GUERRA DOS SEXOS
Casal
decide se divorciar, mas a separação será um pé de guerra quando ambos resolvem
brigar para ver quem fica com a casa.
No papel central estão o ótimo
casal MICHAEL DOUGLAS (como Oliver Rose) e KATHLEEN TURNER, atlética e no auge da beleza (como Barbara Rose). Aliás, a dupla já provou
anteriormente em fitas como Tudo
Por Uma Esmeralda
(84 de Robert Zemeckis) e sua continuação: A
Jóia Do Nilo
(85 de Lewis Teague), filmes sessão da tarde, de aventura, ao estilo Indiana Jones (produzidos por Douglas e
co-estrelado por DeVito), que tem uma incrível química. Em minha opinião, entre
todas as atrizes, colegas de trabalho com quem Douglas já contracenou, Turner
foi a que mais se encaixou no perfil namorada/amante/esposa. Os dois se devoram
em cena e entendem-se muito bem.
Gosto da maneira que DeVito
começa a narrar a complicada história, que não pretende ter um final feliz. Seu
próprio personagem, um advogado conselheiro e amigo do casal, Gavin D´Amato, esta em sua sala, numa
tarde fria e esquisita (fotografado lindamente por Stephen H. Burum que já fotografou os melhores filmes do De Palma,
meus prediletos são: O Pagamento Final e Os Intocáveis) atendendo um cliente,
interpretado (sem diálogos) por DAN
CASTELLANETA, ator que faz a célebre voz do Homer Simpson na série produzida por JAMES L. BROOKS (que também é o produtor deste filme) e com ele,
fica conversando sobre divórcios e cigarros, além de assoar o nariz. DeVito
tenta convencê-lo de que a separação pode se tornar mortal se o sujeito não
prestar atenção numa surpreendente situação real em que testemunhou – e a
premissa é basicamente um flashback –
morro de rir quando DeVito declara que tinha parado de fumar por treze anos até
o dia em que Barbara Rose tentou seduzi-lo (em troca ele convenceria Oliver a
ceder no processo do divórcio). Turner é tão alta para o baixinho DeVito que a
cena entre os dois é hilária!
Com isso, já notamos que a
situação estava desesperadora e assim, Gavin começa a contar sobre “A Guerra
Dos Roses” e à medida que o filme acontece, sentimentos de ódio, rancor e
vingança começam a surtir efeito em meio à interminável briga e é simplesmente
inacreditável o que cada um faz com o outro.
Na verdade, desde quando se
conheceram, os Roses já tinham o espírito de competição, quando estão em um
leilão na cidadezinha de Nantucket e
ambos almejam levar, custe o que custar, uma pequena (e vagabunda) estátua
oriental. Cada um começa a dar um lance maior que o outro. Claro que no início
o tesão é fora de controle, eles transam como adolescentes e estão
completamente apaixonados, mas, como em todo casamento, a chama desta paixão
começa a apagar e já que nenhum deles resolve lutar para combater as crises
(nem sequer pensaram em terapia de casal), já é tarde demais.
Com o tempo, anos de casados e com os filhos prestes a irem para a Universidade, a nova decisão (sem muito o consentimento dela) era de que uma empregada, daquelas que dormem no emprego, fosse contratada para ajudar Barbara nas atividades domésticas. Entra no filme uma atriz que eu adoro, me refiro a alemã MARIANNE SÄGEBRECHT (a misteriosa Jasmim de BAGDAD CAFÉ, Out of Rosenheim, 1987 de Percy Adlon) como Susan que segura as pontas dos patrões endiabrados! O filho com 17 anos é interpretado por um jovem conhecido como SEAN ASTIN (Os Goonies, O Senhor Dos Anéis).
A trilha é mais uma vez
assinada por DAVID NEWMAN que não
evidencia em nenhum dos temas algo voltado mais para o estilo “sinistro” já que
o filme apresenta um clima de thriller.
Newman regravou a famosa fanfarra, tema de apresentação da 20th Century Fox, para
seguir perfeitamente com a primeira nota nas titulagens iniciais, isto é, já dá
para ter uma ideia da música! O mais curioso é que seu pai, Alfred Newman (1901-1970) foi quem
criou o famoso “tan nan nan nan” do
estúdio em 1953!
Inicialmente, Cher estava cotada para viver Barbara
Rose e graças ao bom senso foi descartada. De acordo com DeVito, o primeiro
corte do filme continha no total uma longa duração de três horas que teve que
ser reduzida para 1 hora! Algumas das cenas deletadas tem até cerca de 20
minutos cada, e podem ser vistas numa edição especial em DVD. Eu tenho a versão
simples e nunca tive acesso a trechos da versão integral que provavelmente deve
ter perdido o ritmo com os sucessivos bate e boca da dupla.
Há uma cena semelhante no filme com a de Tudo Por Uma Esmeralda, nas duas ocasiões, Douglas serra os saltos de Turner. Coincidência ou proposital?
Na cena em que Douglas e Turner
ficam pendurados no lustre (meu momento favorito), DeVito fez uma piada no set
de filmagem, cortando a cena e deixando-os pendurados lá enquanto dizia para o
resto da equipe dar uma pausa para almoçar. Eram 30 metros reais acima do chão
e reza a lenda de que eles ficaram durante 10 minutos naquela situação.
Uma curiosidade interessante e como
a vida imita a arte, uma mente doentia chamada Richard Shenkman (e isso eu descobri recentemente assistindo um
daqueles programas policiais do canal ID
–Investigação Discovery e tomei nota) cometeu uma loucura com sua
ex-mulher, Nancy Tyler, que ficou
refém dele durante 13 horas em uma casa suburbana dos EUA, South Windsor, e segundo ele, cometeu o crime depois de assistir ao
filme ficando totalmente obcecado. No fim, o doido foi julgado e condenado a
prisão por 70 anos. Neste caso a mulher ganhou!
EUA
1989
COMÉDIA/DRAMA
COR
116 min.
FOX
★ ★ ★ ★ ★
Twentieth Century Fox Apresenta Uma Produção GRACIE FILMS
Um Filme De DANNY DeVITO
MICHAEL DOUGLAS KATHLEEN TURNER DANNY
DeVITO
CO-ESTRELANDO: G.D. SPRADLIN MARIANNE SÄGEBRECHT SEAN
ASTIN
HEATHER
FAIRFIELD PETER DONAT DAN CASTELLANETA
Música de DAVID NEWMAN Montagem LYNZEE KLINGMAN
Fotografado por STEPHEN H.
BURUM, A.S.C
Desenhos de Produção IDA
RANDOM
Produção Executiva POLLY
PLATT & DOUG CLAYBOURNE
Co-produção MICHAEL LEESON
Baseado No Romance de WARREN
ADLER
Escrito por MICHAEL LEESON
Produzido por
JAMES L. BROOKS
& ARNON MILCHAN
Dirigido por
DANNY DeVITO
THE WAR OF THE ROSES ©1989 Gracie
Films/20th Century Fox











12 comentários:
Taí um filme que ainda preciso ver...
bjs
Humor negro é extremamente complicado, o espectador tem que entrar no espírito da história.
Neste filme a guerra entre marido e mulher é exagerada e levada as últimas consequências de uma forma que não me agrada.
Não é um filme para todos os gostos.
Abraço
É preciso de fato ter a mente muito aberta para gostar deste filme.Abraços
Curto humor negro! Preciso ver este, com certeza!!
p.s.: Nem imaginava que era do DeVito! Massa!
Nossa so pela sua analisr me deu muita vontade de assistir. Gostei muito da historia acho que vale a pena assistir .
O Bolão do Oscar 2013 já está no ar, e claro, você está convidado!
(http://dvdsofaepipoca.blogspot.com.br/2013/02/bolao-do-oscar-2013.html)
Bons palpites!
As blogueiras do sofá (DVD, Sofá e Pipoca)
Irei plagiar uma amiga:
Amanda Aouad disse...
"Taí um filme que ainda preciso ver...". também preciso.
abraços.
Pelo que eu entendi da história esse pode ter sido o precursor de váarios filmes do gênero. Tenho que ver!
Ótima crítica, muito espirituosa e divertida de ler (embora as letras brancas em fundo preto me deem um pouco de tontura u.u)
Gostei muito da racionalização do seu texto sobre esse que é um filme frequentemente subestimao. É o melhor trabalho de DeVitto como diretor. Gostei da referência no finalzinho a"Alguem tem que ceder", não deixa de ser um filme que resgata algumas resiliências que testemunhamos aqui, mas sob outra perspectiva: a da hesitação em se entregar. Enfim, a vida conjugal raramente foi tão bem flagrada como nesse clássico oitentista.
Abs
Amanda: Recomendo! Bjs.
Hugo: Concordo que humor negro é um gênero complicado de se criar, mas acho que o expectador tem que estar devidamente avisado no que verá a seguir. Ame ou deixe-o. "A Guerra Dos Roses" tem um sabor, tempero, que gosto bastante. Foi muito subestimado. Tem ótimas interpretações!
Abs.
Jenifer: Já assistiu? Não é para tanto é apenas uma comédia conjugal.
Bjs.
Alan: Creio que irá gostar... Abs!
Alysson: Vou copiar o amigo acima: "Massa!" ;)
Abs.
Fabiane: Obrigado pelo convite querida e desculpe por não ter comparecido e dado meu palpite. Sou péssimo! Rs!
Bjs.
Renato: Vou me auto-plagiar: "Recomendo!" e no lugar do Bjs. Abs! Rs!
Nani: Não exatamente. Humor negro já existe no cinema há anos até mesmo nas fitas de Hitchcock que certamente DeVito tem predileção.
Bjs.
Reinaldo: "frequentemente subestimado" disse tudo amigo. É um grande filme e sim, concordo que ele flagra a vida conjugal como em nenhuma outra comédia do gênero.
Abs.
Eu estava falando de filmes sobre guerras de casais.
"Sr. e Sra Smith" (Pitt e Jolie), por exemplo, que consegue ter um final feliz...mesmo assim, Hitch já realizou um filme cheio de cinismo sobre um casal. Apesar de leve, é sua única comédia romântica. "Um Casal Do Barulho", aliás, Sr. e Sra Smith, o título original. Com Carole Lombard e Robert Montgomery. Certamente DeVito tirou algum proveito em seu filme sombrio.
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