A INCOMPLETUDE DOS SERES HUMANOS
Um estranho, tímido e educado rapaz, isolado em um castelo, passa a viver na civilização depois de ser adotado por uma gentil senhora. Ele acaba vivendo grandes aventuras nesse novo mundo e se apaixona por uma garota.
Tudo começa com o “ERA UMA
VEZ...” como em um conto de fadas. Uma vovozinha conta para a sua neta a
história de um homem incompleto, mas extraordinariamente encantador, gentil,
amável e amigo. O nome dele é Edward, a invenção mais preciosa de um velho inventor
– VINCENT PRICE (1911-1993) em seu último filme no cinema e que por
coincidência, a cena da morte de seu personagem foi sua última aparição nas
telas como ator – que vivia em um castelo no alto de uma colina sombria (o
castelo parece de filme de terror). Esse velhinho inventava muitas bugigangas,
mas um dia, em meio à solidão, resolve criar um homem, um filho (robótico,
porém humano) e revoluciona na sua criação (inspirado em Frankenstein). O
batizou de Edward, que parecia perfeito, mas só que havia um problema. Ele
ainda estava no estágio de ser terminado e possuía várias tesouras no lugar das
mãos. As mãos era o único item que lhe faltava. Então, em um dia pouco antes do
natal, o inventor resolve apressar o presente e oferece a Ed as suas próteses humanas,
só que, em um ataque fulminante inesperado, o velhinho morre do coração e o
deixa sozinho e sem as mãos! É de fazer qualquer um chorar quando Vincent cai
morto e as mãos são destruídas pelas tesouras pontudas, sem querer. O inocente
Ed, num gesto de carinho, passa a mão no seu amigo e deixa várias marcas de
sangue em sua face. A sua maldição é que as tesouras eram perigosas e feriam
todo mundo que ele tocasse (quando ele abraça Winona e temos essa digressão.
Fantástica a maneira que Burton nos faz compreender). Assim, ele passa a viver
recluso naquele castelo e aprende a usar as tesouras para algo mais incrível: a
habilidade de podar arbustos (e depois gelo) criando excêntricas figuras.
Verdadeiras obras de arte (de Tim Burton).
Um dia, uma gentil senhora
vendedora da AVON (sim, essas moças existem, e geralmente são mães solteiras ou
donas de casa) bate na porta do castelo a fim de vender algum produto. DIANNE
WIEST faz essa mulher bondosa que fica com pena de Edward e resolve, em um
impulso estranho porém maternal, levá-lo para morar em sua casa com sua
família.
Depois o filme muda de tom em
tons pastel mostrando o estilizado mundo do subúrbio americano, isso sem
escapar do tradicional American Way Of Life. O castelo parecia ser de terror.
Era escuro, cheio de teias de aranha e janelas gigantes, mas é o bairro
americano que dá mais medo. Obviamente que um homem como Edward: branquelo,
carolas, com um corte de cabelo espantado, cheio de marcas de cicatrizes no
rosto (devido às tesouras) e uma roupa dark- gótica weird chamaria a atenção
local, sobretudo das vizinhas fofoqueiras que ficam caidinhas por ele. No
primeiro momento tudo ia bem para Ed. Ele fica famoso pelo seu diferente
trabalho como artista cabeleireiro e vai parar em um programa de TV, mas, no fim, as pessoas se aproveitam dele. Certamente Edward possuía um talento tão
magnífico que fez a ótima KATHY BAKER, uma perua desvairada, ter uma sequência
de orgasmos delirantes enquanto ele cortava seus cabelos, e ela ainda diz: “Essa
foi a experiência mais emocionante [excitante] de toda a minha vida.” (Risos).
Só com essa cena que Burton sugere que o filme ganha todo tipo de espectador.
Certamente o momento mais
encantador, lindo, mágico, lírico e saboroso da fita é a dança na neve de uma
jovem e talentosa WINONA RYDER (foi namorada de Johnny na época e tinha o seu
nome tatuado no namorado que depois teve que tirar e deixar uma cicatriz). Essa cena é uma das mais belas e ficou ainda
mais conhecida com a atmosfera musical de DANNY ELFMAN – que de todas as suas
composições, essa foi a que mais lhe pagou e valeu a pena, um trabalho vigoroso.
Virou até hino de trailers de filmes alheios que mostram emoção.
Foi mesmo um período de
criações alucinógenas de Burton, que nos últimos tempos tem decepcionado com
suas incursões para remakes (somente PEIXE GRANDE e SWEENEY TODD ficaram livres
do mau olhado crítico). Depois dos sucessos de OS FANTASMAS SE DIVERTEM -
BEETLEJUICE (1988) e BATMAN (1989) foi quando Hollywood deu carta branca ao
diretor, e Edward é um de seus projetos mais pessoais (o mais pessoal é ainda o brilhante Ed Wood, 1994).

Sabe aquele filme que dá muito
certo? Que vira a torta americana predileta? Que de imediato se torna um
clássico? É difícil não olhar assim para este trabalho estilizado e, ao mesmo
tempo, crítico. Sim. O filme sabe tecer uma cruel crítica social. O preconceito
e a maldade das pessoas de querer explorar alguém “inferior a elas”, sendo que
na verdade, Ed não passa de uma criança (seria até exploração infantil nas
entrelinhas). Um homem inocente, que nunca consegue enxergar a maldade no outro
– mas que fica zangado quando partem seu coração. Ele aprende, até a amar uma
moça de sua idade e a odiar quem lhe faz mal. Ainda mais quando surge um vilão
em forma de adolescente, o namorado da mocinha (ANTHONY MICHAEL HALL das fitas
teen de John Hughes) que vive esculachando Edward e arma uma cilada para ele,
só por maldade.
A ideia é de um garoto malvado
do colégio que implica com o nerd indefeso. Burton joga todas essas informações
sociais (do bullying que é evidente) em uma espécie de fábula moderna. O filme
oscila radicalmente para o conto de fadas e o mundo real sem parecer piegas, é
somente estranho, e para um filme criativo de Tim Burton está de bom tamanho.
O Vencedor do Oscar ALAN ARKIN
(Pequena Miss Sunshine), participa do filme como o pai de Winona, um homem
gentil que aceita o rapaz numa boa em sua casa sem parecer careta e sempre lhe
dá os melhores conselhos sobre as mulheres: “São todas loucas depois que os
hormônios afloram e os seios crescem.” Lembra o meu avô.
O filme foi escrito
originalmente para ser um musical, e era um daqueles contos bizarros de Burton
escrito no formato de poesia e rimas e também foi um desenho que Tim fez quando
era criança (O Estranho Mundo de Jack também). As casas usadas no filme eram de
fato uma comunidade do estado da Flórida e não uma locação de estúdio. A única
diferença é que elas foram pintadas com aquelas cores pasteis que dão aquele
charme a fita. Depp teve que perder cerca de 30 quilos para o papel, que
poderia ter sido de Jim Carrey, Tom Cruise ou Robert Downey Jr, que fizeram
testes. O filme deixa claro que Burton é apreciador de Tom Jones, em seus
primeiros filmes sempre tem um background musical do cantor. Outro charme da
direção de arte são os animais, lindamente e originalmente tosados das mais
diferentes formas. O mesmo para os cortes de cabelo feminino. Muito originais, embora nunca estariam na moda.
EDWARD, Mãos de Tesoura é uma
obra prima. Um verdadeiro tributo ao cinema de Frankenstein, Vincent Price, e
todas as fitas antigas que Burton tem predileção, sem contar na magia envolta
que engrandece uma sessão da tarde natalina.
Olha, antes de ver esse filme nunca nevou, mas depois que eu o vi sempre
nevou, e se Edward não existisse, não estaria nevando... Um amor recortado em
tiras de coração, deste ser maravilhoso que é mais completo e humano do que
qualquer um de nós.
O cinema Rodrigo esta
encerrando suas atividades de 2011 e deseja a sua querida platéia um FELIZ
NATAL e um 2012 de muita saúde e realizações. Nossas salas estarão abertas até
o término das festas e volta em atividade ano que vem com vários filmes de
ontem, hoje e sempre!
Obrigado. A Gerência. Rodrigo Mendes
EUA – 1990
COMÉDIA/DRAMA/ROMANCE
WIDESCREEN
104 min.
COR
14 ANOS
FOX
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
TWENTIETH CENTURY FOX APRESENTA
UM FILME DE TIM BURTON
edward
SCISSORHANDS
ESTRELANDO: JOHNNY DEPP
WINONA RYDER
DIANNE
WIEST
ANTHONY
MICHAEL HALL
KATHY
BAKER.
VINCENT
PRICE como “O Inventor”
E ALAN
ARKIN
CO-ESTRELANDO: ROBERT
OLIVERI
CONCHATA
FERRELL
CAROLINE
AARON
O-LAN-JONES
DICK
ANTHONY WILLIAMS
Música
composta por DANNY ELFMAN
Efeitos
Especiais das Tesouras STAN WINSTON
Montagem RICHARD
HALSEY
Cenografia BO
WELCH
Fotografado
por STEPAN
CZAPSKY
Produtor
Executivo RICHARD HASHIMOTO
Escrito
por CAROLINE
THOMPSON
História
de TIM
BURTON
e CAROLINE THOMPSON
Produzido
por
DENISE
DI NOVI . TIM
BURTON
Dirigido
por
TIM
BURTON
Edward Scissorhands ©1990 20th Century Fox














20 comentários:
Concordo plenamente, melhor filme de Tim Burton. Adoro. E adorei o texto, completo como sempre.
bjs
...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...
desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ
COMPARTIENDO ILUSION
CINEMA RODRIGO
CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...
ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE FLOR DE PASCUA ENEMIGOS PUBLICOS HÁLITO DESAYUNO CON DIAMANTES TIFÓN PULP FICTION, ESTALLIDO MAMMA MIA, TOQUE DE CANELA ,STAR WARS,
José
Ramón...
Não sou um fã arduo de Edward, mas respeito na filmografia de Tim Burton, meu preferido é Ed Wood, mas Edward tem seus momentos, além dabela cenografia. Abs!
Confesso que já deixei há tempos de ser um entusiasta de Tim Burton, nes últimos tempos ele conseguiu me decepcios com algumas de algumas de suas obras e "Alice" foi a gota d´agua, no entanto não tenho como negar que este filme é um verdadeiro clássico, daquele que a gente lembra com todo orgulho de ter assistido uma porção de vezes nas tardes da tv aberta em nossa infância. Ele é ao lado de "Peixe Grande" um de meus favoritos do diretor...
http://www.sublimeirrealidade.blogspot.com/2011/12/o-silencio-de-melinda.html
Ah, esse é um clássico mesmo! Não é meu favorito de Burton, mas é um filme que sempre dá gosto de rever pela criatividade do roteiro e pela caracterização dos personagens. Uma graça!
Belo texto, Rodrigo. Completíssimo e com informações que desconhecia, por exemplo ser o último do lendário Vincent Pryce. Sabia disso, não, que sensacional e que canto do cisne negro desse ator, não é mesmo?
"Edward" eEd Wood" são os melhores Burton pra mim. Atualmente estou bem descontente com esse diretor, pois tenho a sensação de que seu estilo virou uma espécie de enclausuramento, sei lá. Além de repetitivo, o estilo se sobrepõe ao conteúdo, e isso não deve acontecer. Mas é admirável os universos criativos q ele cria e que ele manteve como sua marca registrada. Gosto de Burton, mas com moderação rs.
Falou tudo na comparaçao do castelo soturno e que os bairros coloridos são bem mais assustadores e perigosos, afinal, são seres humanos que habitam neles, e nesse contraste, Burton simplesmente arrebenta.
É um grande filme, trilha linda de Elfman, a cena da Winona é mesmo marcante, lírica e poética, é inesquecível. Um grande filme que sempre paro para assistir quando passa. E a cena da perua no cabeleireiro me deixava um pouco confuso qd era pequeno, mas o que não é o tesão sob a ótica infantil, não é mesmo? HAHAHAHA
Legal ter essas coisas na memória...
abs, champs! o//
Feliz natal, boas festas! Cheers!
Sempre bom ler seus textos, que misturam sua opinião subjetiva e crítica com informações adicionais que, como o Elton disse, desconhecemos. Quanto ao filme, eu simplesmente amo, é meu Tim Burton favorito e minha atuação favorita do Depp. Pena que ambos vem se metendo em projetos escatológicos recentemente, vergonha alheia. É até estranho ver um Burton tão inteligente e provocativa, que evoca reflexões sociais e humanas aqui, fazendo depois bizarrices egocêntricas como Alice no País das Maravilhas. Ed Wood, que você cita brevemente na sua crítica, é meu segundo favorito dele e do Depp, sou apaixonado também e é uma verdadeira homenagem ao cinema!
Júlio Pereira
Rodrigão, seu blog continua o máximo. Parabéns pela dedicação de juntar tanta coisa bacana em cada post.
Desejo um novo ano de muitos filmes e muito sucesso pra você, amigo.
Abração (:
Com certeza, é o melhor filme do Burton. E também o melhor do papel do Depp e da Winona! Também já o considero um clássico... E, Rodrigo, não consigo imaginar o filme sendo protagonizado pelo Cruise! rs
Excelente post. Sei que é atrasado, mas espero que tenha tido um Feliz Natal...
Abs e até 2012!
Rodrigo, faço um ano de blog hoje, e fiz um breve comentário, inclusive destacando nossos parceiros, como vc.
Valeu e feliz 2012!
E sobre o filme, acredita que só o assisti recentemente? já tenho até anotações para uma futura postagem. É recomendadíssimo.
__
http://algunsfilmes.blogspot.com/
Rodrigo, como vai? Cara vc acredita que NÃO vi ainda esse filme? kkkk não se assuste mas ainda tem muuuuitos filmes mais atuais e famosos q não vi, como exemplo: Uma Linda Mulher, O Silencio Dos Inocentes, etc, eu foco mais nos antigos, como não tenho habito de locar filmes e só de comprar, sempre compro os antigos e os atuais vão ficando pra depois mas aos poucos to adquirindo alguns, seu texto me despertou a vontade de ver esse q já ouvi falar muito e até então pelo jeito só eu não vi ainda....abração cara, e visite-me faz algum tempo que sumiu e seus comentários são claro muito importante para meus posts, abração
E Que Venha Sinais, (um atual que vi..kkkkk) perfeito cara, filmão
Este filme ganhou muito com a excelente interpretação de Depp e com as bricadeiras de Burton com o cotidianos americano.
Feliz 2012 para você.
Abs
Valeu NANDA! Beijos.
José Ramon: Preciso de um google tradutor, rs! Gracias por tus palabras y Bienvenido. El cine es poesía. Abrazos. HA!
Bruno: Concordo e entendo as suas decepções, tbm as tive, mas gostamos e achamos Ed um clássico! Burton e Depp na melhor forma. Tb aprecio Peixe Grande.
Abs.
Gabriel: Isso mesmo brother, uma graça de película. Abs.
Elton; Obrigado meu caro, sempre me entusiasmando com os seus comentários. De fato, vc disse tudo, quanto ao estilo dele que se repete e isso tenha prejudicado um pouco, mas em grande parte foi a má escolha dos projetos: Planeta Dos Macacos, A Fantástica Fábrica e Alice, os mais gritantes. No entanto, Peixe Grande e Sweeney Todd ele deu um alívio, mas não mudando completamente sua patente. "Os dois 'Eds'" com Depp são realmente os seus melhores filmes e não resta dúvidas (tb gosto de Marte Ataca e Caveleiro Sem Cabeça...)
Vincent Price realmante fez um gótico canto do cisne no cinema e a Kathy Baker perua naquela cena com Depp no salão de beleza é mesmo um must, rs! era criança e tb não entendia completamente, ficava incompleto. HA!
Abração amigo =)
Júlio do LUMI 7: Obrigado meu caro. Adorando sua presença aqui. É...faço coro a vc e tb acho que Burton e Depp atualmente estão lost, mas acredito em um retorno. Veremos 'Dark Shadows', se esta película não funcionar, perco as minhas esperanças na dupla.
Abs.
Grande Dave Coelho! Obrigadão. Te desejo o mesmo em dobro. Irei visitar seu blog em breve.
Abs.
ótimo 2012!
Marcos Rosa: Já li seu post cara. Obrigado por mencionar meu blog e meus parabéns. Feliz 2012.
Jefferson: Olá amigo...não se preocupe, vou te visitar no 'O Cinema Antigo' =)
Sei que sei gosto preferencial se volta as antigas fitas...recomendo esse filme que já é um clássico.
Aguarde as próximas sessões! Valeu o entusiasmo e alegria.
Abs.
G: Adoro!!!
Abração G das letrinhas e um 2012 esplêndido.
Obrigado.
CELO: Esqueci de te responder ohh, rs!
A graça de Edward é justamente a direção de arte. "Ed Wood" é uma fita mais 'adulta', digamos. Tb um filmaço.
Abs.
Estou ceguinho e preciso trocar meus óculos, rs!
Alan vc tb deixou um comentário aqui, rs!
Tb não imagino Cruise como Edward Mãos de Tesoura..hahaha mas ele fez o teste.
Depp é o fetiche de Tim Burton no mais gótico dos sentidos!
Abração ;)
O maior melhor momento da dupla Burton-Depp. Bizarro e talentoso.
Cumprimentos cinéfilos e Feliz 2012!
O Falcão Maltês
O meu preferido do Tim!
Cresci vendo e revendo toda a beleza estilizada do filme, além de rolar uma identificação imediata entre o meu olhar infantil com a magia da personagem que é Edward!
Eu me sentia e adorava ser como Edward!
Agora, mais velha, revejo o filme apaixonada pelos detalhes e dando um gritinho interno por ver Vincent Price ali!
;D
Antonio: Feliz 2012!
Abração.
Karla: Que lindo! O filme também fez parte da minha infãncia. Delícia de fábula.
Beijos
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