Uma cultuada fita conta a história de
um jovem sedutor que se infiltra numa família de nobres austríacos, seduzindo,
primeiro, a condessa viúva, depois todo o resto da família.
DIABÓLICOS SEDUTORES foi a suntuosa estréia em cinema do
famoso diretor teatral HAROLD PRINCE (O Fantasma Da Ópera - o musical ),
fazendo uma sátira erótica, que nunca conseguiu fazer muito sucesso apesar de
sua semelhança com o TEOREMA de Passolini. Marcou a volta ao cinema de ANGELA
LANSBURY, depois do êxito no palco no musical MAME. A música é do criador de
CABARET e CHICAGO de Fosse, JOHN KANDER. O inglês MICHAEL YORK (de MANHATTAN)
também havia feito um bissexual nesse mesmo Cabaret. Prince nunca conseguiu
firmar-se como diretor de cinema, o que eu acho uma tragédia grega!
Poucos devem se lembrar hoje em dia deste filme, ou
muitos nem sequer saibam de sua existência e infelizmente ela não está
disponível para venda. Na época, virou imediatamente uma fita cult e até
provocou certo escândalo. É uma comédia de humor negro, portanto, exige um
espectador culto, atento e inteligente (culto cinematograficamente; atento
cinematograficamente e inteligente genericamente). Porque o diretor Harold
Prince, então iniciante, não tinha qualquer compromisso comercial, queria mesmo
era experimentar. Por isso, a idéia toda parece uma brincadeira meio
"vamos fazer um filme nos alpes neste Verão." Uma curtição de quem já
tem tudo na vida. Principalmente porque é uma história estranha.
O roteiro de HUGH WHEELER é apenas
"sugerido" por uma novela de Harry Kressing chamada O COZINHEIRO.
Na história original, Conrad é um sujeito que
estuda a arte culinária para conseguir o poder. Ele se instala numa família de
nobres arruinados e, aos poucos, domina a todos com sua qualidade de gourmet. A
história termina, ironicamente, com Conrad tão gordo que precisa ser carregado
por seus empregados. A moral da história fica clara: o poder será a semente de
sua própria destruição. O filme tem pouquíssimo a ver com isso. Conrad (Michael
York) utiliza um meio muito conhecido e fácil para dominar a família dos Von
Ornstein: O SEXO.
Na adaptação, o argumento (story) acabou virando
uma variação de eixo de TEOREMA. Conrad seduz toda a família: a mãe ( a ótima
Angela Lansbury), o filho gay (Anthony Corlan) e a filha gordinha (Jane Carr).
Para salvar o castelo da família arruinada, ele faz com que o rapaz se case com
a filha de milionários americanos. Tudo como parte do "arranjo". Há
muito tempo que a moça também é sua amante. O final é naturalmente irônico e
até surpreendente
O filme é inteligente e ousado. Há uma cena de
beijo entre dois homens, inédita no Brasil até então, já que a censura
costumava passar a tesoura, como fez em filme como DOMINGO MALDITO. Aqui,
Prince dá uma atmosfera de conto de fadas ("Era uma vez...") mas
custa um pouco a começar a história e também a acabá-la. Ao lidar com o humor
negro nem sempre sai-se tão bem. Para uma cena de morte ser hilária precisa ser
inesperada e instantânea. Aqui elas são por demais dramáticas. Mesmo a fotografia
de WALTER LASSALLY, famoso por TOM JONES e ELECTRA, não sobressai. Os diálogos
têm frases memoráveis. Angela chamando-se "dinossauro anacrônico" e
York confessando que "tem suas preferências".
Angela Lansbury, voltando ao cinema depois de seu
sucesso no teatro (Broadway) com Tia Mame, tem pouco mais a fazer que dar
longas caminhadas. York tem um magnetismo que faz esquecer seus defeitos um
tanto óbvios. Com algumas falhas DIABÓLICOS SEDUTORES tem, porém, uma qualidade
que vale por tudo: sual maldosa e engraçada demolição da hipocrisia das
aparências, creio, muito mais efetiva que o "celebralismo" místico de
Teorema.
DIABÓLICOS SEDUTORES
"SOMETHING FOR EVERYONE"
de Harold Prince
EUA- 1970
Comédia
110 min.
ÓTIMO ✩✩✩✩
Um filme de Harold
Prince
“Something For Everyone”
Roteiro de Hugh Wheeler
Baseado na novela
"The coock"de Harry Kressing
Produtora: National General
Production
Produzido por John Flaxman
Fotografado por Walter Lassally
Música de John Kander
Estrelando: ANGELA LANSBURY MICHAEL YORK
ANTHONY CORLAN
Co- estrelando: HEIDELINDE WEIS
EVA-MARIA MEINEKEN e JANE CARR





4 comentários:
Rô,
Aparantemente me parece ser um filme delicioso, vou baixar e vejo esta semana! Aguarde! rs
Gostei da história de ambição, na verdade pelo o uqe vc contou eu gostei de tudo, mas eu nunca tinha ouvida falar antes. Obrigada pela dica já está anotado pra ver. Bjss
Você hoje trouxe uma perola do cinema. Não vi, mas você conseguiu aguçar minha curiosidade por ter por trás nomes que realizaram grandes trabalhos.
Parabéns
Cris, Mirella e Gilson: Obrigado colegas blogueiros!
E vcs precisam conferir. É um filme muito peculiar, rs!
Abs!
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