Neste natal que se aproxima, venho aqui falar do filme sessão de gala, antes da missa do galo. A historinha da Menina Dorothy, que vive numa pequena fazenda do Kansas com seus tios, os empregados e o cachorrinho Totó quando acontece um tornado (Twister) que leva sua casa até uma terra mágica, a de OZ.
O filme é em preto e branco (sépia), mas, quando Dorothy abre a porta no reino, tudo torna-se colorido (Techinocolor) para ficar mais uma vez em preto e branco no final.
Sua casa acidentalmente cai em cima da casa de uma bruxsa, o que a torna uma heroína para o povo de lá, os Munchikins (feito por anões). Mas Dorothy quer ir até a capital de Oz e pedir ajuda ao grande mágico para ela poder voltar para casa. No caminho, vai encontrando os amigos: Espantalho, O Homem de Lata e o leão Covarde.
Não há dúvidas de que O Mágico de Oz, é o melhor road-movie do cinema. O diretor Victor Fleming teve de largar o filme para ir trabalhar noutro ainda mais complicado e importante: E O vento Levou (mesmo ano de 1939). E quem rodou grande parte das cenas foram dois outros cineastas; o produtor Mervyn Leroy e King Vidor.
O diretor original era Richard Thorpe (que tinha uma visão torpe e muito sexy para Wizard - uma Dorothy com cabelos longos, soltos e muito teenager), mas ele foi mandado embora depois de 12 dias. ( que também fora demitido de E O vento levou).George Cukor fez testes para o filme, inclusive com Judy Garland usando uma peruca loira- que foi rejeitado.
Produzido pela METRO, o filme teve várias dificuldades. Om papel de Dorothy, a menina de Kansas, que um dia é levada por um tornado até o reino mágico de Oz, era para ser de Shirley Temple, mas a FOX não quis liberá-la e o personagem acabou para uma adolescente - Judy Garland (1922 -1969) à época com 16 anos - e em seu sétimo filme, sendo obrigada a enfaixar o busto para ele não ficar tão visível.
A canção Over the Raibow se tornaria sua marca registrada pelo resto da vida. A filmagem foi cheia de incidentes e problemas ( igual o vizinho O vento levou). O mais grave da produção de Oz, foi a doença de Buddy Ebsen ( o primeiro Homem De Lata), por causa de uma pintura prateada em sua pele que quase o matou. Mais tarde, ele se tornaria astro na TV em séries como: A família Buscapé e Barnaby Jones. Mas teve de ser substituído e suas cenas refeitas assim como suas canções. Também Margaret Hamilton ( A Bruxa má) queimou-se numa aparição e teve de ficar afastada por umas semanas.
O roteiro original modifica muito os personagens dos livros de Baum, que depois foram adquiridos pela DISNEY, tendo realizado uma mal sucedida continuação com Fairuza Balk ( a Bruxa malvada de Jovens Bruxas), como Dorothy em 'O Mundo Fantástico de Oz' - Return To Oz (1985) um misto dos volumes seguintes da série de livros de Oz, dirigido por Walter Much. Continuação, agora aproveitada em desenhos para a TV. Uma outra versão com negros também virou musical da Brodway, TheWiz, filmada com Diana Ross e Michael Jackson, em 1978, por Sidney Lumet, como O Mágico Inesquecível. Também premiado com o scar de Trilha Musical e um especial em miniatura para Judy Garland. Concorreu, ainda, como filme e direção de arte, mas era o mesmo ano de E O Vento Levou...
The Wizard..não é apenas um filme, virou uma verdadeira isntituição tão clássica quanto a torta de maçã ou o cachorro quente. toda criança norte-americana cresceu vendo regularmente o filme, ou então lendo a coleção de livros de L. Frank Baum - uma espécie de (aqui temos Monteiro LobatoO sítio Do Pica-Pau Amarelo) que inspiraram os personagens. Sabem de cor todos os detalhes. O grande achado do filme certamente foi o fato dele começar em preto e branco, enquanto se apresentam todos os personagens da fazenda onde Dorothy vive com o seu cachorro Totó. Todos eles retornarão depois em outros papéis.
Até que sucede o tornado, um efeito especial até ingênuo e Dorothy acorda, abre a porta e pronto: chegou ao mundo colorido e impressionante de Oz, habitado pelos Munchikins. Para chegar a Oz basta seguir a estrada de tijolos amarelos (daí o road-movie). E no caminho vai encontrando outros que também precisam de ajuda. O Espantalho (Ray Bolger - grande bailarino e comediante) que não tem um cérebro, mas lhe sobra inteligência; O Homem de Lata ( Jack Haley, mais tarde pai do Jr. que faria aqueles documentários That´s entertainment e um sobre o Mágico de Oz excelente - e se casaria com a filha de Judy, Liza Minnelli) que precisa de um coração, mas não lhe falta sentimentos, e o Leão covarde- BertLahr , o mais cômico do trio, que gostaria de ser corajoso, mas lhe sobra determinação. Juntos, eles formam o trio invencível desta fábula deliciosa e repleta de achados.
Existem os sapatinhos de Rubi, os macacos alados, a vingativa Bruxa Má do Oeste - a excelente Margareth Hamilton, no papel de sua vida e a Bruxa boazinha, Glinda (Billie Burke, viúva do produtor teatral F.Ziegfeld), linda e talentosa atriz. Há algumas canções, mas não muitas, em particular, na segunda parte, porque vários momentos foram cortados, como um número musical com o Espantalho e Dorothy - apesar de ter sido coreografado por Busby Berkeley. Mesmo a canção Over The Raibow, que acabou levando o Oscar, quase foi eliminada pelo estúdio porque, acreditavam os produtores: ela alongava demais a fita. Afinal, quanto tempo é muito tempo?
O curioso é que, por ser tão caro, o filme não chegou a ser um sucesso de bilheteria em sua época de estréia. só foi se pagando com as reprises e as sucessivas exibições na TV americana ( e Brasil também na madrugada de Natal). O Mágico é também um filme cult. Há momentos em que ele tem um certo ar Kitsch e um mau gosto na direção de arte..., mas para sempre ficou em nossa cultura popular, sua mensagem o timista: " Não há lugar como o Lar" (mesmo ele sendo em preto e branco). E a esperança de que, em alguma parte, além do arco -íris haja um lugar melhor para todos nós...
'O Mágico de Oz'
The Wizard Of Oz
de Victor Fleming
EUA- 1939
Aventura/Fantasia
110'
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
de Victor Fleming
EUA- 1939
Aventura/Fantasia
110'
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
MGM
APRESENTA
UMAPRODUÇÃO MERVYN LeROY E VICTOR FLEMING
estrelando:
JUDY
GARLAND
FRANK MORGAN
RAY BOLGER
BERTH
LAHR
JACK HALEY
BILLIE BURKE
MARGARET HAMILTON
CHARLEY GRAPEWIN
CHARLEY GRAPEWIN
e The Munnchkins
Roteiro
NOEL
LANGLEY
FLORENCE RYERSON
e EDGAR ALLAN WOLF
Adaptação
do livro de
L.
FRANK BAUM
Fotografia de
HAROLD ROSSON e ALLEN DAVEY
Música de
HERBERT
STOTHART
DIREÇÃO VICTOR FLEMING . PRODUÇÃO MERVYN LeROY
UM FILME METRO-GOLDWYN-MAYER ©1939






10 comentários:
Sinceramente, um dos filmes de minha infância. Costumava ver e rever, sempre. Nunca esqueci a sensação que tive ao 'me deparar' com o mundo technicolor de Oz...tudo tão intenso, vivo e surreal, rs.
Eu via tanto, tinha duas VHS - uma das duas foi gravada de um Corujão, rs. Hoje eu tenho o dvd simples, mas quero o dvd triplo - pena que não encontro mais em digipack. Vi um dvd de luxo(indicação do Paulo[ALT]) que me parece perfeito!
Agora, uma coisa preciso confessar: eu fui rever o filme tem uns 5 anos, não foi a mesma 'magia'. Achei alguns trechos cansativos e chatos, certas passagens monótonas e Judy Garland bem artificial. Mas, pode ter sido o momento ou o filme, de fato, não me toca mais.
Belo post, sumido!
Um filme maravilhoso, um dos mais marcantes q assisti na infância, simplesmente nota 10, uma obra prima!
Abs e feliz natal e ano novo ao amigo!
Diego!
Estou planejando vê-lo dia 31 e 1º de janeiro, para terminar e começar um ano com uma belíssima imagem de positivismo que esse filme tem.
Ainda conservo meu VHS com a capa igual ao último poster que vc colocou. Se existem alguns que eu sempre vou lembrar como meu preferido na infância, este eh um deles. Tudo bem que tudo parecia maior qndo eu era pekeno... a chegada na cidade de Oz e etc eram acontecimentos que por mais que eu assistia, sempre queria ver de novo. Tava sempre dentro do meu video essa fita. Não deixava de ver, pelo menos era 1 vez por semana. Memso não tendo parte daquela sensação mais, como o Cris citou, ainda acho memorável e não consigo colocar defeitos. O clima, a trilha, tudo, é perfeito pra mim.
Se puder, procure pela edição comemorativa de 70 anos em alguma loja virtual. Chamam de formato "digibook", ainda não vi um pessoalmente. Desse também é possível encontrar o ...E O Vento Levou. São por coisas como a que vc contou, que a judy teve que deixar o busto menos aparente, que quero comprar a edição. Parece recheada de extras.
E por mim vc poderia continuar escrevendo sobre o Mágico sempre, com posts continuações que eu não ia enjoar. Bela escolha pro final de ano. E a fonte tb, notada pelo Cris, de tijolos amarelos, hehe.
O [ou "os"] livro[s] também ainda quero ler. Se a continuação em filme foi uma que eu vi anos atrás no Sbt de tarde, odiei. Depois disso nunca mais passou.
Ah, o tom sépia do comecinho ainda me encanta. Quem gostar de cinema e disser que nunca assistiu a cena do Over The Rainbow, ahh... está se iludindo, num é não??? Tudo bem que eu não posso dizer nada, tem mtos famosos que ainda não vi. Mas o Mágico é o Mágico.
Espero falar com vc ainda ^^
abraçooooooo
ainda = antes do natal rs
Oi Rodrigo!
Que texto gostoso! Repleto de curiosidades. De tudo que vc nos apresentou a única coisa que eu sabia oi o fato de Shirley Temple ter sido cogitada para o papel. Que acabou indo parar nas mãos de Judy Garland. O resto foi novidade, não sabia de todos estes detalhes por trás de sua produção.
Este filme é maravilhoso e para mim tem cheirinho de natal, pois na minha infância e adolescência sempre passava nesta época de natal na sessão da tarde. E eu não perdia. Época boa de minha vida. Dá saudades.
Recentemente consegui encontrá-lo numa locadora e peguei para rever. Que delícia matar saudades deste filme. Ah, e a versão com Diana Ross e MJ que vc citou gosto tb. Não tem o mesmo encanto do original, mas é divertido e alegre.
Aproveito para lhe desejar um feliz e alegre natal!!
Um beijinho carinhoso.
Um filme incontornável nesta época do ano!
Um filme que não envelhece ! Um Clássico absoluto . Aproveito para desejar ao amigo um Feliz Natal com muita Paz no coração .
Um abraço .
Algures para lá do Arco-Íris, seguindo a Estrada dos Tijolos Amarelos até ao Palácio de Esmeralda, a viagem tem a paisagem do sonho. E o sonho é a maior aventura de todas. No final, porém... there's no place like home. Eis, pois, uma das maravilhas maiores da 7ª arte.
Cumps.
Roberto Simões
CINEROAD - A Estrada do Cinema
O mais impressionante é ver que, apesar das mudanças de diretor, o filme conseguiu se manter coeso.
Mas isso não é por acaso, naquela época, eram os grandes estúdios que ditavam os rumos das produções - hoje em dia isso ainda ocorre -, não fazendo muita diferença, pois, as constantes mudanças de diretor.
Abraço.
Cinema para Desocupados
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