quarta-feira, 22 de junho de 2016

LUC BESSON | LUCY (2014)

"I LOVE LUCY"

Jovem se envolve acidentalmente em uma negociação de drogas no mercado negro e absorve uma substância que carrega em seu estômago se transformando em uma mulher inumana que usa a lógica e poderes sobrenaturais ao atingir uma capacidade cerebral que nós seres humanos não utilizamos. 

Um dos filmes mais inesperados e divertidos daquele ano. Com direção de Luc Besson - o diretor francês de sucessos como "O Quinto Elemento" e "O Profissional" -    em sua zona de conforto realizando um ótimo entretenimento de ação, suspense e ficção-científica. Besson, além de se aventurar em superproduções, assina também notáveis fitas menores como o encantador "Angel-A" (2005), e que aliás, foi um belo retorno depois do épico subestimado "Joana d´Arc" (1999, estrelado por Milla Jovovich) e o hoje clássicos "Subway" (1985) e o favorito da maioria "Imensidão Azul" (1988). Mas, é dele também o sensacional e original "Nikita - Criada Para Matar" ( ou também chamado simplesmente de "La Femme Nikita", produção de 1990 estrelada por outra musa sua, Anne Parillaud) e é aí que penso em LUCY que é bem semelhante a Nikita trazendo de volta uma protagonista heroína da pesada agora muito bem personificada por Scarlett Johansson em uma vibe de filmes de grande repercussões mundiais. Johansson, além de fazer muito bem cenas de ação é uma atriz dramática que sabe envolver e convencer naquilo que a personagem propõe. Fiquei boquiaberto com outro filme dela "Sob a Pele" (Leia aqui), mas também não descartei sua atuação em Lucy, não somente nas cenas munida de arma até o pescoço ou na sua óbvia sensualidade, mas naquilo que a personagem se transforma aos poucos, ou seja, num ser inumano incapaz de sentir o básico de sensações, sentimentos, prazer e dor que nos tornam humanos.

A premissa é muito interessante, apesar de ser um entretenimento por vezes (e propositalmente a meu ver) água com açúcar. Besson faz a ambientação em um submundo da máfia, aliás, a primeira parte do filme é uma das mais tensas e começa lindamente. Assim sendo, gangues de rua, viciados em drogas e policiais corruptos já é um universo revisitado pelo diretor. Nesse caos da selva de pedra asiática, uma mulher solteira, provavelmente estudante, chamada simplesmente de Lucy (Johansson) se vê obrigada (encurralada) a própria sorte a agir coma "mula" de drogas de um homem  com quem se relacionava havia pouco tempo, e cujo empregador é um sinistro chefe da máfia coreana e tinha que ser o ator mais fodão do cinemão coreano, Min-sik Choi     - do clássico "Oldboy" (leia aqui) -    Lucy vai de encontro com este poderoso chefão oriental (Mr. Jang) para entregar uma maleta com uma nova droga sintética, o CPH4 (e toda a sequência da mala intercalando a imagens de presas e predadores é de gelar o sangue). Pois bem, depois de se ver no meio dos lobos, Lucy não tem escolha se almeja sair dessa viva. A pobrezinha é capturada, e um saco com a droga é cirurgicamente implantado nela e em outras três mulas (todos homens) ela é a única fêmea no meio dos machos! Todos são ameaçados de morte se não transportarem a droga para comercialização na Europa. Quando é levada para o cativeiro, sofre tentativa se estupro e reage contra um dos bandidos que a espanca sem dó fazendo com que a droga "estoure" dentro dela. Voalá! A "mágica" acontece e seu corpo é totalmente tomado por CPH4 como uma verdadeira bomba atômica e aquela Lucy de antes, vulnerável, sem noção, submissa, morre. Outra renasce. E, como resultado, ela gradativamente começa a adquirir capacidades físicas e mentais cada vez mais elevadas, como telepatia, telecinese, eletrocinese, absorção imediata de conhecimento, capacidade de se transportar no tempo e inclusive a opção de sentir dor ou outros desconfortos físicos ou mesmo emocionais, além, é claro de outras habilidades que Besson deixou de fora nos instigando a imaginação. 

O mais curioso é que não se trata de uma motivação de vingança. Não. Lucy usa a lógica e age da forma que lhe convêm para responder questões que rapidamente são respondidas na medida em que vemos na tela a contagem progressiva da porcentagem:  30%, 50%, 70%... de sua capacidade cerebral, como um download e assim sucessivamente até tudo ficar logicamente fora de seu próprio controle com tamanho conhecimento absorvido. Em meio a sua jornada que terá cada vez mais um curto período de vida, Lucy pesquisa na internet sobre a sua condição e o contato de um cientista e médico conhecido como Professor Samuel Norman, o sempre excelente Morgan Freeman, cuja pesquisa pode ser a chave para salvá-la e, com ela, fazer um registro de toda a verdade sobre a capacidade cerebral humana dentre outras dúvidas sobre ciência, existência, física quântica, matemática, evolução, etc. Besson intercala as cenas de Freeman com o arco inicial de Lucy inteligentemente, sem rodeios. As cenas dele dando uma palestra na Universidade e imagens da vida orgânica, vegetal, animal, da Terra e outros arquivos de imagens resumindo as capacidades de criação humana em toda sua história, são bem resolvidas para o público. 

Mas não para por aí...o filme, além de hibridizar com os gêneros da ficção-científica, do thriller, documentário e de ação, se transforma também em um bom policial, quando a heroína voa para Paris e entra em contato com um capitão da policia local, Pierre Del Rio (Amr Waked - ator egípcio de filmes como "Syriana - A Indústria do Petróleo", 2005), para ajudá-la a encontrar os outros três pacotes da droga que restam. O mais engraçado é que Del Rio se torna a mula de Lucy. Fascinado e assustado com o que ela é capaz de fazer ele questiona se é realmente necessário e se torna, não um interesse romântico, mas um alívio cômico. 

Besson transforma o filme em algo realmente inacreditável de se assistir e ousa a desafiar a plateia a aceitar uma trama que não tem limites para a fantasia. O principio da teoria de Lucy nem é tão irrealista, mas, evidente, que até 10% os fatos podem se levar a sério, mesmo se tratando de um filme. Por exemplo, há citações sobre o sonar dos golfinhos. No entanto, é memorável o momento em que Lucy começa a se desintegrar literalmente quando suas células se desestabilizam depois de um simples gole de champanhe, o que tornou seu corpo inóspito para a reprodução celular. Daí ela precisa consumir parte da droga para impedir uma desintegração que acabaria com sua existência! No cinema os risos não foram tímidos. Bom, quanto ao clímax é um típico filme de ação com a marca Besson. Efeitos Especiais pirotécnicos e com a inconfundível trilha sonora de Eric Serra,  parceiro de longa data. 

SPOILERS!


Todos questionam o final. Ela se transforma em um Pen-drive? Não. Evidentemente, ao atingir a capacidade cerebral em 100% Lucy se dissipa da realidade física e se expande literalmente dentro do continuum espaço-tempo, como o universo. E, segundo o filme, tudo está conectado e somente existe através do tempo.  Aquele Pen-Drive que o Freeman se apodera é simplesmente o arquivo de todo o seu conhecimento que ele certamente guardará a sete chaves de todo o mal  do homem e o mesmo diz que somos movidos pelo lucro e poder e tal conhecimento geraria instabilidade e caos. 

Não sei porque as pessoas se confundem com o final. Besson até "desenha" passo a passo visualmente evitando explicações verborrágicas. Aliás, a cena da mensagem de texto no celular do policial traduz lindamente o final. "I am Everywhere" - "Eu Estou em Toda a Parte" -

Foi questionado uma possível continuação de Lucy e, com o sucesso de bilheteria, Besson pensou em uma sequência, mas que ainda não sabe ao certo o que fazer com a personagem que foi pensada, de fato, para um único filme. Sabe-se que o cineasta retornará com outra sci-fi: "Valerian and the City of a Thousand Planets", dos quadrinhos de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières. 

Um ótimo entretenimento e parafraseando Lucy: Besson nos deu uma ótima sessão pipoca como a vida nos foi dada um bilhão de anos atrás. Agora você sabe o que fazer com ela.






AÇÃO- FICÇÃO-CIENTÍFICA - SUSPENSE 
1h 29min.
UNIVERSAL 
★★★★☆ 


UNIVERSAL PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO EUROCORP EM CO-PRODUÇÃO COM TF1 FILMS
COM A PARTICIPAÇÃO DE CANAL + CINÉ + TF1
SCARLETT JOHANSSON
MORGAN FREEMAN           CHOI MIN-SIK             AMR WAKED
TRILHA SONORA ERIC SERRA  FIGURINOS OLIVER BERIOT
MONTAGEM JULIEN REY DIREÇÃO DE ARTE HUGHES TISSANDLER
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA THIERRY ARBOGAST
PRODUÇÃO EXECUTIVA MARC SHMUGER
PRODUZIDO POR VIRGINIE BESSON-SILLA 
ESCRITO E DIRIGIDO POR LUC BESSON

Lucy ©2014 Universal - EUROCORP


6 comentários:

Gustavo H.R. disse...

Está claro que você absorveu muito mais coisas do que eu desse filme. Vi-o como entretenimento ligeiro e o esqueci alguns dias depois; o toque de Besson me pareceu diluído nesse filme, mas é possível que quem o conhece melhor identifique com mais clareza seus pontos fortes. Mas não há como negar que é imaginativo.

Cumps.

Rodrigo Mendes disse...

Gustavo - o filme não deixa de ser um legítimo Besson, muito embora seja de fato um entretenimento de curta duração que ofusque uma visão mais apurada de toda a ideia que é muito interessante. No geral, o público gosta e se diverte o que já á válido e creio que foi a real intenção de Besson. Mas, cá entre nós, se ele quisesse fazer algo na linha Solaris, 2001, Blade Runner, Total Recall, creio que seria igualmente sensacional. Veremos seu próximo filme que também será uma aventura Sci-fi e que pode ser tão boa quanto o já clássico "O Quinto Elemento".

Abraço.

Hugo disse...

O filme segue realmente o estilo maluco que Luc Besson abraçou nos últims vinte anos, até mesmo quando é apenas produtor.

Também considero o diretor talentoso, filmes de inicio da carreira como "Subway", "Nikita" e o "Imensidão Azul" tinham algo a mais do que cenas de ação mirabolantes.

Abraço

Rodrigo Mendes disse...

Hugo - Sim, como produtor, Besson é responsável por várias pérolas, vide "Táxi" e "Carga Explosiva", né? rs Bom, sem contar no bem visto "Busca Implacável" com Liam Neeson. Mas, apesar dos "malabares" assim dizendo, são ótimos entretenimentos.

Esses primeiros filmes são mesmo mais calminhos (nem tanto "Nikita"), assim como o mais recente "Angel-A". No geral, eles não me decepcionam naquilo que propõe. Não vamos esquecer de "Arthur e os Minimoys" e "Les Aventures Extraordinaires d'Adèle Blanc-Sec" que também são simpáticos.

Abraço.

Amanda Aouad disse...

Você gostou bem mais que eu, rs. Acho um filme instigante, mas acho também que Besson perdeu muito do encanto inicial. Lucy acaba sendo mal amarrado, ainda que essa libertação final seja coerente com algumas teorias. Inclusive o budismo, onde estamos todos presos na ilusão da individualidade, quando fazemos parte do todo. Ela, ao atingir 100% do cérebro percebeu isso, se igualando de alguma forma a ideia de Deus.

P.S. Essa do pen-drive dei risada, alguns alunos vieram para mim com a mesma pergunta: Ela virou um pen-drive. kkkk


bjs

Rodrigo Mendes disse...

Amanda - Eu adorei mesmo! rs Eu entendo o que diz e certamente Besson tenha escolhido errado ao fazer do filme um entretenimento pipoca e não um filme cabeça com maior desenvolvimento. Interessante falar do budismo, não havia pensado nisso. O mais legal é que Lucy traz ideias instigantes para o debate. Ciência, religião...

Legal você utilizar nas suas aulas...imagino que os alunos sempre fazem essa pergunta, rs eu também acho hilário. Aqui em casa virou jargão com meus primos quando passei o filme: "A mina Pen-Drive" rs

Beijos

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