domingo, 10 de janeiro de 2010

CHARLES CHAPLIN | LUZES DA CIDADE

GENUÍNA EMOÇÃO

Primeiro filme sonoro de Chaplin, que havia sido opositor ferrenho do cinema falado, feito durante a depressão econômica e rodado sem um roteiro.

As cenas estavam em sua cabeça e ele as ensaiava dezenas de vezes, depois as rodava até conseguir o efeito que desejasse. A cena na esquina em que Virginia Cherrill vende as flores chegou a ser repetida 300 vezes! Cary Grant casou-se com ela em 1934 e antes deste filme ela nunca tinha trabalhado como atriz. Sua atuação é brilhante e eterna. Chaplin chegou a despedi-la num certo momento da produção, porém voltou atrás, aumentando-lhe o seu salário. Chaplin considerava este o seu melhor filme e creio que a maioria que assistiu esta obra aceita a sua opinião.

Um imenso trabalho de gênio. E não é rasgação de ceda, porque Luzes da Cidade é a mais emocionante aventura de Carlitos, o vagabundo, que apaixona-se por uma florista cega (Virginia Cherrill no papel de sua vida). Quando descobre que ela pode ter a cura faz de tudo (até luta Box) para conseguir o dinheiro que irá pagar a sua operação. Com um premissa dessas não precisamos de muita coisa e como sempre fez, o cinema de Chaplin é de uma extraordinária economia de recursos; uma correção ligeira de câmera com um movimento para direita ou esquerda, é o máximo que ele precisa. Sua linguagem é universal e eterna. Sua pantomima emociona a cada geração; incapaz de resistir à história de amor do vagabundo Carlitos pela florista cega. Ele procura o milionário com tendências suicidas, feito por Marry Myers, que apenas o reconhece quando está bêbado – remete a idéia do Sr. Puntilla de Brecht. O grande gancho emocional da fita é justamente este: a florista pensa que Carlitos é um milionário e jamais será capaz de reconhecê-lo depois de curada.

Tudo isso leva ao final, embalado pela canção La Violetera como tema musical (muitos anos antes de virar tema para a fita de Sarita Montiel). Com a simplicidade dos letreiros que dizem: “Sim, agora eu posso ver”. E a poesia da rosa que se despetala como se fossem lágrimas.


Pode até ser que tenham havido outros melhores, ou mais engraçados filmes de Chaplin: O Garoto, O Circo, Casamentou ou Luxo? Ou Tempos Modernos, mas Luzes da Cidade é certamente o mais sentimental de Charles Chaplin. Lançado em 1931, quatro anos depois da criação do cinema falado, Chaplin arriscou e conseguiu que o público aceitasse (em tempos já modernos) um filme mudo, apenas com uma trilha musical incidental e alguns poucos efeitos sonoros, como os discursos do começo do filme.


E os momentos de comédia? Eles são muitos e antológicos: a luta de boxe com o final inesperado; a inauguração do monumento e me parece que Chaplin levou muito tempo para conseguir o efeito desejado nesta sequência incrível e uma festa num night-club. É para rir muito porque achamos que todos os efeitos são da maior simplicidade mas, na verdade, a cena em que a florista o confunde com um milionário, ao ouvir a porta de um carro bater, consumiu várias semanas de trabalho. O filme ficou dois anos em produção, custando milhares de dólares.

O público atual tampouco vai conseguir reconhecer Jean Harlow, a futura estrela aparece como figurante na cena da boate; ela está sentada à mesa da frente, à esquerda de Chaplin e do milionário. Nem há como saber que o menino que faz o vendedor de jornais depois se tornaria o importante diretor de cinema, sob o nomde de Robert Parrish. Curiosidades incríveis! Mas o veredicto dele é exatamente igual ao do cinéfilo, o tempo não afetou a singeleza e emoção deste que é a obra-prima de Chaplin
.

‘Luzes da Cidade’ – City Lights
de Charles Chaplin
EUA – 1931
Comédia
Preto e Branco
Mudo
87 min.
WARNER
✩✩✩✩✩ EXCELENTE


CHARLIE CHAPLIN em:
CITY LIGHTS
Estrelando:
VIRGINIA CHERRILL
Com: Harry Myers  Allan Garcia  Hank Mann  Florence Lee
Henry Bergman  Eddie Baker  Albert Austin
Robert Parrish  John Rand  Stanhope Wheatcroft
Jean Harlow   e James Donnelly
Fotografia de
Roland Totheroh
 Gordon Pollock
e Mark Marklatt
Música de Charles Chaplin
Direção de Arte Charles D. Hall
Escrito, Produzido e Dirigido por 
CHARLES CHAPLIN

6 comentários:

Paulo Alt disse...

Rô,
Eu sempre tinha uma grande curiosidade sobre os filmes do Chaplin, pra mim sempre tiveram essa aura de mistério e encantamento. Quem sabe foi um dos primeiros que fez eu adorar os preto e brancos? Lembro de quando era criança e passava alguns festivais dele na tv pela noite, ia na sala e meu pai estava assistindo... eu parava e ficava vendo de longe. Aquilo me marcou.

Depois disso só pude ver trechos soltos pela internet até alugar alguns dos dvds desses da coleção que você colocou ai em baixo. Por falar nisso, achei tão elegante a ilustração azul... poderiam fazer uma edição aqui com esta capa. Ainda preciso e quero comprar, nem que seja pelo menos só esse e o Tempos Modernos. A pena é que são meio carinhos, não acha? Mas tendo dinheiro reservado pra isso é algo que vale e muito! Só quem gosta que entende esse saborzinho de ter, hehe.

E que bom que decidiu fazer um post sobre ele! Mostrou [e percebi] que também é meio apaixonado pela obra do adorável vagabundo [lembrei de Os Normais agora, episódio da Vani assaltando a Marisa Orth no parque, lembra? rs] E as curiosidades são incríveis mesmo! Só você sai garimpando e trás elas aqui. Continue isso!

E, ah... O Wilson Lambert sempre teve cara de mau pra mim. Tb... passei um longo tempo vendo e revendo Matrix, rs. Nem que eu quisesse, hehe. Charmoso... mas mau. Esse filme me fez mudar o olhar que tinha sobre ele. Espero que possa assistir!

Abraçooo! ^^

Cristiano Contreiras disse...

Eu confesso:

Eu sou apaixonado por O Garoto. Não tem jeito, pra mim é o mais marcante e cativante do Chaplin. Ali sim eu vi a pura emoção em mim e nele próprio, lembro que, ainda criança, eu cansava de sonhar com certas cenas do filme...passei anos sem saber o nome do filme, até crescer e ter mais consciência do Chaplin e tal.

Adoro Luzes da cidade, realmente tem um valor até poético.

Uma pena eu não ter, ainda, sua coleção de dvds aqui em casa.

Belo texto, abraço

Anônimo disse...

cara, parabéns por fazer um post sobre um filme como esse!!!

o chaplin era genial... quero rever toda a filmografia do cara em breve!

aquele abraço

Anônimo disse...

* do cara não, né?

do MESTRE!
Hehe

Gema disse...

Os filmes de Chaplin eram senao todos, quase todos magnificos. Desde criança que me hbituei a ver filmes dele e ria-me imeso ao mesmo tempo que saia uma lagrimazinha, qd o via a sofrer LOOOOL
Bjks

Sarah disse...

Detenho uma extensa colecção dos filmes de Charlie Chaplin, ele é uma verdadeira inspiração. Adoro o trabalho dele, é magnífico. Grande post.

Sarah
http://depoisdocinema.blogspot.com

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