segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Billy Wilder - Amor na Tarde (1957)

UMA COMÉDIA EDIPIANA 

Jovem violoncelista e filha de um detetive particular parisiense, um especialista em divórcios, salva um milionário playboy de um possível atentado. Depois finge ser uma mulher fatal para conquistá-lo, encontrando-se com ele, todas as tardes, num hotel.  

O CINEMA RODRIGO está de volta! E, agora com novos clássicos revisitados. Esta é mais uma joia rara na filmografia do mestre BILLY WILDER

AMOR NA TARDE (LOVE IN THE AFTERNOON, 1957) é certamente uma homenagem muito bem prestada a outro mestre e amigo de Billy, o cineasta ERNEST LUBITSCH (1892-1947), autor de obras memoráveis: Ninotchka (1939), Ladrão de Alcova (1932) e Ser ou Não Ser (1942) e conhecido pela marca registrada: "The Lubitsch Touch". Aqui, Wilder revive o estilo de comédia romântica de Ernest, ou seja, discreta e sofisticada. O filme é importante, também, por marcar a primeira parceria do diretor com o roteirista I. A. L. DIAMOND  que desde então se tornou seu parceiro constante. A produção do filme foi a primeira que fez para uma nova e pequena produtora dos Irmãos Mirisch (ALLIED ARTISTS) que seriam seus produtores pelos próximos dezesseis anos. E, além disso, "Amor na Tarde" é descrita como uma comédia edipiana em que o pai de Ariane (Hepburn), contratado por um milionário ciumento, acaba encontrando a própria filha. 

Wilder encontrou a orquestra de ciganos que acompanha toda a trama numa casa noturna de Paris, e que, na ocasião, era formada por GYULA KOKAS, MICHAEL KAKAS, GEORGES CÓCÓS e VICTOR GAZZOLI, para funcionar como uma espécie de "coro grego". Audrey Wilder, esposa de Billy, faz um pequeno papel como uma das vítimas de Cooper. 

Foi graças a este filme que a canção francesa Fascination (Fascinação) voltou à moda nas vozes de Nat King Cole e Carlos Galhardo e, posteriormente seria gravada inúmeras vezes. Contudo, classicamente, por ninguém menos que Elis Regina e periodicamente revivida. 

Evidentemente que "Amor" é também uma homenagem à cidade de Paris ("em toda parte se faz amor e em Paris se come melhor e se faz amor com mais frequência"), que marcou o retorno ao cinema do astro francês MAURICE CHEVALIER (de filmes como "Gigi", "A Viúva Alegre", do próprio Lubitsch, entre outros). Aliás, é bom ressaltar que Chevalier havia sido justamente consagrado por Lubitsch! "Oitenta por cento das mulheres que dormem de barriga para baixo estão apaixonadas" diz ele. 

Entre outras coisas, é basicamente uma nova homenagem ao charme, encanto e elegância da inesquecível AUDREY HEPBURN - e vou mais longe...aqui ela está mais linda e nunca esteve tão bela como em nenhum outro filme (nem mesmo em "Bonequinha...") e sempre vestida por GIVENCHY. Ela já havia feito com Wilder Sabrina (1954), que seguramente é outro clássico cult. Nesta ocasião, numa determinada cena, ela faz até sua autocrítica: "Meu pé é grande demais, sou magra demais, minhas orelhas são de abano, meus dentes são tortos e meu pescoço é longo demais". O que GARY COOPER (igualmente esplêndido) responde: "Mas eu adoro o jeito que tudo isso se junta". 

Embora o filme tenha um ritmo deliberadamente plácido (feito justamente no compasso da música-tema que voltou a popularizar Fascination) possui momentos encantadores, mas um defeito óbvio. E, embora discorde do ator (outro exemplo é James Stewart em "Festim Diabólico", de Hitch), é notável que Gary Cooper parece constrangido num papel que me dá a sensação de que ele ache não ser para ele. Talvez, o mesmo pensara que estava velho demais, taciturno e aparentemente já sofrendo do câncer que o mataria. Acreditava-se que CARY GRANT , que o recusou, seria mais apropriado. Não sei. Quem sabe...o fato é que mesmo diante de uma certa distância de Cooper quanto ao papel, gosto dele aqui. Além de Grant, pensaram em YUL BRYNNER (o modelo do papel seria ALI KAHN), mas o encanto do filme é tanto que Cooper é um ator que considero insubstituível. Ainda mais porque, na época, a fita era bastante maliciosa e até ousada. O casal realmente tem relações sexuais, à tarde. O filme nunca deixa isso implícito. Tudo é regado a champanha sem moralismos. Um triunfo de Wilder, se formos passear filme após filme em sua obra ao longo das décadas. 

Segundo o autor HELLMUTH KARASEK, há temas no filme recorrentes à obra de Wilder: a dissimulação como verdade, a juventude mais esperta que a idade, a inocência mais experiente que a rotina sexual, o amor que supera o vício e, finalmente, uma mulher que aplica uma lição ao homem. Já que em muitos filmes dele, homens aparentemente experientes acabam nas mãos de mulheres que pareciam inocentes. 

AMOR NA TARDE é estrelado pela carinha de anjo mais famosa de Hollywood
Amo-a. Como não amá-la? À Tarde, à noite, pela manhã...qualquer hora do dia. 


EUA
COMÉDIA - CRIME - DRAMA
2h 10min. 
Preto e Branco 
🎥 Billy Wilder
★★★★☆


Um filme de BILLY WILDER
GARY COOPER    AUDREY HAPBURN
LOVE IN THE AFTERNOON
com: MAURICE CHEVALIER  
JOHN McGIVER 
e LISE BOURDIN
direção de fotografia WILLIAM MELLOR
direção de arte ALEXANDER TRAUNER
música de  FRANZ WAXMAN
roteiro de BILLY WILDER e I. A. L. DIAMOND
BASEADO EM LIVRO DE
CLAUDE ANET
PRODUÇÃO- DIREÇÃO: 
BILLY WILDER
©1957 Allied Artists/Lorimar

3 comentários:

Hugo disse...

Billy Wilder deixou uma belíssima carreira, mas este filme eu ainda não assisti.

Abraço

Rodrigo Mendes disse...

Sim, Hugo. Ele foi um dos grandes autores da era de ouro de Hollywood, aliás, os Film-Noir que existem, os dele são os meus preferidos! Assista este, vai gostar.

Abraço

Blogger disse...

Não é o melhor filme de Audrey Hepburn e Billy Wilder (prefiro Sabrina) mas é um excelente filme

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