quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

STEVEN SPIELBERG | MINORITY REPORT - A NOVA LEI

O PRÉ-CRIME FUNCIONA?


Num futuro próximo a capital dos Estados Unidos desenvolveu um método para deter crimes antes de acontecer.


O que dizer desta fita de Spielberg? O seu filme mais ágil e com elaboradas sequências de ação desde os tempos de Os Caçadores Da Arca Perdida e Jurrasic Park. O filme também é um estudo da tecnologia e um experimento audiovisual visceral, em que vemos e ficamos entorpecidos com a idéia de nunca mais usarmos fios ou teclados para trabalhar com monitores. Tudo é tão fino (plasma) que praticamente neste futuro arrojado, os Pc´s, notebooks ou mesmo a ideia de iped já foram substituídos.
Aqui, Spielberg coloca o astro TOM CRUISE num dilema: quando há exatamente seis anos não existe mais crimes na cidade de Washington (D.C. - Capital), graças a uma impressionante e questionável tecnologia que identifica os assassinos antes de que eles possam cometer seus crimes. Cruise interpreta o chefe desta divisão de homicídios o Detetive John Anderton, que fora um bom policial, aquele com o feeling dos velhos tempos, em que a dedução era investigada ao longo do processo de um caso criminal sem saber o que iria ocorrer, mas agora graças a implantação do chamado: 'Pré-crime', que na trama foi eleito num plebicito nacional em que os cidadãos votaram para acabar definitivamente com todo tipo de violência, já que o grau de estupros, assassinatos, etc cresceu em frequências quantitativas. Assim foi desenvolvido esta tecnologia estranha onde três seres meio humanos são conectados ao sistema operacional (sei lá -o filme não da pistas definitivas é mesmo uma fantasia) e através de suas mentes, todas as premonições são ilustradas na tela dando detalhes incríveis do dia, local e nomes dos envolvidos na premissa diabólica do crime.




Spielberg não explora isso com meros detalhes e inventa coisas ( como bolas de sinuca descendo por um cano e dando o nome do criminoso e da vítima) e sim com uma narrativa de ação e suspense empolgante e faz uma ótima abertura de como o Pré-crime funciona. Ademais uma imagem explica melhor do que mil diálogos.

Neste âmbito, vemos Cruise trabalhando no caso e chegando ao local do crime, dando ordem de prisão ao futuro assassino. Mas quando Anderton quer investigar um "eco", ou seja, um caso misterioso de um assassinato resolvido e não resolvido, pelo fato da pessoa que não foi morta ter desaparecido dos arquivos da polícia e que fica aparecendo na mente de um dos pre-cogs (o seres carecas que fazem as premonições - no caso dois gêmeos masculinos e uma moça), as coisas ficam feias para o seu lado. Obviamente o herói é inocente e ficamos do lado dele em meio a perseguição quando este é acusado de matar um sujeito estranho que ele nem se quer conhece. Assim, o filme começa a explorar esta dúbia situação da divisão do Pré-crime. Agora um de seus defensores que guarda um terrível passado (Cruise) será um futuro assassino e o sistema começa a ser questionado, por mais que ele seja um sistema ímpar que nunca se engana, Anderton tem 36 horas para descobrir a verdade e a emboscada que armaram para ele. Quem é o responsável por isso? Um jovem policial que critica os métodos de John (feito pelo promissor astro COLIN FARRELL) ou mesmo o velho mentor dono da divisão que sempre o protegeu ( o ótimo veterano MAX VON SYDOW)?

Minority Report é sobretudo um thriller de ação-pipoca do magistral Spielberg que tem o dom de realizar este tipo de filme. Ele é diferente porque o estilo Spilberguiano foge um pouco da autoria do mago cult da ficção - científica, o escritor PHILIP K. DICK ( Blade Runner, Total Recall, O Homem Duplo).


Spielberg prefere contar a história neste futuro noir num filme de ação com pausas necessárias e timing enpolgante. É justificável que ele tenha repetido a fotografia e gênero de seu próximo filme quando sua estréia no formato veio com o magnífico A. I. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, projeto do saudoso Stanley Kubrick. Talvez por uma questão de autoria, Spielberg quis exercitar outra fita neste estilo pelo fato de A. I. ter tido mais a trademark de Kubrick. Aqui a marca é unicamente de Spielberg.

O filme seria dirigido por JAN DE BONT (diretor de Velocidade Máxima, Twister e Lara Croft : A origem Da Vida) que já havia trabalhado com Spielberg antes, mas aqui acabou sendo um dos produtores. O ponto alto foi a primeira parceria com Tom Cruise que esta bem no filme e compõe um personagem trágico e sombrio, o que não aconteceu no inocente e desastroso GUERRA DOS MUNDOS. Cruise deixa-se levar pela direção de Spielberg e não intervêm muito na criação do filme.

Creio que é uma ótima pedida. Uma sessão inteligente e cheia de aventuras e reviravoltas, um Steven Spielberg que já estava dando saudade. 


 

EUA-2002
AÇÃO
COR
148 min.
14 ANOS
 FOX
 ✩✩✩ BOM

TWENTIETH CENTURY FOX E DREAMWORKS PICTURES APRESENTAM
UMA PRODUÇÃO: CRUISE/WAGNER/BLUE TULIP/
RONALD SHUSETT/GARY GOLDMAN
UM FILME DE STEVEN SPIELBERG
TOM CRUISE
MINORITY REPORT
COLIN FARRELL. SAMANTHA MORTON. LOIS SMITH
STEVE HARRIS. NEAL MCDONOUGH
TIM BLAKE NELSON. DANIEL LONDON
KATHRYN MORRIS E MAX VON SYDOW
MÚSICA DE JOHN WILLIAMS  EFEITOS ESPECIAIS ILM
FIGURINOS POR DEBORAH L. SCOTT    EDITADO POR MICHAEL KAHN
DESENHISTA DE PRODUÇÃO ALEX MCDOWELL
FOTOGRAFIA JANUSZ KAMINSKI
PRODUTORES EXECUTIVOS  GARY GOLDMAN   RONALD SHUSETT
PRODUZIDO POR GERALD R. MOLEN   BONNIE CURTIS
WALTER F. PARKES   JAN DE BONT
BASEADO NA OBRA DE PHILIP K. DICK
ESCRITO POR  SCOTT FRANK   JON COHEN
DIRIGIDO POR
STEVEN SPIELBERG

12 comentários:

renatocinema disse...

Gostei do filme. Achei que merecia mais sucesso. A atriz principal, da show. Ela é muito talentosa e merecia mais destaque.

Ari Cabral disse...

Apesar do argumento interessante e do desenvolvimento muito bom, o filme é cheio de furos. E tem erros de continuidade grotescos na produção e no roteiro. A cena em que ele chuta fora a janela do carro e depois sobe na mesma janela é terrível. Além daquela cena em que ele, sendo procurado por todos, usa seu próprio olho para abrir a porta da área dos pré-cogs. Não tiraramn ele dos sistema? E o alarme? Gosto de verdade do filme, mas esses erros... tsc tsc.

Sandro Azevedo disse...

Concordo com o comentario acima! O filme eh realmente bom e merecia mais sucesso (assim como AI que, pra mim, eh um dos melhores filmes do Spielberg!) Abraco!

Sandro Azevedo
blog24fps.blogspot.com

Rodrigo Mendes disse...

RENATO: A Samanta né? Sim ela é ótima e gosto dela tbm em Elizabeth e O Libertino com Johnny Depp. Abs.

ARI: Olá! Bem vindo. Esta cena do carro ele chuta uma das janelas e sobe na outra. E ele tinha poucos minutos para entrar no templo antes de ser identificado, fazia parte do futuro dele sendo investigado pelo Pre-Crime. Rs! Valeu as observações, todavia o filme é mais do que fantasia não é mesmo? Isso é uma verdade. Abs.

SANDRO: tbm concordo com o Renato Sandro! Spielberg esta em boa forma nestes dois noir da sci-fic. Abs!

Amanda Aouad disse...

Gosto do filme, apesar dos furos, nos envolve e a revelação final empolga. Mas, pra mim está longe de entrar na lista de melhores de Spielberg. Não de um diretor que tem no currículo filmes como E.T., Tubarão, A lista de Schindler, A Cor Púrpura, Parque dos Dinossauros, etc...

Quanto a A.I., não podemos esquecer que ele é muito mais de Kubrick que dele. Reforço isso, porque acho que a contribuição final de Spielberg acabou fazendo o filme se perder.

bjs

! Marcelo Cândido ! disse...

Nunca vi mas qualquer filme com Spielberg por perto empolga...

História é Pop! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
História é Pop! disse...

Menino, esse filme é bom uma quantidade!!!!!
Faz parte da boa safra “futurista ou psicodélica, sei lá” (, Gattaca,Blade Runner e outros)
Tom Cruise está bem no filme, e a fotografia é Show de Bola!
Ficção científica e ação se misturam perfeitamente nesse thriller de mistério e emoção

Anônimo disse...

Amo esse filmes inteligentes e bem bolados. O mundo do filme me fez brilhar os olhos. toda a invenção da tecnologia, os carros na rua, e principalmente a idéia de combate ao crime é genial! É mesmo uma fantasia, e tbm não entendi o lance daqueles corpos que fazem premonições, mas isso é o de menos.! Spielber e ficção científica sempre dá certo ;)

Ricardo Morgan disse...

É sensacional esse filme, princiaplmente pelo argumento temático!

Cristiano Contreiras disse...

Ah, ótimo demais seu texto.

Acho um espetáculo esse filme e deveria ser mais apreciado - e também valorizado pelos cinéfilos.

Ah, Samantha Morton merecia uma indicação ao Oscar como coadjuvante, ela atua muito, muito emocional no filme e torna ele mais denso e interessante.

abraço!

Reinaldo Glioche disse...

É um filmaço mesmo. Spielberg em excelente forma. Um filme que diverte e tem muitas camadas filosóficas tb. Penso que este filme (talvez aliado a Munique) sejam os únicos em que os detratores de Spielberg não podem argumentar que ele cede a uma infantilidade mal resolvida e suaviza seu final. Minority Report, embora não receba esse rótulo, é dos melhores de Spielberg.
Abs

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