Trama Diabólica?
Filmes Irregulares : Sessão XIII
Irmãos com problemas financeiros participam de um terrível plano de morte.
Este é o filme que menos gosto desta nova fase de Woody Allen. Provavelmente empata com o insosso SCOOP – O GRANDE FURO (Scoop, 2006) que acho até mais irregular do que este. A crítica americana cada vez mais despreza e descarta Allen há muitos anos, mas devo concordar com eles quanto a O SONHO DE CASSANDRA (Cassandra´s Dream, 2007) que acho indefensável e certamente está entre os piores trabalhos do diretor. Ainda bem que ele se reabilitou com o ótimo Vicky Cristina Barcelona (2008), tão bom quanto Match Point (2005), apesar de oscilar na irregularidade, vide Tudo Pode Dar Certo (2009) e Você Vai Conhecer O Homem Dos Seus Sonhos (2010) que tem poucos momentos de inspirações. Este também esta longe de ser comparável com os extraordinários; Meia Noite Em Paris (2011) e Para Roma Com Amor (2012) que mostram o talento dele para as comédias inteligentes e saborosas (Roma evidencia também a personalidade dele como ator, ainda em boa forma), aqui infelizmente não ocorre nada disto com um suspense policial frio e distante (também nem da para comparar com o thriller que é Match Point e que foi uma surpresa).
Woody queria experimentar outra vez um filme sem humor e se deu mal, além do mais é muito desinteressante, certamente seu pior roteiro. “Cassandra” é um filme mais trágico e nem sequer chega a ter um final inesperado. É medíocre, aborrecido e mastigado. Mais uma vez em que Allen não participa como ator (pelo menos o ponto alto neste caso) e não utiliza também sua habitual trilha musical com canções antigas de jazz, sua marca registrada, ou no caso dos outros filmes ingleses que fez com trechos de operas ou balés famosos. Pela primeira vez ele utiliza trilha musical original (se não me engano é a primeira), aqui feita pelo compositor Philip Glass, que faz um estilo marcante e de autor, tendo assinado obras como KOYANISQAATSI (1982) do diretor Godfrey Reggio, aliás, um filme experimental e nada convencional. Recomendo. Glass também chegou a trabalhar no Brasil na produção NOSSO LAR, filme espírita de Wagner de Assis. Também foi indicado ao Oscar pelas trilhas de NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO (Notes On A Scandal, 2006 de Richard Eyre), AS HORAS (The Hours, 2002 de Stephen Daldry) e KUNDUN (1997 de Scorsese). Mas na verdade, Glass não chega a acrescentar algo de positivo neste filme. Por mais que a fita não tenha rendido dinheiro e por mais que todos saibam que os filmes do cineasta não são milionários, mesmo assim, todos os atores querem trabalhar com ele e fazem fila. Allen ao menos, com o seu prestígio e reputação, consegue escalar atores confiáveis e mesmo que aqui tenham falhado, falo dos dois astros estrangeiros de grande carreira internacional em Hollywood desta geração: EWAN McGregor e COLIN FARRELL, e que francamente eu não consigo enxergar semelhanças neles para que na ficção sejam irmãos. Tudo é tão desajeitado, mal contado, que se a intenção foi brincar com humor negro, tudo deu errado!
Há de se reclamar dos diálogos que soam muito artificiais, com o ritmo errado e com exagero no sotaque cockney, sobretudo para os ingleses. Ainda assim, este é um dos menores problemas numa premissa que conta a história de dois irmãos de pais pobres, Terry (Farrell) é um mecânico que vive com uma loira, Kate, interpretada por SALLY HAWKINS, mas que é viciado em jogos e bebe demais. Ou seja, vive fugindo dos credores, mas o irmão, Ian (McGregor) dirige um restaurante com o pai, mas quer se expandir num negócio na Califórnia. Durante muito tempo a família viveu da generosidade de um tio rico, feito pelo ótimo TOM WILKINSON como Howard, mas que aqui não encontra o tom.
A princípio, tudo vai bem com uma vitória na corrida, que faz com que comprem um barco e que dão o nome de Sonho De Cassandra, que é também o nome do páreo. Terry também se envolve com a sensual atriz Angela (HALEY ATWELL de Capitão América: O Primeiro Vingador). Logo, porém, mergulha em dívidas quando aparece o tio que lhes pede um favor irrecusável: eles têm que matar um colega de trabalho que pretende denunciá-lo, Martin Burns (PHIL DAVIS).
Eu me decepcionei com a fita e o mais chato é que a dupla central não tem química. Farrell é uma negação e gosto dele em pouquíssimos filmes, conto nos dedos: Minority Report, Alexandre, Por Um Fio, Miami Vice e Tigerland e quanto a McGregor, que evidentemente sempre achei talentoso, continua a manter seu jeito habitual, mas que aqui não consegue entrar na proposta.
Sem energia, sem ponto de vista, sem estilo e o filme de Allen vai piorando ainda mais com o seu decorrer. Tem, porém, certa semelhança com ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE VOCÊ ESTÁ MORTO (Before The Devil Knows You´re Dead, 2007) do saudoso Sidney Lumet que deixou este sendo como seu último filme, aliás, muito mais divertido e mil vezes melhor do que este. Programa esquecível para um final de noite no Supercine da Rede Globo.
INGLATERRA/FRANÇA/EUA – 2007
POLICIAL
WIDESCREEN
108 min.
COR
IMAGEM FILMES
14 ANOS
✩ RUIM
Cassandra´s Dream
Woody Allen








8 comentários:
Eu ainda não vi o filme e nem tinha vontade, ainda mais agora...
Sou fã de Woody Allen, mas taí um filme dele que nunca me chamou atenção. Bem, mas nem todos podem ser Match Point...
Aproveitando, e me desculpe fugir do tema da postagem, eu achei bem interessante o blog de vocês e coloquei o banner do seu site na minha página. Seria possível uma parceria?
Bem, em todo caso, o banner para aqueles que compartilham o apreço pela sétima arte. :)
Agradeço desde já.
Adoro os filmes de Woody Allen. Esse ainda não vi, mas vou baixá-lo logo, logo.
Cara, acredita que eu pulei esse Allen? Assisto religiosamente a todos, mas esse deixei escapar no ano de seu lançamento... =/
Mas, como vc, já vi muitas pessoas também considerando-o um filme irregular, menos e pouco atrativo do nova-iorquino, talvez o motivo do meu desinteresse. Corrigirei essa lacuna um dia =)
Abs!
Alan: É fraquinho mesmo!
Raphael: Já linkei o Lacuna Cultural!
Abs.
Gilberto: Será que vai gostar?
Elton: Não vai gostar meu caro, creio.
Abs.
Ótimo texto ferino e mostrando o quanto desconfortável você ficou com o filme, Rodrigo. Eu também "pulei", até hoje não vi, inclusive já tive duas oportunidades na tv a cabo...e baixei o filme e nada, rs. Eu acho que é tão fraco e apático que nem me sinto motivado, ainda mais depois do seu texto detalhando os erros e pontos negativos. Sou até admirador do Farrel - a propósito, ele está ótimo em "Ondine" de Neal Jordan, recomendo, é uma atuação diferenciada e contida dele.
Enfim, eu até gosto do TUDO PODE DAR CERTO, mas prefiro os filmes mais antigos do Allen - revi semana passada MANHATTAN e adorei, foi em blu-ray.
Abs!
Um dos mais fracos de Woody, sem dúvida, Cris. Junto com Scoop que também chega a não ter graça. Farrel esta bem neste filme aí, mas ele oscila muito na carreira.
Abs.
Woody ou você ama ou odeia.
Meu caso: AMO. Porém,
este é fraquinho né? Nem Ewan salva,rs.
bjs
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