segunda-feira, 31 de outubro de 2011

HALLOWEEN

OLHA A FACA!


OUTUBRO DAS BRUXAS

Um assassino psicótico chamado Michael Myers que foi internado desde a infância após assassinar friamente a irmã com uma faca de cozinha na noite do dia das Bruxas de 1963 acaba escapando da Instituição e resolve atacar 15 anos depois no Halloween de 1978. A vítima é sua outra irmã, Laurie Strode (JAMIE LEE CURTIS), mas o médico psiquiatra que cuidou pessoalmente do caso, o Dr. Loomis (DONALD PLEASENSCE) resolve seguir os passos do maníaco e não pretende deixar que ele continue sua trilha de sangue. Dirigido por JOHN CARPENTER.




Esqueçam as imitações, continuações e os remakes. Este é o original filme de terror e suspense que se passa em uma noite aterradora e escura do Dia Das Bruxas, o evento tipicamente americano em que crianças do bairro suburbano vão coletar doces ou sustos. HALLOWEEN- A NOITE DO TERROR ou “A Noite em que ele voltou para a casa” foi um divisor de águas sobre filmes de assassinos psicopatas que vieram depois com Jason, (antes LeatherFace), Freddy Krueger, Ghostface, Jigsaw, etc em toda uma geração de cineastas e público, ávidos por sangue, violência e terror, existiu um monstro maníaco. 

Embora muito antes de Myers ter existido, Norman Bates (Psicose, Alfred Hitchcock, 1960) e o primeiro filme do ponto de vista de um psicopata, hoje um clássico do cinema britânico ( A TORTURA DO MEDO de Michael Powell) também um filme de 1960 como Psicose, foram antecessores, mas foi esta fita de orçamento modesto do cultuado John Carpenter (até superestimado demais em início de carreira), Halloween, que trouxe a idéia bordão do “Eu Volto Já”. Assim sendo, quando o mocinho diz isso para a namorada, esta certo de que ele vai virar sopa de assassino mascarado e jamais irá retornar. Ou talvez retorne como defunto dando sustos e atrapalhando a fuga da próxima vítima, geralmente a última garota. Carpenter estabeleceu as regras clichês de um filme de terror do sub-gênero “psicopata mascarado” que se sucedeu com eficiência nas décadas seguintes em fitas de sucesso, até a fórmula se esgotar e fazer com que os novos filmes sigam novas regras de uma década mais cibernética. Jigsaw, por exemplo, planeja as mortes com jogos mortais psicológicos e inventivos na forma de armadilhas cruéis, e ele nem é um ‘super-homem’ como Myers. Ghostface de Pânico usava o método do telefone fazendo referências de filmes de terror, como Halloween, na década de 90. Neste período os telefones ainda não eram celulares, mas quando Craven – já tendo aposentado o seu maníaco dos sonhos Krueger da série “Pedadelo”- resolve quebrar uma trilogia de sucesso com um episódio ainda mais descarado e querendo se auto-reinventar, usa o que tem de clichê hoje em dia. E santa tecnologia Batman! Falo de pagers, Facebook, celulares com tudo( como torpedos) e assim o Ghost zoando com as loirinhas antes de matá-las. Mas, na época do Halloween, a Jamie Lee Curtis só tinha uma alternativa: correr de um assassino frio e assustador que não usava nem sequer telefones, e quando a coisa engrossava a coitada nem tinha como mandar um pedido de socorro pelo computador (como a Sid no Pânico I) e muito menos um tuite de “HELP” para as amigas. Eram tempos difíceis, e para a minha geração de “Pânico”, achamos que os filmes de terror desta época eram melhores, hoje lindamente envelhecidos.

Os filmes como Halloween eram muito mais verossímeis no inverossímil. Não tinha tempo para piadas ou joguinhos de morte. Em Sexta-Feira 13 o casal simplesmente transava e logo depois eram mutilados pelo Jason. Em A Hora Do Pesadelo os criativos efeitos especiais antes da era CGI eram a graça e Freddy com o seu humor ferino zoava de uma maneira tão engraçada que a série tinha um frescor. Mas o que seriam destes vilões se não existisse Halloween. Ou melhor, Michael Myers? Carpenter tem uma lista de filmes interessantes e leva o seu nome no topo: ELES VIVEM, A BRUMA ASSASSINA, FUGA DE NOVA YORK, DARK STAR, ASSALTO À 13º DP, O ENIGMA DO OUTRO MUNDO, AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO, À BEIRA DA LOUCURA, CHRISTINE: O CARRO ASSASSINO (baseado em Stephen king), VAMPIROS, FANTASMA DE MARTE, o recente ATERRORIZADA (ótimo retorno). Mas nenhum deles consegue ser tão inventivo e original na sua essência como Halloween. Além de ter lançado a carreira da filha da rainha do grito JANET LEIGH (a Marion Crane daquela cena do chuveiro), Jamie Lee Curtis, que se tornou a nova rainha do grito. Aliás, o seu grito é a coisa mais linda de se ouvir, perfeito. Lembram dela gritando “Harry, Help!” em True Lies? (fita de ação de Cameron, 1994). Parece mesmo que Jamie Lee nasceu para gritar, e ela faz tão bem. Michael é interpretado pelo ótimo TONY MORAN no papel adulto, que tem a  habilidade em segurar e usar uma faca de cozinha como ninguém, só que não para cortar bife para o dia de ação de graça, afinal estamos em outubro, o mês das Bruxas!

O filme é tão limpo, sem frescuras, simples e barato no bom sentido e tudo neste primeiro capítulo funciona. Aqui a música-tema do filme composta pelo próprio diretor ganha vida de uma forma impressionante. Da um certo medo ouvir a melodia assustadora no início dos créditos quando mostra uma cabeça de abóbora, e ela vai se aproximando da tela ao passar as titulagens (Carpenter fez a composição em quatro dias). Já resume muito bem o que virá por aí. Daí mostra o ponto de vista subjetivo do personagem, a câmera é na verdade os seus olhos, e vamos acompanhando ele, um menino que não quer bater na vizinha para pedir doces, se aproximar de uma faca de cozinha, colocar uma máscara, e assim, como é tudo do ponto de vista dele, vemos como ele vê. Um assassinato rápido e de dar inveja ao louco do Bates. Certamente que o filme tem muito mais suspense do que apenas terror. É um pouco dos dois e nunca é extremamente explícito o sangue de um adolescente maconhado, que após ter feito sexo decide ir à cozinha da casa escura pegar uma cerveja. Até mesmo os famosos “peitinhos censurados” da P.J. SOLES é na medida certa e até inocente.

O que preocupou os pais e a cesura na época era justamente a realidade do filme. Não era fantasia, mesmo com um serial killer que sempre voltava e nunca morria (mas ninguém sabia de continuações no lançamento do filme). A premissa era muito focada no homicídio caseiro. Era preocupante que alguns jovens copiassem o filme (como aconteceu com Pânico anos depois). No entanto Hitchcock disse uma vez que os filmes influenciam as mentes doentes, não as saudáveis. Mesmo com essa polêmica, a fita de Carpenter foi aquele sucesso de bilheteria, mas nenhuma indicação ao Oscar. Apenas ganhou em 1979 o mais importante prêmio que lhe cabe: o da crítica no extinto Festival fantástico de Avoriaz destinado a Carpenter.



Como vocês já sabem, o filme teve um orçamento apertado e providências criativas precisariam ser tomadas. As filmagens tiveram início no começo da primavera e ocorreram no sul da Califórnia – em oposição a Illinois onde se passava a história no final de outubro – portanto a equipe teve que arranjar folhas de papel de um decorador e pintá-las com as cores de uma folha morta de outono e espalhando-as nas locações (para economizar dinheiro nada de estúdio durante as gravações). Se repararmos bem no interior do quarto de Laurie, há um cartaz de uma pintura do artista James Ensor (1860 -1949) que foi um grande pintor expressionista belga que retratava figuras humanas usando máscaras grotescas. Foi ali que Carpenter buscou inspiração para a criação de Myers. Um sujeito calado e que usa uma máscara branca que emerge da escuridão.

Todos os atores usavam as suas próprias vestimentas, até mesmo o veterano Donald Pleasence (1919-1995) que recebeu vinte mil dólares por cinco dias de trabalho. O velho representou muito bem nas continuações, embora alguns irregulares, exceto em HALLOWEEN III – A Noite Das Bruxas (1982. Dirigido por Tommy Lee Wallace diretor de arte e montador deste primeiro), o pior filme da série sem ligação com a lógica e com os demais filmes da série. Jamie Lee Curtis só esteve depois em HALLOWEEN II – O Pesadelo Continua (1981), produzida por John Carpenter e dirigida por Rick Rosenthal (com um orçamento maior e distribuição da Universal Pictures), que foi um excelente retorno do primeiro e que se passa na mesma noite. Ela faz uma homenagem a si mesma quando estrela o HALLOWEEN: H20 (1998) – exatamente Vinte Anos Depois como diz o subtítulo em um filme regular, co-estrelado por Josh Hartnett como seu filho e Michelle Williams, ambos em início de carreira no cinema. A fita foi dirigida por outro diretor de filmes de terror, STEVE MINER (Sexta-Feira 13 Partes II e III) e finalmente Jamie Lee da o adeus a Laurie em uma participação especial na primeira parte de um filme ridículo: HALLOWEEN: RESSURREIÇÃO (2002) também dirigida por Rick Rosenthal. Mas a série teve altos e baixos, antes da desrespeitosa refilmagem da primeira e segunda partes por Rob Zombie (desnecessário como diretor de cinema) teve filmes na média, sempre estrelados por Pleasence: HALLOWEEN 4 – O Dia Das Bruxas (1988) na qual o psicopata atormenta uma garotinha (Danielle Harris) e que continuou em HALLOWEEN 5 – A vingança de Michael Myers (1989) e o mais atrapalhado de toda a saga, o filme que pensava que iria encerrar a série em: HALLOWEEN 6 – A Última Vingança (1995) última vez também de Pleasence. Este filme ficou por pouco  parecido com Jason Vai Para O Inferno: A Última Sexta-Feira 13! 


Pleasence ficou marcado pela série
De qualquer forma Michael sempre volta como os seus outros colegas de profissão. A diferença é que Myers tem truques na manga, o que explica quando pensamos que a Jamie Lee tinha decepado a cabeça do “monstro humano”, mas na verdade foi um guarda de segurança que o Michael deixou inconsciente e o vestiu, aprisionando sua máscara no pobre e futuro sujeito sem cabeça. Essa explicação poderia nem existir se não houvesse o apêndice “Ressurreição” e Jamie Lee canastrona aceitando o papel por dinheiro. Enfim, o que importa mesmo é a explicação de Loomis quando dizia que aqueles olhos sem vida eram o puro mal. O mal em sua essência, forma, magnitude e naturalidade. A frieza que Michael conduz um assassinato seria como um cobrador recebendo o dinheiro da passagem do ônibus e tem que dar o troco. Ou Chaplin apertando os parafusos em Tempos Modernos. Matar era algo fluente em Myers e que podia cair na rotina bitolada. O que Michael nunca teve mesmo foi criatividade para realizar um crime. Se Freddy tinhas as facetas e poderes nos sonhos, Jason qualquer tipo de ferramenta de pedreiro, cozinheiro, e outros artefatos (mas nunca uma motosserra), para Michael só bastava uma faca. Salvem as babás!

UM FELIZ HALLOWEEN... IF YOU CAM





EUA – 1978
TERROR/SUSPENSE
WIDESCREEN
COR
91 min.
18 ANOS
CONTINENTAL/RESERVA ESPECIAL/SPECTRA NOVA (Brasil)
✩✩✩✩✩ EXCELENTE



MOUSTAPHA AKKAD
APRESENTA

JOHN CARPENTER´S
HALLOWEEN
UMA PRODUÇÃO DE DEBRA HILL
ESTRELANDO: 
DONALD PLEASENCE 
E APRESENTANDO:
JAMIE LEE CURTIS
CO-ESTRELANDO:
NANCY LOOMIS
 P.J.SOLES
CHARLES  CYPHERS
 KYLE RICHARDS BRIAN ANDREWS
WILL SANDIN (Michael Myers - criança)
e TONY MORAN (Michael Myers - adulto)
Música de JOHN CARPENTER
Diretor de Fotografia DEAN CUNDEY
Montagem CHALES BORNSTEIN. TOMMY WALLACE
Direção de Arte TOMMY WALLACE
Produção Associada KOOL LUSBY
Produtores Executivos
IRWIN YABLANS
 MOUSTAPHA AKKAD
Produzido por DEBRA HILL
Roteiro DEBRA HILL e JOHN CARPENTER
Dirigido por JOHN CARPENTER
Halloween © 1978 A Compas International Pictures Release

9 comentários:

ArmPauloFerreira disse...

Muito bem falado, mesmo que extensivamente, sobre este mítico Halloween de Carpenter.
Li todo o artigo, que é mais que uma critica ao filme mas sim a toda uma saga e já incluindo os remakes. Gostei! Parabéns Rodrigo!
Well done!

Guilherme Z. disse...

Muito legal relembrar este clássico do cinema de terror. Suas continuações causavam sustos, mas não eram tão boas. As refilmagens recentes são bacaninhas, mas o primeiro é o primeiro e nada o substitui. Parabéns pelo texto.

renatocinema disse...

Eu adoro o filme.

A música tema realmente é marcante e a participação da protagonista um arraso.

Pequeno símbolo de uma geração.

Unknown disse...

Com certeza este filme revolucionou o gênero! A ideia de um serial killer é tão próxima que assusta só na premissa.

Jason é o mestre dos assassinos! hehehe

Muito interessante saber como eles conseguiram manejar com um orçamento tão curto... Uma obra marcante!


;D

Unknown disse...

sou fã do genero, mas acredita q nunca vi nenhum filme desse Myers? Não me chamava a atenção, tenho q experimentar qq dia desses. Abs!

Rodrigo Mendes disse...

Obrigado Paulo! Abraços.

GUILHERME: Concordo com vc que o primeiro é único, tanto acho que é insubstituível. Por isso não gosto dos remakes, daí nisso discordo de vc.
Abs.

RENATO: Lee Curtis e a música de Carpenter são mesmo as cerejas no bolo.
Abs.

KARLA: Jason? Vc não quis dizer Michael Myers? Rs!

De todos os filmes de serial killer, Halloween é o que mais mete medo.
Beijos

CELO: Amigo, corra lá e assista! Pague esse prejuízo, rs! Só te recomendo mesmo este primeiro e o segundo.
Abs.

Gilberto Carlos disse...

Adoro o primeiro Halloween (os outros nem tanto). Jamie Lee Curtis foi a primeira musa do terror moderno.

railer disse...

eu sou suspeito pra falar pois adoro filmes de terror. halloween então é muito sinistro!

Rodrigo Mendes disse...

GILBERTO: A garota do Massacre Da Serra Elétrica tb, mas creio que Lee Curtis se destacou mais e "Halloween" figura muito melhor o terror.
Abs.

RAILER: Tb, rs! Adoro um boo no cinema.
Abs.

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