sábado, 2 de fevereiro de 2013

A GUERRA DOS ROSES


GUERRA DOS SEXOS


Casal decide se divorciar, mas a separação será um pé de guerra quando ambos resolvem brigar para ver quem fica com a casa.


Não faz muito tempo que postei o primeiro filme dirigido por DANNY DeVITO (Jogue A Mamãe Do Trem. Vide abaixo). Outro que tenho predileção é sem dúvida esta exuberante comédia romântica negra (acho que posso classificar assim) baseado em um romance de WARREN ADLER, A GUERRA DOS ROSES (The War Of The Roses, produzido em 1989, o segundo longa metragem dirigido por DeVito que acerta mais uma vez). É muito melhor, por exemplo, que a obra soup opera de Silvio de Abreu (que nem deveria insistir numa nova versão), uma novela que basicamente tratava das diferenças e rivalidade do sexo oposto sendo romântica e pastelão. O filme de DeVito é na verdade até muito violento e sombrio, o que se tornou sua marca registrada. Conta a história, que no início é romântica, sobre um jovem casal que vive nas aparências (casa luxuosa, o marido com um bom emprego, a mulher que sabe ser uma exímia mãe e dona de casa, os filhos educados, o cão, o gato, etc), ou seja, se comportam perante as visitas como se vivesse um casamento perfeito até começar as crises de meia-idade. Bom, o cara é um advogado bem sucedido e sua esposa, depois de decorar a casa do jeito que queria, está começando um próspero negócio de alimentação. Só que, infelizmente, o casamento começa a desmoronar devidas algumas frustrações de cada um deles. Ela começa a ficar oprimida naquela casa, como se suas opiniões não fossem importantes e ele cada vez mais irritado com alguns gastos desnecessários. Resumindo, os problemas femininos começam no emocional e o masculino no racional. Quando decidem finalmente se divorciar, bens materiais se tornam o centro de uma absurda e barulhenta batalha com direto algumas louças quebradas e ofensas cheias de amarguras.


No papel central estão o ótimo casal MICHAEL DOUGLAS (como Oliver Rose) e KATHLEEN TURNER, atlética e no auge da beleza (como Barbara Rose). Aliás, a dupla já provou anteriormente em fitas como Tudo Por Uma Esmeralda (84 de Robert Zemeckis) e sua continuação: A Jóia Do Nilo (85 de Lewis Teague), filmes sessão da tarde, de aventura, ao estilo Indiana Jones (produzidos por Douglas e co-estrelado por DeVito), que tem uma incrível química. Em minha opinião, entre todas as atrizes, colegas de trabalho com quem Douglas já contracenou, Turner foi a que mais se encaixou no perfil namorada/amante/esposa. Os dois se devoram em cena e entendem-se muito bem.

Gosto da maneira que DeVito começa a narrar a complicada história, que não pretende ter um final feliz. Seu próprio personagem, um advogado conselheiro e amigo do casal, Gavin D´Amato, esta em sua sala, numa tarde fria e esquisita (fotografado lindamente por Stephen H. Burum que já fotografou os melhores filmes do De Palma, meus prediletos são: O Pagamento Final e Os Intocáveis) atendendo um cliente, interpretado (sem diálogos) por DAN CASTELLANETA, ator que faz a célebre voz do Homer Simpson na série produzida por JAMES L. BROOKS (que também é o produtor deste filme) e com ele, fica conversando sobre divórcios e cigarros, além de assoar o nariz. DeVito tenta convencê-lo de que a separação pode se tornar mortal se o sujeito não prestar atenção numa surpreendente situação real em que testemunhou – e a premissa é basicamente um flashback – morro de rir quando DeVito declara que tinha parado de fumar por treze anos até o dia em que Barbara Rose tentou seduzi-lo (em troca ele convenceria Oliver a ceder no processo do divórcio). Turner é tão alta para o baixinho DeVito que a cena entre os dois é hilária!

Com isso, já notamos que a situação estava desesperadora e assim, Gavin começa a contar sobre “A Guerra Dos Roses” e à medida que o filme acontece, sentimentos de ódio, rancor e vingança começam a surtir efeito em meio à interminável briga e é simplesmente inacreditável o que cada um faz com o outro.

Na verdade, desde quando se conheceram, os Roses já tinham o espírito de competição, quando estão em um leilão na cidadezinha de Nantucket e ambos almejam levar, custe o que custar, uma pequena (e vagabunda) estátua oriental. Cada um começa a dar um lance maior que o outro. Claro que no início o tesão é fora de controle, eles transam como adolescentes e estão completamente apaixonados, mas, como em todo casamento, a chama desta paixão começa a apagar e já que nenhum deles resolve lutar para combater as crises (nem sequer pensaram em terapia de casal), já é tarde demais.

Com o tempo, anos de casados e com os filhos prestes a irem para a Universidade, a nova decisão (sem muito o consentimento dela) era de que uma empregada, daquelas que dormem no emprego, fosse contratada para ajudar Barbara nas atividades domésticas. Entra no filme uma atriz que eu adoro, me refiro a alemã MARIANNE SÄGEBRECHT (a misteriosa Jasmim de BAGDAD CAFÉ, Out of Rosenheim, 1987 de Percy Adlon) como Susan que segura as pontas dos patrões endiabrados! O filho com 17 anos é interpretado por um jovem conhecido como SEAN ASTIN (Os Goonies, O Senhor Dos Anéis).

A trilha é mais uma vez assinada por DAVID NEWMAN que não evidencia em nenhum dos temas algo voltado mais para o estilo “sinistro” já que o filme apresenta um clima de thriller. Newman regravou a famosa fanfarra, tema de apresentação da 20th Century Fox, para seguir perfeitamente com a primeira nota nas titulagens iniciais, isto é, já dá para ter uma ideia da música! O mais curioso é que seu pai, Alfred Newman (1901-1970) foi quem criou o famoso “tan nan nan nan” do estúdio em 1953!

Inicialmente, Cher estava cotada para viver Barbara Rose e graças ao bom senso foi descartada. De acordo com DeVito, o primeiro corte do filme continha no total uma longa duração de três horas que teve que ser reduzida para 1 hora! Algumas das cenas deletadas tem até cerca de 20 minutos cada, e podem ser vistas numa edição especial em DVD. Eu tenho a versão simples e nunca tive acesso a trechos da versão integral que provavelmente deve ter perdido o ritmo com os sucessivos bate e boca da dupla.  

Há uma cena semelhante no filme com a de Tudo Por Uma Esmeralda, nas duas ocasiões, Douglas serra os saltos de Turner. Coincidência ou proposital?

Na cena em que Douglas e Turner ficam pendurados no lustre (meu momento favorito), DeVito fez uma piada no set de filmagem, cortando a cena e deixando-os pendurados lá enquanto dizia para o resto da equipe dar uma pausa para almoçar. Eram 30 metros reais acima do chão e reza a lenda de que eles ficaram durante 10 minutos naquela situação.



Uma curiosidade interessante e como a vida imita a arte, uma mente doentia chamada Richard Shenkman (e isso eu descobri recentemente assistindo um daqueles programas policiais do canal ID –Investigação Discovery e tomei nota) cometeu uma loucura com sua ex-mulher, Nancy Tyler, que ficou refém dele durante 13 horas em uma casa suburbana dos EUA, South Windsor, e segundo ele, cometeu o crime depois de assistir ao filme ficando totalmente obcecado. No fim, o doido foi julgado e condenado a prisão por 70 anos. Neste caso a mulher ganhou!



Alguém tem que ceder (e isso é nome de outro filme), só que nenhum deles esta afim. A casa vira um campo de guerra e aquele amor que um dia existiu, foi arremessado pela janela. É triste, porém engraçado. A Guerra Dos Roses é provavelmente um dos melhores filmes – se não o melhor – a mostrar como funciona um casamento e sua destruição e DeVito é genial em suas perversões.


Esta declarada a guerra!


EUA
1989
COMÉDIA/DRAMA
COR
116 min.
FOX
           

Twentieth Century Fox Apresenta       Uma Produção GRACIE FILMS
Um Filme De DANNY DeVITO

MICHAEL DOUGLAS   KATHLEEN TURNER   DANNY DeVITO
CO-ESTRELANDO: G.D. SPRADLIN   MARIANNE SÄGEBRECHT  SEAN ASTIN
HEATHER FAIRFIELD   PETER DONAT   DAN CASTELLANETA
Música de DAVID NEWMAN      Montagem LYNZEE KLINGMAN
Fotografado por STEPHEN H. BURUM, A.S.C 
Desenhos de Produção IDA RANDOM
Produção Executiva POLLY PLATT & DOUG CLAYBOURNE 
Co-produção MICHAEL LEESON
Baseado No Romance de WARREN ADLER 
Escrito por MICHAEL LEESON
Produzido por
JAMES L. BROOKS & ARNON MILCHAN
  Dirigido por 
DANNY DeVITO
THE WAR OF THE ROSES  ©1989 Gracie Films/20th Century Fox

12 comentários:

Amanda Aouad disse...

Taí um filme que ainda preciso ver...

bjs

Hugo disse...

Humor negro é extremamente complicado, o espectador tem que entrar no espírito da história.

Neste filme a guerra entre marido e mulher é exagerada e levada as últimas consequências de uma forma que não me agrada.

Não é um filme para todos os gostos.

Abraço

Jenifer Torres disse...

É preciso de fato ter a mente muito aberta para gostar deste filme.Abraços

Alan Raspante disse...

Curto humor negro! Preciso ver este, com certeza!!

p.s.: Nem imaginava que era do DeVito! Massa!

Alysson Melo disse...

Nossa so pela sua analisr me deu muita vontade de assistir. Gostei muito da historia acho que vale a pena assistir .

Fabiane Bastos disse...

O Bolão do Oscar 2013 já está no ar, e claro, você está convidado!
(http://dvdsofaepipoca.blogspot.com.br/2013/02/bolao-do-oscar-2013.html)

Bons palpites!
As blogueiras do sofá (DVD, Sofá e Pipoca)

renatocinema disse...

Irei plagiar uma amiga:

Amanda Aouad disse...
"Taí um filme que ainda preciso ver...". também preciso.

abraços.

Nani disse...

Pelo que eu entendi da história esse pode ter sido o precursor de váarios filmes do gênero. Tenho que ver!

Ótima crítica, muito espirituosa e divertida de ler (embora as letras brancas em fundo preto me deem um pouco de tontura u.u)

Reinaldo Glioche disse...

Gostei muito da racionalização do seu texto sobre esse que é um filme frequentemente subestimao. É o melhor trabalho de DeVitto como diretor. Gostei da referência no finalzinho a"Alguem tem que ceder", não deixa de ser um filme que resgata algumas resiliências que testemunhamos aqui, mas sob outra perspectiva: a da hesitação em se entregar. Enfim, a vida conjugal raramente foi tão bem flagrada como nesse clássico oitentista.
Abs

Rodrigo Mendes disse...

Amanda: Recomendo! Bjs.

Hugo: Concordo que humor negro é um gênero complicado de se criar, mas acho que o expectador tem que estar devidamente avisado no que verá a seguir. Ame ou deixe-o. "A Guerra Dos Roses" tem um sabor, tempero, que gosto bastante. Foi muito subestimado. Tem ótimas interpretações!

Abs.

Jenifer: Já assistiu? Não é para tanto é apenas uma comédia conjugal.
Bjs.

Alan: Creio que irá gostar... Abs!

Alysson: Vou copiar o amigo acima: "Massa!" ;)
Abs.

Fabiane: Obrigado pelo convite querida e desculpe por não ter comparecido e dado meu palpite. Sou péssimo! Rs!
Bjs.


Renato: Vou me auto-plagiar: "Recomendo!" e no lugar do Bjs. Abs! Rs!


Nani: Não exatamente. Humor negro já existe no cinema há anos até mesmo nas fitas de Hitchcock que certamente DeVito tem predileção.
Bjs.

Reinaldo: "frequentemente subestimado" disse tudo amigo. É um grande filme e sim, concordo que ele flagra a vida conjugal como em nenhuma outra comédia do gênero.
Abs.

Nani disse...

Eu estava falando de filmes sobre guerras de casais.

Rodrigo Mendes disse...

"Sr. e Sra Smith" (Pitt e Jolie), por exemplo, que consegue ter um final feliz...mesmo assim, Hitch já realizou um filme cheio de cinismo sobre um casal. Apesar de leve, é sua única comédia romântica. "Um Casal Do Barulho", aliás, Sr. e Sra Smith, o título original. Com Carole Lombard e Robert Montgomery. Certamente DeVito tirou algum proveito em seu filme sombrio.

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