sexta-feira, 9 de setembro de 2011

GEORGE LUCAS| STAR WARS EPISÓDIO II – ATAQUE DOS CLONES

Preparados, armados e marchando

Dez anos depois de ter vencido a Federação de Comércio, a República reúne um grupo secreto de clones, um exército armado para combater uma nova guerra na galáxia armada por um ex-cavaleiro Jedi que passou para o lado do mal. Neste cenário Anakin Skywalker deve proteger a senadora de Naboo, Padmé, das tentativas de assassinatos à sua vida. Com isso, sendo o guarda costas da moça, o jovem Jedi acaba selando um romance secreto com ela.
George Lucas realiza o seu primeiro filme romântico neste capítulo que começa a criar forma e lembra traços da trilogia clássica. Com um plot misterioso em que Padmé (NATALIE PORTMAN) ex-rainha do planeta monárquico Naboo é perseguida por um impiedoso caçador de recompensa que quer matá-la a mando de políticos separatistas corruptos, chefiados por um Jedi mais velho que virou um Sith, Conde Dookan (CHRISTOPHER LEE). O episódio começa interessante com uma premissa de suspense exatamente dez anos após o AMEAÇA FANTASMA em que apresentava o garotinho Anakin Skywalker, o futuro Darth Vader. Agora a heroína é eleita senadora e representa o seu planeta natal no senado de Coruscant (o planeta que muito lembra a 'Metrópolis' de Fritz Lang). Porém, uma facção desses políticos separatistas, liderados por Dookan, começam a armar inúmeras tentativas de assassiná-la. O assassino é um homem misterioso que ganha a vida como matador de aluguel ou caçador de prêmios, Jango Fett, revelado como sendo o protótipo de um secreto exército de clones da República que teria sido ordenado por um falecido cavaleiro Jedi (na verdade o próprio Darth Sidius). Este assassino que usa um foguete, pistola a laser e um capacete que esconde sua identidade acaba desencadeando essas investigações, que é a missão do Mestre Jedi Obi-Wan Kenobi (EWAN McGREGOR perdendo a juventude) e de seu aprendiz Anakin (estréia de HAYDEN CHRISTENSEN no papel adulto substituindo JAKE LLOYD, o menino).

O primeiro e último filme romântico de Lucas
Ambos são convocados pelo Supremo Chanceler Palpatine, antes Senador da república (o vilão IAN McDIARMID) e pelo próprio conselho Jedi: YODA (FRANK OZ agora fazendo apenas a voz do personagem) e Mace Windu (SAMUEL L. JACKSON com um papel de maior destaque) para proteger a senadora. O fato é que Anakin ainda esta em fase de aprendizado, sendo apenas um Padawan que não sabe ouvir as orientações de seu mestre. Jovem, inconsequente e apresentando os primeiros sinais de egocentrismo e senso de perda, resultando em um ódio quando perde a mãe. Ele é apegado a Padmé desde moleque, e quando os dois se reencontram acabam se apaixonando de vez e mantendo um amor secreto. Ela é política. Ele é um Jedi. Logo, o relacionamento deles é terminantemente proibido, mas unidos por uma forte atração, resolvem viver este amor que vai gerar frutos.

O filme sobe e desce neste romance belo que mesmo sendo uma típica história de Shakespeare (soando o clichê), sabe impressionar com os magníficos cenários florestais, lagos, cascatas e "sacada" romântica. Todo o clima é favorável ao ato apaixonante. Lucas nunca revela o ato sexual, apenas beijinhos e leves carícias com poemas apaixonados, a fim de manter o universo de Star Wars como cinema de matinê. Mesmo que este Anakin se apresente atraente, lindo e galanteador, deixando-a diversas vezes nervosa e irracional. A cena que os dois se beijam pela primeira vez é até bonitinha, este é o espírito. Sem mais. E não é tão direto e carnal (erro cometido na trilogia clássica que mostrava Han Solo e Léia se agarrando na Millenium Falcon).
O mais legal do filme é sabermos a origem do famoso caçador de recompensas, Boba Fett, aqui um menino de 11 anos (feito por DANIEL LOGAN) um clone inalterado, sem crescimento acelerado como os outros, e que desde cedo acompanha o pai, Jango, um sujeito asqueroso, nos freelas de matador. É neste capítulo que presenciamos a ascensão do famoso exército imperial, milhares deles (neste filme feito por computação gráfica que também multiplica os atores que interpretam o personagem “Jango” nas fases da vida) em uma ótima sequência de marcha soldado com o hino operístico de JOHN WILLIAMS, os clones se mostram invictos e preparados para acatar qualquer ordem sem questionar.
Certamente foi um alívio para os fãs mais antigos poder assistir a um episódio de Guerra Nas Estrelas (como chamado antigamente) com os figurantes habituais e não mais aqueles robôs bobos que são facilmente derrotados com um sabre-de-luz, como manteiga. Toda aquela parte prima da saga mostrada no Ameaça Fantasma somado com o clima atrapalhado à la Carlitos da figura do Jar Jar, as cenas na Assembléia e as excessivas explicações da origem da força, com certeza distanciou o público mais velho que não via na primeira parte os personagens clássicos. Desta vez, além de ATAQUE DOS CLONES começar a se aproximar da trilogia anterior como uma verdadeira prequel, da oportunidade aos carismáticos andróides R2-D2 e C3PO (os habituais KENNY BAKER e ANTHONY DANIELS) de viverem a sua primeira aventura juntos, começando em uma linha de montagem maquiavélica que constrói o exército dróide do mal. Aliás, para realizar esta sequência de ação, e como muitas do filme, como a alucinante perseguição de Speeders e a própria Guerra dos Clones, Lucas e sua equipe de animadores da ILM pintam digitalmente

cada detalhe das cenas. Ou seja, quase nada é um set de filmagem ou locação. É tudo feito em estúdio com Chroma key (que elimina o fundo da imagem para isolar os atores que são combinados em uma outra imagem de fundo), agora o mais impressionante é a escala desta trucagem que Lucas realiza na fita. Além de planejar as cenas de ação e combate com um animatix virtual que substitui o storyboard, tudo é praticamente imaginário e os atores tem que se imaginar lutando contra criaturas e cenários que não estão lá. Portman disse uma vez que sentiu vergonha de parecer tola.

O filme também recebe os créditos de ser o primeiro que propôs o final do celulóide. Totalmente captado com câmeras digitais, naquele ano, ainda engatinhando. Com isso Lucas acelerou o processo de produção e se concentrou muito mais em pós-produzir todo material ligeiramente gravado.
Anthony Daniels e George Lucas no set.
Outro ponto alto do filme, e que por competência dos animadores, é o fato do carismático personagem YODA, pela primeira vez, ter sido feito inteiramente no computador. Desta vez Lucas supera os obstáculos quando criou no episódio anterior a criatura Jar Jar. Aqui ele teve que substituir o ator Frank Oz da performance física em que fazia os movimentos com um boneco metros abaixo do chão (eles construíam literalmente um andar acima nos cenários em que o sapo Yoda aparecia). Portanto podem notar que nos outros filmes a figura do pequeno grande mestre era um tanto limitada nas cenas, só que desta vez, há um dramático e emocionante duelo de sabre de luz que responde os feitos extraordinários da tecnologia que foi capaz de dar meticulosos movimentos em um personagem que em um dia de chuva, já foi um puppet. Oz com a sua inconfundível voz caricata ajuda a dar vida ao velho e conhecido personagem.
A sequência das Guerras Clônicas é o ponto alto do filme!
Ironicamente o filme estreou no Brasil em uma segunda feira no dia 1 de Julho, que por acaso é o meu aniversário. Na época da campanha publicitária havia saído um boato de que LEONARDO DICAPRIO faria o papel de Anakin (com algumas montagens fake de pôsters e tudo), mas na verdade ele nunca fez uma audição, visto que, RYAN PHILLIPE, COLIN HANKS e o falecido JONATHAN BRANDIS (de HISTÓRIA SEM FIM PARTE II) foram realmente cotados.
 
Antes de o filme terminar com o épico desfecho que culmina na Guerra Clônica com milhares de tropas clones e andróides guerrilhando em um planeta alaranjado, Lucas cria uma divertida batalha que começa em uma grande arena alienígena. O local obviamente é uma referência a filmes de gladiadores (referência principal ao clássico Spartacus) onde criaturas selvagens são soltas no Coliseu e perseguem os heróis acorrentados para serem massacrados. O cenário é bem típico da série (lembra um pouco Luke lutando contra o monstro do calabouço de Jabba em 'Jedi') a diferença é a escala de efeitos visuais e uma arquibancada com milhares de seres com aparência de insetos que saciam o desejo de ver os mocinhos mutilados pelos monstros. No final, tudo acaba em um combate típico, com todo tipo de armas laser exércitos de ambos os lados e o mais impressionante: a primeira batalha conjunta dos cavaleiros da ordem Jedi e mestre Windu com o seu sabre roxo cheio de estilo ao modo de Samuel L. Jackson. Vibrante!

Sendo mais um carismático episódio leve da saga, O Ataque Dos Clones pode não ter aquele gancho igual ao de O IMPÉRIO CONTRA-ATACA, mas apresenta e desvenda o mistério dos soldados brancos que vivem batendo os capacetes nas portas automáticas, e que com certo clima obediente, podem ser úteis até certo ponto. Afinal, de que lado eles estão?






EUA– 2002
AVENTURA/FICÇÃO CIENTÍFICA
WIDESCREEN
143 min.
COR
FOX
LIVRE
✩✩✩ BOM

STAR WARS
EPISODE II
ATTACK OF THE CLONES

ESTRELANDO
EWAN McGREGOR NATALIE PORTMAN HAYDEN CHRISTENSEN
IAN McDIARMID  SAMUEL L. JACKSON CHRISTOPHER LEE
Co-estrelando
Anthony Daniels. Kenny Baker. Pernilla August
Temuera Morrison. Daniel Logan. Rose Byrne 
E FRANK OZ como YODA
Música JOHN WILLIAMS Produtor Executivo GEORGE LUCAS
Produção RICK McCALLUM
Roteiro de GEORGE LUCAS e JONATHAN HALES
Argumento de GEORGE LUCAS
Dirigido por
GEORGE LUCAS
LucasFilm Ltd. ©2002

7 comentários:

Amanda Aouad disse...

É, esse é daqueles filmes para mim que são mais ambíguos. Amo a série original, esperava muito a nova série, A Ameaça Fantasma foi aquilo, aí esse era a prova dos nove. É interessante, tem bons momentos, mas no geral, acho um filme cansativo. Não gosto de rever, por exemplo.

bjs

Britto disse...

Não curto a segunda trilogia. Acho que se tivesse sido feita na época da primeira, teria sido melhor. Mas enfim...

Rodrigo Mendes disse...

AMANDA, BRITTO: Eu sou suspeito para falar de Star Wars, ainda mais pq virei fã muito novinho na época do Ameaça Fantasma e entendo vcs!
Abraços

Rodrigo Mendes disse...

Eu li que na época do "Império", Lucas disse que iria fazer nove filmes. Essa espera da tecnologia como ele sempre pretendeu deixou aquela nostalgia dos fãs mais antigos ameaçada mesmo!

ANTONIO NAHUD disse...

Amigo, venha participar do nosso novo teste cinematográfico. Katharine Hepburn é o tema.

O Falcão Maltês

Eros Pacheco disse...

Eu também comecei a conhecer a saga através do Ameaça Fantasma, ainda meio piralho, um dos primeiros filmes que vi no cinema. Porém os 2 primeiros acabam por ser cançativos um cansaço semelhante a assistir O Senhor dos Anéis. George Lucas para conseguir apoio dos estúdios lançou os episódios que teriam uma história mais chamativa e envolvente, então sobrando o I-II-III, mas o grande ápice é o episódio III, talvez também pela levada mais "adulta" que não acontece nos outros 2. Por exemplo quando são mortos os alunos jedis, e também finalmente acontece a criação do maior vilão do cinema. Outra coisa, nessa talvez possa estar falando bobagem, é o personagem de Hayden Christensen (Anakin) que não convence e acaba na maior parte do filme coadjuvante e deixando o papel principal para Ewan McGregor (Obi-Wan)

Rodrigo Mendes disse...

ANTONIO: Participo do próximo quiz. Valeu!

EROS: Entendo Eros, você é da minha geração. O primeiro Star Wars que vi na vida foi mesmo o de 77. Numa fita antiga (quase embolorada) de locadora. Eu amei quando vi aquele cenário galáctico e o filme ficou na minha cabeça. Passado mais alguns anos, ainda piralho, conheci melhor o universo de Lucas com o Ameaça Fantasma.

De fato, o episódio III é o melhor da nova trilogia e um filme mais excitante e justamente pela expectativa dos fãs de ver a conclusão da saga que não acaba aqui! Adoro a transformação de Vader, um dos momentos mais gélidos do filme e aqui Hayden já ficou oprimido. Acho que ele foi um bom ator. Claro que ele não é excelente e o Ewan McGregor deixa o rapaz sempre como coadjuvante. Na verdade o importante nos filmes de Lucas é a tecnologia, ele nunca se preocupou em controlar os atores.

Abraços
Rodrigo

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