DE
VOLTA ÀS RAÍZES
ALFRED
HITCHCOCK voltou à Inglaterra em 1972 para colaborar com o dramaturgo ANTHONY
SHAFFER em uma versão filmada do romance de Arthur La Bern: GOODBYE PICCADILLY
, FAREWELL LEICESTER SQUARE que ressuscita muitas das convenções do primeiro
grande sucesso do diretor, como a fita: O PENSIONISTA de 1926.
Mais uma vez, Londres é atormentada por um novo serial killer, similar a Jack, o Estripador (emulando o clássico do cineasta: The Lodger) e o personagem principal (O homem errado, erroneamente acusado) só complica a sua situação agindo de forma tão esquisita que se torna o principal "suspeito".
Hitchcock
obtém uma mistura exata de fascinação lasciva e horror genuíno ao mostrar a
atitude inglesa diante dos assassinatos, algo que também é uma grande parte de
sua própria obsessão. Um amargurado ex-piloto da RAF, Richard Blaney - o ótimo
JON FINCH - é um alcoólatra que trabalha como garçom em um bar/pub de Covent
Garden, reduzido a limpar a mesa, e, com isso, sentir-se azarado e inferior a sua perspicaz ex-mulher, Brenda, a
interessante BARBARA LEIGHT -HUNT, que, ironicamente, dirige uma próspera
agência matrimonial. Em uma das mais horríveis e explícitas cenas que o mestre
já dirigiu, Brenda é visitada pelo rústico, feioso e bonachão distribuidor de
frutas do mercado local, Bob Rusk, o maravilhoso BARRY FOSTER (de "A
Batalha da Grã-Bretanha" [Battle of Britain, 1969]), cujas exigências
especiais são reveladas, porém perversas. Assim sendo, ela não deseja cumprir
profissionalmente tais excentricidades misóginas de seu infeliz cliente. Rusk, então, revela ser o notório e falacioso ASSASSINO DA
GRAVATA, estuprando a mulher e estrangulando-a com a sua tal gravata estampada.

FRENESI
prossegue num ritmo de adrenalina, horror explícito (aqui Hitch, pela primeira
vez, se permitiu ser realmente mais gráfico e chamativo, mas nunca, jamais, gratuito. Tanto que um detalhe da cena de assassinato envolvendo a língua da vítima - algo mais sangrento na qual a câmera praticamente entraria em sua boca, foi cortada) e humor negro, marcas autorais do
mestre dos suspense, entrecortando a narrativa do herói anti-social,
desagradável e sem dignidade, reduzido a dormir em um albergue para mendigos, a
certa altura, e do vilão encantador, atraente, bem sucedido e um tanto
atrapalhado, que torna a perturbar a atual namorada do protagonista, "Babs" , a excelente ANNA MASSEY,
famosa por ter atuado em outro clássico inglês do gênero, A TORTURA DO MEDO -
Peeping Tom , 1960, dirigido por Michael Powell (aquela leva de filmes que
chegaram para tirar o posto de Hitch, mas emulando o mestre
inevitavelmente) assassinando-a também
numa das cenas mais criativas, onde a câmera vai se afastando da porta de seu
apartamento onde entra a sua vítima e vai chegando lentamente sem som até a rua
onde depois preenche nossos ouvidos! Tanto que HItch deu um nome especial para
essa tomada: "Adeus à Babs!" Essa personagem, por sua vez, era uma
garçonete esporádica e animadinha.
Como
em Psicose e Pacto Sinistro, Hitchcock dirige uma sequência de suspense
aliciando nossa cumplicidade na tentativa de um assassino de encobrir seu crime
(e até torcemos por ele às vezes- para que se livre), como Normam Bates
limpando o sangue no banheiro, assistimos Rusk atrapalhado com um cadáver ( o
da pobre Babs) nu em um saco de batatas no porta-malas de um caminhão para
recuperar o seu prendedor de gravata incriminatório. Essa cena também é igualmente criativa e
muito engraçado, diga-se. E um dos pontos altos da fita.
Hitch
tira proveito da censura mais branda do período para ser mais explícito em
relação ao sexo e a violência, embora ele também saiba quanto um afastamento
longo e lento, tirando a nossa atenção de um assassinato, transmitirá mais
horror do que outro close up da
violência e estrangulamento. Há outro contraponto interessante na trama
envolvendo comédia. Na premissa
secundária envolvendo um inspetor de polícia feito por ALEC McCOWEN (conhecido
por atuar em algumas fitas de Martin Scorsese), cuja esposa a engraçada com voz
esganiçada - VIVIEN MERCHANT, está
sempre lhe servindo pavorosas refeições gourmet e fazendo observações
pertinentes ao assassino. A comida é outro aspecto característico do diretor. E
aqui o menu é sensa"erg"cional!
O mais
excitante e ousado Thriller do mestre. Foi um enorme sucesso na época, não a
altura de Psicose, mas um filme que o levou de volta às raízes. E isso é o que
mais importa, afinal.
FRENEZI
"FRENZY"
de ALFRED HITCHCOCK
REINO UNIDO/ESTADOS UNIDOS - 1972
Distribuição: UNIVERSAL
✩✩✩✩ ÓTIMO
UNIVERSAL
APRESENTA
ALFRED HITCHCOCK´S
FRENZY
FRENZY
Estrelando:
JON
FINCH ALEC McCOWEN BARRY
FOSTER
Co-
Estrelando:
BARBARA
LEIGHT- HUNT ANNA MASSEY
BILLIE WHITELAW BERNARD GRIBBINS
BILLIE WHITELAW BERNARD GRIBBINS
VIVIEN
MERCHANT MICHAEL BATES JEAN MARSH
CLIVE
SWIFT JON BOXER MADGE RYAN
GEORGE TOVEYE ELSIE RANDOLPH
GEORGE TOVEYE ELSIE RANDOLPH
Produzido
Por
Alfred
Hitchcock e William Hill
Roteiro
de
Anthony
Shaffer
Baseado
em:
Goodbye
Piccadilly, Farewell Leicester Square
de
ARTHUR LA BERN
Fotografado
por Gilbert Taylor
Música
de Ron Goodwin
Dirigido
por
ALFRED
HITCHCOCK



9 comentários:
Eu vi esse filme recentemente no telecine cult. O eterno assassin o da gravata! É maravilhoso. Bem a cara do Hitchcock! Estou querendo ver dele agora Marnie, Confissões de uma ladra.
Cultura? Visite Jukebox:
http://culturaexmachina.blogspot.com
Ah, eu não conheço este!
Mas, merece minha atenção visto que me parece, pelo seu ótimo texto, uma abordagem deliciosa hitchcockiana! rs
Abraço, Rô!
Pseudo-ator: O MARNIE foi relativo fracasso de bilheteria do Hitch, mas o mestre nunca errou. Assista! Minha vó assistiu no cinema na época. Abs!
CRIS: Assista e escreva no Apimentário. Já disse que esse filme tem a sua cara! Ele é bem sexy e bizarro.Um filme que tirou um peso de Hitchcock contra a censura. Abs!
O grito e a cortada no logo do filme dentro do trailer que você colocou ai embaixo é tudo neh?
Adoro Hitchcock. Falta só comprar a coleção quase inteira.
Rô, pra falar a verdade esse foi um dos últimos que eu nunca tinha visto dele e fui ver... MAS, faz bastante tempo já que vi. Lembro que no dia achei ele um pouco lento em algumas partes, mas quando tinha isso do suspense ou da gente torcendo pra ele se safar como vc disse ficava legal.
Seu post tá diferente, não sei dizer como. Engraçado. Caracterizou os personagens e a esfera dele do jeito que você acha e não falou tanto muito de curiosidades. Parabéns!
Vai ter mais Hitch??? ~~
Abração ^^
PAULO: como assim? O que nao falta são curiosidades. O filme já é um exemplo, rs! Adoro HITCH e com certeza terá mais...ABS!
Oi vizinho,
Excelente crítica como sempre, até parece que eu vi o filme (rs) tamanha vivacidade e, também, objetividade do seu texto. Eu acho que o sexo e a violência são como irmãos complementares a depender do enfoque da filmagem, então fiquei interessada neste filme e gosto da forma como Hitchcock nos faz ser cúmplices nos crimes que ele dirige. Ele tem esta habilidade de torná-los contemplativos ainda que não concordemos com crimes.
A frase da morte com uma gravata estampada e o poster deste frenesi soa extremamente excitantes para uma contemplação cinéfila. E melhor, tem um peculiar lado cômico.
Beijo!
Madame: Vizinha! Adorei o chá e os elogios, rs!
É sádico assistir a FRENEZI e até sexualmente (PRIVÉ) excitante.
Bjs e obrigado!
Ui! Preciso deste frenezi haha... Feriadão nada santo haha.
bjs
MADAME: uia amiga vizinha..apronte, rs! Mas antes veja o filme.
BJS! e BOM feriadão!
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