domingo, 31 de janeiro de 2010

C I N E MONSTROS CAP.I




Caros leitores,
apresento a primeira parte de um grande especial dedicado aos Monstros da sétima arte.


Na verdade são colagens e algumas curiosidades e informações sobre as criaturas mais curiosas e tenebrosas de todos os tempos.

Okay! Confesso a vocês a minha paixão por filmes antigos. Em particular sou adorador do cinema fantástico e há muito o que dizer deste universo. No entanto , não é só de filmes antigos que esta maratona monstruosa será feita.
Esse especial será postado em períodos diferentes, portanto não será sequencial como foi com Cinema P&B.
Nesta parte prima, só quero despertar o valor destes filmes antigos e como todos nós, cinéfilos, temos muito o que aprender com eles.
Os considero os tataravós do cinema, estes personagens e filmes, realizados por geniais cineastas e grandes equipes cinematográficas no século que terminou.
Vou viajar pelo TEMPO e mostrar todos os "gêneros de monstros": tipos, sub-tipos, estilos, linguagem, épocas etc...



E começando a primeira parte... o primeiro filme em destaque, o pavor em movimento nesta evolução dos monstros, um filme lançado em Roma no dia 10 de março de 1911, o adorável 'Inferno', a primeira adaptação feita no cinema da obra de Dante Alighieri, A Divina Comédia. Fora também o maior épico italiano em todos os tempos, realizado pelo grande cineasta Giuseppe De Liguoro. O filme é uma representação do inferno, a melhor feita até então, um retrato assombroso do lugar para onde iriam as almas dos que praticavam o mal durante a vida, na visão cristã.
Este filme deu vazão a uma nova era do cinema, um acontecimento que revelava suas múltiplas possibilidades técnicas e prenunciava o horror como gênero de entretenimento.


É considerável que Liguoro, o ilustrador francês Gustave Doré, o próprio Alighieri com sua Divina Comédia, os atores principais desta fita e ainda os co- diretores como: Salvatore Anzelmo Papa e Arturo Pirovano, foram os primeiros grandes artesões do cinema, ao que consta os registros, os pais do próprio paizão Méliès e de todos os mestres do perfeccionismo e da inovação, ao longo dos anos, como: D. W. Griffith, Charles Chaplin, Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Jaques Tati.
Eles viram as possibilidades, caminhos e não atalhos, nas novas linguagens daquele invento considerado arte com data de fabricação: O cinema.
Inferno, foi a grande produção pioneira em efeitos especiais, embora diversos curtas metragens perdidos no tempo tenham sido precursores no uso de pequenas trucagens nas duas décadas anteriores.
Curiosamente, o cinema nasceu com uma "projeção de medo", quando oficialmente os Irmãos Lumière, exibiram no dia 28 de dezembro de 1895, no Grand Café, do Boulevard des Capucines. Eram dez filmetes e um deles com a intenção de assustar a platéia, o filme: 'L´arrivée d´un train en gare'. Imaginem a confusão e pânico? Uma câmera foi posicionada na plataforma de uma estação de trens para passar a ilusão (cinema nasceu como mera ilusão) de que uma locomotiva vinha sobre as pessoas que assistiam à projeção, curiosas e inocentes. Eis o primeiro monstro do cinema: Um Trem! rs!
Mas ainda um certo gênio que morreu na desgraça, o paizão Georges Méliès (Viagem à Lua), na mesma década fazia experimentos ligados à magia, ao sobrenatural, segundo biógrafos do cineasta, chegou a realizar uma centena de curtas metragens. Ele também é um pai do gênero horror com o filme 'The Devil´s Castle', de 1897. A premissa era que um demônio, representado por um morcego gigante... é o que se sabe, já que a película não restou um único fotograma. Mas fica aqui registrado.
Méliès fez também:
a) O SOLAR DO DIABO - La Manoir du diable (1897)- em que Satã tirava a própria cabeça;
b) OS 400 TRUQUES DO DIABO E OU/ A CARRUAGEM FANTASMA - no qual uma carruagem era puxada pelo esqueleto de um cavalo.
Todavia, o mais impressionante filme de monstro que Méliès realizou, fora em 1912, no mesmo ano em que outros cineastas queriam aperfeiçoar seus filmes, deixando-os mais longos, buscando um formato narrativo para sair do teatral, eis: 'A Conquista do Pólo Norte' de Méliès, na trama um monstro gigantesco de gelo deu movimento e beleza à seu filme. Como foi feito esta façanha monstruosa? Graças a um sistema semelhante ao de uma marionete manipulada por vários ajudantes do estúdio.

CURIOSIDADES EM NEGRITO:
A.1 - O Monstro que todos conhecem
O famoso monstro do Dr. Frankenstein já teve outras versões antes do Karloff o imortalizar. Em 1910 o ator Charles Oagle (1865-1940) aceitou o papel do monstro incompreendido, e este é considerado um dos primeiros filmes a ter um monstro como protagonista, realizado pela companhia do inventor Thomas Edison, a tarefa coube ao cineasta J. Searle Dawley, aliás era um curta metragem de apenas 16 minutos, porém tragicamente, o filme chegou com 12 minutos preservados até o século XXI. A premissa se passava em um local que se supõe ser um castelo ( 4 min. preciosos, =/). A história é bastante fiel ao texto de origem por Mary Shelley, exceto pelo final alternativo. Um final de caráter místico, em que a criatura, derrotada pelo amor de dr.Frankenstein e sua noiva, desaparece no ar.
Em 1915, o famoso monstro ganhou uma nova versão e o título era: 'Vida Sem Alma' - Life Without a Soul, dirigida por Joseph W. Smiley (1875-1945). Por questões autorais, esta versão fora totalmente burlada e modificada para o atual presente deles.
A.2 - Outra Criatura Famosa
Surgiu um novo monstro que também é hoje muito cultuado, e como Frankenstein, tiveram lá as suas primórdias adaptações, falo de A MÚMIA, primeiramente personificada pelo ator pai do Lobisomen (Lon Chaney Jr.) - Lon Chaney (1883-1930). Os primeiros sem data precisa, foram: A Múmia do Rei Ramses (1909), A Múmia viva (1911), A Múmia e o Beija-flor (1915), Na Sombra da Múmia e O Túmulo da Múmia (respectivamente , 1916).
** ** **
O expressionismo era uma vanguarda iniciada na Europa e revolucionaria a indústria nas décadas de 20 & 30. Precisamente na Alemanha com o já dito aqui, M, O Vampiro de Dusseldorf de Fritz Lang, 1931.
Mas houve um filme em 1927 produzido por Carl Laemmle e dirigida pelo expressionista alemão Paul Leni, a adaptação muda de uma peça de humor negro - 'The Cat and the Canary', estrelada por Laura La Plante, a um passo de ser atacada.
Uma intrigante ousadia da trama fantástica e sobrenatural de 'O Estudante De Praga - Der Student von Prag', também marcou o cinema dos monstros. Este belo filme da venguarda expressionista continua a impressionar e assustar quase cem anos depois. O filme é do diretor alemão Stellan Rye, em 1913, explora a velha idéia de vender a alma ao diabo, literalmente! A premissa conta a história do ambicioso estudante Baldwin (feito por Paul Wegener) que quer a qualquer custo ascender social e economicamente por meio de um golpe do baú. Durante uma caçada entre nobres, o cara salva a vida de uma condessa e vê, em sua gratidão e interesse, a grande chance. O problema é que a moça está prometida para um ambisioso primo rico, de quem ela não é apaixonada. E olhem só, desesperado, o estudante concorda em trocar uma pequena fortuna oferecida pelo Diabo, o próprio Lúcifer, disfarçado em forma humana, por qualquer coisa que este queria retirar de seu humilde quarto. Medo!

Continuando...
no clássico O Gabinete do Dr. Caligari, de 1919( farei uma postagem deste filme consequentemente), o diretor Robert Wiene estabeleceu neste período, de certo, um padrão para a concepção visual de um filme, principalmente pelo perfeccionismo dos sets que, para alguns críticos, poderiam expressar o estado mental do personagem. Faço coro a esta afirmação.
Caligari, é um dos monstros mais terríveis e incríveis deste modelo alemão.



Mas surge a EXPANSÃO deste período sombrio do cine-alemão, visto que, no mais e polêmico filme de mosntro se tornaria a obra-prima nota 10 - 'Nosferatu', de F.W. Murnau (1888-1931), o cineasta que trouxe a idéia de um VAMPIRO PROTAGONISTA.
Um fato real, a família do escritor Bram Stoker (criador do Drácula) processou o produtor da fita, acusando-o de plágio retirado do livro de Stoker. Mas isso já é uma outra história. O fato é que, Nosferatu fora o primeiro Vampiro do cinema. O termo Nosferatu vem do eslavo antigo 'nosufur-atu' e do grego 'nosophoros', que quer dizer "aquele que é portador de pragas".
'Londres Depois da Meia-Noite' e 'O Fantasma da Ópera', foram outros exemplos de filmes clássicos de monstros. Estrelados pelo mestre da caracterização já citado acima Lon Chaney - o primeiro grande ator do horror americano.

A saga C I N E MONSTROS continua...

6 comentários:

Paulo Alt disse...

Ro,

bom, falei q acharia interessante esse seu plano, e tá

"cinema nasceu como mera ilusão"
adorei essa frase, ela por si já faria um post só. pode adotar como slogan do cinemarodrigo hein?

o post tá cheio de filmes que eu nunca nem achei que existiria. execelentes imagens q conseguiu colocar também. fiquei curioso por aquele do cavalo e do caligari. não digo do nosferatu pq minha curiosidade por esse já vem faz tempo.

e ligou com outro post também, o do expressionismo.

mas diga: não é a capacidade que só o preto e branco tem que dá aos filmes, ainda mais os de terror, um toque único? é quase mágico isso, eu fico admirado.

abraçoo

Rodrigo Mendes disse...

PAULO: Vou adotar este slogan, rs!
De fato, apenas o P&B da um toque ainda mais ilusionário ao cinema, independente terror ou outro gênero. Já que o real é colorido!

A frase de slogan que sugeriu já não diz isso?

Adoro, vamos filosofar! rs!
Abs!

Cristiano Contreiras disse...

Também tenho plena curiosidade no Nosferatu, desde pequeno - mas, ao mesmo tempo que exerço o fascínio em mim, impera um certo medo, rs...ele me dava calafrios, só nas imagens do filme eu morria de medo...hoje permanece aquela sensação.

Bom contexto esse post, diferente até de tudo que já vi por aqui...anda na fase mesmo da busca por clássicos e de filmes mais desconhecidos ao grande público, hein?

Achei bem impactante o poster de 'The Cat and the Canary'.

Abração!

Rodrigo Mendes disse...

CRIS: Nosferatu da muito medo mesmo! Por isso é bom!
Vou continuar com a tarefa de trazer ótimas velharias aqui no cine Rodrigo.
'O gato e o canário' eu vi no curso de cinema. Impressiona tbm, justamente pela edição criativa e efeitos de sombras. Obrigado. Abs!

Rodrigo Mendes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristiane Costa disse...

Oi Rodrigo, tudo bem?

Parabéns pela iniciativa. Acho seu blog totalmente diferenciado e você me motiva a buscar as referências, principalmente do cinema expressionista alemão, já que sempre fui mais adicta ao expressionismo enquanto arte (pintura).

Sobre esta série monstros, o resgate destas criaturas no cinema de vanguarda é imprescindível porque hoje o que se faz do cinema monstro é algo muito tosco e não assustador. A gente acaba dando risada, sendo que eu tenho pavor de Nosferatu também e gosto desta encenação de criaturas assustadoras querendo tocar jovens de pele alva(chega a ser tenebroso). Gosto muito de O Gabinete do Dr. Caligari, fundamental porque, de acordo, dá uma nova linguagem visual a este tipo de cinema. Acho mais realista e mais expressivo no bom gosto cinematográfico porque há um processo de transferência do medo para o próprio espectador, não só no caratér visual mas neste psicológico refletido na própria tela.

Fiquei interessada em - 'The Cat and the Canary'. Se você souber se há como baixar, você me fala? Poster assustadoramente apelativo!

bjs!

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