quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O GRITO

O SOM DO RANCOR
OUTUBRO DAS BRUXAS


Uma assistente médica social que vive no Japão é exposta a uma maldição fantasmagórica cheia de rancor que mata a todos sem piedade, os que entram em contato em uma velha casa mal assombrada. Baseado no filme asiático “Ju-On” de Takashi Shimizu.


Sam Raimi, um especialista em filmes de terror (Evil Dead- Arraste-me Para O Inferno) levou para a América um cult japonês do gênero intitulado “O Rancor”, escrito e dirigido por TAKASHI SHIMIZU, que pelo bom senso de Raimi, dirige pessoalmente esta adaptação americana. A premissa é bem arrepiante: uma substituta assistente social americana, Karen (SARAH MICHELLE GELLAR) que reside no Japão há alguns anos com o namorado (JASON BEHR), visita uma pequena e estranha casa que está amaldiçoada depois de inúmeros assassinatos e desaparecimentos sem explicação. Ela acaba tendo um contato direto com o espectro feminino de cabelos compridos e de um menino japinha, e a partir daí, começa uma investigação para tentar resolver o mistério. Mas a trama é mais elaborada do que a protagonista e o público imaginam. O filme mostra mais dois casos diferentes, de pessoas que também foram mortas depois de entrarem naquela casa, todas com alguma relação com a defunta. 


Shimizu expõe o público a várias digressões frias, sem algum efeito especial, para contar a história de personagens que passam por uma espécie de sexto sentido. Não são pessoas especiais, qualquer um que entrasse numa casa cheia de rancor teria a oportunidade de ser morto por um fantasma que não perdoa. Isso explica, segundo a cultura japonesa, quando alguém morre com uma poderosa raiva, fica a tal maldição que se espalha como uma praga. Essa “praga” mata a todos de um jeito cruel. Simplesmente pelo fato de você ser amigo de um indivíduo que esteve naquele ambiente de ódio, traição, loucura, raiva e que espalha uma aterradora energia maligna, também pode ser perseguido. No fim não passa de uma simples fita B de fantasmas, só que muito bem elaborada. Tanto o “Ju-on” (2002) quanto “O Grito” (2004) são excelentes filmes. Assustam mesmo, dá muito calafrio e faz uma digna sessão pipoca terror. Assim sendo, Freddy Krueger e Jason já podem se aposentar, porque a japinha mete mais medo do que esses fanfarrões.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh


O elenco é bem conduzido e acertado. Não são atores tão dramáticos. Tem o BILL PULLMAN numa participação especial fazendo um professor universitário que é alvo de um amor secreto que foi a causa deste rancor. Mesmo a SARAH MICHELLE GELLAR que vem de outras fitas B do gênero fazendo a típica moça que é ataca, a coadjuvante ( Ex.: Pânico 2, Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado), mesmo aqui ela sendo a principal, o filme a castiga (é explicado na continuação). Provavelmente essa fita e “BUFFY – A Caça Vampiros" (série cult de TV) fizeram dela uma celebridade. 

Uma cena de chuveiro sem grito, apenas susto!
A produção é caprichada. É uma co-produção EUA e Japão, a história se passa inteiramente do outro lado do mundo, naquele país pequeno e simpático, tem atores bons como RYO ISHIBASHI (do ótimo “Ôdishon” – Audition, 1999) que faz o detetive Nakagawa que investiga o caso e a conhecida de rosto, mas nunca de nome, GRACE ZABRISKI, que faz a velinha doente. E, TED RAIMI, irmão de Sam, comparece fazendo um desempenho trash.


O filme foi todo elaborado em  storyboard  pelo próprio Shimuzu e os esboços do set da velha casa desenhados por Iwao Saito, o diretor de arte, e os resultados são mesmo curiosos. O que me impressiona no cinema japonês, além da criatividade oriental, detalhes que o público ocidental não deixa de prestar atenção por ser tudo tão diferente, é aquela tranquilidade e certa "frieza" que os cineastas de lá imprimem em seus filmes e criando nessas histórias de fantasia, uma verossimilhança absurda (como se para os europeus, latinos e americanos por um instante diante a esses filmes, creem que esse tipo de coisa realmente só acontece na Ásia). Shimizu é da geração dos jovens diretores de terror do Japão que tornaram sucessos filmes que foram exportados e copiados por Hollywood nos últimos – praticamente mais de 10 anos – O GRITO vem depois do sucesso de “O CHAMADO – RINGU” (1998), filme de HIDEO NAKATA que Gore Verbinski e a DreamWorks tornaram um primeiro mega sucesso de bilheteria. Com isso, a “maldição de olhos puxados” se espalhou e as produções norte-americanas passaram a investir e até apelar no formato. A diferença é que O Grito é mais fiel a sua origem. Enquanto O Chamado (apesar do primeiro filme ser ótimo) foi uma refilmagem puramente americana e o mesmo aconteceu no debut de Walter Salles no cinema americano com a adaptação de ÁGUA NEGRA, com Jennifer Connelly, outro enredo japa, mas péssimo filme. 

A produção de Sam Raimi é mais convidativa e trás o seu autor para conduzir um filme, que pela excelência e ousadia de uma produção, tornou-se um enorme sucesso mundial. O roteiro em inglês é de STEPHEN SUSCO com pequenas nuances e diferenças, mas mantendo o tom da versão japa. E o mais legal, a própria TAKAKO FUJI que faz a fantasma, Kayako é a única que da vida pós-morte nas duas versões. O garotinho também é vivido por YUKA OZEKI, como Toshio em ambos os filmes.

O diretor e os protagonistas no set. Detalhe: Shimizu não se comunicava em inglês
Os efeitos sonoros são ótimos. Esse “grito de rancor” da cabeluda pálida que desce as escadas de um jeito especial parece mais com uma sequência de arrotos, mas o que mais apavora é o som do gatinho preto que fica perto do menino, e quando o japinha abre a boca é hora de fechar os olhos!

A versão sem cortes do diretor não tem nada de muito censurável. Apenas inclui aquelas cenas de morte na casa em que mostrava o marido assassinando a mulher, o filho e até o pobre do gato, já no clímax do filme para explicar e deixar tudo mais mastigado para os “ocibestais”. A continuação é ótima. O GRITO 2 ainda produzido por Raimi e dirigido por Shimizu aproveitou bem a época do sucesso e consegue não ser um apêndice do primeiro. A fita vai mais à origem de Kayako. Estrelado agora por AMBER TAMBLYN como a irmã de Michelle Gellar, Aubrey que vai até o Japão, decidida a desvendar esse mistério – que todos nós já sabemos, mas mesmo assim, é um filme que assusta e diverte, não é de todo o mal, é sobre o mal. Isso só demonstra o talento dos japas em conduzir uma história de vingança e medo. Um diretor americano não entenderia (só se fosse o Tarantino) a cultura oriental a fundo pra fazer um filme decente desses. Por isso Gore Verbinski foi afastado da idéia de fazer um “Chamado japonês-americano” e quando o próprio Hideo Nakata vai para a América dirigir o seu sucesso na versão tio-sam de Ringu - “O CHAMADO DOIS”, a história perde a sua identidade e o resultado acaba sendo irregular.  O bom é que o Tio-Sam Raimi entende da fórmula, palpita pouco na fita, apenas banca a produção, através da sua firma: A Ghost House Pictures (com um logo de uma caveira no buraco de uma fechadura), responsável por outros títulos como “O Pesadelo” (2005) e o interessante 30 DIAS DE NOITE ( de DAVID SLADE, 2007). 

Raimi deixa Shimizu fazer de O Grito um sucesso gritante. Teve outra continuação óbvia: “O Grito 3” (2009), lançado diretamente para o mercado de vídeo com direção de Toby Wilkins e escrito por Brad Keene. Não com a mesma Kayako, o pequeno Toshio e sem Raimi (mesmo produzido na Ghost House) e Shimizu na produção. Uma fitinha menor e dispensável.




O filme até já criou uma cena antológica. Sarah tomando banho e uma mão fantasma saindo de seus cabelos, já fez fama. Hitchcock ficaria orgulhoso? Ou como em um típico filme de terror após “Pânico”: quando o telefone toca antes de matar a vítima. Até mesmo os fantasmas japoneses copiaram a ideia. Craven que deve estar orgulhoso!  






A gente assiste O Grito e não grita. Só pulamos da poltrona com aqueles sustos da porra!

JAPÃO/EUA – 2004
TERROR
WIDESCREEN
98 min. – Versão do Diretor
COR/14 ANOS
EUROPA FILMES (BRASIL)
SONY/COLUMBIA (EUA)
✩✩✩✩✩EXCELENTE

SAM RAIMI - COLUMBIA PICTURES APRESENTAM
UMA PRODUÇÃO GHOST HOUSE PICTURES
SARAH MICHELLE GELAR
THE GRUDGE
JASON BEHR  KADEE STRICKLAND  TAKAKO FUJI  YUKA OZEKI
RYO ISHIBASHI  GRACE ZABRISKI  YÔKO MAKI
com 
CLEA DuVALL  TED RAIMI  ROSA BLASI  WILLIAM MAPOTHER
e     BILL PULLMAN 
Música de CHRISTOPHER YOUNG
Montagem JEFF BETANCOURT      Direção de Arte IWAO SAITO
Co-produção
MICHAEL KIRK  AUBREY HENDERSON   SHINTARO SHIMOSAWA
Produtores Executivos
JOE DRAKE 
NATHAN KAHANE
 CARSTEN LORENZ
ROY LEE
 DOUG DAVIDSON
Produzido por 
SAM RAIMI
ROB TAPERT 
 TAKA ICHISE
Baseado em “Ju-On: The Grudge” 
Escrito e Dirigido por Takashi Shimizu
Roteiro de STEPHEN SUSCO       Direção TAKASHI SHIMIZU
The Grudge ©2004 Ghost House Pictures/Columbia Pictures

7 comentários:

renatocinema disse...

Raimi é um bom diretor para esse tipo de filme, que o diga The Evil Dead.

Acho o filme bem acima da média, nos últimos anos. Ainda mais para padrão americano.

Alan Raspante disse...

lembro-me que na época, este filme foi um grande sucesso e com ele veio uma enxurrada de filmes de terror com ou sobre japoneses!

gosto bastante, é um bom filme e lembro e de ter levado uns bons sustos, mas até hoje eu não conferi as continuações! rs

abs :)

Unknown disse...

Eu tenho medo de Freddy Krueger - ele é o meu monstro da infância, junto com os Gremlins! hehehehe

Mas, eu tenho uma implicância com esta adaptação Sam Raimi - mais pessoal que qualquer coisa. Não sei, eu assisti só uma vez este filme no cinema e não me assustei, quer dizer levei um susto quando o gato salta na tela! Talvez tenha alguma coisa haver com eu ter visto o "Ju-On" uns dias antes de conferir "O Grito". E o engraçado é que acho linda a cor do filme, gosto do elenco e também gosto da história...

Talvez eu tenha que dar uma nova chance ao filme!

;D

Rodrigo Mendes disse...

RENATO: É mais obra de Shimizu do que de Raimi. Eu gosto bastante do filme. Abs.

ALAN: "O terror asiático" veio na verdade com o japonês 'O Chamado - Ringu'. Confira o segundo, o terceiro lançado em vídeo é bem irregular, na minha opinião.
Abs.

KARLA: O meu monstro de infância é o Jason, mas nunca tive medo dele, rs! Já o Chucky....

Dê outra oportunidade ao filme em uma sessão-revisão, quem sabe vc curte mais ;) 'o Ju-on' empata com este, eu acho.

Bjs.

Amanda Aouad disse...

Esse fiquei com medo só de ler seu texto, hehe.

bjs

Rodrigo Mendes disse...

hahahahaha Amanda, buuuuu!

Gustavo Fiorini disse...

Esse filme estreou o meu último aparelho de DVD. É realmente sinistro, cumpre direitinho a proposta. Depois dele, me recuso a ver qualquer outro filme de terror com japoneses no elenco. Vade retro!

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