PARTE II
O Que Terá Acontecido A Baby Jane?
de Robert Aldrich
de Robert Aldrich
Na premissa , essas irmãs viviam juntas isoladas numa velha casa de Los Angeles. Uma delas, Baby Jane, foi atriz mirim de vaudeville e tortura a outra que foi estrela de cinema nos anos 30, que depois de um misterioso acidente (logo no prólogo da fita) está confinada a uma cadeira de rodas.
'What Ever Happened To Baby Jane?' do diretor Robert Aldrich é o meu favorito desta série em preto e branco que vos escrevo.
Também é o primeiro e único encontro de verdadeiras estrelas-super,ultra,mega estrelas..desculpem..excelentes atrizes do verdadeiro cinema, num filme de terror que fez escola e provocou dezenas de imitações. Tornou-se cult e tão popular instantaneamente. A trama está ligada em dúzias de obras audiovisuais. A novela da Rede Globo, escrita por João Emanuel Carneiro - ' A Favorita' é um dos exemplos mais esdrúxulos que me ocorre. Vejam: a boazinha revela-se a vilã!
Foi rodado modestamente (isso sempre acontece no Cinema com as obras-primas) , apesar do sucesso, com o diretor Aldrich tentando evitar a rivalidade entre as estrelas, que reza a lenda que se odiavam. Não acho! Bette Davis (1908-1989), no papel mais chamativo, teve sua décima indicação ao Oscar. Quem ganhou fora Anne Bancroft, que estava na Brodway naquele momento. Por isso, Joan Crawford (1904-1977) ofereceu-se para receber a estatueta no lugar dela e apareceu em todas as fotografias. O filme também foi indicado pela FOTOGRAFIA e para coadjuvante - o gordo Victor Buono( no ponto, excelente), mas como tudo não são rosas na história de qualquer premiação de Hollywood, o longa de Aldrich (que nem se quer teve indicação), ganhou apenas o de melhor figurino.
Foi a própria Bette quem inventou e se aplicou aquela maravilhosa maquiagem. Exageradamente deliciosa de ver e a filha dela, na época com 14 anos, B. D. Merrill faz uma ponta como Liza, a filha da vizinha.
Foi a própria Bette quem inventou e se aplicou aquela maravilhosa maquiagem. Exageradamente deliciosa de ver e a filha dela, na época com 14 anos, B. D. Merrill faz uma ponta como Liza, a filha da vizinha.
Outra curiosidade: também foram usadas cenas de filmes mais antigos das estrelas, como Parachute Jumper (1933) e Ex-lady (também de 1933), esses de Bette e Sadie McKee (1934) de Joan. Buono aos 24 anos estreou neste filme mas teve vida breve, morrendo em 1982. O sucesso do filme ajudou a alavancar muito uma nova fase na carreira das estrelas. E devo admitir que ajudou muito mesmo! Parece que nascia ali para um novo público: Bette Davis e Joan Crawford.
De fato é que ambas, consentiam em aparentar sua verdadeira idade, ou pior que isso, tornaram-se lindamente feias e mais talentosas ainda. E sob a direção de um realizador de prestígio que merecia todas as ovações. Robert Aldrich, que foi amante de Joan em outros filmes que haviam feito juntos, como Folhas Mortas (1956). Também não se costumava fazer este "tipo" de história chamada gótica. Sem terror explícito, mas, principalmente psicológico.
O filme é extremamente curioso pelo confronto de estilos de representação, até louvável, com Bette exagerando (no bom sentido mesmo, seu laboratório para a personagem é incrível - uma profissional que sabia o que estava fazendo sem medo de parecer ridícula) nitidamente; a tal ponto que seu personagem como ex-atriz infantil de vaudeville permite-lhe cantarolar a patética: " I Wrote a letter to daddy" - "Escrevi uma carta para o papai". Mas o filme não evita choques, servindo animais mortos, nem deixa de ter revelações, como a verdadeira máscara de Joan. É importante também por ter criado um novo gênero e estilo de fita repleta de auto-referências. Fora a sua óbvia importância, de ter criado um cenário mórbido, uma arena perfeita, para duas estrelas dividirem a tela.
What Ever Happned To Baby Jane?
EUA-
1962
Terror
P&B
135'
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
“What Ever
Happned To
Baby Jane?”
Estrelando: BETTE
DAVIS JOAN CRAWFORD
CO-ESTRELANDO: VICTOR BUONO MAIDIE NORMAN & ANNA LEE
Música: Frank deVol Fotografia:
Ernest Haller
Produção e Distribuição SEVEN ARTS
Escrito por LUKAS HELLER Baseado em Livro de HENRY FARRELL
Produzido e Dirigido por
ROBERT ALDRICH




4 comentários:
Ro, lembro que falei sobre você fazer aquelas listas, não encontrei muitas por aqui depois, mas achei bom esse especial que tá fazendo. Podia fazer mais deles por ai. Tá me deixando curioso porque veja... são clássicos em preto e branco com atrizes MUITO famosas e com papéis que me parecem MUITO carregados. E eu... nada... num vi nada. Só sabia de nome.
Pensei em assistir o anterior, mas acho que na lista de preferência vou colocar esse antes, sério. Até porque citou A Favorita, uma novela que não assisti mas não posso ser orgulhoso em dizer que pelo pouco que vi não gostei. Gosto dessas histórias entre-aspas diferentes, onde o jogo vira.
Falou também da maquiagem e sobre elas serem "lindamente feias". Reparei nisso também, e foi bom ter dito. A máscara trincada e caindo como no último poster causa um mistério indescritível que nem os filmes recentes com todas tecnologia possível pode causar. Parabéns pelo post!
Abraço!
confesso que desconhecia esse filme.
me pareceu extramemente interessante. bom saber de onde vem certas influências de filmes (e novelas) atuais!
abraço.
Essencial obra-prima!
Você soube bem evidenciar o contexto do filme em si...
É marcante, é cruel, é perfeito!
Joan Crawford merecia também uma indicação, está sublime e perigosamente intensa no filme! Como sabes, sou fã dela!
A Anne Bancroft tomo o Oscar, mas foi merecido, a atuação dela por O Milagre de Anne Sullivan(deveria postar sobre ele aqui, não? fica a dica, rs) é muito boa também!
Bette Davis tem sua atuação definitiva, confesso que aqui ela está melhor que no A Malvada. E tenho dito!
Abraço!
Oi Rodrigo,
Também amo este filme, é o meu preferido ao lado de O Vento Levou. As atuações são supremas, sua resenha já dá conta de todos os elogios e adorei o termo "arena"... elas são as titãs mais perigosamente adoráveis neste filme.
Aprecio o terror psicológico deste longa-metragem. Dá vontade de ser tão má, tão má, tão má, como ser amiga íntima destas duas maravilhas do Cinema. bjs!
Postar um comentário