AQUELE QUE SALVA UMA VIDA...SALVA O MUNDO TODO
Achei interessante falar deste filme na temporada pós-Oscar, já que até merecidamente GUERRA AO TERROR da diretora Kathryn Bigelow ganhou os principais prêmios deste ano. E como muitos vão falar lindamente deste filme tenso, resolvi resenhar outro exemplo forte do gênero. Por que acredito que ambos os filmes tem algo em comum: PESSOAS.
Shindler foi o primeiro filme sério do Spielberg que assisti. O projeto era de outro fera, Martin Scorsese, que resolveu dirigir um suspense B (Cabo do Medo), fora baseado no livro de Thomas Keneally e o script adaptado pelo ótimo Steven Zailan. É a história real de Oscar Schindler , Liam Neeson, um homem de negócios, misterioso, simpático, mas pouco honesto que convence os nazistas na Polônia a lhe emprestarem judeus prisioneiros para serem usados em sua fábrica de panelas. E acaba sendo o responsável por salvar mais de 1.100 deles quando chega a pagar com o próprio dinheiro para suborno e ajuda. O que lhe chateia, porque gastou muito dinheiro em bebidas, roupas, charutos, mulheres etc...quando podia ter salvo mais judeus.


Olha, é um filme humano, real, o projeto pessoal de Spielberg, que deu também origem à fundação SHOAH, que registra depoimentos e lembranças dos sobreviventes do Holocausto. Ele rodou este filme na Polônia, enquanto editava Jurassic Park, controlando as cenas por computador à distância (toda a pós-produção foi dirigida pelo amigo George Lucas), num esforço que lhe valeu as pazes com a Academia, que antes parecia não gostar dele. Ou era impressão. Ganhou os Oscars de: filme (o primeiro preto e branco a ganhar desde 1960), direção ( a quarta indicação de Spielberg que ganharia, de novo, por O Resgate do Soldado Ryan apesar de ter ganho antes, o Prêmio Irving Thalberg, como excelência na produção), roteiro adaptado, direção de arte, fotografia (primeiro trabalho conjunto com o polonês Janusz Kaminski), montagem e Trilha Musical.


Não sei se A Lista...é o melhor filme do Spielberg. Alguém tem algum favorito? E.T, Os Caçadores da Arca Perdida, Tubarão, Encurralado, Louca Escapada, Jurassic...,A. I. dentre tantos...mas aqui ele finalmente fez as pazes com o seu passado, assumindo sua condição de judeu, fugindo do pré planejado. Nos outros filmes de gente grande que ele tentou fazer; são ótimos filmes como: A Cor púrpura ou O Império Do Sol, dá a impressão de um resultado artificial e manipulado, não sei, será porque era planejado em Story-boards como as seguências de ação de Indiana Jones? Eu acho admirável seu trabalho nestes filmes dramáticos, mas a impressão que fica é que em nenhum momento o coração de Spielberg estava realmente sofrendo pelos personagens.


Apesar de contar uma história difícil, que em outras mãos menos hábeis seria provavelmente intolerável, ou extremamente violento se Scorsese tivesse dirigido, Spielberg fez uma brilhante direção rápida e tecnicamente inventiva. Nem tudo é perfeito (inclusive há muitas quebras de eixo de câmera), e talvez o irlandês Liam Neeson tenha a dimensão de uma figura impotente. Acho que naquele momento de sua carreira, Neeson é um ator distante para o protagonista, nunca passando suas contradições ou humanizando-o.

Você (eu pelo menos) não consigo me emocionar com a emoção dos lamentos e tristeza que Neeson faz com o seu Schindler, mesmo quando ele faz,em um momento sincero e chora culpando-se por não ter conseguido mais dinheiro para salvar vidas. Por causa disso, nem ele, nem sua esposa (Caroline Goodall - em pontas absurdas) são figuras dominantes na fita como seria de se desejar. Essa é a falha de um dos filmes mais comoventes já realizados sobre o Holocausto - a grande tragédia do século, quando seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas. O filme fixa-se sempre com letreiros explicativos, naqueles na Cracóvia, onde age Schindler, com ocasionais momentos coloridos, além da cena inicial, a de uma prece ritual, há determinados detalhes que são em vermelho ( o vestido de uma garotinha e um corpo sangrando) porque seriam instantes que marcaram na lembrança autêntica dos personagens.

Você (eu pelo menos) não consigo me emocionar com a emoção dos lamentos e tristeza que Neeson faz com o seu Schindler, mesmo quando ele faz,em um momento sincero e chora culpando-se por não ter conseguido mais dinheiro para salvar vidas. Por causa disso, nem ele, nem sua esposa (Caroline Goodall - em pontas absurdas) são figuras dominantes na fita como seria de se desejar. Essa é a falha de um dos filmes mais comoventes já realizados sobre o Holocausto - a grande tragédia do século, quando seis milhões de judeus foram mortos pelos nazistas. O filme fixa-se sempre com letreiros explicativos, naqueles na Cracóvia, onde age Schindler, com ocasionais momentos coloridos, além da cena inicial, a de uma prece ritual, há determinados detalhes que são em vermelho ( o vestido de uma garotinha e um corpo sangrando) porque seriam instantes que marcaram na lembrança autêntica dos personagens.
O filme chega até a se desiquilibrar um pouco por causa da excelência do trabalho de Ralph Fiennes, como o oficial nazista encarregado do campo de concentração de Plaszwow (provando que ele não é ator para filmes românticos como O Paciente Inglês e O Jardineiro Fiel), o forte dele é mesmo ser bandido.

Deixando-se engordar, criar barriga, ele mostra o tédio de um frio assassino; dando tiros a esmo nos fracos prisioneiros; matando um menino porque este não soube tirar uma mancha de banheira - a sequência é outro momento de grande cinema, fugindo da violência óbvia- , mas deixando-se envolver por uma bela judia. O papel que revelou Embeth Davidtz, que tem feito carreira, não como estrela, mas em bons filmes.

Deixando-se engordar, criar barriga, ele mostra o tédio de um frio assassino; dando tiros a esmo nos fracos prisioneiros; matando um menino porque este não soube tirar uma mancha de banheira - a sequência é outro momento de grande cinema, fugindo da violência óbvia- , mas deixando-se envolver por uma bela judia. O papel que revelou Embeth Davidtz, que tem feito carreira, não como estrela, mas em bons filmes.
Apesar de falar de um horror verdadeiro, Spielberg não esquece que está contando uma história com suspense ( a sequência do chuveiro que acaba sendo verdadeira), ancorado por uma magnífica trilha musical com o violino de Izach Perlman , para um público impaciente que não quer saber de ouvir aquele história. E em nenhum momento deixa de fazer também um thriller de horror, porque real. Uma fita altamente comovedora e que choca pelo tratamento cru. Eu consigo segurar as lágrimas em vários momentos documentados em P&B, mas a sequência final, em cores, quando os atores caminham num vale ao som de uma bela canção e quando os atores que fizeram os personagens acompanham os sobreviventes autênticos, colocando pedras no túmulo de Schindler: é de arrasar! Ainda uma obra-prima para ser reassistida. Esta na minha lista há muito tempo.
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A LISTA DE SCHINDLER
A LISTA DE SCHINDLER
'SCHINDLER´S LIST
EUA - 1993
DRAMA
p&b e
COLORIDO
UNIVERSAL
195min.
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
_____
UNIVERSAL PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO AMBLIN ENTERTAINMENT
UM FILME DE STEVEN SPIELBERG
"Shindler´s List"
ESTRELANDO
UNIVERSAL
195min.
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
_____
UNIVERSAL PICTURES APRESENTA
UMA PRODUÇÃO AMBLIN ENTERTAINMENT
UM FILME DE STEVEN SPIELBERG
"Shindler´s List"
ESTRELANDO
LIAM NEESON.RALPH FIENNES. BEN KINGSLEY
CAROLINE GOODALL. JONATHAN SAGALLE e EMBETH DAVIDTZ
FOTOGRAFIA DE JANUSZ KAMINSKI
FOTOGRAFIA DE JANUSZ KAMINSKI
DIREÇÃO DE ARTE ALLAN STARSKI e EWA BRAUN
MONTAGEM: MICHAEL KAHN
MÚSICA DE
JOHN WILLIAMS e IZACH PERLMAN
MÚSICA DE
JOHN WILLIAMS e IZACH PERLMAN
Produzido por
GERALD R. MOLLEN. STEVEN SPIELBERG E BRANKO LUSTIG
GERALD R. MOLLEN. STEVEN SPIELBERG E BRANKO LUSTIG
PRODUÇÃO EXECUTIVA: KATHLEEN KENNEDY
Escrito por
STEVEN ZAILLAN
BASEADO NO LIVRO DE
THOMAS KENEALLY
STEVEN ZAILLAN
BASEADO NO LIVRO DE
THOMAS KENEALLY
Direção



3 comentários:
Rodrigo, vc tem razão quando diz que apesar dos seus outros filmes sérios, Spielberg foi o mais honesto emocionalmente em A LISTA DE SCHINDLER do que em qualquer outro, talvez com a exceção da cena em que o protagonista chora por remorso de não ter salvo mais pessoas (achei meio forçadinho, mas um pecado menor em um filme impressionante).
Achei injusto o fato de Ralph Fiennes não ter levado o Oscar (sua atuação se compara a de Cristoph Waltz em BASTARDOS INGLÓRIOS) mas todos os demais prêmios que o filme abocanhou são extremamente merecidos.
Quanto ao oscar, a Cerimônia foi bastante chatinha e morna, sem sal.
Visto que os filmes deste ano nem todos foram empolgantes, fato.
Sandra Bullock melhor atriz? Era a mais fraquinha das indicadas, sinceramente. Até Carey Mulligan por Educação estava melhor que ela! Lamentável, como sempre as premiações são estranhas – lembra de Reese Whiterspoon ter tirado o Oscar de Felicity Huffman por Transamerica? Julia Roberts ter tirado o Oscar das mãos de Ellen Burtyn por Requiem para um sonho? como sempre, filmes comerciais imperam mais – vide as atuações. Fato!
Guerra ao terror é bom, sim…mas, Bartados Iglorios que deveria imperar nas premiações…só levou o oscar de coadjuvante? Sem comentários.
Jeff Bridges merecia há anos, esse sim valeu a pena! foi bonito de ver. Gostei das premiações técnicas de Avatar, mas merecia melhor som e mixagem também! Boa a premiação de filme estrangeiro, apesar do páreo duro este ano nessa categoria. Essa sim teve filmes densos e interessantes!
Taylor Lautner e Kristen Stewart estavam agradáveis na apresentação dos filmes de terror – o que Lua nova também fazia nas cenas juntos com os filmes de terror? Achei estranho também, visto que o filme não é macabro, mas acho que o critério de seleção dos filmes era mais por ter elementos do horror(vampiros, lobisomens, etc). Vai entender mesmo, rs.
Bela homenagem a John Hughes, momento ápice da Cerimônia e tenho dito!
Eu acho que a trilha sonora deveria ter sido por James Horner, Avatar ou mesmo o de Hans Zimmer que fez um belo trabalho no Sherlock Holmes – mas, você vai me condenar, mas eu preferia mesmo é que a trilha de Alexandre Desplat por Lua Nova tivesse sido vencedora, já escutou? recomendo! Sério, o score é lindo e intenso.
Bom, que venha o próximo Oscar!
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A Lista de Schindler é o melhor filme de Spielberg, no sentido de amplitude emocional e roteiro aliado à bela concepção ideológica que a obra se propôs a abordar, mas há filmes dele inesquecíveis e perfeitos - vide ET, Resgate do soldado Ryan além de obras mais versáteis e gostosas como as releituras de Guerra dos mundos e a concepção com base na ideia de Kubrick no belo Inteligência Artificial, há tantos filmes bons de Spielberg que eu demonstro ser fã mesmo, incondicionalmente. Apesar de eu achar Encularrado bizarrinho, rs...eu sei que você adora! rs
Jurassic Park é imbativel! e Império do sol com o então pequeno Christian Bale é marcante! A Cor púrpura é impactante até hoje e Prenda me se for capaz, uma delicinha! rs
A grande sacada do filme foi em colocar todo em p&b, revela o tom mais visceral visual da obra e dá um tom realista a tudo - e aquela cena da menina com apenas o vestido vermelho - andando pelas ruas, perdida, pra identificarmos logo depois morta num caminhão é de doer na alma...
Um filme forte, perfeito, intenso! Os oscars foram merecidos, apesar do absurdo de Ralph Fiennes não ter vencido - ele estava soberbo!
Realmente, é um filme que é clássico desde já e é obra-prima mesmo!
Mas, confesso: dificilmente quero rever, só daqui a um tempo, é muito sofrimento e eu sempre choro, ao fim.
Abraço e parabéns pelo post!
e acho que nunca comentei tanto! rs
Clênio: Justamente o Neeson deu diversas forçadas.
E bela comparação que fez: Waltz e Fiennes, há muito em comum mesmo!
Durante muito estranho foi estranho aceitar Schindler como um filme do Spielberg. Um filme sem story board. ABS!
CRIS: Que comentário " E o Vento levou", "Titanic", " Ben-Hur", "Senhor Dos Anéis", "King Kong"...rs!
O Oscar eu achei bom comparado ao ano de Reese, por exemplo, e sim, concordo com vc perante a muitos prêmios estranhos. Por isso deixei de acreditar no Oscar. Assisto sem moderação, rs! Mas confesso que neste ano, voltei a vê-lo mais..fiquei mais preso, talvez pelas indicações de BASTARDOS, mesmo achando que deveria pelo menos ter ganho ROTEIRO ORIGINAL.
E quanto os vencedores deste ano. O Jeff Bridges estava merecendo já há muito tempo. Achei o Invictus fraco para o Freeman levar. Enfim..Oscar divide opiniões. Acho os prêmios à AVATAR corretos, ja ganhou como o filme de maior bilheteria. Ta bom! Visto que o Cameron faz filmes para ser babados e não filosofados. É pra ver e ficar encantado com o mundo físico de seus filmes.
A Sandra foi uma surpreza, achei que seria a Preciosa..enfim..tbm não assisti " The Blind Side"- e o PRECIOSA é muito tenso, as vezes incômodo, mas gostei do filme e das performances, pelo menos Monique ganhou.
John Hughes foi o momento mais Teenager da festa. Engraçado e emocionate todos eles velhos homenageando o cara... Como A Molly e o Broderick envelheceram..rs!
E acho que o próximo Oscar será mais interessante, ta ficando com cara de MTV Movie Awards.
Detestei a indicação de DISTRITO 9 e não entendi UP, tbm como melhor filme. ???? rs!
E quanto ao SCHINDLER e o Spielberg. É engraçado, eu choro vendo CINEMA PARADISO e não como deveria em Schindler? Há mais momentos de choque e horror do que melodrama. Os melodramas são estranhos. Esqueci de falar no post do momento em que Ben Kingsley toma um drinque com Neeson - um emoção manipulada na edição, mas que ficou perfeita.
É mais no momento final, no túmulo com as pedras atores e reais sobreviventes Schindler que fico emocionado.
Não acho Guerra Dos Mundos gostoso, rs. É a falha magistral de Spielberg e ainda num filme estrelado por Tom Cruise (vergonha alhei de fãn). Prefiro MINORITY REPORT que é bem ágil, bem estilo Spielberg e óbvio, adoro DUEL, rs!
ABS!
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