sábado, 29 de outubro de 2011

A BRUXA DE BLAIR

O MEDO DAQUILO QUE NÃO VEMOS

OUTUBRO DAS BRUXAS

Três estudantes de cinema embrenham-se numa floresta para filmar um documentário sobre uma lenda urbana local: A Bruxa De Blair. Eles nunca mais voltaram, mas um ano depois as imagens desta experiência amadora, são localizadas.


Quem é a Bruxa? Cadê a Bruxa? Quem se importa? Quanto a mim, não me importo. A BRUXA DE BLAIR é um clássico das circunstâncias. Um filme de baixo orçamento e que usou de toda uma criatividade para se tornar um enorme rendimento de bilheteria. Esta fórmula, de contar um filme propositalmente com estilo amador de cineastas em sua primeira viagem, já se esgotou, mas no final – último ano da década de 90- tornou-se rapidamente uma narrativa atraente em Hollywood. Parecia mesmo uma ótima idéia que deu muito certo, isto é, misturar elementos documentais com o da ficção clássica.

O roteiro é ainda mais interessante pelo fato de parecer uma aventura aterradora e real. É sobre três estudantes de cinema: Heather (HEATHER DONAHUE) Michael (MICHAEL WILLIAMS) e Josh (JOSHUA LEONARD) que vão para uma pacata cidade dos Estados Unidos em Maryland, precisamente para a Floresta de Black Hills em Outubro de 1994 filmar um documentário amador sobre uma lenda urbana local: “A Bruxa De Blair” que teria assassinado inúmeras crianças e até então era um mistério. O problema é que nunca mais se ouviu falar dos jovens cineastas. Exatamente um ano depois, é encontrada na floresta, a gravação que mostrava a experiência do trio que se perdeu e desapareceu. O filme tornou-se uma prova viva da lenda, e o legado de Heather, Michael e Josh, passou a se chamar de “O Projeto Bruxa De Blair”. É assim que assistimos à fita: câmera na mão, balançando para lá e para cá, imagens amadoras, iluminação péssima e os diálogos sem sentido dentro e fora do “projeto”, já que a garota resolveu também filmar todos os detalhes da aventura fazendo um making –of aborrecido. Na verdade nem assistimos ao filme que eles planejavam exibir porque o mesmo ficou incompleto na medida em que a situação começava a piorar. Quando eles não sabem mais onde estão, e as discussões se tornam bolas de neve e, a coisa começa a ficar feia nas primeiras noites no acampamento que se tornaram verdadeiros pesadelos fantasmagóricos. 
Dá um certo medo, um medo inteligente, às vezes bem lá fundo, quando se assisti a “Bruxa”. Os atores interpretam a si mesmos e há poucas participações especiais, apenas de moradores locais dando o depoimento sobre a lenda. A Bruxa de verdade é um mistério, o que vemos é a sua maldição espalhada e que se “aproxima” à noite pela floresta. Umas cruzes esquisitas tiradas de alguma seita satânica, animais mortos, mutilados, e algo de negativo no ar que deixa os garotos doidos e apavorados, são as verdadeiras provas reais da presença da Bruxa. Evidências angustiantes.
Heather escreveu o seu próprio monólogo para as cenas iniciais em seu documentário (a metalinguagem mais inteligente que já vi). O filme começou com o título de “The Black Project Hills”. Na verdade os atores tiveram apenas trinta e cinco páginas de roteiro que era um esboço resumido sobre a mitologia que é a força motriz da premissa. O filme é mais improvisado do que ensaiado previamente com um script tradicional. A fita foi produzida pela firma independente HAXAN FILMS. Em sueco “Haxan” significa bruxa. Dentre as inúmeras curiosidades do filme, a pequena equipe de filmagem demorou apenas oito dias para finalizar as gravações. Antes de o filme ser lançado, os três atores principais foram listados como desaparecidos, presumivelmente mortos. Isso gerou uma polêmica falaciosa. Os diretores e roteiristas do projeto: EDUARDO SANCHEZ e DANIEL MYRICK fizeram uma brincadeira de que tudo aquilo era real e que de fato as pessoas estavam assistindo filmagens reais. Isso foi uma tirada de marketing esperta para promover o filme, o que deu certo. Até hoje algumas pessoas duvidam e acham que tudo que assistiram era a mais pura realidade. Ainda, a Haxan produziu (brilhante idéia) um documentário para TV (com cara de SBT ou Globo Repórter) que contava a história de Heather, Josh e Michael e da lenda da bruxa intitulado: “A Maldição Da Bruxa de Blair”. Eu já assisti duas vezes no extra do DVD e realmente fico na dúvida se as pessoas que dão depoimentos são atores interpretando amigos e familiares dos jovens, ou de fato são parentes e pessoas próximas que entraram na brincadeira. Tudo é realizado com seriedade como naquelas reportagens investigativas com aquele estilo de BG (fundo musical) de crimes, homicídios e fatos inexplicáveis. Também assusta um pouco. A idéia central deste projeto, sem dúvida é genial. É a exploração ao máximo através das mídias de comunicação que só funcionaria com uma história de terror. Quem iria se importar com a Lady Gaga velejando, de verdade ou não, no Triângulo das Bermudas?  
Tudo no projeto da Bruxa de Blair é interessante porque além de ser sobre uma lenda, o filme é um documento de histórias que ouvimos e não sabemos ao certo se é mito ou realidade. Seria fácil fazer um filme sobre a lenda urbana da cult loira do banheiro, e não interessa se o resultado fosse amador ou super-produção, o lance aqui é saber enganar a platéia com a metalinguagem e algum efeito sonoro que estimule (no caso do filme funcionou com a forma amadora pioneira). A televisão (Rede Globo) já criou um estímulo sonoro aterrador com a música do Plantão Globo – que só faz o telespectador imaginar uma futura tragédia (as vezes nem se trata de notícias ruins). É como se Sanchez e Myrick captassem mais ou menos isso, algum sinal que representasse a total veracidade dos fatos e levasse ao cúmulo até a tela de cinema. 
O filme pode ser irritante, enjoar com os seus movimentos de câmera e ser uma experiência estranha e atípica, mas eu gosto. Nunca havia experimentado algo assim no cinema (só depois com o espanhol REC) e o mais atraente era justamente sentir medo da minha própria imaginação, mesmo sabendo de que se tratava de um filme barato de terror. Era o medo daquilo que não via. Os sons maléficos de criancinhas do lado de fora da tenda ou quando a mesma começa a balançar e eles saem correndo desesperados da barraca gravando tudo. Um deles desaparece, o outro termina de enlouquecer e fica - como uma regra sem exceções- a última garota a enfrentar a ameaça fantasma. ("Josh! Josh! Cadê você?") Heather emociona e apavora deixando um aperto não se sabe onde, somado a uma angústia que também irrita, em seu clássico depoimento, chorando e pedindo desculpa aos pais dos rapazes e se despedindo da família dizendo que os ama. Ela não consegue fechar os olhos e nem assoar o nariz de tanto medo, na cena que virou antológica. 

“A Bruxa” parou no livro dos recordes (Guinness Book) por ser a produção de cinema mais barata (mainstream) a faturar tanto dinheiro nas bilheterias. Foi uma verdadeira febre mundial, como se diz. Teve uma continuação irregular em 2000 dirigida por Joe Berlinger: A BRUXA DE BLAIR 2 – O LIVRO DAS SOMBRAS. Rapidamente a idéia ficou exaurida em um filme explícito e burro.

Com bruxa ou sem bruxa, também faltaram as migalhas de pão para as crianças voltarem ao caminho, o filme assusta. E outro problema: o único casebre de Black Hills não era de doces. O destino dos três era documentar o terror próprio, uma jornada sem volta no único projeto de suas vidas.


EUA – 1999
TERROR
81 min.
COR
FULLSCREEN
EUROPA
16 ANOS
✩✩✩✩ ÓTIMO


ARTISAN ENTERTAINMENT APRESENTA
UMA PRODUÇÃO DA HAXAN FILMS
HEATHER DONAHUE. MICHAEL WILLIAMS. JOSHUA LEONARD
THE BLAIR WITCH PROJECT
Figurinos BEN ROCK Direção de Arte RICARDO R. MORENO
Direção de Fotografia NEAL FREDERICKS Música ANTONIO CORA
Produtores Executivos BOB EICK e KEVIN J. FOXE
Co-produção MICHAEL MONELLO
Produzido por GREGG HALE e ROBIN COWIE
Escrito, dirigido e Montado por
DANIEL MYRICK & EDUARDO SANCHEZ
The Blair Witch Project © 1999 HAXAN Films

12 comentários:

Unknown disse...

Eu vi este filme com uma amiga, ainda adolescente; Tudo aquilo com cara de documentário parecia servir para assustar ainda mais.. Nós duas nervosas, ficamos comentando do filme por semanas...
A jogada de marketing então.. genial!

;D

Renato Oliveira disse...

Brilhante, Rodrigo!
Será que a Bruxa de blair pode ser considerada Épica?
não me lembrava do roteiro e não tinha em mente esta proposta de ser uma espécie de documentário. A jogada faz todo o sentido, realmente: não-conhecer pode ser acentuadamente terrificante.

"Sedução e vingança" do Abel Ferrara é muito único. Não conheço muito a filmografia dele, mas acho genial a maneira como ele procurou mostrar de modo praticamente "convencional" o horror nas ruas daquela cidade. Vale muito a pena!

Um abraço! ^^

Carla Marinho disse...

Post indicado nos links da Semana.
http://blogsdecinemaclassico.blogspot.com/2011/10/links-da-semana-de-24-30-de-outubro.html

renatocinema disse...

Gosto muito do projeto desse filme.

Me lembro que acompanhava tudo pela internet e foi uma ótima jogada de marketing.

Fui na estreia e fiquei muito satisfeito com o resultado.

Horrível é a continuação.

Rodrigo Mendes disse...

KARLA: Eu vi este filme ainda muito menino pela primeira vez. Obviamente fiquei impressionado. O Marketing nesta fita foi algo de gênio mesmo. Limitou-se mais tarde.

Bjs.

RENATO: Não chamaria de épico, mas experimental. Como arte, divulgação... "A Bruxa De Blair" jogou com todas as cartas da feitura até a exibição do filme.
Abs.

CARLA: Thanks!
Bjs.

RENATO: Tb gosto do filme. A continuação me faz vomitar, rs!
Abraços.

Rodrigo

Elton Telles disse...

Adorei o visual macabro do blog para o especial Halloween hehe.
Olha, tenho que rever "A Bruxa de Blair". Vi aos 10 anos, na minha fase fã de filmes de terror gore e sem nenhum conhecimento cinematográfico. Fui levado pela febre desse filme, criei expectativas enormes, mas o odiei porque não tinha sangue HUAHAUAHAUAH, pode isso?

Confesso que tenho que revê-lo para ter uma opinião mais concreta. Ou melhor, para ter uma opinião rs. Sei que essa fórmula hoje ficou muito desgastada e usada em filmecos bem bestas, como "O Último Exorcismo" e "Atividade Paranormal". Mas se vende ingresso... por que não investir? =)


abs!

Amanda Aouad disse...

Pois é, Rodrigo, também gosto. E gosto principalmente da ação de marketing em cima de seu lançamento, os atores escondidos, a propagação de que era real, a idéia, que depois virou gênero e desgastou. Enfim. Dou valor ao filme, que lamentavelmente teve aquela pseudo continuação.

bjs

Rodrigo Mendes disse...

ELTON: Obrigadoooo pelos elogios...matando a gato as sessões Outubro das Bruxas né? rs!

A Blair é uma bruxa que nunca vi...senti um medo da porra desta desgraçada! Vai, confesso, rs! Na época tinha os meus 13 aninhos. rs!
Um moleque corajoso e que se impressionava com certos filmes tb. HA! Provavelmente na época se gravassem um amador mostrando o chupa cabra, tb teria medo \0/

Abraços.

Rodrigo Mendes disse...

OI Amanda!
Pois é...lamentavelmente a fita teve um apêndice desnecessário. Creio que não há cinéfilo que goste de "A Bruxa De Blair 2 O Livro Das Sombras"
Hoje a fórmula já deu com os chatinhos "Atividade Paranormal", filmes bestas como disse nosso amigo Elton. Aliás, ATV. Paranormal não presta nem pra me assustar.

O marketing da bruxa foi coisa de gênio mesmo!
Bjs.

J. BRUNO disse...

Pois é, como não existe unanimidades quando se trata de gosto cinéfilo, tenho que confessar que apesar de considerar como um fator positivo o experimentalismo, a jogada de marketing e todas as ideias por trás do filme, eu ainda o acho muito chato. Ele não conseguiu me provocar nem um arrepio sequer... Na verdade este não é nem de longe um dos meus estilos de filmes favoritos, não gosto de terror e deste tipo de suspense... Max Schreck, na pele do Nosferatu, isso sim é de assustar! Mas apesar de eu não gostar do filme, reconheço que sua resenha ficou muito boa, bom texto e ótimos argumentos, me fez acreditar que posso não ter gostado apenas pelo fato de não ser fã do gênero, talvez o filme seja de fato isso tudo...
.
http://sublimeirrealidade.blogspot.com/

Rodrigo Mendes disse...

J. BRUNO: Obrigado por sua opinião. Ótimo vc ter ressaltado "Nosferatu"..clássico absoluto da sétima arte e do expressionismo alemão e que tbm me dá medo. Aquele monstro medonho...muito medo!

Abraço.

Anônimo disse...

Acho esse filme simplesmente sensacional. Na época em que vi, fiquei impressionado e morrendo de medo. Pra mim, já é um clássico do terror.

Abs!

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