UM OLHAR QUE EMOCIONA

Achei que este filme foi o grande injustiçado não só em premiações como Oscar e Cannes, mas de maneira genérica pelas pessoas. Tem uma bela fotografia do polonês Janusz Kaminski, que trabalha sempre com Steven Spielberg. Apenas isso, esta mera indicação ao Oscar de fotografia, além de montagem, roteiro do premiado Ronald Harwood de “O Pianista” e direção (Julian Schnabell, além de diretor do filme é artista plástico) ao menos o prêmio de melhor direção em Cannes. E mais nada. Schnabell também havia feito o interessante Basquiat e “Antes Que Anoiteça”. Merecia mais, porque é um filme de notável qualidade e impacto. E que nunca chegou a fazer o devido sucesso no Brasil. Ainda que poético, não se pode dizer que seja um filme fácil. É baseado em um acontecimento verídico. Jean-Dominique Bauby (1952-1997) - Mathieu Amalric, o vilão de 007 Quantum of Solace - era editor de uma revista feminina francesa, Elle, quando inesperadamente, viajando de carro pelo campo, sofre um derrame, no caso acidente cardiovascular, que por pouco não o mata, mas graças às drogas modernas, ele acorda em um hospital onde descobre que é prisioneiro de um corpo paralisado e só consegue se comunicar através de piscadas de um único olho.
Foi assim que conseguiu trabalhar com um código com uma enfermeira, que foi registrando sua história e seus pensamentos, no que iria resultar num livro de grande impacto. Para qualquer espectador é difícil encarar a nossa fragilidade e o medo de que algo parecido venha a suceder. Ao contrário, o diretor entrou no filme indicando Johnny Depp, que iria fazer o papel central e se revelou um diretor ideal para este projeto que foi co-produzido por Kathleen Kennedy, produtora parceira de Spielberg, até porque dois dos atores centrais trabalharam em um filme dele- “Munique”. Mas o grande desafio foi transpor visualmente um drama tão íntimo, tão pessoal e tão fácil de cair na autopiedade, mas conseguiram um tom adequado, com uma voz em off do protagonista, entremeado de seu cotidiano e flashbacks. É um filme que elogia o espírito humano pela sobrevivência, mas também um pranto pelo desperdício e sofrimento, de tantos amores e desencontros, tempo perdido e nunca recuperado. Com um grande elenco, classe A, o filme é excepcional e creio que obrigatório.
MIRAMAX FILMS apresentaUM FILME DE JULIAN SCHNABEL
' Le Scaphandre et le Papillon'
ESTRELANDO: Mathieu Amalric . Emmanuelle Seigner. Marie-Josée Croze
Anne Consigny . Patrick Chesnais .Niels Arestrup
Olatz López Garmendia . Jean-Pierre Cassel
Música de: Paul Cantelon . Diretor de Fotografia: Janusz Kaminski
Editado por: Juliette Welfling . Direção de arte: Michel Eric . Laurent Ott
Figurinos por: Olivier Bériot Produtor de linha: François-Xavier Decraene
Produtores Executivos: Jim Lemley . Pierre Grunstein
Produtor Associado: Léonard Glowinski
Produzido por: Jon Kilik .Kathleen Kennedy
Escrito por: Ronald Harwood
Escrito por: Ronald Harwood
França/EUA -2007
Drama
122 min
COR
10 anos
Distribuição: Europa
Nota: ✩✩✩✩✩ EXCELENTE
Drama
122 min
COR
10 anos
Distribuição: Europa
Nota: ✩✩✩✩✩ EXCELENTE

5 comentários:
Estou com você!
O filme realmente merece mais atenção, é lindo, muito bem dirigido e desenvolvido!
filmaço!
Abs ;)
ALAN: fazemos coro um ao outro amigo! O filme é lindíssimo em todos os aspectos. Ora na premissa, ora na técnica!
Abraços
Rodrigo
Também o acho obrigatório. Teve gente que me falou que não gostou por causa da câmera subjetiva, mas eu achei exatamente isso interessante. Fora o exemplo de vida.
bjs
Adorei o filme. Uma ótima lição de vida. Imperdivel.
Espetacular! O Julian Schnabel dirigindo é espetacular.
Cultura na web:
http://culturaexmachina.blogspot.com
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