sábado, 18 de setembro de 2010

STEVEN SPIELBERG | INDIANA JONES e o Reino Da Caveira De Cristal

INDY DE CABELO BRANCO
Houve muita expectativa e curiosidade. Eu ansiava e contava nos dedos, lembro que a estréia foi em um feriado estranho e o cinema estava vazio. De qualquer forma eu e minha Avó estávamos comendo pipoca e tomando refrigerante (Coca) daí o logo antigo da Paramount surgiu: INDIANA JONES e o REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL de Steven Spielberg George Lucas.

Foi realmente uma matinê de feriado.
Nostalgia e diversão. Anos depois ainda é divertido ver Indiana de volta enfrentando soviéticos e reencontrando sua amada Marion.
Houve uma impressão geral de decepção do grande público no Brasil com este filme, talvez por excesso de expectativa somado pela demora e boatos.



Não concordo. Achei este novo INDY divertido como deveria ser, movimentado à la Spielberg, cheio de ação, trama intelectual à la Lucas, auto- referente (lembra todos os anteriores [ em especial a participação especial da Arca da Aliança na sequência incial no galpão militar entre as caixas TOP SECRET] e sabe abrir caminho para futuras continuações) e toma todas as decisões corretas.
Embarquei de cabeça e me diverti completamente (foda-se a sessão vazia. Creio que funcionou melhor assim numa matiné de domingo) como os autores pretendiam, minha avó, por exemplo, sentiu-se numa matiné de domingo e deu detalhes de quando levava minha mãe e tias pra ver o Mazzaropi nestas sessões. 30 anos depois ela fez o mesmo com o neto. É besteira também dizer que não gostam da fantasia da resolução final (todos os filmes tem este epílogo), até porque isso fez dos filmes anteriores clássicos, partiam para a imaginação: os segredos misteriosos e fantasmagóricos na Arca da Aliança em Caçadores; o poder das pedras de sankara em Templo Da perdição (poder do fogo) e a verdadeira graça do cálice sagrado de Cristo em A Última Cruzada. Não é nada constrangedor ver Harrison Ford aos 65 anos voltar a fazer um filme de ação e aventura que o tornou ícone. Embora tudo seja levado com bastante humor, ele luta, briga, apanha, dá soco, pede tempo, sem nunca parecer ridículo ou obsoleto - nem mesmo a ocasional substituição por um dublê em cenas mais perigosas chega a atrapalhar - Defende com galhardia o personagem de Indiana Jones, agora em 1957, nos EUA de Eisenhower onde a ameaça dos comunistas soviéticos está deixando todo mundo paranóico e chega a lhe custar o emprego de professor universitário (meio período).



Antes disso, o filme começa com uma citação exemplar do clássico de George Lucas American Graffiti com um racha no deserto e as titulagens de praxe da série e uma surpresa quando ele se vê no meio de uma explosão nuclear (depois disso, já se sabe que ele é capaz de sobreviver a tudo, ainda mais do que nos bons tempos de James Bond!). Os inimigos logo se revelam: a vilã é uma russa ucraniana que deseja ter poderes paranormais e lembra as bandidas de antigamente quando não tinham qualquer sentimento redentor. Irina Spalko é pérfida assumida (meio homossexual) e em momento nenhum cai na caricatura graças, obviamente à presença carismática da ótima Cate Blanchett, Ela quer algo de Indiana e fará de tudo para conseguir, inclusive subornar um antigo amigo que virou traidor ( Ray Winstone, como Mac). E continuam as referências: ao caso Roswell, ao próprio Caçadores Da Arca Perdida, a aqueles antigos filmes de testes de bomba atômica, e mais tarde Contatos Imediatos do Terceiro Grau, ET, Tarzan e O Selvagem de Marlon Brando (Shia LaBeouf como o filho de Indy é um motoqueiro), musical de Elvis Presley, e naturalmente os antigos seriados dos anos 30 e 40.


Foram 19 anos desde o último episódio ( A Última Cruzada, 1989) porque não gostaram, ou melhor o produtor George Lucas não gostou de roteiros escritos por M Night Shyamalan, Tom Stoppard, Frank Darabont (este diziam que era muito bom - inclusive Darabont já trabalhou na série O Jovem Indiana). E quem acabou acertando foi o roteirista de praxe de Spielberg David Koepp ( o mesmo de Jurassic Park 1 & 2, Guerra Dos Mundos, Zathura, Missão Impossível, Homem-Aranha, O Quarto do Pânico enfim...). Sua solução foi contar com a cumplicidade da platéia que entende e percebe as referências ( como o medo de cobras, um momento em que Indiana Jones tenta usar o revólver como no primeiro e assim por diante). Infelizmente a própria escalação do elenco já revela a novidade nada surpreendente. Retorna Karen Allen, que foi a namorada de Indiana, Marion Ravewood, no primeiro filme. E como ela tem um filho jovem/adulto (Shia) não é difícil matar a charada. De qualquer forma, esse relacionamento acada dando um charme e humor ao filme e parece ser a base de uma futura continuação. Não espere muita verossimilhança na aventura. Pelo filme, as cataratas do Iguaçu (nunca mencionadas, mas que tem parte importante na história) ficam no meio da selva amazônica, mas para que serve um velho túmulo cheio de riquezas a não ser para desmoronar provocando uma fuga desesperada? Todos os clichês ou momentos clássicos se preferirem estão presentes e ainda funcionam porque a gente já entra no cinema disposto a curtir e torcer e vibrar com as façanhas rocambolescas do velho herói de chapéu e chicote. Alguns reclamaram do fato do filme invocar temas que parecem saídos de Eram Os Deuses Astronautas? Mas achei muito lógico porque afinal das contas é um filme de Spielberg, o cara que praticamente inventou o gênero com ET e antes dele, Contatos Imediatos. Sabe-se também que Sean Connery recusou sair da aposentadoria para reviver o personagem do pai de Indiana, que no filme é dado como falecido assim como o Dr. Marcus Brody, embora nesse caso realmente o ator que o interpretou Denholm Elliott tivesse realmente falecido. De qualquer forma, é uma homenagem adequada. Como o fotógrafo dos três filmes anteriores Douglas Slocombe, já morreu também, o sucessor Janusz Kaminsky que tem feito as fitas recentes de Spielberg procurou imitar seu estilo de iluminação, que lembrava as histórias de quadrinhos antigas. Por isso, não quis usar a técnica digital profetizada por Lucas. São detalhes que ajudam a apreciar melhor o filme que continua contando com a trilha musical de John Williams, que não fica nada a dever aos anteriores. Divirtam-se!




PARAMOUNT PICTURES APRESENTA
a LUCASFILM LTD. production
UM FILME DE STEVEN SPIELBERG
HARRISON FORD em:

CATE BLANCHETT. KAREN ALLEN. RAY WISNTONE
JOHN HURT. JIM BROADBENT. IGOR JIJIKINI & SHIA LaBEOUF
Música de JOHN WILLIAMS Elenco DEBRA ZANE 
cenografia GUY HENDRIX DYAS
Figurinos MARY ZOPHERS Montagem MICHAEL KAHN
Fotografado por JANUSZ KAMINSKI
Co-produtor DENIS L. STEWART
Produtores Executivos
GEORGE LUCAS. KATHLEEN KENNEDY
Escrito por DAVID KOEPP
Argumento
GEORGE LUCAS. JEFF NATHANSON
Baseado nos Personagens criados por
George Lucas & Philip Kaufman
Produzido por FRANK MARSHALL
Dirigido por 
STEVEN SPIELBERG
© 2008 LucasFilm ltd. UM FILME PARAMOUNT

EUA- 2008
Aventura
122 min.
PARAMOUNT
✩✩✩✩ ÓTIMO


8 comentários:

chuck large disse...

Rodrigo, estou me perguntando o porque cargas d' água, eu ainda não vi este último filme do Indy, mesmo sendo chato e não gostando de muitas fitas de ação/aventura, eu amor Indyana Jones, acho que não existe cara mais foda que ele (que me desculpe Bond e Chuck norris). Enfim, vou vê-lo e também aproveitar para rever os três primeiros filmes da saga, e falando nisso, se não me engano "Indyana Jones" ganhará mais uma continuação...

Abs.

Hugo disse...

É um filme bem legal, que mantém o nível da série. Acredito que está empatado com "A Última Cruzada" na qualidade, pois considero que os dois primeiros são sensacionais, completamente fora de série.

Abraço

pseudo-autor disse...

Eu também achei que a crítica pesou a mão quando do lançamento do último filme do Indy. É agradabilíssimo e essa história de que o Harrison Ford não tem mais carisma é balela.

Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com

Rodrigo Mendes disse...

ALAN:Assista meu filho, rs! É Spielberg e George Lucas po!

HUGO: Faço coro a você.

PSEUDO: Esses críticos querem ser chatos com filme pipoca.

Abraços à todos!
Rodrigo

Reinaldo Glioche disse...

Não achei o filme essa coca cola toda não (para ficar na expressão da moda e no seu refri da sessão). Mas é inegável que todos os igredientes que nos fizeram vibrar com Indy estão lá e não tem como não curtir o filme (sendo fã, claro). Gostei da abordagem do teu texto. Nostálgica e puramente cinéfila.
Abs

PS: Para recuperar uma discussão do tópico de comentários de Batman enfrenta coringa, eu não acho que o Duas caras deveria ter sido interpretado por qualquer outro ator que seja. O casting do filme foi perfeito.
Abs

Rodrigo Mendes disse...

REINALDO: A impressão que eu dei foi de fãn assumido, porém de crítico que gostou de um filme. Pra mim foi coca-cola na veia!Rs!

Este hiato provocou certa distância no filme. Foi difícil receber Indiana tanto tempo depois já que os tempos mudaram e conheço pessoas que nem sequer tinham noção da Guerra Fria, bomba atômica, Drive -in. Ou seja nada desta época!. Mas O Harrison continua ótimo. O problema é a temática fora de moda.

Quanto ao Batman: é algo que eu tenho contra os atores brancos de fazer o Harvey desde o Tommy Lee Jones (que ficou ridíclo). Claro que o Aaron é bom ator e fez um excelente trabalho neste filme. Mas acho que deveriam ser mais fiéis ao personagem como foi Heath fazendo Coringa e Bale Batman/Bruce Wayne. Até Gary como Gordon e Michael como Alfred. Para o restante do elenco caiu como luvas e a semelhança facial e tudo mais ficou perfeita. Insisto, exceto Harvey (na minha opinião), não ficou bom (como a figura Harvey Dent). Porém o efeito do acidente e o resultado "Duas Caras" ficou ótimo, mas ainda reforço é só o ator!
Já assistiu a série animada de 1991-93? 'Batman : The Animated Series'? Na primeira temporada (no box) do disco 2 há duas partes que conta a tragédia de Harvey. O desenho é um clássico, marcou minha infância e é fiel em todos os sentidos com a releitura do HQ de Frank Miller.

Abraços
Rodrigo

A Bola Indígena disse...

O meu filme favorito da saga de Indiana Jones continua a ser a Ultima Cruzada seguido dos Salteadores. Creio que este ultimo nao chega atingir o nivel desses mas não deixa de ser 1 bom filme

Reinaldo Glioche disse...

Já assisti essa série animada sim. Aliás, tenho de admitir que adoro suas ponderações sempre precisas.
Abs

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