sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

MICHAEL CURTIZ | CASABLANCA


AS TIME GOES BY

Estava na hora de falar deste clássico absoluto de Hollywood. O filme de Michael Curtiz, o notório Casablanca, estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.
Um história que se passa durante a Segunda Guerra Mundial (ótimo pano de fundo),obviamente em Casablanca, no Marrocos - Norte Da África, em que vários personagens lutam pela posse de um passaporte com visto. Entre Lisboa e uma passagem para a a América, a cidade era caminho obrigatório para os refugiados do nazismo. O norte-americano Rick dirige um Night Club, onde certa noite vê entrar o grande amor de sua vida.

Imaginem uma história dessas contada no teatro? Por ser efêmero seria uma encenação sexual do acaso? Já o cinema capta as emoções e fica registrado, por isso cinema é amor. Todavia alguns casos na sétima arte, o cinema pode ser a "arte do acaso". Sem dúvida o caso de Casablanca, talvez o melhor filme a sair da fábrica de ilusões, que em sua origem era apenas mais uma produção de rotina. Com o roteiro feito às pressas, o elenco escalado por acaso e o diretor sem a menor teira ideia do que o projeto poderia dar certo, a começar pelo próprio nome. Casablanca?

O filme inteiramente rodado nos estúdios da Warner Brothers designou três roteiristas para trabalhar na adaptação. Um deles Julius J. Epstein contava que as páginas do script eram escritas diariamente, rodadas em ordem cronológica, de tal forma que os atores tinham de decorá-las às pressas sem ter noção de como seria o final. Com quem ia ficar Ingrid Bergman, com Bogart ou com Paul Henreid? A própria atriz confessava confusa.
O filme tinha também um papel patriótico porque era a época de guerra e era preciso condenar o nazismo e o governo francês colaboracionista de Vichy, representado aqui com muita ironia pelo inspetor Claude Rains. Ele tem uma frase famosa: "Mande prender os suspeitos de costume".


O estúdio hesitou muito em escolher o elenco, chegaram a pensar em alternativas tão absurdas como Heddy Lammar, a futura Dalila e o cantor Dennis Morgan, dentre muitas outras figuras. Por sorte, foi formada a dupla Bogart e Bergman, a única vez que trabalharam juntos, inconscientes da química que havia entre eles. Também a música tema do filme As Time Goes By não era inédita. Composta em 1931, nunca pode concorrer ao Oscar, aliás quase cortaram a canção do filme por insistência do autor da trilha Max Steiner (não imagino Casablanca sem essa musiquinha). E isso só não aconteceu porque Ingrid havia cortado os cabelos para outro filme (Por quem os Sinos Dobram) e não era possível mais refilmar certas cenas-chaves da fita.
Dooley wilson, que interpreta o pianista, era cantor, mas espantosamente não sabia tocar o piano, que foi dublado por Elliot Carpenter.

Curiosamente à época, o filme foi ajudado, porque justamente no momento de sua estréia as tropas aliadas tomaram a cidade de Casablanca. Talvez, por isso, acabou levando um inesperado Oscar de Filme, de direção, para o húngaro Michael Curtiz, e de roteiro. Depois foi esquecido e só nos anos 60 é que passou a ser revalorizado. Assim é que descobriram seus diálogos;os mais brilhantes que o cinema dourado já teve.
Às vezes, com um senso de humor ácido, perguntam a Bogart porque ele veio para Casablanca. "Por causa das águas", ele responde. " Mas estamos no meio do deserto! Fui mal informado", ele conclui. E com expressões que se tornaram clássicas e intraduzíveis, por exemplo, quando ele diz brindando: Here´s Looking at you Kid. Também com frases poéticas. "Nós sempre teremos Paris", ou que diz: "Você usava azul e os alemães usavam cinza".


Sem esquecer seu final clássico e super imitado - que teria sido rodado em apenas uma única tomada - e que, na verdade, tem uma conclusão ambígua; basta prestar atenção no diálogo que pode sugerir uma ligação até homossexual entre od dois: "Meu caro Louie, este é o começo de uma bela amizade!".
Em outras palavras, Casablanca é um perfeito exemplo do melhor cinema de Hollywood. Excelente cenografia, fotografia expressionista, grandes atores, em particular, os coadjuvantes e grande roteiro escrito a seis mãos.
Na época, Hollywood estava a serviço de uma causa, daí desculpar-se certos discursos a favor da liberdade, embora o duelo de hinos ainda seja comovente e não falte ao filme uma boa dose de ironia.

Antes de tudo, é um perfeito exemplo de como se contar uma história; começo, meio, fim e motivação. Prova também que cinema é um meio de atores, não há um coadjuvante, um extra/figurante que não tenha uma cara expressiva, quando não são verdadeiros monstros sagrados transbordando talento. Desde Peter Lorre, Sidney Greenstreet, S.Z. Sakall ( o garçom), o excepcional Conrad Veidt, do ótimo "Caligari" como chefe nazista, e o antigo "Homem Invisível" - Claude Rains.

A única exceção seria Paul Henreid, mas que compensado pelos outros. Bogart não poderia ser mais moderno, contemporâneo e Ingrid não poderia ser mais linda. Uma aula de cinema, documento de uma época. Curiosamente tem pouco a ver com a inexpressiva cidade marroquina (que como o nome já indica é toda pintada de branco). Como sempre, Hollywood deformava a realidade, mostrando a vida não como ela é, mas como deveria ser.


EUA-1942
99 min. 
Romance
Distribuição: Warner Bros.
✩✩✩✩✩ EXCELENTE



WARNER BROS. 
Apresenta

HUMPHREY BOGART
INGRID BERGMAN
PAUL HENREID 
em:
CASABLANCA
também estrelando: Claude Rains  
Conrad Veidt
Sydney Greenstreet   
Peter Lorre
S.Z.Sakall
 Dooley Wilson 
Marcel Dalio

escrito por 
JULIUS J. EPSTEIN  
PHILIP G. EPSTEIN 
HOWARD KOCH
da peça de 
MURRAY BURNETT
e JOAN ALISON

PRODUZIDO
por
 HAL B. WALLIS 

fotografafo por  ARTHUR EDESON

MÚSICA 
de
MAX STEINER

DIREÇÃO 
de
MICHAEL CURTIZ




4 comentários:

Paulo Alt disse...

Rodrigo, uma coisa você disse bem, não imagino Casablanca sem essa musiquinha haha. Pra te dizer a verdade acho que toda vez que assisto fico apreenssivo só pra chegar nessa parte, o do "Play it Sam, play it once more", algo assim.

Antes de conhecer a história e assistir lembro que o que mais me atraia era esse pôster. Os fogos por trás que se ajustava à guerra mas que também passava um ar de comemoração e o avião estacionado. Tem bem aquela coisa do preto e branco clássico e elegante. Às vezes pode não ser aquilo que você esperava, ou "tudo" aquilo, mas por todo um clima que existe em torno desse longa e de algumas cenas fez que guardasse ele num canto da minha memória com boas recordações. Adoro, mesmo não sendo o meu "preferido".

Juro que nunca reparei que podia ter uma conclusão ambígua. Vou ficar atento quando for ver novamente, tentar ver como isso pode soar já que o filme é em pleno anos 40. Ah, contiue colocando essas curiosidades aqui, adoro ler isso junto da sua interpretação. Deixa o blog bem composto também, pq não? Ah, é o que acho. É o estilo daqui.

Abraçooo

Ricardo Nespoli disse...

É sem dúvida um dos melhores filmes de todos os tempos... Desde a atuação até a rilha sonora, passando pela ambientação e pela história extraordinária... Nota 1000, se possível..

Red Dust disse...

O grande clássico de amor de todos os tempos. Imbatível. Nota máxima.

Abraço.

Dewonny disse...

Esse dispensa comentários!!!
Obra prima!!! Nota 10!!!
Abs! Diego!

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