sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

ROBERT WIENE | O GABINETE DO DR. CALIGARI


DR. 
C A L I G A R I

Guardei uma postagem para este filme especial. Tudo nele é tão expressionista e exótico como em um filme de James Bond.



A trama se passa numa festa. O ano é de 1880 e o Dr. Caligari hipnotiza Cesare, um sonâmbulo, que misteriosamente começa a fazer previsões; entre elas, a de que um determinado estudante viverá até o amanhecer. O estudante realmente morre e um amigo acusa Caligari. Este, por sua vez, obriga Cesare a raptar uma moça e a matá-la. O sonâmbulo, resiste à ordem, e morre. Seu mestre é aprisionado, mas foge, refugiando-se em um asilo de loucos, onde se torna o diretor.


Na conclusão, a história explica-se como sendo contada por um louco que descreve o diretor de seu hospício como Caligari.


É lindo, Caligari fez sucesso principalmente por suas descobertas e invenções plásticas. Nascido em 1912 em MUNIQUE, o movimento EXPRESSIONISTA se impôs na Alemanha em 1919, num país vencido e desorientado, e invadiu o teatro, os cartazes e a rua. Com sua série de quadros e efeitos luminosos sobre tela pintada, Caligari foi um retorno a Georges Mèlies, ao teatro filmado com uma nova estética.


Este expressionismo cinematográfico fugiria um pouco do teatral criando uma outra corrente, o CALIGARISMO. O argumento prossegue com a grande tradição fantástica alemã de Hoffman e Chamiso. De seus contos medievais; eles redescobriram um apólogo filosófico de que o homem é fascinado e tornado criminoso por causa de um mestre poderoso. Nesse sentido é que muita gente viu um cortejo de tiranos indo de Caligari à Hitler. Sem exagerar a afirmação, é preciso reconhecer que Carl Meyer, roteirista genial, previu metaforicamente o futuro destino da Alemanha naquele período.

CALIGARI fora o clássico supremo do movimento Expr. Alemão. Fritz lang foi convidado para dirigí-lo, mas a fita acabou nas mãos do menos eficiente Robert Wiene (nunca fez mais nada de importante - é marcado somente por esten filme). Fato indiferente, sem feder nem cheirar, porque o filme era basicamente uma idéia de um roteirista original levado a cabo por uma DIREÇÃO DE ARTE muito peculiar.

A idéia do final foi imposta pelo produtor E. Pommer, que depois de um sugestão do poeta Hans Janowitz deixa o filme mais inusitado e exêntrico. Eles juntaram à história várias lembranças da Primeira Guerra Mundial e fizeram uma sátira ao autoritarismo prussiano, transformando os homens em autônomos como caligari faz com o sonâmbulo Cesare.
Pommer pediu os cenários e os figurinos aos expressionistas do grupo DER STURM; os pintores Rohring e Rellmann e o arquiteto Herman Warm que afirmavam: "Os filmes devem ser desenhos vivos." Programa que Pommer cumpria em seus filmes (pode-se dizer que Caligari e mais dele do que de Wiene).


O filme foi realizado em 3 semanas com orçamento pequeno e cenários feitos em tela pintada. Para o lançamento foi inventado um slogan: DU MUST CALIGARI WERDEN, que traduzindo significa: " Você se tornará Caligari."


Na sua prémière, em 26 de fevereiro de 1920, o filme foi um sucesso absoluto, chegando à França onde foi considerado como um filme alemão de tendências malsãs.


Em 1930 foi filmada uma paródia - CABINET DO DR. LALIFARI e, em 1962, uma suntuosa refilmagem americana - A MANSÃO DO DR. CALIGARI, dirigida por Roger kay com Glynis Johns e Dan O´Herlihy.


Entre as cenas mais célebres: a pequena vila romântica com as suas ruas expressionistas; o quarto branco onde Cesare rapta a mocinha; o muro onde ele se apoia; sua fuga pelos telhados; a sua captura em em uma ponte e Caligari na prisão, no centro de umas barras triangulares. Essas imagens são, no entanto, mais impressionantes em fotos imóveis que propriamente, hoje, na tela de cinema.


'O Gabinete do Dr. Caligari'
Alemanha - 1920
Suspense
Preto e Branco
MUDO
90 min.
em 16mm por segundo
✩✩✩✩✩ EXCELENTE


Das kabinett des dr. Caligari
Estrelando:
Werner Krauss ........ Caligari
Conrad Veidt ........... Cesare
Co- estrelando:
Lil Dalgover. Friedrich Feher & Hans von Twardowski
Fotografado por Willy Hameister
Escrito por
Carl Meyer. Hans Janowitz
Produzido por E. Pommer
Direção
Robert Wiene

8 comentários:

JB disse...

Mas que enorme filme!! quando o feio se torna lindo!
Ainda melhor que Nosferatu!

Anônimo disse...

Caligari é realmente incrível. Muito interessante pensar em como eles montaram aquele cenário tão envolvente e bem trabalhado. Belo texto. Se quiser dê uma passada no meu depois: http://ildesertorosso1964.blogspot.com/

Valeu

Paulo Alt disse...

Rô, se você trata seus monstros com carinho aqui no blog... esse é meio que mais um deles eu diria não é não??? rs

parabéns pelas fotos que colocou aqui. notei que disse que elas seriam ainda mais impressionantes do que em ação, ou alguma coisa assim. nunca assisti o filme, mas parecem. as maquiagens são todas muito legais. me lembrou uma coisa meio johnny depp nesse cara kkkkkkkkk imagino como ficaria uma adaptação [e olha q não gosto de adaptações mto naun] estilo tim burton mais adulta com ele.

Desde qndo falou sobre os monstros que eu tava esperando esse post, me deixou curioso, já fui procurar pra ver ele mas como sabe q to sem espaço no pc e meu gravador tá temporariamente sem poder usar =///

Expressou bem o histórico dele
Obrigado pelo post!
Abraçooo ^^

Rodrigo Mendes disse...

Paulo: Tem razão viu..uma adaptação do Tim Burton com o Depp seria interessante. Os dois agora vão fazer um filme de terror..sobre vampiros..no aguardo, rs!

Obrigado amigo..abs!

João Bastos: Este filme empata com Nosferatu, pela excelência. Abs!

Alberto: O filme é um primor da sétima arte. Aprende-se muito com ele. Obrigado e decerto vou no seu BLOG. Abs!

valeu colegas blogueiros!!!
Bom Carnaval...

Cristiane Costa disse...

Olá Rodrigo,

Adorei sua menção ao Caligarismo e a idéia deste. De fato, um movimento que antecipa o que viria a ser a manipulação de grandes líderes depois, do fascismo ao nazismo. Acho fascinante como o legado cultural Alemão, em várias áreas, consegue ser tão existencialmente válido e atemporal. Bem, sou suspeita para falar...adoro-os!

Caligari é uma obra prima e combina tão bem com o momento artístico, sócio-político e existencial daquela época obscura alemã que era terreno fértil à vanguarda expressionista, a exaltação de um individualismo ressonante no que viria a acontecer que já não mais estamparia as "impressões", mas o cerne do Ausdruck Alemão . Era necessário expressar o amâgo deste interior reflexivo, na iminência de uma Guerra. Gosto muito da estética do filme, embora confesso que me assusta, acho sinistro.

Eu estudei mais o Expressionismo na Literatura e na Artes visuais(pintura) e todos os vizinhos como Surrealismo, Cubismo e o Abstracionismo, por isso adorarei ver no Cinema Rodrigo estas coisitas cinéfilas e tão obscuras desta época de trevas. Palavras e cores catalisando minha própria necessidade de expressar-me, a expressão de um horror, assim como o é Caligari, sempre atemporal.

bjs!

Rodrigo Mendes disse...

Madame: gostei do "curador de cinema preferido" no post abaixo, rs!

Faço coro ao seu comentário.

Quanto luxo e sabedoria moça, parabéns pela excelência ao conhecimento da sétima arte.

Em breve estarei trazendo mais filmes deliciosamente clássicos e discursivos.

Adoro uma cor sépia e P&B!!!

Bjs!

Cristiano Contreiras disse...

Ro,

Interessante a premissa do filme, ainda que um tanto estranho demais...mas, eu acho que essa originalidade com o misto da "estranheza" possa ser satisfatório, mas é o tipo de filme que não me cativa tanto, rs.

Você e seus monstros, rs


Beijos

Rodrigo Mendes disse...

Cris: Sim adoro! Bu!!!!!

Abs!

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