamada. O lendário BORIS KARLOFF reprisa o seu papel como o monstro, agora com mais destaque e cada vez mais incompreendido. Na verdade é nesta fita que percebemos como o personagem é doce, carismático e que só queria um amigo. Mas ao mesmo tempo ele procura uma parceira quando começa a entender o mundo humano a sua volta, mas claro que ele nunca é bem vindo na comunidade que o teme e querem vê-lo enforcado. COLIN CLIVE também está de volta como o único Frankenstein, menos ambicioso desta vez e assumindo os erros. Todavia, acaba sendo persuadido por um homem lunático, o verdadeiro vilão desta fita, o DR. PRETORIUS (o ótimo ERNEST THESIGER) que se integra ao elenco e se revela como um cientista que também criou inúmeras leis contra a natureza (a criação da vida) brincando de ser Deus. Ainda mais audacioso, cruel e arrogante do que Frank. Ele o convence a criar a noiva para o monstro seguindo a mesma receita de sempre, mas com corpo, partes e cérebro feminino que acaba saindo ELSA LANCHESTER, que além da Noiva, também faz o papel da autora do romance Mary Shelley na introdução da fita.
JAMES WHALE, o mesmo diretor do primeiro, faz este segundo com mais liberdade criativa e muitas das decisões originais que se seguiram nesta continuação, são dele que, além disso, apresenta uma assustadora e linda trilha musical o que o torna como um dos melhores filmes (não apenas do gênero terror), e sim de todos os tempos.Para época o filme foi muito ousado e criativo, e atrevo dizer que até hoje, provavelmente nenhuma continuação não deveu absolutamente nada ao antecessor como ‘A Noiva’. Isso pelo fato do filme ser auto-suficiente na história que prossegue. Sim, é uma premissa depois da outra, porém mesmo se você não assistiu ao Frankenstein, com a bela introdução que Whale apresenta no começo do filme e o modo como ele estica a narração, é completamente tranquilo poder receber a trama sem problemas. É como um segundo capítulo de uma soup opera. Se não viu o primeiro não tem problema, esqueça e enjoy o seguinte.
O filme é também um dos melhores filmes americanos, perto de CIDADÃO KANE e CREPÚSCULO DOS DEUSES, mesmo para um “filme de terror” o que na verdade, transcende o tempo, e já que a Universal nunca havia dado tanta liberdade artística para um filme de monstro, ‘A Noiva’ acabou se tornando realmente numa obra prima. Tudo acaba sendo mais complexo do que um filme bobo de assustar, há muito mais elementos intelectuais, artísticos e de atuação e que conceitualmente surgiram nesta fita, tudo de militante e genial que um filme de terror já recebeu.
O filme também tem um momento lindo e triste quando o monstro, em meio à fuga, é acolhido por um homem cego que não faz julgamentos com sua aparência e tampouco o monstro à dele. Ambos fumam charutos e tocam música, mas é claro, que no final nada acaba muito bem (melhor não contar).
Também Whale consegue unir agradavelmente humor e terror, extremamente bem combinados, e praticamente na mesma cena, quando aparece a ótima UNA O´CONNOR ( de O HOMEM INVISÍVEL) como a empregada da mansão de Frankenstein, Minnie. Quando ela esta em cena com Karloff é gritos pra todos os lados, caras, bocas e corridas.
O mais legal de ‘A Noiva’ é que não há regras, Whale e Karloff criam tudo. Provavelmente a única regra é a imaginação de um jeito gótico e romântico. E, com um tom dramático e bem conduzido em todos os departamentos artísticos. É mesmo uma super-produção, um bom investimento da Universal, que acreditou em James Whale, um diretor de primeira linha que conseguiu ousar com a obra de Shelley e deu mais vazão ao seu universo literário. No entanto a obra da Noiva é mais criação de Whale do que de Shelley que não escreveu uma continuação.

KARLOFF só fez mais um filme como o monstro em O FILHO DE FRANKENSTEIN (1939) e mais tarde, temendo que a história ficasse exaurida, decidiu nunca mais interpretar este papel e partir para outra e até em filmes diferentes.
E o que dizer da figura da NOIVA? Bom, ela é tão icônica que aparece em inúmeros filmes. Só para exemplificar: A NOIVA DE CHUCKY (1998) é uma deliciosa paródia quando o famoso boneco assassino transporta o espírito de sua ex-namorada no corpo de uma boneca vestida de noiva. Na cena que ele a mata, ela está bebendo emocionada assistindo ao filme numa banheira. O Chucky joga a TV na banheira na famosa cena que a Noiva grita ao ver o monstro, eletrocutando a figura patética de Jennifer Tilly.O filme é também um exemplo perfeito para um estudante de cinema saber como um autor injeta a sua personalidade no trabalho. Passamos uma “noite com James Whale” assistindo A Noiva de Frankenstein, uma fita mais originada do que adaptada.
“ELA ESTA VIVA”! Para sempre viva, graças a um belo filme que transcende o tempo.

EUA – 1935
TERROR
75 min.
PRETO E BRANCO
FULLSCREEN
LIVRE
UNIVERSAL
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
CONTEÚDO DO DVD:
• Criando A NOIVA de Frankenstein
• Arquivos da Noiva
• Trailer de Cinema
UNIVERSAL
PICTURES E CARL LAEMMLE APRESENTAM
UM
FILME DIRIGIDO POR JAMES WHALE
The Bride Of
Frankenstein
Estrelando BORIS KARLOFF
COLIN CLIVE ELSA LANCHESTER
ERNEST THESIGER
DWIGHT FRYE VALERIE HOBSON
O.
P. HEGGIE UNA O´CONNOR
Música de FRANZ WAXMAN
Diretor
de Fotografia JOHN J. MESCALL
Montagem TED KENT Maquiagem JACK P.PIERCE
Cenografia CHARLES D. HALL Roteiro de WILLIAM
HURLBUT
Adaptado por:
WILLIAM
HURLBUT & JOHN L. BALDERSTON
(a
partir dos personagens sugeridos por MARY SHELLEY)
PRODUZIDO POR
PRODUZIDO POR
CARL
LAEMMLE JR.
UM
FILME UNIVERSAL ©1935

11 comentários:
Teste
agora consegui, como já frisei, excelente texto, para um filme iconico. Abraço.
Rs! AEW agora foi, rs! Blogspot me fazendo querer mudar de plataforma deixando os leitores nesta situação. Enfim.... obrigado mais uma vez pela presença CELO. O filme é realmente iconico e muito criativo. Gosto muito deste clássico inigualável.
Abraços
Rodrigo
I gotta it!
E pelo visto vc tb!
Pois é, um filme icônico. Legal vc ter sublinhado essa cena do cego, pois foi uma das que mais me marcou quando conferi o filme (o q já tem um tempinho).
Aproveitando esse teu comentário das sobre o filme ser indicado para estudantes de cinema, acho que -como prova Wes Craven- o terror é o melhor dos labortórios para aprendizagem em matéria de cinema e narrativa.
Abs
REINALDO: Conseguimos. Rs!
Verdade, o terror é o caminho para descobrir o cinema, pq é através dele que o artista tem que imprimir criatividade. É difícil assustar uma platéia. Wes tb sabe a fórmula e Whale é o professor dele e de muitos.
Grande abraço.
Rodrigo
A NOIVA DE FRANKENSTEIN é um terror dos melhores. A Elsa Lanchester está fantástica!
O Falcão Maltês
Obra genial.
Quando trabalhava em um vídeo clube lembro de uma distribuidora ter lançado clássicos do terror num caixão.........simplesmente genial. Pena que não tinha dinheiro para comprar.
ANTONIO: Faço coro a você amigo, e mesmo a Elsa aparecer no começo e no final, ela arrasa em cena. É mesmo um filme atemporal.
Abs.
Rodrigo
RENATO: Muito legal esta coleção num caixão...lembro que vc já havia me dito nos posts anteriores desta série.
Agora quero esses VHS´s Rs!
Abs.
Rodrigo
Filmaço. Vez ou outra vejo de novo. Abç e bons filmes.
Teste [2]
aeeee, consegui =D
Excelente texto, Rodrigo. Tô contigo de que "A Noiva de Frankenstein" não deve mesmo nada ao original, outra obra inesquecível do cinema. Gostei do espaço que você deu aos outros filmes, inclusive para "A Noiva de Chucky", um guilty-pleasure delicioso HAHAHAHA! Ai, Jennifer Tilly...
abs!! o/
MAXX: É sempre bom ver esta fita, sempre. Abs. Bons filmes pra vc tb.
ELTON: AEEE, rs! Viu era zica do blogspot!
Obrigado e faço coro a você. A Noiva do outro monstro, o Chucky, rs é mesmo um guilty-pleasure delicioso e mesmo a Jennifer Tilly não sendo a minha praia, hahahahaha é trash demais, mas eu gosto.
Abs.
Rodrigo
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